The Soul Without Destiny

5 Capitulo 4: A Criatura Hibrida e a Volta Para A Catedral.


Notas iniciais
Escute essa para a batalha com a criatura: https://www.youtube.com/watch?v=xr54gJZk_nM Troque para essa quando ele voltar para a Catedral: https://www.youtube.com/watch?v=2llS87avh2w

Após atravessar a estrada principal, que seguia diretamente em direção a ponte, o cavaleiro se deparou com um grande portão de madeira, reforçado com muito aço e com uma torre de vigia em cada lado do mesmo. Ele foi abrir o portão, mas se lembrou das palavras do ferreiro que o deu essa missão, mencionando que em cada torre havia uma balista, capaz de serem muito úteis contra a criatura.

Ele decidiu ir até a torre à sua direita, a porta de lá estava quebrada, parecia ter sido arrombada de alguma forma. Nada de muito interessante havia lá dentro, só restos do que poderia ser uma sala comum. No andar seguinte, tinham caixas vazias e uma porta para uma pequena trilha acima do portão, permitindo caminho de uma torre para a outra. No andar seguinte, próximo ao terraço da torre, era um armazém de armas com todos os suportes vazios, provavelmente estão nas mãos dos servos do Obscure presentes na cidade. Finalmente, no terraço da torre, era possível ver a balista mencionada pelo ferreiro e algumas flechas para a mesma ao redor.

O cavaleiro observou a ponte de lá de cima e só conseguiu notar vários corpos esqueléticos no meio da ponte. Observando em volta, ele viu que a ponte passava sobre uma grande fissura no chão, que separava a cidade da floresta. De repente, ouviu-se um rugido de bem longe, o cavaleiro procurou a origem do som e o achou. Era a criatura, vindo rapidamente pelo outro lado, ela possuía diversas partes de animais como membros do corpo, pescoço e cabeça de cobra, corpo de leão, patas de urso e assas de morcego enormes. Ela já notou a presença do cavaleiro e estava se aproximando para soltar uma rajada de ácido sobre o terraço da torre onde ele estava.

Ele tinha pouco tempo para revidar, pegou uma das flechas, encaixou-a dentro da balista e mirou na criatura. Tentou atirar diretamente, porém, ela era muito rápida para a flecha, desviava com uma girada em meio ao ar e assim, o cavaleiro pensou em atirar em uma das asas. Ele pegou outra flecha, mirou em uma das asas e atirou. Ainda assim o resultado foi o mesmo, e com a criatura se aproximando, o cavaleiro não tinha tempo de tentar mais uma vez.

Até que ele lembrou, haviam duas balistas, uma para cada torre, não dava tempo dele chegar nas escadas para o andar de baixo sem antes receber o ataque da criatura. O cavaleiro teve uma ideia muito arriscada, e possivelmente idiota, de pular de uma torre para a outra. Sem outra escolha, foi exatamente isso que ele fez, correndo o mais rápido que pode naquele pequeno período de espaço e de tempo.

O cavaleiro pulou com toda a sua força, no exato momento em que a criatura soltou seu ácido sobre o terraço da torre, conseguindo agarrar a lateral da outra torre, por muito pouco, ele subiu e preparou mais uma flecha para acertar a criatura.

A criatura deu uma volta ao redor das torres, ela percebeu o cavaleiro em uma delas e decidiu ataca-lo novamente. Foi fazer o mesmo rasante que nem antes, mas agora bem mais de perto da torre. O cavaleiro observou atentamente, ele sabia que tinha que prever o movimento da criatura, se ele mirasse diretamente, a criatura iria repetir o movimento de esquiva giratório. Foi nesse momento que ele percebeu, que se mirasse um pouco acima quando o monstro estivesse girando, a flecha ia, provavelmente, acertar uma das asas.

O cavaleiro aceitou esse risco, quando a criatura estava bem próxima, ele se manteve firme e, com muita bravura, atirou a flecha contra o monstro. A flecha rapidamente foi reconhecida pela criatura, mas ao tentar esquivar com um giro, a flecha atravessou uma das assas dela. Ele tinha acertado bem na parte que conectava a assa ao corpo, separando-a completamente e fazendo a criatura descer alguns metros durante sua investida. A dor impediu que a criatura prestasse mais atenção onde estava indo, consequentemente, ela deu uma cabeçada na torre e caiu na ponte com rapidez.

