Notas iniciais
Hey pessoas, como estão? Eu estou mega atarefada, por mais que esteja de ferias não estou dando conta dos meus afazeres, não sei se comentei com vocês, mas eu estou indo para um colégio interno, o que quer dizer que provavelmente minhas postagens serão nulas, inexistentes, zero. E esse foi um dos motivos pelos quais não quis prolongar esta fic... Sendo assim, este é o penúltimo capitulo, vou fazer um cap extra, já estou trabalhando nele, mas sem data prevista, mas prometo que antes de me mudar eu posto.... Obrigada por lerem e comentem suas opiniões...

The Snow Queen

–LightB

Epílogo

Meus pés tocaram a calçada, feita de paralelepípedos, basicamente sem som algum, olhei ao meu redor tentando reconhecer o lugar que o vento havia me trazido dessa vez, encarei uma grande torre repleta de luzes, podia ver uma fila se formando para entrar nos elevadores e algumas pessoas tirando fotos a mostrando no fundo.

Paris, mais que surpresa.

Observei as pessoas ao meu redor e logo avistei minhas próximas vítimas, ou melhor, meus próximos pacientes ou talvez quem saiba eu devesse pensar melhor em como chama-los, afinal, eu tinha a eternidade para isso.

Mas mesmo após tantos anos ainda não consigo me decidir de como chama-los, ou se devo chamá-los de algo, é algo que me faz querer parar para pensar e não é como se eu pudesse perder esse casal.

Algumas pessoas dizem que solidão é uma doença, que aqueles que não conhecem o amor precisam de ajuda, precisam de alguém para curar suas almas vazias e solitárias, bem, eu sou essa pessoa, mas não sou eu a preencher o vazio em seus peitos, eu encontro a pessoa que vai, bem, ao menos eu tento.

Ser o espírito do amor não é algo tão fácil como parece, não basta apenas jogar um pouco de pozinho roxo em cima deles e pronto tudo está perfeito e um arco-íris vai surgir e guia-los para um pote de ouro, todos os seus problemas irão virar fumaça e serão felizes para sempre.

Pelo contrário, o amor é algo demorado, complexo e belo, não existem palavras capazes de descreve-lo da maneira correta, precisa ser merecido todos os dias e não a mágica no mundo que seja capaz de destruí-lo, desde que seja verdadeiro.

Algumas vezes, como agora por exemplo, é complicado de se juntar duas pessoas. Ainda mais se elas nunca se viram ou não estão procurando por um amor, é necessário um plano para que a mágica possa fazer seu trabalho em atrai-los para perto e depois, diferente do que os humanos acreditam, depende apenas deles.

Sentada em um banco, meio metro a minha frente, uma garota, longos cabelos ruivos presos em um rabo de cavalo baixo, uma touca negra cobria sua cabeça, as roupas pesadas e escuras a faziam passar quase desapercebido, ainda mais quando sua cabeça está baixa, os olhos verdes escuros escondidos pelas pálpebras brancas e pelos cílios vermelhos como o cabelo.

O vento gelado fazia suas bochechas adquirirem um tom rosado e as sardas avermelhadas salpicavam seu rosto de pele tão clara, isso é bem comum em pessoas que possuem a pele clara e saem muito no sol.

Ela estava tão concentrada no livro que lia que não notaria minha presença nem que eu estivesse sem o gorro e visível aos seus olhos humanos e frágeis, menos ainda teria notado o garoto que a observava em silêncio, provavelmente já a algum tempo.

Seus olhos castanhos brilhavam graças aos raios solares que, mesmo poucos, iluminavam o dia levemente nublado. A pele mais bronzeada indicava que ou ele deveria ser um turista, ou havia viajado nas férias para algum lugar quente, os cabelos negros levemente longos balançavam com a brisa enquanto ele não deixava de admira-la, mesmo de longe.

Parei por alguns minutos para pensar um pouco no que faria a seguir, precisava de alguma maneira juntar aqueles dois, talvez algo clichê funcionasse nesse caso, seria lindo vê-los se encarando com aquele ar de amor à primeira vista, ver suas expressões quando notassem que estavam se encarando e o quanto ficariam desconcertados com a situação.

Me concentrei naquilo que havia aprendido a tanto tempo com o Jack, como controlar os ventos, não que seja algo fácil como ele faz parecer, demorei dias até conseguir começar a entender como isso funciona, antes só de pensar em conversar com o vento me parecia loucura, agora era tão normal que as vezes me questiono se realmente não acabei ficando um pouco louca.

–Vento, uma ajudinha aqui — sussurrei baixo, mas não precisava mais do que isso, o vento não é surdo e ele não gosta quando gritam com ele.

