Elas começam de forma lenta.

Rachel usa sua passagem de metrô para visitar Quinn em Yale. Ela conhece a sua colega de quarto e caminha de mãos dadas com Quinn nas ruas de New Haven como se fosse a coisa mais natural do mundo. Talvez seja. Elas já se deram as mãos no passado — tantos toques amigáveis que pareciam ser tão além mas nunca eram — mas isso foi antes de Rachel ter consciência de que cada toque era tanto um presente quanto uma maldição para Quinn, apreciado e temido em proporções iguais. Rachel pega a sua mão com um sorriso suave que sussurra promessas silenciosas de afeição e infinitas possibilidades. Quinn entrelaça seus dedos de forma cautelosa — reverencialmente — e encara dentro de um olhar brilhante e insondável. Ela sente o seu coração pular, gaguejar e voar, esquecendo a cautela, mesmo que elas apenas estejam dando passos experimentais, dançando no limite da amizade e algo além. É o suficiente para atiçar as brasas de esperança que estavam enterradas sob as cinzas, apresentando-as para uma nova vida — algo perigoso deixado abandonado, mas Quinn não é cautelosa o bastante para sufocá-lo.

Elas vão nesse ritmo por um tempo, reconstruindo uma amizade que ambas haviam deixado murchar. Para Quinn, havia sido a única defesa restante para proteger seu coração ferido. Ela passou todo Ensino Médio assistindo Rachel arrastar o seu olhar para outra pessoa qualquer e ver isso novamente em um ciclo repetitivo — o mesmo show só que com um homem diferente — foi algo que nunca a agradou. Mas, agora esse olhar estava arrastando-se para ela, e parecia como uma história completamente diferente. Cada sorriso é um pouco mais brilhante, cada risada um pouco mais alta, e cada momento um pouco mais doce.

O primeiro encontro não é um primeiro encontro — pelo menos é assim que Quinn alega. Ela tem dois ingressos para o Yale Cabaret e pensa que é algo que ambas irão apreciar. Rachel sorri e fica na ponta dos pés enquanto solta um ansioso "sim". Rachel não precisa saber que Quinn fez questão de checar que eles teriam um menu vegan, ou que ela comprou um novo vestido especialmente para a ocasião, ou que o seu estômago foi preenchido por borboletas enquanto preparava-se para o seu não-encontro.

Rachel está linda e sorri a medida que segura a mão de Quinn no caminho até o Cabaret. Rachel sorri quando Quinn segura a sua cadeira para que ela se sente na pequena mesa. Ela sorri quando Quinn pede para ver as opções vegan. Ela sorri enquanto conversam em um tom baixo antes do começo da performance, e depois quando ela sussurra: "Será você lá algum dia", com a mesma certeza que ela fala sobre o seu próprio futuro. Quinn sente a mesma onda de calor que a invade cada vez que Rachel demonstra acreditar nela.

O não-encontro acaba com um abraço e um "Muito obrigada, Quinn. Hoje a noite foi incrível. Estou tão feliz por ter me convidado."

Rachel passa a noite em seu dormitório, elas dividem a cama, mas como cada vez desde que começaram a se arriscar entre essa precária linha, elas dormem de costas uma para outra, cada uma contente com seus próprios pensamentos e respeitando o espaço pessoal da outra.

O primeiro beijo não é um primeiro beijo — pelo menos, não um beijo romântico. Não a princípio. Elas estão em New York, e Rachel está tagarelando sobre a sua última audição e como ela tem uma boa intuição a respeito disso. Quinn está brincando com a tampa da sua garrafa d'água e apreciando a brisa suave enquanto elas caminham em frente a Broadway. Ela morde o seu lábio para evitar um sorriso a medida que assiste a empolgação tomar conta do rosto de Rachel.

"É apenas uma questão de tempo", Quinn diz, apontando para um cartaz da Broadway, "até que seja o seu nome e rosto lá".

O sorriso de Rachel é de tirar o fôlego. Ela joga seus braços em volta de Quinn em um abraço esmagador. Rachel vira o seu rosto, pressionando seus lábios na bochecha de Quinn — tão perto do canto de sua boca — e tudo ao redor parece fluir. Os sons da multidão e do tráfego se esvaem, o bastante para Quinn ser capaz de escutar claramente a respiração de Rachel. Suas pálpebras vibram ainda que fechadas, e ela vira sua cabeça por um detalhe e espera. O beijo que prossegue é suave e tentador — apenas um escovar de lábios — mas significa tudo para Quinn. Quando ela abre seus olhos, ela vê Rachel olhando para ela com a testa franzida, mas então seus lábios se curvam em um sorriso tímido e tudo está perfeito novamente.