O cavaleiro ainda não se sentiu vitorioso, a criatura estava se levantando, com bastante dificuldade, ele teve que descer até o pequeno caminho entre as torres para olhar direito. Além de uma assa completamente arrancada, uma pata dianteira estava quebrada e seu pescoço tinha dificuldades de se movimentar. Daquela ponta onde o cavaleiro se encontrava, era possível finalizar a criatura com um golpe por cima, ele pulou e, com sua espada empunhe, perfurou o pescoço da criatura. O rugido final do monstro ecoou por toda fenda em que a ponte passava e o cavaleiro conseguiu amortecer sua queda pelo resto do seu corpo ter caído sobre o corpo de leão da criatura.

Ao retirar sua espada, o cavaleiro notou que o ácido da criatura havia se imbuído nela, ele manteve a espada empunhe e a usou para cortar a cabeça da criatura, mas a espada só acumulou mais ácido no processo. Após pegar a cabeça, ele decide atravessar a ponte, no fim dela ele viu um buraco com uma escada.

O cavaleiro deixou a cabeça no chão e investigou o que havia descendo por aquela escada. Havia um tipo de ninho feito apenas de ossos humanos em cima de um suporte de madeira abaixo da ponte. Era grande, o suficiente para a criatura dormir em cima, mas não havia nenhum ovo lá dentro. Entretanto, foi possível avistar algo brilhando entre alguns ossos, era uma pedra bem familiar, parecida com a que ele usou para energizar o portal no Asilo dos Perdidos, e ele a pegou para usar futuramente.

Ao sair do buraco, ele foi em direção a floresta ao invés de voltar pelo caminho que veio, ele sentiu que teria mais sorte procurando um portal para energizar com a pedra que acho do que pegar o mesmo caminho de volta.

Adentrando a floresta, mesmo com a luz do pôr do sol pairando entre algumas folhas, o escuro dominava sobre a área, muitas arvores eram altas, seus galhos se estendiam em longas distancias e suas folhas eram de uma coloração verde bem escurecida, esses detalhes deixavam a florestava em uma escuridão quase absoluta toda hora.

Pouco tempo depois, o cavaleiro sente uma calmaria na sua alma, algo semelhante com o que ele sentiu na catedral e, no caminho, viu uma pequena estrutura circular de pedra bem velha, com vinhas de plantas subindo pelas paredes. Entretanto, a porta de entrada estava bem fechada, era de uma madeira bem dura e fortificada com placas de ferro enferrujadas, e para entrar o cavaleiro decidiu usar sua espada imbuída de ácido para abri-la.

Ele se afastou da porta, deixou a cabeça da criatura no chão, segurou a espada com as duas mãos e movimentou um golpe na horizontal, que criou uma rajada de ácido e derreteu a porta. Entrando na estrutura, viu que era uma sala com um portal no meio dela, havia um tipo de balcão no meio com uma bolsa de moedas atrás, parece que para usar aquele portal era preciso pagar, mas ninguém usa ouro nesse sete anos de caos que Obscure criou, é tudo a base da troca de itens de valor considerados equivalentes.

Por coincidência do destino, o cavaleiro tinha acabado de pegar uma pedra mágica para energizar esse portal e o usou imediatamente para poder entregar a cabeça para o ferreiro.

Ele pisou em cima do portal, segurando a cabeça com uma mão, e pensou o seu destino. Imediatamente, o portal o levou para o seu destino, ele teve a mesma sensação de quando fez isso pela primeira vez, de seu corpo sumir e sobrar apenas o que ele achava ser sua consciência e voltar totalmente normal em questão de segundos. Quando percebeu, estava de volta na catedral.

Ele seguiu o mesmo corredor do sala do portal que se anexava ao salão principal e encontrou-se com Aria e Kauron novamente.

— Ah, cavaleiro, você voltou... – Aria trocou de uma expressão alegre para uma de desgosto leve ao ver e cheirar o cavaleiro – Pelo grande criador, que fedor! Parece que sua primeira aventura foi muito bem e sanguinária também, hehehe.

Só quando Aria mencionou, o cavaleiro percebeu que estava dos pés à cabeça completamente encharcado de sangue e pensou em se trocar logo que conseguisse a armadura nova que o ferreiro prometeu para ele.

— Se era isso que o ferreiro pediu de você, então é melhor você ir logo para ele – Disse Kauron, apontando para a cabeça.

O cavaleiro subiu diretamente para a sala do ferreiro, quando chegou, viu que ele ainda estava fazendo uma arma em sua bigorna.

