The Sound Of 2 Hearts: Segunda Temporada
17 The Same Mistake Again
Notas iniciais
- Justin
O caminho de volta fora silencioso. O que havia acontecido ali? O que eu havia feito? Era para eu me aproximar dela e não trocar saliva com ela. Tecnicamente, eu havia traído a Selena. Parte de mim me odiava por aquilo. Mas também não se arrependia. Eu só queria saber por que eu estava me sentindo daquele jeito.
No hotel, cada um foi para seu quarto, em silêncio. Fechei a porta do quarto devagarinho, para não fazer barulho. Troquei de roupa e deitei na cama, enterrando a cabeça no travesseiro. O ar condicionado estava ligado, mas mesmo assim eu ainda sentia um calor terrível. Diminui a temperatura e tentei dormir.
Não tive o prazer de sonhar naquela noite. E a manhã pareceu chegar rápido demais.
— Justin? – Kenny veio me acordar. Já eram nove horas da manhã. – Ei, onde estamos? No polo Norte? – Ele caminhou até a cômoda e aumentou a temperatura do ar condicionado.
— Estava com calor ontem.
— É, mas não pode ficar nesse frio. Dormiu sem cobertor? E sem blusa?
— Desculpa, mamãe. – Resmunguei.
— Vai acabar pegando um resfriado. Vai tomar um banho e desce, temos uma entrevista hoje. – Saiu do quarto.
Reclamei baixinho e me levantei. Entrei no banho e deixei a água relaxar meus músculos tensos por causa da noite mal dormida. Como eu queria não me sentir daquele jeito. Era estranho, era bom ao mesmo tempo.
Saí do banheiro ainda meio aéreo, tentando não pensar em nada. Alguém bateu na porta e em seguida entrou, sem nem ao menos esperar minha resposta. Era o Alfredo.
— Onde vocês estavam ontem à noite? – Perguntou, com um sorrisinho.
— Levei-a para jantar. – Contei, pegando uma boxer e uma calça na mala. Coloquei a cueca por debaixo da toalha e depois soltei a toalha, colocando a calça. Alfredo abriu um sorriso, como se disse: Eu avisei. Ele não avisou merda nenhuma.
— O que é? – Quis saber, colocando agora uma blusa.
— Eu sabia que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde. Como foi?
— Podre.
— É por isso que está de mau humor?
— Não dormi direito.
— É por causa do jantar que não dormiu direito e consequentemente ficou de mau humor? – Reformulou a pergunta. Olhei para ele, fazendo cara feia. – Ok, entendi.
— Obrigado. Aonde vai ser a entrevista? – Perguntei, mudando de assunto.
— Good Morning America. – Respondeu, distraído com meu celular.
— Que irônico. – Resmunguei, olhando o horário no relógio. – O que está vendo aí?
— Não sabia que tinha o número da Miranda aqui. A Selena gostou do perfume? – Ele riu. Droga, o infeliz estava vendo as mensagens. Cruzei o quarto passando por cima da cama e tentei tirar o celular de sua mão. – O que é isso? Uma mensagem de desculpas? Pelo quê? Por que não enviou? – Eram perguntas demais. Não respondi nada, apenas tentei pegar o celular de volta. Comecei a dar leves murros nele, mas se ele não cedesse, eu ia bater mais forte. – Ok, ok! Eu te devolvo e você responde as perguntas. Pode ser?
— Ah... – Pensei na proposta. Era o melhor que eu conseguiria, por isso aceitei. – Tá, que seja.
— O que você fez? – Perguntou, devolvendo o celular. Mudei a senha ao pega-lo de volta.
— Isso foi quando nós terminamos. – Respondi, mau humorado.
— Por que vocês terminaram?
— Foi... A gente... A... Foi minha culpa. – Falei, por fim, admitindo até para mim mesmo.
— Ah...
