Notas iniciais
Eternidades, I KNOW. Mas esse com certeza foi o capítulo MAIS difícil de escrever. Todos os dias eu ia no rascunho e mexia em alguma coisa. É muito complicado dar 1 final pra isso aqui. Mas eu tentei, acho que ficou decente. Então, espero mesmo, MESMO, que gostem. E se não gostarem, não me contem 8(

Final Alternativo II

— Meu Deus, eu havia me esquecido completamente de como era sentir isso descendo pela garganta. – Miranda riu do próprio comentário, enquanto olhava com desejo para seu milk-shake de morango.

Eu não conseguia dizer muita coisa, apenas a olhava, com tanta expectativa e felicidade que poderia explodir por mal me caber dentro de mim mesmo. Ela havia mudado, não podia deixar de reparar. Seu cabelo estava mais curto, bem mais curto, suas bochechas estavam levemente rosadas e ela estava mais magra que antes.

Não sabia se meu coração ainda batia, parecia mais vibrar que qualquer outra coisa. Minha coca estava intocada na minha frente. O McDonald’s estava meio vazio, para total surpresa de Kenny. Também não faria diferença, se estivesse cheio, eu o faria fechar para ter alguma privacidade com Miranda.

— Como foi lá? – Eu perguntei de repente. Eu estava sedento de informações. Sabia que poderia ser bastante incômoda para ela ter que falar sobre aquilo, mas eu fiquei sem noticia por tanto tempo! Não era justo comigo também! Eu pensei que ela havia...

— Foi... Diferente. Todos foram bem legais comigo, me ajudaram bastante a enfrentar tudo. – Ela encolheu os ombros, ainda olhando o sorvete. Assenti, apesar dela não ter visto e resolvi beber minha coca. – E por aqui?

— O de sempre... Só que sem você. Muito sem graça. – Dei de ombros também, ela repetiu meu gesto e sorriu mordendo o lábio inferior. – Eu estava com muita saudade.

— Também senti muita saudade, Jus. – Ela fez um biquinho e deitou a cabeça em meu ombro.

— Impossível não sentir minha falta. – Brinquei, passando a mão pelo seu cabelo que não chegava nem aos ombros. – Gosto dele assim.

— Hein? De quem? – Ela levantou a cabeça e me olhou engraçado.

— Seu cabelo. – Voltei a mexer nele.

— Ah. – Suas bochechas coraram. – Pensei que acharia estranho.

— Você é linda de qualquer jeito. – Pisquei, vendo-a corar ainda mais. Inclinei minha cabeça para poder beijar sua boca, mas Kenny entrou em nossa esfera de felicidade.

— Menina, como é bom ter você de volta. – Ele disse, sentando-se na cadeira à nossa frente, ignorando o olhar homicida que eu lhe lançava.

— Ah, Ken, obrigada.

— Eu que agradeço! Juro! Há tempos que o Rei do Swag aí não abria um sorriso como esse. – Kenny continuou com seu falatório momentaneamente desnecessário.

— Sério? – Miranda pareceu interessada.

— Uma noite ele disse que não estava conseguindo dormir, aí tivemos que incomodar o pessoal do hotel de madrugada, pedindo um leitinho quente para o bebê dormir calminho. – Contou ele, tomando um gole da minha coca. Ótimo, agora ele vai começar a me zoar. Miranda me olhou, com curiosidade e riu.

Olhei para baixo, sem graça.

As histórias sobre meu período obscuro – sem Miranda – se seguiram por mais uma hora. Até que alguém tinha que defender minha dignidade, então bati a mão na mesa e me levantei.

— A gente pode ir embora agora? – Pedi, olhando o relógio na parede.

— Claro. – Miranda levantou e pegou seu casaco, vestindo-o em seguida.

— Em que hotel você está? – Kenny quis saber.

— Na verdade, meus pais ficaram hospedados na casa de uns amigos enquanto eu estava me recuperando. Tecnicamente, eu estou desabrigada. – Ela riu de novo.

— Não seja por isso. – Passei o braço por seus ombros e nos guiei para fora da lanchonete. Muita gente estava do lado de fora, o ar cheirava a expectativa.