Logo uma ventania pegou todos desprevenidos, papeis voando para todos os lados e alguns gritos soaram aqui e ali, a pobre garota que estava tão concentrada em seu livro só foi notar a ventania quando as páginas do livro se passaram sozinhas e seu cachecol já havia se desprendido de seu pescoço e voado para longe.

Ela colocou o livro ao seu lado no banco e encarou paralisada enquanto a peça de lã vermelha dançava no ar, até ser pega por alguém. O rapaz prontamente havia se levantado de onde estava e corrido em direção ao cachecol, o pegando antes que fosse tarde demais e vindo em direção a moça com um leve sorriso no rosto e o tecido em mãos.

Me aproximei deles, ainda invisível graças a mágica que havia em usar um gorro de moletom, nem tentei entender como isso funciona, balancei minhas mãos e a areia roxa começou a surgir e a seguir meu comando mudo, a rodeando eles, fazendo com que seus olhares se encontrassem de uma maneira intensa e romântica por alguns segundos antes de perceberem estarem se encarando e ela desviar o olhar para o livro ao seu lado.

–Acho que isso lhe pertence — o rapaz falou estendendo a mão com a lã vermelha para ela, que prontamente pegou, tocando na mão dele e quase imediatamente corando com o ato, as bochechas vermelhas eram tão visíveis que percebi um leve sorriso se formando no rosto dele.

Sorri observando os dois.

Um pouco mais de areia e ela voltou a encara-lo, seus olhares novamente se cruzaram e dessa vez havia algo mais ali, um tipo novo de intensidade, aquela fagulha de paixão brotando em seus olhos, os chamando a sentar juntos e conversar, aquela curiosidade em saber mais sobre o outro, a conhece-lo melhor.

–Obrigada — ela sorriu um tanto envergonhada — se você não pegasse eu provavelmente o teria perdido e eu não sei o que faria, foi um presente da minha avó... De qualquer maneira muito obrigada.

–Percebi que estava concentrada no seu livro, afinal, é assim tão bom? — ele olhou curioso para o livro em suas mãos e ela logo o estendeu a ele, para que pudesse ver.

E o meu trabalho estava feito.

Não sabia dizer se eles ficariam juntos eternamente ou se depois de hoje jamais voltariam a se ver, isso não é o que eu faço, eu junto as almas que se encaixam, aquelas que tem chance de se apaixonarem verdadeiramente e de serem felizes, agora, se eles irão ser felizes depende apenas deles mesmo.

O amor é a mágica mais poderosa do mundo, não a maneira de controla-la completamente, nem de entendê-la totalmente, é um total mistério até mesmo para mim que tenho como trabalho espalha-lo pelo mundo, imagino que nem mesmo o Homem da Lua com todo o seu poder consegue entender uma magia tão poderosa como essa.

–O que está fazendo? — Jack falou atrás de mim, bem próximo ao meu ouvido, me fazendo pular para a frente feito um gato assustado.

–Não faça isso – falei rapidamente, tentando me recuperar do susto.

Ele riu alto enquanto eu o encarava ainda com os olhos levemente arregalados e com a mão no peito, como se de algum jeito isso fosse acalmar meu coração acelerado pelo susto, o encarei irritada e ele levantou as mãos como se estivesse se rendendo, mas eu o conhecia bem o suficiente para saber que ele queria era evitar que eu brigasse com ele.

–Vejo que estava fazendo seu trabalho — Jack olhou para além de mim, para o casal sentados juntos, conversando animadamente, me virei totalmente para eles e sorri com a cena, era tão gratificante vê-los juntos.

–Eu sempre faço meu trabalho, o que me lembra — dei as costas aos dois e me virei de frente para o Jack, que me encarava com aqueles olhos azuis gelo e uma expressão de curiosidade — o que você faz aqui? Não devia estar no hemisfério sul?

–Eu devia, mas então pensei, talvez uma outra guardiã do gelo quisesse se juntar a mim, já que eu estou um mês atrasado.

Jack encurtou a distância entre nós com apenas um passo, me olhando fixamente e com um leve sorriso de canto que conseguia, mesmo depois de tanto tempo, me tirar o fôlego e me fazer esquecer o que tinha a dizer.

–Eu tenho trabalho a fazer.

–Eu sei, mas existem pessoas no hemisfério sul também — seu sorriso se alargou um pouco enquanto ele acabava de vez com a distância e colocava uma mão em minha cintura e a outra em meu rosto, me fazendo fechar os olhos e aproveitar a sensação de sua pele na minha.

–Senti sua falta — sussurrei quando ele colou sua testa na minha, eu podia sentir sua respiração no meu rosto e eu tinha certeza, mesmo estando de olhos fechados, de que ele estava sorrindo.