Elas ainda procedem lentamente.

Elas saem em encontros, conversam sobre filmes, música e política. E se beijam. Elas se beijam suavemente — quase de maneira casta — com seus corpos perto um do outro, confortavelmente. E algumas vezes, não são apenas beijos castos. Algumas vezes, Quinn esquece de ir devagar e deixa a sua paixão escorrer em forma de gemidos desesperados, mãos errantes e uma língua faminta. Rachel permite — torcendo os dedos firmemente na roupa de Quinn — até que inevitavelmente ela recobra os sentidos e relembra Quinn que elas precisam ir devagar. "Não quero apressar algo que ainda não estejamos prontas", ela diz. Quinn está mais do que pronta, mas então Rachel acaricia a sua bochecha e sorri aquele sorriso tímido, e diz: "Você significa muito para mim", e isso acalma Quinn novamente.

A primeira vez não é uma primeira vez — pelo menos, não exatamente. Elas estão namorando há meses, beijando-se longamente, e Quinn esquece de ir devagar cada vez mais frequentemente. Elas estão no sofá do loft de Rachel, abençoadamente sozinhas, e as mãos de Quinn estão explorando por dentro da blusa de Rachel. Ela pode sentir os dedos torcidos de Rachel na saia do seu vestido, e ela vagamente pergunta-se por que Rachel é sempre tão cuidadosa em não tocar seu corpo diretamente na sua pele nua quando estão fazendo isso, mas então Rachel vai de encontro a ela, colocando a perna esquerda no lugar certo, e Quinn corresponde através de silvos de prazer antes de congelar, ofegando e tremendo sob Rachel com um olhar questionador.

Rachel acena para ela e move as mãos para os quadris de Quinn, segurando-a lá. "Eu não estou pronta para mais", ela sussurra e logo se arrepende, "mas eu sei que você está. Eu quero fazê-la se sentir bem", e sua coxa firme pressionada contra o centro de Quinn pontua suas palavras de uma forma que faz com que o seu significado seja inconfundível.

"Eu posso esperar", Quinn diz sinceramente.

"Deixe-me fazer isso por você", Rachel insiste, e Quinn não consegue dizer não. Ela a beija novamente, porque é preciso, mas o seu corpo está lento e se mexendo de forma estranha. Isso não é exatamente como ela havia imaginado, e parte de si está relutante em ter o seu prazer dessa forma — é tão parecido com o que os seus namorados costumavam fazer — mas as mãos de Rachel, as pernas de Rachel e a aceitação de Rachel a convencem, e logo Quinn está movendo-se desajeitadamente em cima dela.

Não é romântico. Não é lindo. É cru, urgente e confuso. É Quinn balançando seus quadris contra as coxas de Rachel, com os olhos fechados e os dedos cavando no sofá em busca de sustento. É Rachel segurando-a firme e mordendo o seu lábio enquanto observa Quinn acima dela. É Quinn se sentindo mais perto de ter um orgasmo com cada movimento causado por uma fricção gloriosa em seu clitóris. É ela abrindo seus olhos para ver Rachel debaixo dela e, em seguida, gozar com um gêmido sem fôlego. É o tremer em cima de Rachel a medida que as suas costas ardem e os seus quadris estremecem. É desabar em cima dela e sentir um braço confortante em volta de suas costas e uma mão gentil acariciando o seu cabelo. É escutar um sussurrado "Você estava linda" em seu ouvido.

É sentir Rachel segurar a sua respiração quando um intimidante "Eu te amo" escapa de seus lábios.

É não escutá-lo de volta.

A primeira vez que é de fato a primeira vez acontece algumas semanas depois. Rachel ainda não permitiu que Quinn retribuisse nenhum favor, mas ela havia ganho muito mais práticas como a daquela noite, apesar de que não havia se tornado nem um pouco mais gracioso. Elas estão em New Haven, e a colega de quarto de Quinn está passando o fim de semana com seus pais em Boston e Rachel está em sua cama. Elas foram assistir um filme — o último Avengers — e jantaram, e agora estão aqui. Rachel esteve calada boa parte da noite, exceto quando falou sobre o filme, e Quinn se pergunta o que pode haver em sua mente. Sua pergunta é respondida com um beijo — cercado de dentes, língua e uma paixão desenfreada — e pela primeira vez Rachel parece ser a que quer mais.

"Você tem certeza?", Quinn pergunta, a esperança lutando contra a apreensão, e então Rachel acena.

