The Songs of Our Story

1 We belong together


Notas iniciais
Inspirada na música "We belong to the light" — Pat Benatar

Eu sabia que tinha errado. Era nosso aniversário de namoro, tínhamos combinado de jantar juntos e em seguida irmos a um drive in "assistir" a um filme qualquer, algum clássico, como Felicity costumava chamar. Mas é claro que eu estraguei tudo.

Não foi inteiramente culpa minha, entenda. Eu estava voltando para o nosso novo esconderijo após terminar uma missão, conversava tranquilamente com Felicity pelo comunicador quando uma flecha roxa atingiu o farol da minha moto. Parei imediatamente, reconhecendo aquela cor. Olhei para a rua escura aparentemente vazia, e aos poucos uma silhueta começou a aparecer, vindo em minha direção. Cabelos negros e compridos, um uniforme de couro que lhe cobria o corpo todo, um sorriso misterioso e uma besta nas mãos. Era Helena.

Me mantive em silêncio mesmo com as insistentes perguntas de Felicity soando em meu ouvido. Eu sei que antes Felicity não gostava de Helena, e provavelmente agora que estamos juntos gosta menos ainda, por isso preferi me manter calado, adiando o momento em que ela se daria conta de quem estava falando comigo.

— Oliver, quanto tempo! — Helena falou, parando a poucos metros de mim.

"Oliver, quem está aí? O que está acontecendo?" — Era Felicity.

— Helena. O que te traz aqui?

"Ah, que ótimo, sua ex-namorada psicótica. Estava tudo tranquilo de mais, eu estava até estranhando. Sem suas mulheres misteriosas do passado rondando por aí..." — Não pude conter um sorriso. Ela estava com ciúmes.

—Estava passando pela cidade e resolvi visitar um velho amigo. — Ela falou simplesmente, se aproximando um pouco mais. — Gostei do novo uniforme.

— Desculpe a indelicadeza, mas quando você partiu nós não estávamos no melhor momento da nossa "amizade". O que você quer Helena?

"Amizade? Só se fosse colorida! Corta essa..."

— Sempre direto, Queen. — Ela colocou os braços ao redor do meu pescoço e sussurrou em meu ouvido. — Quero matar a saudade. Passe a noite comigo.

"O QUE FOI QUE EU OUVI??? Isso só pode ser brincadeira! Oliver eu te dou um minuto para se livrar dessa vadia."

— Helena... — Empurrei seu corpo de leve, mas firmemente, para que se afastasse. — Não. Eu... Eu não posso.

— Não pode? Ah Oliver, por favor! Vai me dizer que está comprometido? — Ela disse com sarcasmo.

— Sim, é exatamente isso. — "Esse é o meu garoto!" Ouço Felicity falar. — E eu preciso ir, se cuida.

Seus olhos pareciam querer saltar das órbitas, estava claro que ela não conseguia acreditar que eu havia a rejeitado.

— Okay. Só me deixe mandar um recado para sua namorada. — Ela se aproximou novamente, sua boca perto do comunicador em meu ouvido. — Escute isso. — Ela veio em minha direção tão rápido que mal pude notar até que um beijo estalado se fez soar em meus lábios. Fiquei tão atordoado que não pude sequer me mover até que ela se afastasse. — Aproveite, ele ainda beija bem. Adeus.

Ela caminhou de volta para a escuridão, sumindo aos poucos nas sombras. Havia um silêncio incômodo no ar e eu sabia que era Felicity. Ela deveria estar falando como sempre fazia, se embolando com as palavras ou até mesmo gritando comigo, mas o silêncio me preocupava bem mais.

— Felicity... Eu... Você está aí?

"Me deixe sozinha Oliver."

— Você ouviu?

"Não, tive uma surdez momentânea. Claro que ouvi seu imbecil!"

— Hey, me desculpe! Se eu soubesse o que ela iria fazer eu teria impedido, você sabe!

"É, eu ouvi muito bem seus protestos enquanto ela enfiava a língua dela na sua garganta."

— Amor! Não foi isso que aconteceu, não exagere! Não significou nada pra mim!"

"Ah... Me poupe. Apenas me deixe em paz."

— Felici.... — Escutei o silêncio na linha e soube que ela tinha desligado. Chutei uma pedra na calçada com a maior força que consegui reunir. — Merda!!!

Praticamente voei com minha moto até o esconderijo somente para descobrir que estava vazio. Nenhum vestígio de Felicity, nenhuma indicação do lugar para onde ela havia ido, e como naquela noite John e Thea estavam de folga também não havia ninguém a quem perguntar. O que eu faço agora?

Sentei na cadeira dela tentando imaginar para onde tinha ido. Para casa? Não, ela não queria me ver, e sabia que mais cedo ou mais tarde eu voltaria para lá. Quem sabe foi fazer uma visita a John ou a Thea? Pouco provável, Felicity não gostava de envolver ninguém nas nossas brigas de casal. Talvez tenha ido passar um tempo com Laurel? Isso seria estanho, elas não são tão amigas assim. Então.... Central City? Muito longe, ela não iria para lá no meio da noite.