–Eu nem me lembrava de você até perceber que tinha muito trabalho.

Abri meus olhos vendo que ele não podia esconder o sorriso, bufei enquanto lhe desferia um tapa no peito, mas antes que eu pudesse dizer qualquer palavra ele me prendeu em seus braços e colou nossos lábios em um longo beijo apaixonado, revelando toda a saudade.

–Eu quase fiquei louco sem você — Jack falou quando o ar, ou melhor a falta dele, nos abrigou a nos separar.

–Isso é sua culpa, seis meses em assuntos doa guardiões é muito tempo, como eu posso fazer o meu trabalho quando preciso substituir você?

–Hey, não brigue comigo, não fui eu que me escolhi para ser um guardião, na verdade, eu nunca quis ser um.

–Eu sei, mas eu não resisto a te fazer sentir culpado, sua expressão é impagável — falei rindo um pouco e vendo um olhar irritado surgir em seu rosto, Jack estava se afastando quando agarrei seu braço e o puxei para perto de novo, o beijando — eu amo você.

–Eu sei — ele sorriu vendo minha expressão de quem estava esperando para ouvir a mesma frase, mas ao invés disso ele simplesmente sorriu ainda mais e beijou o topo da minha cabeça — sabe o que eu sinto por você Els, sabe que eu te amo, por que fica com essa cara todas as vezes que demoro a responder?

Desviei o olhar para o casal atrás de nós, eles pareciam felizes, com todo aquele brilho os envolvendo e tudo mais, quantas vezes eu havia visto aquela mesma cena? Quantas vezes também não vi os casais se separando e cada um seguindo seu rumo sem nunca mais voltarem a se encontrar?

Era tão triste pensar que, algumas vezes, aquilo que pensamos que irá durar para sempre acaba de uma hora para outra, sem motivo, sem volta e por mais que eu soubesse que as coisas não eram mais como antes, que tudo é diferente, que eu sou diferente não posso deixar de, algumas vezes, pensar que as coisas podem não ser assim tão diferentes, que talvez eu não tenha tanta sorte assim.

–Eu não sei, velhas inseguranças eu acho.

–Bem — Jack segurou meus ombros e me virou de volta para ele — eu amo você, isso não vai mudar, mesmo que você não me queira eu vou estar aqui, então pare de sonhar que vai se livrar de mim.

Eu ri, por mais que aquela tenha sido um tipo de declaração, quer dizer, nem sempre Jack é um príncipe encantado, na maior parte das vezes não é, mas mesmo assim, ele vive a me surpreender e a me provar que príncipes encantados são superestimados.

Ainda, mesmo depois de tanto tempo, não consigo entender como ele consegue ter a capacidade de apagar qualquer incerteza que venha a surgir em minha mente, ele trouxe algo para a minha vida que nunca sonhei ter, esperança, amor.

Jack sorriu e voltou a me beijar antes de olhar para o casal, segui seu olhar e percebi que eles estavam mais próximos agora, ele estava anotando o número dela no celular e quando voltou a olha-la foi como se o destino trabalhasse a seu favor, ela também o olhava e ele aproveitou isso para roubar um beijo dela, que mesmo pega de surpresa fechou os olhos e retribuiu.

–Acho que seu trabalho está feito — Jack sussurrou em meu ouvido me fazendo dar as costas ao casal e olhar para seus olhos — o que acha de me ajudar com o meu?

–Bem, eu estava mesmo querendo visitar a Austrália. Faz alguns anos que não passo por lá, devem estar precisando de mim.

Jack sorriu e me beijou rapidamente. Logo o vento nos envolvia e estávamos sendo levados junto dele, deixando que nos guiasse, não era preciso dizer nada, uma vez que o vento lhe concede sua amizade ele sempre sabe para onde você quer ir, e ele sempre nos leva até lá, mesmo que nós mesmos não saibamos exatamente o lugar que queremos ir.

Jack voava de olhos fechados, aproveitando a sensação, sorri com a cena, nunca me cansava de vê-lo assim, tão calmo, tão feliz, em momentos assim era quase como se minha vida fosse perfeita, por mais que eu não tivesse a vida perfeita que tantas pessoas sonham, eu tinha tudo o que eu queria e não precisava de nada mais e para mim isso era mais do que suficiente, para mim isso era perfeito.

Fechei meus olhos ainda sorrindo e aproveitei a sensação do vento passando velozmente por mim, assim como ele, deixando qualquer preocupação ou insegurança para trás e limpando minha mente, apenas aproveitando a liberdade que sempre sonhei, e que agora eu tinha, para sempre.

Notas finais
Desculpe qualquer erro, não tive tempo de revisar muito bem... Sorry...