The Snow Queen
2 Jack Frost
Notas iniciais
The Snow Queen
Capitulo 2 – Jack Frost
~LightB
E a última imagem que preenchia meus pensamentos era a brilhante lua cheia.
Meus olhos se abriram lentamente, estava completamente perdida, onde estava?
Minha visão demorou a se ajustar, consequentemente demorei a descobrir que estava deitada em uma cama macia, coberta por um lençol fino que tinha uma leve camada de neve... espera, neve?
Meus olhos se arregalaram ao notar que eu estava no castelo de gelo, que por um acaso não estava destruído, espera, como eu podia estar viva? Quer dizer, eu morri, ao menos devia ter morrido, não havia como ter sobrevivido a uma queda daquelas, não havia maneira alguma de eu estar viva.
A porta se abriu e eu pulei para fora da cama, assustada. Um garoto que devia ter minha idade estava parado me encarando com um sorriso de canto no rosto.
Tinha pele clara como a minha, tão branca quanto a neve, bem mais alto e seus cabelos eram... brancos? Sim, por mais estranho que pareça eram brancos ou loiro extremamente claro e platinado, os olhos azuis muito claros, lembrava a cor do gelo nos cristais quando a luz atravessava por eles.
–Hey, que bom que acordou, estava começando a pensar que o homem da lua havia errado.
Encarei ele ainda muito assustada e extremamente confusa, do que ele estava falando? Quem era ele? Quem é o homem da lua? Ele estava esperando que eu acordasse? Por que?
O garoto deu um passo para frente e instintivamente dei dois para trás, tinha certeza de que meus olhos ainda estavam arregalados, eu estava confusa e assustada, mais do que nunca estive na vida, o que estava acontecendo?
–Seu nome é Elsa certo?
Concordei levemente, ainda confusa de mais para formular qualquer frase que fosse. Ele sorriu levemente e só então percebi que ele tinha um cajado de madeira em mãos, usava um moletom azul, calças jeans escuras e descalço. Espera, ele estava descalço? No gelo?
–Ainda não se cansou de me admirar?
Olhei para ele sem entender, e só depois de ver seu olhar que percebi, eu o estava encarando na cara dura todo esse tempo. Fiquei envergonhada, mas como sempre fui fria de mais nunca fiquei corada, pelo menos pra isso minhas habilidades servem.
–Será que poderia parar com a nevasca?
–Hul, desculpe.
Foi a única coisa que pude falar, fechei os olhos acalmando a respiração e acabando com a nevasca que havia criado no quarto sem nem ao menos perceber. Tudo graças ao meu nervosismo, e ao fato de que eu jamais soube controlar minhas emoções, menos ainda meus poderes que saiam de controle graças a minhas emoções.
–Obrigada, mas você precisa treinar, melhorar seu controle do gelo, posso te ajudar com isso.
–Quem é você? Por que não me acha uma aberração?
–Meu nome é Jack Frost e se eu te achasse uma aberração também estaria me chamando de aberração.
E antes mesmo que tivesse tempo de perguntar o que ele queria dizer com aquilo, Jack balançou seu cajado iniciando uma nova nevasca no quarto. Como eu sei que ele fez isso e que eu não havia perdido o controle de novo? Por que eu podia sentir o poder fluir através dele para o cajado e ser direcionado especialmente para criar aquela nevasca. E então do nada tudo parou.
Meus olhos deviam estar quase saltando das órbitas pela surpresa. Ele controla a neve? Ele é como eu? Existem pessoas como eu?
–Você deve estar bem confusa certo? Afinal o homem da lua te escolheu mas não lhe disse o porquê.
–Quem é o homem da lua? Como assim me escolheu?
–Acho melhor se sentar, essa vai ser uma longa história.
Sem nem ao menos questiona-lo voltei para a cama, sentando enquanto via o mesmo sentar sobre seu cajado, que por um acaso estava flutuando. Ele podia voar? Espera, eu tinha uma cama no meu quarto?
Só então eu fui reparar que haviam móveis no quarto, cama, na qual eu estava sentada, um espelho de um lado, uma cômoda, até mesmo um tapete felpudo no chão, como os que eu tinha no meu antigo quarto, no castelo de Arendell.
Jack sorriu quando viu minha surpresa tanto por ele estar voando quanto pelos móveis que não estavam ali da última vez que eu havia estado ali.
–Espero que não se importe, nós mobilhamos o castelo, era uma pena algo tão bonito estar tão vazio.
–Nós?
–Sim, os guardiões. A propósito, eu sou um guardião.
A sim, os guardiões, meus pais me contavam sobre eles quando era criança, Norte, Sandman, Fada dos Dentes e Coelho da Pascoa. Mas eu nunca cheguei a acreditar que eles pudessem ser realmente reais.