— Oh, você está vivo! – Exclamou o ferreiro, surpreso – Então, dá para ver que o senhor teve uma boa luta a caminho da criatura e conseguiu matá-la, mas como você voltou tão rápido? Não fez muito tempo que eu ouvi os gritos de dor desse monstro ecoando por toda a cidade.

O cavaleiro foi até a janela próxima do ferreiro, que tinha uma visão geral da cidade e um pouco do bosque, e apontou direto para o bosque.

— Ah, você achou outro cristal de energia e ligou o portal da Floresta da Noite Eterna? Que ótimo, aquele lugar possui um jardim com muitas arvores frutíferas. A Pura, Aria adora essas frutas. Bem, como combinado. Aqui está a armadura nova que eu prometi, é uma armadura dos guardiões da liberdade, eram conhecidos por libertar escravos de bandidos por todo deserto de Knitis, troquei elas com um vendedor que passava aqui de vez em quando, estavam acabadas, mas nada que uma ajeitada de ferreiro não consertasse. Ela está bem mais resistente do que um dia foi, vai lá experimentar.

O cavaleiro pegou as peças da armadura e trocou de roupa dentro da outra sala, como na última vez. A nova armadura era de metal, obviamente, seu capacete era redondo, mas com uma peça fina no topo que descia até a borda, como cobria a cabeça inteira, havia uma frecha na frente que começava da borda inferior, subia até onde ficava o nariz e dividia em dois traços até onde ficavam os olhos. Os detalhes tanto sobre o capacete quanto sobre a armadura eram superficiais e formavam desenhos desconhecidos para o cavaleiro. A parte superior da armadura era de tecidos bem protegidos pelas peças de metal, que ficavam sobre as mãos, os ombros, o peito e as costas, a parte inferior, como a calça e as botas eram de couro, a da calça sendo azul escuro e da bota marrom escuro. Outro detalhe era nas ombreiras perto do pescoço, uma capa muito curta e peluda junto à roupa de baixo das ombreiras ela dava uma volta pelas costas até o outro lado, isso produzia um conforto a mais quando levantava os braços.

Após testar os seus movimentos, o cavaleiro viu que se sentia bem mais confortável e acostumado a usar esse tipo de armadura do que quando usava a roupa leve. Ele saiu da sala e voltou a conversar com o ferreiro.

— Ha ha, sabia que você ia gostar dessa, não parece combinar com um deserto quente e escaldante, mas isso é por causa dos meus detalhes extras. Agora... O que pretende fazer? Trabalhar e ajudar o pessoal da catedral até morrer? Virar um herói em um mundo deformado como esse? Eu não to te julgando, mas essas são as opções, as boas opções

As perguntas do ferreiro fizeram ele pensar, esse mundo parece estar condenado a uma maldição e todos iam cair sobre ela uma hora. Independentemente do que ele fizesse, o fim chegaria à todos...

— A única forma de ajudar todo mundo seria matando o deus Obscure, mas seu poder é quase ilimitado.

O cavaleiro olhou surpreso ao ouvir a palavra quase’ do ferreiro e o mesmo continuou.

— Deuses são poderosos, mas o poder deles não é infinito. Por isso o criador não muda as coisas quando algo não o agrada no nosso mundo, na verdade, isso o fez perceber que a perfeição o mundo está nas imperfeições dele. Enfim, Acho que o Obscure não percebe o quanto de poder ele está gastando, porém isso não é motivo para acreditar que é possível derrotá-lo.

O cavaleiro se aproximou do ferreiro e fez um movimento com a mão, pedindo para ele continuar. Astror ficou surpreso e um pouco decepcionado ao mesmo tempo.

— Você realmente quer mesmo lutar contra o deus da escuridão em pessoa?! Você deve ter uma síndrome de herói ou algo assim, se você quer mesmo ir enfrentar o deus Obscure, você vai precisar ir até a dimensão em que ele mora, que é de onde vem toda a escuridão que amaldiçoa Criatia. Somente um deus tem poder para abrir portais entre dimensões, a dimensão do Criador está bloqueada de alguma forma, mas a do Obscure está conectada de mil formas diferentes com Criatia. Infelizmente, não somos deuses para poder criar um portal, entretanto, temos as pedras das Puras, essas pedras foram feitas a partir da poder do Criador em sua mais pura forma, se quiser mesmo chegar ao Obscure vai precisar dessas pedras. Ouvi dizer de um homem que tentou ir até essa outra dimensão e que para isso ele precisava de quatro pedras das Puras e um portal magico energizado.

