The Smile Of Winter
11 Se livrando de um peso
Notas iniciais
Eu e o Justin marcamos de nos encontrar no Starbucks. Estava nervosa, não sabia o que falar! Passei meia hora ensaiando em frente do espelho o que eu diria. Depois, me arrumei e fui.
Quando cheguei ele já estava lá. Estava com óculos escuros e uma toca de lã pra não ser notado. Acho que deu certo, ninguém percebeu que era ele, nem eu! Ele que me chamou. Nem me sentei direito e ele já começou a falar:
-Elisa, eu sei que sou um idiota e sei que não mereço mais ser chamado de seu amigo, só queria que você soubesse que eu estou arrependido e...
-Arrependido? Sério? Poxa, eu beijo tão mal assim?!
Não acredito que eu tinha dito aquilo! Ele me olhou com uma cara como se não tivesse entendido nada, e então eu logo mudei de assunto:
-Justin, não estou nem um pouco com raiva de você!
-N-Não?!
-Claro que não! Você é que devia estar com raiva de mim por eu ter corrido daquele jeito sem te dar satisfação nenhuma!
-Mas é claro que não! Afinal, fui eu que te beijei! Eu não sei o que deu na minha cabeça, juro!
-Não foi você que me beijou, fui eu que te beijei!
Depois ficamos calados só olhando um pra cara do outro com cara de assustados. Acabamos rindo daquela situação e em seguida ele disse bem mais tranquilo:
-Kkkk! Que tal esquecemos do que aconteceu, como se nunca tivesse acontecido?!?
-É... uma boa ideia! Kkkkk! Mas você ainda não me respondeu...
-O que?
-Eu beijo bem?
Ele então ficou meio sério e corou. Olhou pra baixo deu um sorrisinho e falou:
-Seu beijo é perfeito!
Também corei. O Justin falou de um jeito tão fofo! Falei meio baixo:
-O seu também.
Ele olhou pra mim e deu um sorriso enorme!
-Ok, acho melhor irmos...- Falei sem graça.
-É... Eu te deixo em casa!
-Não precisa!
-Claro que precisa! Já viu como tá frio lá fora?!
Não tive como recusar. Ele tinha razão, tava muito frio, tava quase tudo congelando!
-Ok então...
Fomos com o rádio no máximo e o Justin cantava bem alto fazendo um monte de palhaçada. Eu só fazia rir e acompanhar a letra da música cantando (lê-se berrando) animadamente! Mas não demorou muito pra chegarmos em casa. O Justin me deixou na porta de casa (Não é a toa que a Babi vive dizendo que ele é um ‘Gentleman’!) E nos despedimos com um abraço. Quando eu estava entrando na porta de casa, vi que a Maggie estava observando tudo com a maior cara de poucos amigos. Olhei pra ela e fiz uma expressão meio triste. Ela em seguida entrou. Fiz o mesmo.
Eu acabei seguindo o conselho das meninas. Eu tentei esquecer a Maggie, por mais difícil que fosse.
P.O.V Justin:
Nunca me senti melhor na vida. Primeiro: A Elisa não estava com raiva de mim; Segundo: Ela disse que meu beijo era perfeito; Terceiro: Ela deixou eu dar uma carona pra ela! Dia melhor, impossível!
P.O.V Elisa:
Fui assistir um filme no Tele Cine Premium e estava passando ‘Never Say Never’. Ri muito das lerdices de Justin, e também me emocionei com a história dele. Eu não acredito que eu passei grande parte da minha vida o julgando, sem nem saber o que ele tinha passado até chegar aonde chegou. Quando acabou, subi no meu quarto pra ouvir música. Em seguida, a Penny chegou:
-Telefone pra você, querida.
-Quem é?
-Uma tal de Maggie.
Não pude acreditar! A Maggie não tinha o que fazer mesmo! Tinha ligado pra mim provavelmente pra esfregar mais coisas na minha cara. Não aguentava mais aquele peso! Mas já estava mais que na hora de falar pra ela toda a verdade.
-Q...Quem?
-A Maggie, querida.