E Sim, Jack é um dos guardiões, eles foram escolhidos pelo homem da lua para cuidar do planeta e impedir que a magia e a esperança desapareçam para sempre, eles cuidam das crianças, que são os seres mais esperançosos e de crenças mais fortes que já existiram no mundo, ao menos foi isso que ele me disse.
Ele é a personificação das travessuras, as brincadeiras que arrancam risos de qualquer um que seja. Me pergunto por que nunca fui agraciada com sua bênção em toda minha vida, justo eu que precisava tanto de algo para me fazer sorrir enquanto passava meus dias trancada no quarto. Me questionava do porquê de nunca ouvi falar dele ou mesmo senti-lo por perto.
Jack também explicou que foi mandado aqui pelo homem da lua, para cuidar de uma nova escolhida. Por algum motivo esse tal homem da lua acha que sou digna de ser a guardiã do gelo, de estar encarregada de cuidar daquilo que trouxe tanta aflição em minha vida, por algum motivo ele achava que eu devia estar entre aqueles que cuidam da segurança do mundo, que trazem alegria e mantem a esperança viva.
Mas eu não concordo, tudo o que faço, tudo o que fiz até hoje foi trazer desgraça e infelicidade a todos ao meu redor. Meus pais, Anna, meu povo. Eu os deixei aterrorizados, os coloquei em um inverno terrível, tudo por não saber me controlar e não fui capaz de tomar uma atitude como a de ir embora antes que causar tudo o que lhes causei.
–Quanto tempo eu dormi?
–Não sei dizer, estou te procurando a uma semana, mas, pelo estado em que seu castelo se encontrava posso dizer que fazia tempo. Sua irmã, Anna, está no trono de Arrendell por uns 5 anos aproximadamente.
–5 anos?
Eu basicamente gritei isso, como assim 5 anos? Não, eu não fiquei dormindo por todo esse tempo, é impossível, eu teria morrido por passar tanto tempo assim enterrada na neve, como Jack disse ter me encontrado.
Levantei da cama às pressas, passando direto pelo Jack e indo até as portas da sacada, assim que as abri pude ver Arendell ao longe, e minha nossa, a cidade havia crescido, parecia mais viva do que nunca, havia prosperado e avançado para os lados, devia haver cerca de cem casas a mais do que antes, isso ignorando as construções grandiosas que não existiam antes.
–Sinto muito Elsa, todos pensam que você morreu. E como guardiã eles não podem vê-la, a menos que acreditem em você é claro.
–Eu... eu não posso deixá-la. Jack, que tipo de irmã eu sou? Fazer Anna acreditar que morri quando na verdade estou viva? Isso não é certo.
–Elsa, nenhum guardião está vivo. O homem da lua traz nossas essências de volta, para servirmos aos que precisam de nós, mas não podemos viver entre eles mais.
–Não.
Eu gritei com ele, eu não podia acreditar. Ela acreditava que eu havia morrido? Eu realmente havia morrido na queda, então não era exatamente mentira, mas eu estava aqui agora, eu estava... Viva? Não sei dizer, apenas que eu precisava dizer a ela, fazê-la saber de algum jeito que eu não a havia abandonado de novo.
Não percebi estar chorando até sentir as lagrimas geladas rolarem pelo meu rosto. Se Anna estava no trono a cinco anos isso queria dizer que já estava morta a mais de sete anos, afinal, ela nem havia completado dezesseis quando eu "assumi" o trono, e para ser rainha precisava completar dezoito.
–Sinto muito Elsa.
Jack se aproximou de mim e me puxou para um abraço, por mais surpresa que eu estivesse não recuei ou nada do tipo apenas me agarrei a ele e pela primeira vez em muitos anos me permiti chorar de verdade, me permiti sentir a dor e a deixar que as emoções tomassem conta de mim.
Por algum motivo estranho eu não conseguia não confiar nele, logo eu que sempre desconfiei de tudo e todos, mas Jack era diferente de qualquer outra pessoa que já conheci, ele tem essa sinceridade toda estampada em seus olhos que inspira confiança mesmo que o tenha conhecido a menos de uma hora.
E por mais que ele tenha me achado a pedido do homem da lua aqui estava ele, me abraçando e acariciando meu cabelo, me apoiando de certa forma. Não estava dizendo para me acalmar ou que tudo ficaria bem, ele parecia entender que não adiantaria de nada dizer isso, pois não seria verdade.
E por algum motivo desconhecido eu me acalmei, por mais que minha mente estivesse bagunçada e fosse como uma tempestade de pensamentos e emoções as lagrimas deixaram de rolar e minha respiração se normalizou o suficiente para que eu pudesse me recompor.