Suas mãos tremem enquanto ela despe Quinn, hesitantemente escorrendo seus dedos embaixo do material de seu vestido. Seus beijos são suaves novamente — nervosos e tímidos. "Você é tão linda", ela murmura tranquilamente e Quinn sente seu coração inflar. Ela leva o seu tempo despindo Rachel — explorando cada pedaço da pele maravilhosa com olhos e mãos e lábios. Rachel a interrompe quando sua mão escorrega no meio de suas pernas. "Deixe-me cuidar de você primeiro".

Quinn balança a cabeça. "Você está sempre cuidando de mim. Eu quero fazer você se sentir bem dessa vez".

"Depois", Rachel promete, e então sua mão está provocando entre as pernas de Quinn, e Quinn cai de volta contra o colchão em sinal de rendição. É a primeira vez que Rachel realmente a tocou assim — o máximo que ela a tocou desde que elas estão juntas — e é tudo que Quinn vem querendo e esperando. O toque de Rachel é certeiro — quase experiente — quase planejado. Sua mão livre acaricia o seio de Quinn, levemente provocando o mamilo com um fascínio mudo. Seus lábios roçam a garganta de Quinn, seu ombro, seu peito, mas sem demorar em lugar algum por mais de poucos segundos. Quinn mal percebe algo além daquela mão — aqueles dedos — desenhando círculos hábeis contra o seu clitóris.

Rachel pergunta se é bom, se ela quer mais, se ela a quer dentro dela. Ela dá a Quinn tudo que ela pede até que Quinn não mais é capaz de pedir, falar, apenas suspirar e estremecer embaixo dela. Quando os batimentos de Quinn se acalmam e a sua respiração se equilibra, ela procura por Rachel, aproximando seu corpo e a beijando profundamente.

"Eu amo você", ela murmura, e os olhos cheios de lágrimas de Rachel encontram os dela por um momento antes de fechar.

"Eu também amo você", ela sussurra — tão baixinho.

Quinn esperou tanto por essas palavras que elas são tudo o que ela pode ouvir. Ela beija Rachel novamente, toca seu corpo, finalmente pressiona a mão entre suas pernas e então para, procurando. "Rachel?" ela pergunta com uma leve preocupação.

"Está tudo bem", Rachel promete suavamente, olhos ainda fechados e a cabeça pressionada contra o ombro de Quinn. "Eu... Eu nunca fico muito molhada".

Quinn não sabe o que responder. Há uma sensação de peso em seu peito que é difícil de ignorar, mas Rachel está aqui com ela, Rachel a ama, Rachel tocou-a, abraçou-a, a fez gozar e é quase perfeito. Quase. Então ela beija Rachel novamente, lenta e cuidadosamente — beija o seu caminho descendo no corpo de Rachel, lambendo cada curva. Gentilmente separa as pernas de Rachel e a beija lá também — lenta, cuidadosa e determinadamente. Ela sente os dedos de Rachel em seu cabelo, — não gentilmente, mas não forte o bastante para machucá-la, e ela leva isso como um sinal de que está fazendo algo certo. Os olhos de Rachel ainda estão fechados, sua testa franzida em concentração, e seus quadris movendo-se superficialmente sob Quinn. É o bastante. É mais do que suficiente, e o gosto de Rachel é tão maravilhoso e Quinn poderia viver nesse momento para sempre.

Quando Rachel goza é com um gemido fraco — tão quieto e gentil que Quinn mal pode ter certeza de que realmente aconteceu, mas Rachel respira pesadamente, empurrando Quinn para longe com mãos determinadas. "Rachel?", ela pergunta novamente, hesitante.

Rachel morde o lábio e sussurra, "Venha aqui," e então ela está abraçando Quinn e a segurando perto. Quinn relaxa contra ela, respirando mais facilmente. Ela puxa Rachel para o seu lado e fecha seus olhos. Ela está beirando a inconsciênia quando sente Rachel se afastar, mas é tarde demais para forçar seus olhos a se abrirem.

A primeira manhã juntas é também a última. Quinn acorda sozinha em seus lençóis desarrumados e encontra Rachel sentada na mesa, completamente vestida e a encarando com seus olhos vermelhos e cheios de lágrimas. "Eu não posso fazer isso," ela diz de forma quebrada.

Quinn senta, puxando o lençol. "Não pode fazer o que?" ela pergunta em confusão.

"Eu sinto tanto, tanto, tanto, Quinn," Rachel chora. "Eu pensei que podia. Eu pensei... Eu pensei que poderia fazer isso funcionar. Eu queria... você não sabe o quanto eu quis, mas eu... Eu apenas não consigo".