— Oi, gente. – Miranda acenou, completamente tímida, para algumas garotas que estavam mais perto da entrada. Elas acenaram de volta, com sorrisinhos nos rostos. Acenei também.

— Seus pais, onde estão? – Kenny quis saber, ligando o carro.

— Eles voltaram para Atlanta há alguns dias. – Respondeu. Fiquei impressionado.

— Espera, já tem quantos dias que você saiu? – Perguntei.

— Dois.

— Ah, e quando você volta para a América?

— Quando você voltar. – Olhou para mim, com um sorriso.

— Sério? Beleza! – Comemorei, pensando que mataria toda a minha saudade antes mesmo de voltarmos para casa.

— Então, acho melhor ligar para o Scooter e pedir mais um quarto...

— Tá no crack, Kenny? – Interrompi-o. – Ela vai ficar comigo.

— A Miranda tem direito de escolher, né JB? Ela pode estar de saco cheio de você. Acho que quando viu os prazeres de uma vida sem sua chatice...

— Eu to aqui ainda, sabiam? – Ela nos interrompeu.

— Eu sei! – Apertei mais o abraço em torno de sua cintura.

— Vamos para o hotel, lá a gente decide. – Kenny deu a palavra final. Concordamos e voltamos a ficar em silêncio.

Aquilo tinha que ser o paraíso, meu paraíso.

— Podemos passar na Lorrimore Road? Preciso pegar minhas coisas na casa dos amigos do meu pai. – Miranda pediu, olhando diretamente para Kenny, que assentiu de volta.

— Vai ficar o resto do dia todo comigo, não adianta nem dizer não. – Sussurrei em seu ouvido.

— Nem se eu quisesse eu ia ficar longe de você, hoje. – Ela sussurrou de volta, roçando seus lábios nos meus enquanto falava.

— Bom saber. – Respondi, rindo fraco, nossas respirações se misturando.

— Estou de olho em vocês dois aí atrás, hein? – Kenny nos interrompeu.

— Ninguém está pedindo para você olhar. – Respondi, mal-humorado. Ele estava sendo um chato! Só ficava nos interrompendo!

— Justin! – Miranda me repreendeu, afastando um pouco de mim e deitou a cabeça no meu ombro.

Passamos na casa dos amigos da família dela e fomos para o nosso hotel. Eu estava particularmente feliz e orgulhoso de ter minha garota de volta e iria aproveitar o máximo que pudesse. O Macdonald Castle Hotel estava ainda mais bonito quando chegamos. Eu não conseguia parar de gostar de Londres.

— Uau. – Foi o que Miranda disse assim que descemos do carro. – Você alugou um castelo?

— É um hotel e você sabe. – Respondi, pegando sua mão e a puxando para dentro.

— Aí está ela! – Scooter veio abraçar Miranda. É, eu seria ignorado por algum tempo.

— Oi, Scott. – Ela sorriu. – Muito tempo.

— Nem me fala! Minha pequena já está melhor?

— Uhum. – Ela parecia uma criancinha.

— Brasileirinha! – Fredo veio correndo falar com ela. Calma, JB, respira fundo...

Eles se falaram por algum tempo. Vendo que ficaria de fora da conversa sobre guaraná e pão-de-queijo, fui conversar com Scooter sobre algo de meu interesse.

— No mesmo quarto? – Ele me olhou enviesado.

— É. Ah, qual é. Somos grandinhos, não acha? – Me precipitei em falar o que não devia. Ele engasgou com a própria saliva e limpou a garganta.

— Seja como quiser. – Disse rapidamente e foi para perto de Dan, conversar sobre qualquer coisa.

— Oi. – De repente Miranda estava do meu lado. – O que você fez com o pobre Scooter? Ele pareceu abalado.

— Hein? Eu? Nada. – Cocei a nuca. – Resolvi tudo, vamos subir. – Peguei sua mão e a puxei para o elevador.

— Você está tão apressado hoje. – Observou ela.

— O que quer dizer? – Franzi o cenho. A porta do elevador se abriu e nós entramos.

— Quero dizer que: passamos tanto tempo longe, devíamos aproveitar isso mais devagar, desfrutar cada minuto, cada momento. Se você me puxar pra cima e pra baixo o dia todo, vai passar rápido. – Explicou, com os braços em volta da minha cintura, enquanto os meus estavam em seus ombros.