–Desculpe por isso.
–Não se preocupe, é difícil aceitar que sua família não pode saber sobre você, ou mesmo ver você.
–Obrigada.
Jack deu um sorriso de canto e me levou até minha cama, me colocando sentada ali e se sentando ao meu lado segurando minha mão, ao contrário do que imaginei sua mão não era fria, tinha a mesma temperatura que a minha. Ele entrelaçou nossos dedos e ficou encarando nossas mãos por um tempo e eu o encarava por que apenas nesse momento que fui perceber o quanto realmente ele era lindo.
–Quando eu acordei eu estava sozinho dentro de um lago congelado no meio do nada. Estava tão confuso quanto você, talvez mais por que eu estava sozinho e tudo o que o homem da lua me disse foi meu nome, o resto tive de descobrir por mim mesmo.
Suas palavras me pegaram de surpresa, quer dizer, sozinho? Sabendo apenas o nome e mais nada? O quão horrível não deve ter sido? Ter de descobrir tudo sozinho, passar por tudo sem ninguém? Apertei levemente sua mão, tentando dar algum tipo de apoio, mostrar de alguma forma que eu estava ali já que eu não tinha ideia do que fazer ou dizer a ele.
–Não disse isso para que sentisse pena de mim – Jack me olhou nos olhos e riu um pouco, por mais que risse ele não parecia exatamente feliz – eu disse isso para que saiba que eu te entendo, eu sei como é isso, sei o que é ser sozinho e mal compreendido, talvez seja por isso que o homem da lua me mandou aqui.
–Ou por que seu cabelo é quase da cor do meu.
–É uma possibilidade – Jack riu do meu comentário e pegou uma mecha do meu cabelo loiro claro entre seus dedos – mas seu cabelo é mais bonito.
–Não sei, gostei do seu também – sorri para ele que me lançou um olhar levemente malicioso – mas deve ser estranho ter o cabelo branco, quer dizer, as pessoas devem achar que você é velho quando na verdade não é.
–Mais eu sou velho, tenho mais de 300 anos.
Meus olhos se arregalaram e ele voltou a rir graças a expressão surpresa que eu tinha, mas não era para menos, ele tinha mais de 300 anos? Como isso pode ser possível? Ele parecia ter a minha idade. E foi só então que eu percebi, ele não estava exatamente vivo, por isso não envelhecia mais, e eu também não iria mais envelhecer.
–Isso é tão estranho.
–Você ainda nem viu nada – Jack sorriu brincalhão e se levantou me puxando com ele já que nossos dedos ainda estavam entrelaçados – tenho que te levar para conhecer o Norte, você vai adorar a fábrica dele.
–Você está falando da fábrica do Papai Noel? Isso existe?
–Não diga isso perto dele, ficaria ofendido de descobrir que você não acreditava nele.
–Não é muito fácil acreditar em coisas quando você quase mata sua irmã graças aos seus poderes e passa o resto da infância e a adolescência trancada em um quarto tentando aprender a controlar poderes que ficavam cada vez pior.
Jack parou e me encarou, seus olhos azuis me fitavam surpresos, até mesmo um pouco confusos e seus dedos apertaram os meus levemente, ele não parecia saber exatamente o que dizer naquele momento e eu me arrependi de ter dito aquilo, não era para falar assim ou soar tão magoada, eu havia superado isso a muito tempo, ao menos eu pensei que havia.
–Elsa eu não tinha ideia.
–Tudo bem Jack, quer dizer, isso já passou, foi a muito tempo e eu nem devia ter dito nada, nem sei por que falei sobre isso, não tem importância.
–Claro que tem. Elsa você passou parte da sua vida trancada, sozinha e com medo, achando que era perigosa e que podia machucar as pessoas quando na verdade tudo o que precisava era de ajuda para aprender a controlar. Você pensava que seu dom era uma maldição, como isso pode ser sem importância?
Desviei o olhar do dele, como uma pessoa que havia me conhecido a tão pouco tempo e ouvido apenas uma pequena parte da minha história poderia me conhecer tão bem a ponto de dizer exatamente o que eu sentia e o que passei?
Me surpreendi ao sentir seus dedos tocarem meu rosto, automaticamente meus olhos se voltou para ele e nossos olhares se encontraram, Jack segurou meu rosto com a mão livre e me lançou um sorriso de canto, um sorriso sincero.
–Mas em uma coisa você tem razão – seu sorriso se abriu e ele acariciou levemente meu rosto – isso já passou e a partir de agora eu vou te ensinar a viver de verdade.
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