O pensamento de que ela poderia estar agora em algum bar ou uma festa, dançando com um estranho enquanto ele a tocava era simplesmente doloroso demais, e eu não iria considerar essa opção. Não era de seu feitio. Mas... Ainda havia um lugar. Uma espécie de casa de campo que ficava a meia hora de Starling City e que tínhamos comprado há alguns meses. Era quase um esconderijo só nosso, ninguém mais sabia da existência daquele lugar, e se ela queria ficar sozinha aquele com certeza era o lugar certo.

Corro até minha moto. Vai ser difícil dirigir sem o farol agora que está quebrado, as ruas até lá são vazias e escuras, mas tenho que vê-la, por isso saio em disparada pelas ruas da cidade até entrar na autoestrada. Poucos carros passam por mim, e o caminho todo eu penso no que falar, em como me desculpar.

Uma tempestade está se armando, os trovões começam e eu acelero ainda mais para chegar antes que a chuva caia. Entro em uma estrada de terra e após alguns metros consigo ver a casa branca de dois andares que podemos chamar de nossa. As luzes estão ligadas e seu carro está parado no quintal, o que indica que eu não errei. Desço da moto o posso ver seu rosto vermelho na janela. Ela estava chorando e me lança um olhar de puro ódio. Tento abrir a porta mas está trancada por dentro.

— Felicity, abra a porta!

— Vá embora Oliver!!! — Ela grita comigo.

— Não vou a lugar algum até que você abra essa maldita porta! Por favor, está começando a chover!

— Vá pedir abrigo para Helena! — Sua voz é ácida, mas se não fosse pela situação eu com certeza estaria rindo de seus ciúmes.

— Amor! Eu não quero nada com ela, entendeu? Agora abra a porta ou serei obrigado a derrubá-la e você sabe que eu farei isso se for necessário. Quer que eu estrague nossa casa nova?

— UUUUUURRGHH!!! — Ela grita de frustração e raiva, mas finalmente abre a porta com força e sai pisando fundo.

Many times I've tried to tell you

Many times I've cried alone

Always I'm suprised how well you

Cut me feelings to the bone

Mal entro e quase sou atingido por um vaso de porcelana que vem voando em minha direção, porém sou rápido o bastante para desviar e ele acaba se espatifando na parede atrás de mim.

— Felicity você está louca??

— Ninguém mandou você beijar aquela vagabunda!!!!

— Mas foi ela que me beijou!

Agora um prato quase me acertou, e esse foi por pouco mesmo! Devo parar de dar aulas de arco e flecha para ela, sua mira esta melhorando.

— EU NÃO QUERO SABER! Vocês se beijaram!

— Amor, me desculpa! Foi tudo tão rápido, eu não consegui raciocinar!

Don't wanna leave you really

I've invested too much time

To give you up that easy

To the doubts that complicate your mind

— No dia do nosso aniversário!!! Não se faça de lerdo Oliver! Você podia ter a empurrado, dito alguma coisa, não sei! Mas você não fez NADA! Sabe Deus porquê! — As lágrimas escorriam pelo rosto dela agora, assim como a chuva lá fora caía forte e contínua. — Você ainda sente alguma coisa por ela, é isso?

— Claro que não! Eu te amo! Nunca tive mais certeza de alguma coisa do que tenho sobre esse sentimento.

— Então por que não fez nada?

— Não sei... Não sei o que me deu. Me perdoa, por favor.

Posso ver em seus olhos que ela não acredita em uma palavra do que eu digo, mas estou falando a verdade. Não sei o motivo de não ter feito nada. Simplesmente paralisei, não prestei atenção no que estava por vir.

— Que droga Oliver! Quem sabe quando você tiver uma resposta a gente possa conversar. — Ela passa por mim e sai porta afora.

— Felicity! Onde você pensa que vai?? Está chovendo!

— Oh, que perceptivo! Eu vou embora! Já que a única coisa que te pedi foi para me deixar sozinha e nem disso você foi capaz!

Ela já está andando na chuva. Seu vestido rosa encharcado após poucos segundos. Eu a sigo, obviamente. Ela não iria embora naquele tempo.

— Não, você não vai! — Grito para que ela possa me escutar através do barulho da chuva. — Volte aqui!

Ela começa a correr em direção ao carro então corro também. Seguro em seu braço para que ela vire, indo de encontro ao meu peito, e depois a levo para baixo da grande árvore que fica no quintal. Sei que não é a melhor opção, mas é só por enquanto.

— Oliver, me solta! — Ela me bate, jurando que aquilo faria alguma diferença. Apoio suas costas no tronco da árvore e me coloco na sua frente, pressionando meu corpo contra o seu. Meus olhos vão de encontro aos dela e apoio minhas mãos no tronco na altura de seu pescoço.

We belong to the light

We belong to the thunder

We belong to the sound of the words

We've both fallen under

— Você não vai a lugar algum. Entendeu? —Minha voz é baixa mas autoritária, como se estivesse no modo "arqueiro". — Já pedi desculpas por hoje, aquilo não vai se repetir! E sabe porquê? Porque eu te amo! Quero passar minha vida inteira ao seu lado, e morro de medo de te perder! Agora será que você pode deixar de ser teimosa e entrar em casa comigo?