— Você tem razão, desculpe. Eu só queria ficar sozinho com você, tipo... Ter você só para mim, sem gente para atrapalhar. – Fiz um bico, culpado. Ela abriu um sorriso adorável.

— Então vamos ter esse momento tão esperado pelo meu namorado lindo. – Ela disse, levantando as mãos e enlaçando meu pescoço.

— Repete isso. – Pedi, sorrindo.

— O quê?

— Namorado lindo. – Sorri ainda mais, presunçoso ao extremo.

— Ah, Deus. – Rolou os olhos. – Namorado mais lindo, mais incrível, que eu mais amo nesse mundo. – Me deu um beijinho na bochecha, depois torceu o nariz. – Quanta glicose. – Brincou.

— Eu gosto quando você fica carinhosa comigo e não tá me chamando de Bieber. – Entrei na brincadeira. – Ainda bem que não sou diabético.

— Verdade. Se não, estava ferrado com todo esse mel. – Apontou para nós dois. Ri fraco.

A porta do elevador abriu, nos afastamos um pouco para manter as aparências. E ouvimos gritinhos estridentes.

— Justin! – Uma delas gritou, entrando no elevador aos pulos. Senti todas terminações nervosas transformarem em gelo o sangue que corria em minhas veias. Institivamente, segurei o braço de Miranda, um pouco forte demais.

— Hey meninas! – Miranda disse, levando sua mão automaticamente onde eu apertava. Tentei esboçar um sorriso. – Que tal se... A gente sair do elevador, liberar ele e aí vocês podem abusar do Bieber? – Ela propôs, delicadamente.

Elas soltaram risadinhas e saíram, para que a gente pudesse sair. Movi meus pés com esforço e desespero, querendo sair dali e pisar em algo realmente firme que não tivesse uma vala logo abaixo.

— Todinho seu. – Miranda anunciou, se afastando um pouco, ao notar que minha respiração normalizou.

Eram quatro garotas. Dei graças à Deus internamente por apenas uma ter entrado no elevador, e não todas de uma vez. Tirei fotos com cada uma delas e até conversamos um pouco. Engraçado como eu nunca me cansava daquilo, era sempre como algo novo.

Levantei o olhar do caderninho onde escrevia uma mensagem e notei Miranda encostada à parede, nos olhando com um sorrisinho nos lábios. Senti-me mal por não estar passando aquele tempo com ela... Quero dizer, ficamos meses separados, eu deveria dar toda minha atenção a ela.

Antes que eu pudesse fazer algo, uma das meninas notou minha pequena distração e chamou Miranda para tirar uma foto com ela.

— Você não me quer numa foto, vai por mim. – Ela negou, tímida.

— Deixa disso! – A garota insistiu.

— Se eu estragar a foto, não reclame. – Fez uma careta. Revirei os olhos, lá vamos nós de novo. Elas se abraçaram e eu me ofereci para capturar a foto. – Careta! – Uma delas gritou antes que eu apertasse o botão e todas elas fizeram caretas estranhas.

— Gostei. – Falei, sincero, olhando a foto na câmera.

— Ah! Ficou linda! – Elas gritavam.

— Posso ver? – Miranda se esticou para poder ver e eu afastei a câmera. – Que foi?

— Você vai falar que ficou feia, mas aí eu vou dizer que você é linda e vamos ficar num impasse. – Previ o futuro, fazendo-a rir.

— Ok, Justin. – Ela revirou os olhos. – Manda para o meu twitter. – Ela piscou para as meninas.

— Bom, gatinhas, nós temos que ir. – Falei, dando um beijo na bochecha de cada uma delas. Miranda apenas acenou, sem graça demais para se aproximar muito.

Elas chamaram o elevador e nós seguimos nosso caminho, indo para o meu quarto naquele hotel. Suíte júnior, um mimo que eu me dei o luxo de ter. Qual é, eu precisava me distrair com alguma coisa, e as opções de suítes júnior aqui em Londres são demais!

— Uau. – Ela disse, assim que abri a porta. – Você vai morar aqui?