Peguei o telefone e falei com uma voz bastante séria:
-Alô?
-Alô, Elisa? Será que você poderia vir aqui em casa? Eu queria falar com você.
-Pra quê? Me colocar mais pra baixo do que você me colocou aquele dia?
-Não, não é nada disso. Eu só queria esclarecer umas coisas, com calma. Mas se você não quiser esquece. Não sei por que eu liguei, você só podia estar assim depois daquele dia... Quer saber? Esquece!
-Maggie, espera. Eu também queria falar com você.
-Então... Passa aqui em casa.
Nem pensei duas vezes. Coloquei meu casaco e fui. Ela mesma atendeu a porta.
-Entra. Pode se sentar aqui.
Ela puxou um puff pra mim e colocou outro em frente pra ela na sala de televisão. Me sentei e ela fez o mesmo em seguida.
-Então... Quer começar?- Perguntou.
-É, pode ser. Sabe, eu tenho muitas coisas pra esclarecer.
-Ok então... Pode falar!
-Maggie, antes de tudo que queria te dizer que eu e o Justin somos A-MI-GOS- Falei pausadamente.- Você pode até não acreditar, mas é verdade.
-Hum...
-E depois de tudo o que você falou eu fiquei muito magoada. Pode perguntar pra Jessi, eu passei o dia inteiro sem comer! Pra você ver o quanto sua amizade é valiosa pra mim, Maggie. Desculpas por tudo o que as meninas disseram pra você, eu não queria que elas me defendessem.
-Então elas falaram do dia no Starbucks?
-Sim. Elas foram lá pra casa tentar me animar depois da discussão.
-Ah.
-Maggie depois desses dias que nós passamos distantes eu refleti bastante sobre nossa amizade. Eu tive que me afastar do Justin pra te agradar e nem isso adiantou. Eu estava deixando de ser feliz, pra te deixar feliz. Todas as minhas amigas me disseram que eu estava sendo uma idiota, mas nem liguei e continuei tentando concertar o meu “erro”- Fiz aspas com os dedos- Mas aí, eu pensei: Eu não podia deixar de viver minha vida por causa de uma briga ciumenta sua. Então eu me decidi. A Carly falou algo que às vezes temos abrir mão de algumas coisas pra ser feliz. E nesse momento eu tive que abrir mão da sua amizade.
-Elisa, posso falar?
-Pode.
-Depois do dia em que você foi embora, eu chorei muito. No começo eu não sabia se era por causa do Justin ou por você. Fui falar com as meninas pra ver o que elas pensavam e... bem, você sabe o que aconteceu. Eu me tranquei de noite no quarto e comecei a ver umas fotos nossas. Me lembrei de todos os momentos que nós passamos juntas na infância, e comecei a chorar. Eu percebi a merda que eu tinha feito. E também descobri que aquilo que eu sentia Justin era apenas uma paixonite, de criança. Eu havia brigado com uma das minhas melhores amigas por causa da maior besteira do mundo.- Nesse momento, ela segurou na minha mão e continuou. Percebi que uma lágrima caiu do rosto dela.- Elisa, eu sei que você deve estar se acabando de raiva de mim, mas por favor, não desiste da nossa amizade. Eu tô me sentindo um monstro depois de ter feito aquilo, mas... Me deculpa. É só o que eu te peço.
Olhei pra ela e só a abracei. Passamos um tempo assim e depois ela olhou pra mim, rompendo o abraço.
-Eu também descobri uma coisa nesse tempo.
-O que?
-Elisa, o Justin te ama. Da pra ver isso pelo olhar dele. Você foi a única que não percebeu isso. Vocês se amam! Por favor, casem-se!
-Kkkkkkk, ok né, Maggie? Que tal fazermos aquela sessão de cinema com bem muita pipoca?
-Hmmmmmmmmmm, mudou de assunto... Aí tem...
Peguei um travesseiro e joguei em cima dela.
-AI, VADIA! É MELHOR VOCÊ CORRER...
E isso deu origem a uma guerra de travesseiros. Agora sim senti que tinha me aliviado de um peso horrível das minhas costas.
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