Quando o ferreiro se cansou de falar, percebeu que ainda faltou um detalhe e suspirou.

— Ah, e as pedras ainda são capazes de energizar as Puras mesmo quando ambas estão longe uma da outra, e a pedra pode continuar energizada mesmo com sua Pura morta, nesse caso a pedra fica esperando outra Pura se aproximar para criar uma nova proteção. Acho que eu você tecnicamente já tem duas, uma aqui e outra no Jardim da Dança Lunar, na Floresta da Noite Eterna, talvez tenha uma pura na capital, mas não temos notícias de lá faz anos e hmm... Tem mais uma pedra nessa região, mas eu não me lembro onde. Volte aqui mais tarde que eu te falo se eu me lembrar.

O cavaleiro fez um gesto de despedida e saiu da sala onde estava. Ele passou rapidamente pela sala de livros, onde viu Reikon sentado próximo de uma mesa. Reikon não percebeu presença do cavaleiro e continuou lendo seu pergaminho, porém, algo o incomodava a mente dele se perdia em meio as palavras do pergaminho. O cavaleiro percebeu que o mago precisava de um tempo para si e o deixou lá lendo.

Logo depois, ele foi em direção ao fim do corredor, na sala onde a clériga continuava rezando para os deuses. Ela escutou o barulho da porta e viu o cavaleiro entrar. Ela se levantou e foi conversar com ele, parecendo bem animada.

— Cavaleiro, vejo que os deuses escutaram as minhas preces. Você está aqui, são e salvo. Por acaso você conseguiu o que eu pedi? Eu sinto o poder de outra alma com você... É de um deles?

O cavaleiro balançou a cabeça negativamente. A cara de animada dela se entristeceu bem rapidamente.

— Oh, entendo. – Enquanto ela abaixava a cabeça em tristeza, o cavaleiro levantou a mão dela e a deu um colar familiar. Imediatamente ela suspira e diz – Esse é o colar dele, não acredito que você o recuperou para mim, esse colar tem muito valor sentimental para mim. Estou me sentindo tão melhor agora, isso vai me ajudar a me lembrar dos bons tempos da minha vida de clériga... Ah, acho que você merece uma recompensa, que tal uma benção de uma clériga, vai te proteger de grandes maus, sejam físicos ou mágicos.

Olana ergueu um amuleto que ela guardava dentro de uma bolsa, perto da estátua do criador, recitou um tipo de encanto em palavras comuns “Aqui eu lhe peço, meu lorde da mais pura luz, proteja esse recipiente criado por ti uma proteção contra o mal e assim que possa cumprir seu objetivo nesse mundo.” O cavaleiro consegue sentir algo se formando ao redor dele, como uma segunda armadura, porém sem nenhum peso extra, ele só percebeu a presença dessa armadura.

— Uau. – suspirou Olana depois da benção. – Não me lembrava de me sentir tão bem em fazer isso. A última vez foi quando o irmão mais velho da Aria me pediu isso antes de ir para a capital, mas isso já faz cinco anos.

Ela abaixou a cabeça demonstrando preocupação.

— Eu realmente espero que ele esteja vivo, Aria está esperando por ele até hoje.

Olana respirou fundo e voltou a sua expressão comum, ela se despede do cavaleiro enquanto ele deixava a sala.

O cavaleiro seguiu andando pelo corredor e, acidentalmente, colidiu com Reikon quando ele saiu de sua biblioteca.

— Oh, sinto muito cavaleiro, eu tenho estado muito distraído recentemente, você está de saída essa noite? Tome cuidado, à noite é muito mais perigosa. Eu meio que escutei sua conversa com o ferreiro, é que ele fala muito alto sabe. – Reikon se aproximou do cavaleiro e cochichou – Não tente coletar as pedras, é uma jornada inútil, acredite em mim.

Ele se virou e desceu até o andar de baixo, o cavaleiro o seguiu até salão principal. Lá, Aria esperava perto de uma cama improvisada com duas cobertas, uma mais cheia e fofa embaixo e uma fina e larga por cima, junto de um travesseiro duas vezes maior que a cabeça da Aria. Ela estava tomando uma sopa cheia de legumes preparada pelo próprio Kauron.