— É a segunda vez que você fica assim por causa do hotel. – Ri daquilo, puxando-a pela mão e fechei a porta.

— Você resolveu competir com a Rainha. – Ela debochou.

— Não vamos falar sobre a porcaria do hotel. – Ralhei.

— E quer fazer o quê? – Colocou as mãos na cintura, olhando em volta. Ri fraco e a puxei pela cintura.

— Tenho uma ideia. – Sussurrei em seu ouvido, sentindo-a estremecer.

— Eu vou gostar?

— Espero que sim. – Ri, fazendo-a arrepiar, dessa vez.

Sem mais, beijei-a, enfim. Desde que a vi no pátio eu quis fazer isso. Seus braços passaram para o meu pescoço, fazendo algum carinho ali, alternando para meu cabelo, sem se decidir. Enquanto eu segurava firmemente sua cintura contra meu corpo, sentindo cada curva perfeita de seu corpo se moldar no meu. Suspirei, sentindo toda a minha saudade se manifestando ali.

Girei nos calcanhares, levando-a junto e dei alguns passos, até cairmos na cama enorme e macia do quarto. Ela arfou, nos separando um pouco, rindo fraco em seguida, retomando o beijo.

— Justin? Você está aí? – A voz de Kenny soou alta, apesar de vir do lado de fora do quarto.

— Mas que cacete. – Xinguei, me afastando minimamente de Miranda. Ela riu antes de me dar um último selinho e me empurrar de leve.

— Olá! – Kenny nem esperou que eu convidasse e foi entrando, carregando três malas grandes. – Meu amorzinho, você pretende se mudar? – Ele falou com Miranda, que sorriu bem tímida.

— Desculpe...

— Tudo bem. O Scooter estava pensando em ir jantar no Bluebird hoje. – Ele anunciou, casualmente. Olhei para ele, com cara de paisagem. Por que eu iria querer saber daquilo?

— No Bluebird! – Miranda tipo, surtou.

— É! – Kenny a acompanhou, animado por achar alguém que entendesse aquilo, já que eu não entendia. – Não é demais?! Tem que ligar um ano antes pra fazer reserva e ele conseguiu!

— Ken! – Gritei. – Tá parecendo uma garotinha.

— Ah. – Ele limpou a garganta e se recompôs. Miranda riu com vontade, jogando-se na cama. Aquilo era como música. – Então, nós vamos.

— Vai ser legal. – Falei, pensando no que eles serviam lá.

— Vai ser demais! – Miranda bateu palmas. Kenny riu.

— Sete e meia. – Avisou e saiu do quarto, sem cerimônias.

— Onde a gente estava? – Perguntei, com um sorriso malicioso.

Miranda revirou os olhos enquanto sentava na cama, encostada à cabeceira e abriu os braços. Caminhei até a cama e me deitei em seu colo, entrelaçando uma mão à sua e a livre dela mexia em meu cabelo.

— Você conseguiu ficar ainda mais linda nesse tempo. – Falei, acariciando sua bochecha.

— Obrigada. – Corou. Ri fraco com aquilo.

— Sabia que eu te amo? Tipo, muito... Assim. – Soltei sua mão para medir o tamanho com os dois braços. Ela riu do meu ato infantil.

— Sabia. – Sorriu e levantou minha cabeça, gentilmente, para sair daquela posição e deitou ao meu lado, atravessada na cama do mesmo jeito que eu. – Achei que nunca mais te veria.

— Também achei. – Olhei em seus olhos, voltando a segurar sua mão. – Por que parou de me responder?

— Eu tive uma piora, nas primeiras semanas. Achei que seria mais fácil... Reduzir...

— Shh. – Coloquei o dedo indicador em seus lábios e escorreguei minha mão para sua bochecha. – Você está aqui, agora.

— Com você.

— Comigo. – Concordei, segurando sua cintura e a trazendo para perto. – Minha baixinha.

Miranda riu e afundou o rosto na curva do meu pescoço, sem dizer nada. Ficamos daquele jeito por um bom tempo.

Até eu notar que ela caiu no sono. Devia estar exausta. Até eu estava, mas minha fome começou a me incomodar. Bastante conveniente.

— Eu já volto. – Sussurrei, antes de dar-lhe um beijo na testa e levantar da cama.

