Notas iniciais
Palavra do dia: toleima (tolice, parvoíce) Música do capítulo: Oh Father (Madonna); neste caso, apropriei-me da música para me referir à relação entre mãe e filha

A informação de que Maureen estava num abrigo chegou a Jessie por acaso. Decidiu visitá-la, não por respeito ou afligimento, mas... Não sabia explicar a razão...

Maureen ficou surpresa. Os olhos cansados marejaram. Sentaram-se no banco do jardim. Ao redor, viam mulheres como elas, marcadas pela dor. Depois de um silêncio incômodo, Maureen finalmente começou a falar. Não fui uma boa mãe. Jessie fechou os olhos; não queria ouvir toleima.

Mas Maureen continuou, fixa no vazio. Ele também me estuprava. Jessie estremeceu. Me perdoe. Sei que não mereço, mas... Me perdoe.

Jessie levantou-se e saiu do abrigo sem dizer adeus.

Notas finais
Não deu para explicar em detalhes, mas a Maureen estava em um abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica e não em um abrigo para idosos. Não vou gastar saliva discutindo nas notas se o que a Maureen fez é ou não perdoável, porque sempre escrevo minhas histórias supondo que os leitores têm senso crítico e são capazes de fazer seus próprios julgamentos. Apenas trouxe algumas camadas a mais de reflexão, porque, afinal, a vida é assim: caótica e complexa.