— Olha só – Disse ela, engolindo um pouco da sopa depois. – o cavaleiro está com uma armadura mais reluzente, espero que essa armadura te proteja muito daqui para frente.

— É uma boa armadura – comentou Kauron. – O Astror tem um bom gosto para dar a recompensa pelos trabalhos bem feitos.

— Mas é horrível em guardar histórias. – Reikon disse. – Ele praticamente tagarelou tudo sobre a jornada que envolve as quadro pedras das Puras e que isso seria capaz de levar o cavaleiro até o Obscure, agora ele está pensando em coletar as pedras e... você sabe.

— Isso é incrível! – Disse Aria. – Por que você acha isso ruim? Se esse é o objetivo dele eu fico feliz em ajudar!

— Calma Aria, a pedra é muito preciosa, como protetor jurado, eu tenho que proteger você e sua pedra. Só permitiria esse tipo de coisa se as outras três pedras estivessem com ele, ai o perigo é menor.

— Hmmm, está bem, mas eu espero que ele consiga. Tenha boa noite cavaleiro.

Aria terminou a sua sopa e se preparou para dormir. O cavaleiro foi até a outra sala, subindo de andar até chegar na porta da nova moradia de Luria e lá ele bate à porta. Luria imediatamente abre a fresta para ver quem é.

— C-ca-ca-cavaleiro?! – Falou ela, com muita surpresa. – Não ima-imagin-nei que o veria de de de novo... De-de-depois que você p-pu-pulou da torre, e-e-eu não consegui ver nada...

Um silêncio desconfortante se construiu no ambiente e o cavaleiro teve uma leve memória da alma do Açougueiro, e ele tinha uma filha de certa forma parecida com a Luria, ele mostrou a alma para Luria, querendo que ela pegasse.

— ... Eu s-se-sei de quem é essa a-alma... Você entrou no lar doentio dele... E o ma-matou. Me dê.

Ela recebe a alma pela fresta da porta de ferro, o cavaleiro espera ela ter alguma resposta e depois de alguns minutos ele escutou a voz dela.

— Vou te contar uma coisa... Esse monstro matou a minha mãe na minha frente, ela se sacrificou enquanto eu fugia, como a criança covarde que eu era... Depois de anos de pesadelos e angustias, eu finalmente superei o meu passado, me tornei uma guarda da cidade e iniciei uma família própria...

O cavaleiro se manteve em silêncio, embora ele estivesse surpreso por Luria não ter gaguejado de costume.

— Sabe o que houve depois que a escuridão atingiu Criatia? Eu e meu filho passamos anos nessa catedral, principalmente ele. Eu saia tentando achar algo para todos comerem e teve um dia que eu e os outro fomos encurralados pelos servos de Obscure. Nessa hora... Ele apareceu e eu voltei a ser aquela garota medrosa, ele tinha tantas brechas, mas eu continuei evitando os golpes dele...

Ela ficou calada de novo, sua voz demonstrou dificuldade de falar tudo diretamente, ela estava se esforçando para não gaguejar e soar bem séria.

— Quando eu achei que ia morrer, meu próprio filho apareceu, do nada e atacou ele. Durin era só uma criança, não sabia lutar direito e ainda sim se sacrificou para me salvar. Sabe o que eu fiz?! Corri, de novo! Deixei meu filho morrer para aquele monstro e me tornei a Luria que você conheceu naquele asilo de patéti-ti-ti-cos.

A voz irritada de Luria ecoou alto pelos corredores, assim como o barulho estranho de uma alma sendo esmagada. Luria quis superar o seu passado de novo e ia começar a partir de agora.

— O-obrigada cavaleiro – disse ela gentilmente. – Prome-me-prometo te compensar um dia. Por agora, preciso recupe-pe-perar o progresso perdido.

O cavaleiro se despediu com um gesto e desceu até o salão principal. Ao chegar, viu Aria deitada, em sua pequena cama improvisada, e Reikon lendo uma história para ela. Sem querer interromper, o cavaleiro foi direto para a sala do portal mágico.

— Cavaleiro?! – Chamou Aria, o interrompendo. – Você já vai? Nem sequer descansou ou comeu alguma coisa, não está cansado?

O cavaleiro balançou a cabeça negativamente.

— Uhm... Ok, boa noite.

Ela se despede sorrindo e o cavaleiro, novamente, se despede de Aria, Reikon e Kauron para começar algo que todos já desistiram de tentar, pois eles aceitaram o destino de Criatia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.