Saí do quarto e segui para o saguão do hotel.

— Hey, JB. – Ry Good me encontrou no meio do caminho. Parei e esperei ele me alcançar. – Como ela está?

— Dormiu. – Respondi.

— Eu estou indo no Harrod’s, você não quer ir junto? – Ele apontou para a porta do grande hotel. Ponderei por um segundo entre o restaurante do hotel e acompanhar meu mate.

— Demorou. – Falei, indo ao seu lado e saímos do hotel.

O lugar era enorme. Eu não me lembrava de ter vindo aqui nas outras vezes que estava em Londres... Também pudera, não sou menina para ficar lembrando do shopping. Eu e Ryan conversávamos sobre um monte de besteira. Às vezes eu esquecia que ele era mais velho que eu.

— J? – Chamou e eu percebi que estava muito na frente e ele parado olhando alguma coisa. Voltei alguns passos e parei ao seu lado. – Você acha que a Ash vai gostar?

— Do quê? – Perguntei, confuso. Ele apontou para uma vitrine, que eu não havia notado antes. Era uma joalheria, aparentemente luxuosa porque meus olhos chegavam a doer de tanto brilho refletido na minha cara. – O pingente?

Ele assentiu.

— Garotas adoram receber esse tipo de coisa, vai ser bom. – Dei de ombros. Ele me estudou por alguns segundos e pareceu voltar ao cerne da própria questão.

— Quê mais?

— Quê mais o quê? – Olhei para ele, confuso. – Tipo, quer fazer uma declaração, ajoelhar e pedir a Ash em casamento?

Ele riu.

— Nada não, vou deixar para mais tarde... Quando estivermos tão sérios quanto vocês. – Ele falou, enigmático e saiu andando, me deixando para trás com uma bela cara de interrogação.

— Tão sérios? – Corri um pouco para acompanha-lo.

— É, você e a Miranda. – Falou, casualmente.

— A gente acabou de voltar a se ver...

— Exato, JB. Mais de dois meses sem se ver. Com quantas garotas você ficou? Com quantos caras você acha que ela ficou? – Perguntou. Era uma pergunta retórica. Nesse período, eu me limitava às festas de premiações e nada mais que isso... Não tinha graça.

— Aonde quer chegar?

— Vocês tem um relacionamento tipo, muito sério. – Arqueou as sobrancelhas. Abri um sorrisinho, afinal ele tinha razão.

— É...

— Tipo, vocês vão casar. – Riu ele, indo em direção à escada rolante. Ri junto com ele, para socializar, aquela não era uma ideia tão ridícula assim. – To afim de um Burger King.

— Eu pago. – Falei, tirando a carteira do bolso e indo atrás dele.

Paramos na fila do Burger King e ficamos conversando sobre o tamanho do hambúrguer que ele ia comprar. Minha cabeça estava longe, pensando em muitas coisas. Minha garota estava de volta, dessa vez não havia nada que iria me separar dela. Nada nesse mundo.

— É uma boa ideia. – Falei, de repente, assustando Ryan.

— Tá falando sozinho, menino? – Ele quis saber, curioso e debochado. Revirei os olhos e lhe entreguei o cartão, saindo correndo para a escada rolante.

Especial – Miranda

O quarto já estava escuro quando acordei. Justin não estava lá e Kenny batia na porta já com uma força desnecessária. Bocejei fraco enquanto caminhava até a porta e a abri.

— Estamos te esperando, gatinha. – Avisou, me olhando da cabeça aos pés.

— Para...?

— Jantar. – Disse, como se fosse óbvio. Era, mas deixa quieto. Fiz uma cara de quem entendeu e ele levantou as mãos indicando os dez minutos que teria para me arrumar e fechou a porta.

Corri para as minhas malas, pensando seriamente no que iria vestir. Não tinha muito opção, afinal não dava para desfilar a última moda numa clínica, né? Escolhi um jeans, botas por causa do frio, uma blusa com manga comprida e um cardigã fechado com um cinto fino. Ótimo. Tomei um banho muito rápido, acho que nem gato tomava banho daquele jeito e me vesti.

