The Smell Of Your Skin Lingers On Me
1 About The Pation
Notas iniciais
... mas vai também ser ela que salvará sua vida...
O Cheiro De Sua Pele Está Gravado Em Mim
About The Pation:
Sobre A Paixão:
Não era pela aparência — era bonito sim, muito; não era, contudo, isso o que mais me atraia. Era estranho pensar nele, principalmente quando fazia isso vinte e quatro horas por dia. Repassava em minha mente cada palavra dirigida a mim, cada olhar, cada ação. E quantas vezes passei de minha estação por estar absorto demais nele não saberia dizer. O que realmente importava é que ele era minha droga e a cada hora que passava lentamente em meu relógio, mais eu precisava dele.
Existia alguma coisa nele, algo na maneira com que tragava o cigarro, com que bebia o café como se fosse a coisa mais gostosa do mundo semicerrando os olhos, na maneira com que caminhava. Alguma coisa nele mexia comigo de uma maneira que não conseguia controlar ou entender. Ele provocara uma mudança em mim desde a primeira vez que o vi.
Trabalhava em uma grande firma de publicidade no centro de Nova Yorque, próxima ao Central Park. Tinha acabado de chegar pousando o café sobre a mesa de tampo branco e retirava os grossos casacos que me protegiam do frio do lado de fora. Entrou acompanhado do gerente, os olhos de um azul tão intensos que pareciam falsos. Os cabelos negros muito lisos pintados com um vermelho denso na parte de trás prenderam minha atenção quase tanto quanto seu sorriso branco e altivo. Era misterioso e não muito chegado a conversas longas. Durante muito, tudo que trocamos foram palavras esparsas e esporádicas sobre o trabalho ou comentários ridículos sobre o tempo.
Tudo tão sem sentido.
Meus olhos se fixaram nele, permaneci imóvel, ainda com o casaco em minhas mãos. Acho que notou que o fitava, pois pousou seus olhos azuis em mim me observando por inteiro. Baixei a cabeça sentindo o calor em minha face. Sentei e tomei mais um gole de meu café fingindo estar abstraído pela tela do Mac sobre minha mesa. O coração acelerado tentando entender o que acabara de acontecer.
O gerente chamou a atenção de todos se posicionando em uma parte mais alta próxima ao elevador. Ele trabalharia ali a partir de agora e a surpresa foi ainda maior quando se aproximou, sentando-se na cadeira do lado oposto à que estava sentado colocando ali uma caixa de seus pertences e ligando o computador. Tentava com todas as forças não olhá-lo e fazer minhas mãos pararem de tremer. Pegava-o me olhando em certas horas, talvez curioso com o rapaz de cabelos negros que ficara encarando quando chegara, ou por outra razão que não conhecia. O que realmente importava é que cada vez que isso acontecia eu voltava a tremer, posicionava as mãos sob a mesa onde não pudesse vê-las e tentava desesperadamente disfarçar minha excitação e meu nervosismo.
Não trocamos se quer uma palavra aquele dia e também não consegui me concentra em nada a não ser seu rosto perfeito demais. Achava aquilo uma fase, que iria passar, mas não passou... piorou. Conforme os dias se iam minha mente se tornava mais e mais obcecada em formar imagens dele, me lembrar de seu cheiro, de seus olhos. Ele se tornava mais impregnado em mim, mais visceral. Não conseguia dormir, não conseguia comer e apenas sobreviver sem ele se tornou difícil assim como disfarçar minha perturbação em sua presença, aos poucos penso que ele foi percebendo.
Algum tempo já havia se passado e ir ao trabalho se tornara uma tortura. Meu chefe deve ter gostado, pois para tentar não pensar nele, durante todo o tempo, trabalhava com a cabeça quase dentro do computador, podendo assim terminar todo meu trabalho mais cedo e talvez conseguir ir para casa — quando isso não me rendia apenas ainda mais trabalho. Está indo tão bem, ele dizia, e assim fui sobrevivendo a meus dias sem ele.
Dias sem propósito... vazios.
O frio se abatera sobre a cidade e somente respirar se tornara difícil. Apenas viciados como eu enfrentavam-no por algumas tragadas cheias de nicotina. Quão grande foi a minha surpresa ao encontrá-lo lá, encostado junto a uma lata de lixo fumando de uma maneira que não saberia descrever.