— Não! — Ela me olha desafiadoramente. Sei que minhas palavras a amoleceram, e que foi o bastante para que ela me perdoasse. Seu comportamento agora se deve puramente à sua grande teimosia, mas eu também posso entrar nesse jogo.

— Não? Okay... — Continuo a fitá-la, em um instante parado como uma estátua, e no outro tomando seus lábios nos meus mesmo que no começo seja com um pouco de força.

Wathever we deny or embrace

For worse or for better

We belong, We belong

We belong together

Ela cede tão facilmente que me permito sorrir enquanto a beijo. Corro minhas mãos pela sua cintura e sinto meu pescoço ser envolvido por seus braços. Oh, isso é tão bom! Sentir suas curvas sob as minhas palmas, o tecido grudando em sua pele de um jeito sexy, sua boca em movimentos sincronizados com a minha.

Desço meus beijos pelo seu pescoço e a ouço arfar. Distribuo mordidas desde a orelha até os ombros sabendo que pela manhã aquilo estaria cheio de marcas. Mas ela é tão macia, tão cheirosa, que não consigo me conter. A levanto em meus braços usando o tronco da árvore como apoio, suas coxas torneadas envolvendo meu quadril e a trazendo para ainda mais perto de mim.

— Oliver... Aah... — Ela mal consegue formar as palavras.

— O que é? — Pergunto enquanto tento abrir o zíper no lado do seu vestido.

— Esqueci... Só continue. — Aquilo me faz sorrir. Amo ter o poder de confundi-la, atordoa-la assim como ela faz comigo. Por sorte tenho um autocontrole bem melhor que dela.

Puxo o zíper até o seu quadril, mas aquele vestido é complicado de tirar então simplesmente decido rasgá-lo e jogá-lo aos nossos pés enquanto suas mãos nervosas tiram meu uniforme de arqueiro o mais rápido que conseguem.

Maybe it's a sign of weakness

When I don't know what to say

Maybe I just wouldn't know

What to do with my strenght anyway

Nesse momento nada mais importa. Eu apenas sinto sua pele macia nas pontas dos meus dedos, percorrendo seu corpo cegamente, reconhecendo todos os seus pontos sensíveis e trilhando o mapa mental que tenho de seu corpo já há muito gravado em minha memória.

— Eu te amo. — Sussurro em seus ouvido, e ela puxa meu rosto para que possa olhar em seus olhos enquanto ela repete as mesmas palavras para mim.

Have we become a habit

Do we destort te facts

Now there's no looking forward

Now there's no turning back

When you say

Não consigo pensar em mais nada. É simples assim... Quando a beijo esqueço até meu próprio nome, assim como foi desde aquele primeira noite em Nanda Parbat, a primeira noite em que a fiz minha e pude sentir o quanto eu era realmente dela. Seus lábios parecem se encaixar nos meus, e a cada toda sinto uma corrente elétrica passando por todo o meu corpo. Parece que estou fervendo por dentro, seu perfume nublando meus sentidos... Ela pode não saber, mas é a única pessoa que consegue me render com apenas um toque, um olhar ou um beijo.

Sento na grama com as costas encostadas na árvore e a puxo para o meu colo, sentando-a de frente para mim, os joelhos apoiados no chão ao redor do meu quadril. Continuo a beijá-la, tocando sua pele que se arrepia cada vez mais.

— Você está com frio? — Pergunto, a voz abafada em seu pescoço. Levanto a cabeça a tempo de ver sua expressão totalmente sem defesas. Os olhos fechados, os lábios entreabertos, os cabelos molhados pingando em seus ombros.

— Não. — Ela diz mais como um suspiro. — Pare de falar Oliver. Poderá fazer isso quando voltarmos para dentro.

— E não quer ir agora? — Ela me olha como se eu não fosse capaz de chegar a uma conclusão óbvia, o que me deixa confuso. Balanço a cabeça e levanto as sobrancelhas com uma expressão de dúvida, o que a faz revirar os olhos. Ela se aproxima para sussurrar em meu ouvido.

— Eu nunca fiz amor na chuva, Oliver. Você acha que vou perder a oportunidade?

As palavras ficam presas em minha garganta. Felicity geralmente era tão doce, gentil, meiga e tímida que às vezes eu chegava a pensar que ela era intocável. Mas havia momentos como este nos quais ela mostrava um lado tão ousado, tão... mulher, que eu não conseguia fazer muito mais do que ficar embasbacado por uns dois segundos até me recuperar do choque, e depois sorrir de um jeito bobo ao vê-la corar.

— Não. Não vamos perder essa oportunidade.

We belong to the light

We belong to the thunder

We belong to the sound of the words

We've both fallen under

Wathever we deny or embrace

For worse or for better

We belong, We belong

We belong together

Notas finais
Me digam o que acharam *-* Planejo fazer cada capítulo inspirado em uma música diferente, e não será uma história continua, só pequenos episódios como esse. Enfim... Beijos!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.