— Vamos sentar aqui e dar respeito ao seu timing porque você ainda tem dois minutos. – Kenny dramatizou a cena de um cara entediado.

— Ele tá falando sério? – Cochichei para Fredo, que riu alto. Dados os dois minutos, Kenny levantou e rodou as chaves do carro no dedo indicador.

— Vamos?

— Onde está o Justin? – Perguntei, olhando em volta, vendo só Scooter e Carin ali.

— Não sei. – Ele respondeu, como se não fosse importante. Tipo, o Bieber sumiu, normal.

Fomos para a garagem e entramos no grande carro preto, seguindo para o Bluebird logo em seguida.

Não sei o que eu esperava. Talvez portas pintadas à ouro, taças de cristal e talheres de prata pura – mesmo que prata pura não seja tão prática assim, é mole! Talvez um tataraneto de um aprendiz perdido de Beethoven tocando piano ao modo clássico ou até mesmo a Rainha jantando por ali. Mas é claro que a Rainha tem lugares melhores para jantar, hoje ela deve ter escolhido jantar na Torre Eiffel.

Quando chegamos, constatei que o lugar não era – obviamente – como eu imaginei, mas também não era nada, nada ruim. Entramos no restaurante iluminados pelos flashes dos fotógrafos.

— Olha o Bieber ali. – Kenny apontou, discretamente, para uma mesa no canto do lugar finamente decorado. Assim que o maitre nos deixou na mesa, fui envolvida pelos braços de Justin.

— Como trocou de roupa? – Perguntei, alisando a jaqueta de camurça que ele usava.

— Não quis te acordar. – Piscou e me deu um selinho. Sentei ao seu lado, voltando a sentir aquela sensação de estar quase no paraíso.

A noite correu tranquilamente... Ou tanto quanto pode ser com Ryan e Justin no mesmo lugar. Eles fizeram muita bagunça. Havia um brilho diferente nos olhos do meu namorado. Algo que eu havia deixado passar antes, algo que eu não fazia ideia do porquê. Tudo bem, eu voltei, ele voltou para a minha vida, nós nos amamos... Mas aquilo era diferente...

Comi muito. Muito mesmo. Parecia até que eu estava amarrada durante todos aqueles meses de internação. Justin às vezes parava para me olhar e sorria. De novo, aquele sorriso estranho, acompanhado de uma rápida olhada para baixo, onde eu deduzia ser seu bolso. Havia sim, algo que diferente, eu estava morrendo de curiosidade... Mas daquela noite não passava.

Nós dois não voltamos para o hotel. Kenny deixou a chave de um carro com Justin e subiu para seu quarto, nos deixando na garagem. Ok... O Bieber estava me aprontando alguma coisa. Muito fácil.

O problema era saber o que era.

— Já veio aqui de noite? – Ele me perguntou, quando estacionou o carro no estacionamento do, eu julgava, Hyde Park.

— Se já, não me lembro. – Falei, sincera. Vasculhei minha mente... Nem com Tyler eu havia ido ali.

Senti uma saudade de casa.

— É lindo, vem ver. – Quando dei por mim, minha porta já estava aberta e ele estava lá, estendendo a mão a mim.

Andamos um pouco, devagar, observando as fontes iluminadas por luzes coloridas que faziam seu espetáculo por ali. Era realmente lindo. Não fazia tanto frio, ventava um pouco, mas nada que me fizesse tremer. Eu estava amando cada vez mais Londres.

— Nem acredito que você está aqui. – Ele disse, de repente. Sorri com sua declaração.

— Nem eu. – Soltei sua mão e me enrosquei em seu braço.

— Vamos sentar! – Disse, com uma animação estranha e me puxou. – Está com frio?

— Não, estou bem. – Sorri. Ele assentiu e voltou a olhar qualquer coisa naquele parque.

De novo aquela coisa estranha. Não ficávamos nesse silêncio desconfortável... Não, desconfortável não. Cheio de expectativas. Era isso que exalava de Justin: ansiedade e expectativa.

— Jus? – Chamei e ele virou a cabeça automaticamente.

— Sim?

— Você quer me dizer alguma coisa? – Sorri de canto, incentivando-o a falar.

— Ahn... Eu... Sim. Eu quero. – Sorriu, nervoso e pigarreou. – Bom...