— Eu quase a deportei de volta para o Brasil. Acabei contando o que não devia e deu problema. – Encarei o chão, surpreso comigo mesmo por ainda sentir mágoa ao lembrar essa história. Como se não fosse minha, nossa. Eu me sentia meio expectador. – Ela ficou tão chateada comigo, tão triste. Disse também o que não queria, eu acho. As coisas que ela me disse... – Ah, droga, eu não ia chorar na frente do cara que estava azarando ela. – Nós terminamos. Cada um foi pro seu canto e foi assim. – Terminei, de modo frio.
— Cara... – Ele riu fraco. Senti vontade de xingá-lo. O que havia de engraçado nisso, seu inútil. – Você ainda gosta dela. – Coçou a cabeça.
— Não viaja, Fredo. Eu tenho a Selena e estou bem assim. – Garanti.
— Daria no mesmo se não tivesse. – Bufou. – Já percebeu no modo como você fala da Miranda? Só falta seus olhos explodirem em chamas, do tanto que eles brilham.
— Cala a boca.
— Quer que outra pessoa diga isso? Posso chamar o Kenny aqui ou o Scott... Até mesmo ela. – Deu ênfase na última palavra, olhei para ele, me sentindo um idiota.
— Você só abre a boca para falar besteira, não é mesmo? – Tentei me esquivar.
— O que aconteceu ontem, Justin? – Fredo me ignorou.
— Nada.
— Ah, claro. Você sai com uma garota para jantar e gosta dela. Vão ficar sozinhos, rir muito, se divertir. Você no mínimo vai tentar algo. O que rolou?
— Eu a beijei. – Confessei, colocando a cabeça entre as mãos. Ele pareceu satisfeito. Por mais que Fredo estivesse me irritando com aquele assunto, era bom falar sobre aquilo com alguém.
— Por que?
— Não vai começar a gritar, dizer que eu traí a Selena?!
— Não. Porque dependendo do motivo, eu desconsideraria a ideia de uma traição.
— Não sei porque a beijei. Foi mais forte que eu. – Recostei-me na cadeira, jogando a cabeça para trás.
— Você precisa parar um pouco, JB, e se perguntar de quem você realmente gosta. Quem você ama? Sabe algo que eu reparei, você nunca disse que amava Selena. Já amou alguma vez, J?
— Você fala como se tivesse 70 anos. – Resmunguei.
— Sabe que se eu quisesse, escreveria um livro sobre a vida. – Gabou-se.
— Que seja.
— O que vai ser, JB? Eu acho que você está numa situação complicada. – Ele se levantou e foi para a porta. – Vamos?
— Não pode ficar me dizendo coisas filosóficas e depois quebrar o clima assim. – Falei, indo até ele.
— Deixa de ser gay, garoto! Anda logo!
Bati nele e saí do quarto, passando o cartão para trancar.
O estúdio estava todo montado, pessoas corriam para lá e para cá. Graças a Deus o programa não seria ao vivo. Seria gravado hoje para ser exibido amanhã. Algumas pessoas me diziam coisas, mas eu estava meio fora de mim, bem longe daqui.
— Ei, J. Vem, temos que te arrumar. – Ry Good apareceu de repente, me puxando. Apenas assenti, seguindo-o até o camarim. – Mirandinha, eu quero falar com você depois. – Disse ele quando passamos por ela, que sorriu e assentiu. Ela me olhou rapidamente e baixou a cabeça.
Vesti a roupa que Ryan me deu. E corremos de volta para o estúdio. Selena estava lá, conversando com algumas pessoas. Sorri e fui até ela.
— Bom dia, gatinha. – Dei um beijo em sua bochecha.
— Bom dia, Jus. Com licença. – Ela pediu às pessoas com quem conversava e nos tirou dali. – Onde você estava ontem à noite?
— Eu... Eu...
— Sabe o que mais eu quero saber? Por que eu não encontrei nem você nem Miranda no hotel? Você saiu com ela, Justin? – Ela cruzou os braços, esperando a resposta.
— Saí, consegui me aproximar dela. – Sorri, meio vitorioso.