Os ouvidos de Quinn começam a zunir. Ela cospe, temendo que ela entenda perfeitamente.

"Eu amo você," Rachel diz novamente com tamanha angústia. "Eu te amo tanto. Eu realmente amo," e Quinn se segura àquela esperança — aquela perigosa brasa — até que Rachel limpa as suas lágrimas e diz, "mas eu não me sinto fisicamente atraída por você".

Naquele momento, Quinn entende o que significa sentir como se o seu coração fosse arrancado de seu peito. "Mas nós... ontem a noite," ela engasga, esfregando seu peito distraidamente.

"Eu sinto muito," Rachel chora, e Quinn realmente deseja estapeá-la. "Eu achei... Eu achei que eu pudesse me forçar a querê-la... e então tudo seria perfeito... mas eu... eu não sinto nada diferente agora".

"Você teve um orgasmo," mas mesmo ao dizer isso, Quinn sabe que é uma terrível e desesperada mentira.

Rachel abaixa a sua cabeça em sinal de vergonha. "Eu... eu só queria que acabasse logo".

Quinn pensa sobre os dias que elas passaram juntas — como Rachel sempre quis ir devagar, como aquele primeiro beijo mal foi um beijo e como Rachel precisou pensar a respeito disso antes de sorrir, como ela sempre era a que se esquivava antes, e como ela nunca parecia ligar para o seu próprio prazer, nunca permitia suas mãos percorrerem o corpo de Quinn, nem mesmo ontem a noite. Porque ela não havia sido afetada da maneira que Quinn foi — na maneira que ela é afetada — cada vez que elas se tocam.

"Por quê?" é gritado por ela em um choro ensurdecedor. "Por que você fez isso comigo?"

Rachel balança a cabeça, olhos arregalados e feridos, cheios de tristeza, mas Quinn foi incapaz de se importar com a dor de Rachel. "Eu queria ficar com você. Você... você é tão perfeita para mim. E você me ama, e eu... Eu achei que se a amasse o suficiente, todo o resto iria se encaixar. Mas... não se encaixou. E eu... Eu me dei conta de que... Eu preciso daquela conexão física, Quinn".

"E você não podia ter se dado conta disso meses atrás?" Quinn cospe. "Antes de ter me coagido e me feito... me feito acreditar que poderíamos ser felizes? Antes de ter me feito ter esperança".

"Eu sinto muito," Rachel chora novamente, e é a última gota.

"Saia," Quinn vocifera.

"Q-Quinn, por favor..."

"Dê o fora," Quinn rosna, levantando-se da cama sem se improtar em cobrir seu corpo.

"Eu sei que você está brava comigo, e você tem todo direito de estar," Rachel barganha desesperadamente, "mas eu me importo tanto com você".

"Dê o fora!" Quinn grita, agarrando Rachel pelo braço e afastando-a da cadeira.

"Quinn, você está me machucando," Rachel choraminga.

Quinn quer rir — ela quer uivar em agonia — até que Rachel entende o que dor de verdade significa. "Dê. O. Fora," ela cospe no rosto de Rachel, pegando a sua bolsa da mesa e puxando Rachel até a porta.

"Quinn..."

"Eu nunca poderia machucá-la metade o quanto você me machucou," ela diz furiosamente, antes de atirá-la para fora da porta. "Eu odeio você," e naquele momento, era verdade. Ela joga a bolsa de Rachel contra ela, contente quando ela bate de volta um passo antes de cair no chão com um baque. "Eu nunca mais quero vê-la novamente," ela sussurra, e ela tem o prazer de ver o rosto de Rachel desmoronar em lágrimas antes de bater a porta na cara dela.

Quinn cai no chão, mal conseguindo respirar por culpa dos soluços que massacravam o seu corpo — cada esperança que ela tinha para o futura violentamente terminada. Rachel havia a destruído completamente.

Ela queima os lençóis.

Ela queima a sua passagem de metrô.

Ela queima cada pequeno detalhe que Rachel havia deixado para trás, e ela deseja poder queimar a sua memória, mas isso teimosamente permanece. Permanece e a assombra a cada copo de Patron Silver que ela tenta se afogar.

Ela traça a fita verde na garrafa com os dedos trêmulos a medida que a tequila queima na garganta e ela vê o mundo queimar através das lágrimas, embaixo do fracassado e desmoronado céu.

Notas finais
Assim como eu, imagino que vocês também tenham odiado a Rachel. Resolvi traduzir essa história porque nem de longe tem o esperado final feliz, e às vezes é bom sair da rotina. De qualquer forma, espero que gostem... Pelo menos de algumas partes. Até a próxima.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!