— Se não quiser...

— Eu quero, muito, só não sei como.

— Vai na fé! – Fiz um V com os dedos e ele riu, outra vez nervoso.

— Deixe-me ver como eu posso começar isso... – Ele coçou a nuca. – Droga, deveria vir um manual com o anel.

— Anel?

— Ah! Tá, vai de uma vez. – Decidiu e pigarreou de novo. – A gente... A gente está junto há muito tempo. O quê? Dois anos?

— Acho que sim, se a gente não contar as interrupções. – Ri pelo nariz, recordando nossa saga para ficar juntos.

— É, acho que sim. E... Eu não quero mais isso, interrupções. – Agora ele olhava em meus olhos. Sustentei o olhar dele. – Eu quero que a gente esteja sério. Mais que sério. Estou falando de compromisso, de verdade.

— Jus... – Sussurrei, minha mente trabalhava, me levando a um possível final para o que ele queria dizer.

— Eu pensei tanto... Eu nunca pensei tanto e você sabe que meu forte não é pensar. – Riu, levantando-se e ficando de joelhos na minha frente. Prendi a respiração.

— Você vai me pedir em casamento? – Perguntei, tentando esconder a surpresa na voz.

— Ainda não. – Riu de novo, tirando a caixinha do bolso. Aveludada, preta e pequena, guardando um único anel ali, fino e delicado com umas pedras que eu reconheci serem diamantes. – Mas, ainda assim, enquanto a gente estiver junto, minha única intenção é estar com você para sempre. – Colocou o anel em meu dedo. – E um dia, eu quero que você saiba, eu vou te acordar, com um anel de noivado, pedindo para você ser a mulher da minha vida.

— Então, o que é isso? – Minhas bochechas doíam de tanto que eu sorria.

— Acho que se perguntarem, estamos namorando sério ao quadrado. – Brincou ele, me fazendo rir.

— Obrigada. – Falei, enquanto ele admirava o anel em meu dedo.

— Pelo quê? – Levantou a cabeça e me olhou nos olhos.

— Por existir na minha vida. – Mordi o lábio inferior, reprimindo um sorriso. – Aliás, por existir na vida de mais meio mundo de garotas. – Ri pelo nariz e ele sorriu.

— Eu que devo te agradecer. – Recebi um beijo na testa. – Você é a melhor coisa que já me aconteceu.

Às vezes você não entende e na verdade nem precisa entender como as coisas são. Tudo o que eu quero dizer é... E se as coisas não fossem como são hoje?

Quem diria que aquela mancha de café naquela blusa iria ser o começo de tudo isso? Quem diria que encontrar aquele garoto sentado no banco da praça mudaria tanta coisa? Quem diria que a garota rejeitada pelos próprios pais teria o amor de um garoto como ele? Não, nada daquilo parecia fazer sentido, muito menos parecia real.

Os dias que sucederam aquela noite foram mais que os melhores da minha vida. Qualquer coisa que eu fazia com ele, era perfeito. Poderia parecer como uma garotinha bobinha, apaixonada, mas era simplesmente a verdade.

Eu não sabia como seria, não sabia se minha doença voltaria, não sabia se algum dia ele iria simplesmente enjoar da minha cara e iria embora. Ambos corríamos esse risco, ambos aceitamos trilhar um caminho a dois, lado a lado. A única certeza que eu tinha naquele momento era o quanto eu amava aquele menino. E enquanto estivéssemos juntos, seríamos eternos.

Take my hand, let's just dance

Watch my feet, follow me

Don't be scared, girl I'm here

If you didn't know, this is love

So let the music it blast

We gon' do our dance

Praise the doubters on

They don't matter at all

'Cuz this life's too long

And it's much too strong

So baby know for sure

That I'll never let you go

The End

Notas finais
ENTÃO? Haha, ficou bem grandinho, né? 11 páginas de happy ending pra vocês! Bom, como AINDA não acabou, eu não vou me demorar muito por aqui, falando besteira. Só me digam o que acharam do capítulo e de Believe, ok? ~eu particularmente AMEI o cd, tipo TODO *-*
xxxxxx minhas lindas, até a próxima (e última :c) ♥