— Mas... – Ela abriu a boca para falar e fechou. De repente seu rosto se suavizou. – Fico feliz que esteja se empenhando tanto nisso. Você realmente quer isso, não é? Por um momento achei que você estava me traindo. – Ela riu. Ri também. Merda. – Nem pense em fazer isso, Jus. – Disse ela, estreitando os olhos, parando de rir.
— Não penso. – Garanti, abraçando-a pela cintura.
Aquela conversa com Alfredo não valeu nada. Não havia essa de escolher. Eu estava com a Selena agora e Miranda era passado. E falando nisso, eu precisava começar a escrever a música. Eu ainda tinha mais três semanas e dois dias.
O produtor me chamou e disse que eu já ia entrar. Respirei fundo e entrei, sendo recebido por muitos aplausos gravados. A moça começou a falar sobre um monte de coisa, sobre a turnê, CDs e coisas do tipo.
— Como está o coração, Justin? – Ela quis saber. Eu não gostava de falar sobre aquilo, principalmente depois do meu relacionamento com Miranda.
Miranda, Miranda, Miranda. Era só aquilo que minha mente relacionava. Senti vontade de me dar um tapa na cara, mas estava na frente de todo mundo, por isso me contive.
— Estamos indo. Quero dizer, eu e Selena, você sabe. – Sorri fraco.
— Sim... Mas e a sua ex? Vocês têm aparecido juntos ultimamente...
— Ah... Ela está trabalhando com a gente. – Contei, sorrindo fraco.
— Vocês estão trabalhando juntos? Como é isso? – Perguntou o outro cara, que eu sempre esquecia o nome.
— É. Normal, nada demais. Somos bons amigos. – Garanti, sentindo-me mais seguro no campo da mentira.
A entrevista acabou alguns minutos depois. Eles me pediram para cantar uma música e eu saí, voltando para o camarim.
— Ai, desculpa. – Uma menina esbarrou em mim. Miranda. – Ah.
— Tudo bem. – Sorri.
Ela voltou a atenção para o celular e continuou andando. Segurei seu braço e a puxei para dentro do camarim, depois tranquei a porta.
— O que é isso? – Ela quis saber, me fuzilando com o olhar.
— Precisamos conversar.
— Sobre?
— Nós. – Falei mais baixo. Ela começou a rir.
— Nós? O que você tem para falar sobre esse Nós? Ele ao menos existe? – Ela ria.
— Estou falando sério, Miranda. Não quero que tenha a impressão errada. O que houve ontem foi...
— Estranho? Constrangedor? Ofensivo? É, eu também achei. – Deu de ombros.
— Eu gosto da Selena. Mas quero ser seu amigo, você entende. Não quero que a gente confunda as coisas.
— Então vamos deixar nem claro: eu não gosto mais de você e você não gosta mais de mim. – Disse, olhando nos meus olhos.
— Eu... Não gosto mais de você. – Afirmei, apesar de ter quase gaguejado.
— Por mim, ótimo. – Sorriu. Mas havia algo de errado, aquele sorriso não estava completo.
— Perfeito.
— É, agora, por favor, abre essa maldita porta que eu quero sair daqui. – Ordenou.
— Com prazer. – Por que mesmo a gente estava falando daquele jeito um com o outro?
Girei a chave e ela saiu. Tranquei a porta de novo e senti vontade de esmurrar algo. Aquilo era difícil demais para mim. Não fora um erro, não estava ótimo eu saber que ela não gostava mais de mim. Merda de sentimentos. Eu queria poder não sentir mais nada.
Mas era melhor assim. Se Selena desconfiasse o que havia acontecido noite passada, eu era um cara morto.
Recebi uma mensagem do Christian: “Adivinha quem está na área! Venha nos buscar no aeroporto, mané.”, ri daquilo. Troquei de roupa o mais rápido possível e pedi a Kenny que me levasse até o aeroporto. Selena veio com a gente. Sabia que ia dar problema, já que a Cait não ia muito com a cara da Selena. Afinal de contas, por que nem Ryan, Chaz ou Caitlin não gostam da minha namorada? Que inferno!
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