A reação foi imediata: coração acelerado, respiração descompassada, mãos tremendo. Era tarde demais para dar meia volta, ele já havia me visto, pousado aqueles grandes olhos em mim e me dado um meio sorriso. A essa altura já tínhamos nos falado algumas vezes, todas torturantes. Não pelo papo, que obviamente era ótimo, mas por meu nervosismo de garotinha colegial – se não parasse com aquilo certamente teria um ataque cardíaco antes dos trinta. Seu nome era Jared, Jared Leto; tinha a pouco acabado sua faculdade de publicidade em Yale – sim, além de tudo era inteligente e rico – e estava estagiando, vendo se conseguia uma colocação melhor e permanente. Morava a algumas estações de minha casa, em um bairro certamente não tão barulhento ou sujo; sem, no entanto, todos aqueles bares – a quem estou enganando, aquilo fedia.
Aproximei-me acenando levemente com a cabeça, acendi meu Marlboro Red tragando lentamente, senti a fumaça morna abrandar o frio de menos dez graus e o torpor que proporcionava o primeiro cigarro depois de muito tempo. Encostei-me na mesma lata de lixo encolhendo a mão desocupada em um dos bolsos de meu casaco. Ele me olhava... eu olhava pra ele, não sabia bem o que dizer quando ele me perguntou:
- Você é sempre assim tão tímido? – Olhei para ele e dei um sorriso de canto de boca me sentindo, de alguma maneira, mais calmo. Não era sempre assim, mas era perto dele.
- Nem sempre, só por certos motivos. – era uma resposta idiota a uma pergunta no mínimo constrangedora; na época, contudo, me pareceu boa e foi tudo em que consegui pensar.
- O que te deixa nervoso? – inquiriu dando mais uma tragada no cigarro e jogando-o ao cinzeiro logo pegando outro e acendendo com habilidade. Mantinha um sorriso confiante entre os lábios finos no rosto levemente pálido marcado pelo lápis preto contornando-lhe os olhos.
Isso era mais uma daquelas coisas que me desconcertava nele, sua confiança. Para alguns poderia parecer apenas prepotência, características daqueles que se acham. Não ele, não era uma pessoa que se achava, tinha certeza. Mantinha sempre aquela expressão, sempre aquele olhar não importando a situação, fosse boa ou ruim. O controle da situação não lhe fugia das mãos, nunca.
- Normalmente pessoas. – Disse sorrindo, voltei meu olhar constrangido para baixo tragando mais uma vez meu cigarro e soltando a fumaça para o auto e votei-me para a fachada do prédio em frente.
- Pessoas de quem você gosta? – sim, ele era realmente confiante e com certeza possuía um dom especial para fazer as perguntas certas às pessoas erradas nas horas erradas – tudo isso da maneira mais natural possível. Olhei seus olhos que continuavam a me fitar analisando cada novo movimento, cada nova expressão.
- Talvez. – devo ter ficado extremamente vermelho ou feito uma cara demasiado patética, pois ele riu de boca aberta mostrando cada um de seus dentes brancos e aquela língua que eu tanto almejava. Voltou a me olhar penetrante — me sentia nu refletido naquelas pupilas — e proferiu:
- Eu te deixo nervoso, Gerard Way? – Senti como se meu estômago houvesse dado uma volta completa e ido parar na garganta. Não sabia o que dizer, não sabia o que responder e tudo o que eu mais desejava era cavar um buraco até o fundo da Terra e nunca mais voltar, apenas ficar escondido lá para o resto de minha vida miserável sentindo pena de mim mesmo.
Era uma sexta feira e o sol já ensaiava se pôr por debaixo dos prédios altos da cidade. Não saberia dizer quantos minutos já havia se passado desde que chegamos ali, não deveriam ter sido muitos, mas certamente havia sido demais. O cigarro caiu de minha mão ainda pela metade, ele já havia terminado o dele e jogou-o junto ao anterior. Pousou seus olhos em mim uma última vez e me entregou um cartão.
- Me encontre amanhã, às dez na Starbucks da quinta com a oitava. Qualquer coisa me liga. Te vejo amanhã... para nos conhecermos melhor. – sorriu mais uma vez e caminhou até que não pudesse mais vê-lo pelas portas de vidro espelhado do saguão.
Minhas mãos tremiam tanto quanto as de um epilético. Não conseguia se quer respirar quanto mais entende o que havia acontecido. Pensei durante vários minutos até finalmente digerir a informação: minha obceção acabara de me convidar para sair e aparentemente eu disse sim.
Notas finais
Beijuxxxxxx
Reviews são de graça e fazem maravilhas pelo meu humor!! iaaiauihaahuahuah
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