The Six Kingdoms: OS ORBES DO PODER!
1 Capítulo 1 - Um Mundo Estranho.
Notas iniciais
Em uma calma e ensolarada manhã, Bruce Kings acaba de acordar de um sono tranqüilo em sua cabana rural, onde mora junto com seu tio, Joann. Lembrou-se, depois de alguns segundos, que hoje é o dia em que ele completa dezoito anos: Sua tão sonhada maioridade. Na verdade, nada de tão especial o aguarda na maioridade, pois esbaldar-se em álcool simplesmente não faz o estilo de Bruce. O que ele realmente esperava era a sua chance de poder sair de casa e viver sua própria jornada.
Além de tudo isso, esperava que com dezoito anos de idade fosse um pouco mais alto, ou quem sabe um pouco mais forte e ágil. Bruce é um garoto muito magricelo e nanico, e não se orgulha nem um pouco disso. Quando criança costumava ser muito chorão também, pois sempre era o alvo das piadinhas dos garotos da vizinhança. Mas a sua característica mais marcante, (A qual ele sequer sabia a origem) era a presença de uma mecha branca em seus cabelos pretos e lisos. Perguntara sua origem ao tio muitas vezes, mas ele sempre respondia que não sabia.
Morava em uma área rural perto de uma cidade, que podia ser vista de longe devido a seus grandes muros de pedra. Quase todos os dias tinha de ir e voltar com suprimentos como leite e pão para ele e para seu tio. Bruce não chegou a conhecer seus pais. E nem pensava muito neles. Soube que morreram atacados por um animal selvagem quando era apenas um bebê, e que desde então teria sido criado pelo tio. Bruce costumava pensar muito mais sobre seu futuro, do que sobre seu passado, e tinha certeza de que não seguiria o exemplo do tio: Viver confinado em uma cabana rural até ficar velho e incapaz.
Levantou-se da cama, e ainda de pijama, percebeu que estava com uma tremenda fome. Desceu as escadas de madeira que levavam do seu quarto (Sótão) para a cozinha.
– Tio, o senhor vai querer café da manhã? – Obteve o silêncio. ‘’Ah, ótimo, ele ainda deve estar dormindo. ’’ – Pensou.
Saiu pela porta e foi em direção ao galinheiro para apanhar ovos. Passou pela dispensa, pegou um pouco de cereal, preparou o café, e em pouco tempo a refeição estava pronta.
– Poxa, tio! Hoje é meu aniversário, venha beber um pouco de café comigo! – E novamente, silêncio.
Estranhou. Seu tio nunca chegara a dormir tanto assim. Resolveu verificar, e foi até o quarto do tio. Tudo estava do jeito que tio Joann deixara: A cama desarrumada, o criado mudo entupido de pergaminhos, os casacos nos armários, e o item de coleção favorito de seu tio: A foice dos antigos de sua família jazia pendurada na parede atrás da cama, como sempre. Tudo exceto por uma coisa. Seu tio não estava ali.
Resolveu verificar o resto da casa. Olhou na horta, no jardim, no pomar, foi de novo no galinheiro, e nada. Começou a ficar preocupado, pois seu tio nunca saía sem avisar. Na realidade, ele nunca saía. Imaginou que estivesse na casa de algum dos poucos vizinhos, apesar de achar pouco provável, por não possuir qualquer relação de amizade com seus vizinhos.
Bateu na porta de um deles, mas ninguém a abriu. Coincidência, seu vizinho também não estava em casa. Bateu então na porta dos outros dois vizinhos. Ok, uma grande coincidência, nenhum de seus vizinhos estava em casa numa simples manhã ensolarada.
Não lhe restou outra opção a não ser ir até a cidade procurar seu tio, e quem sabe até perguntar se alguém o tinha visto. Foi até a pequena estradinha que ligava sua vila até a cidade, e pôs-se a andar. Por que seu tio fora até a cidade? Teria acontecido alguma emergência? Bruce não conseguia tirar seu tio de dentro de casa nem quando queria, e agora ele simplesmente fora sozinho até a cidade?
Entrou pelos portões da cidade e percebeu naquele exato momento que algo estava seriamente errado. Não havia ninguém nas ruas. Nenhum estabelecimento aberto. Nem a padaria, nem o leiteiro, nem mesmo a feira estava montada. Nenhum barulho, nenhum ruído sequer. Tudo estava agonizantemente quieto. Andou por todas as ruas da cidade, bateu em todas as portas. Gritou, correu, esmurrou e chutou portas e janelas, mas nada. Estava sozinho. Completamente sozinho.
O que isso significava? Algum tipo de pegadinha? Feriado? A cidade tinha sido evacuada e ninguém o teria avisado? Onde estavam todos? Onde estava seu tio Joann?
Seu pensamento foi interrompido por um barulho bem alto: O barulho de algo se quebrando. Correu imediatamente até o lugar de onde o barulho tinha vindo, e se arrependeu de ter o feito no momento em que chegou lá. Dois enormes lobos cinzentos cercavam uma pequena lebre em um beco da cidade, bem ao lado de uma casa com uma cerquinha de madeira despedaçada, por onde os lobos tinham passado.
Congelou. Rezou para que os lobos não se virassem para ele. Começou a recuar vagarosamente, quando a lebre desviou-se dos lobos, e foi pulando na direção de Bruce. Um tremendo de um azar, diga-se de passagem. Imaginou que, para dois enormes lobos famintos, Bruce Kings parecia ser muito mais apetitoso do que uma pequena lebre. Só teve tempo de se virar, e correr. Correu o mais rápido que pode, e não ousou olhar para trás para verificar o óbvio: Os lobos vinham em seu encalço.
Não teria tempo de sequer despistá-los. Os lobos eram muito rápidos, e sabia que em poucos segundos, teria um par de presas babentas em seu pescoço. Se eles conseguiram despedaçar uma cerca de madeira, tinha absoluta certeza de que não queria descobrir o que eles poderiam fazer com sua cara. Na energia de tentar se salvar virou a primeira esquina que encontrou, e para sua infelicidade, deu de cara com outro beco. Os lobos diminuíram sua velocidade, sabendo que tinham o encurralado. Começaram a avançar devagar, enquanto Bruce recuava inutilmente em direção a parede fria de pedra. Sabia que estava morto. Ninguém viria salva-lo. Todos haviam desaparecido, assim como sua esperança.
Enquanto os lobos investiam vagarosamente, Bruce sentiu algo diferente. Algo começou a ganhar peso em suas costas, como se alguma coisa estivesse pendurada por uma alça em seus ombros. Não. Aquilo era realmente uma alça, podia ver e sentir o couro preto em suas mãos.
O lobo da frente então atacou. E, completamente por instinto, Bruce puxou o que quer que estivesse pendurado em suas costas e atacou, tentando se defender. Ouviu um grunhido de dor, e visualizou a carcaça do lobo jogada no chão, ao seu lado, com um enorme corte em seu peito, vazando sangue. Não entendia o que acontecia. Ele matara o lobo? Como? A resposta veio assim que ele olhou em suas mãos: A foice. A foice de coleção do seu tio, a foice de seus antepassados. A relíquia de sua família, que estava segura e pendurada na parede do quarto do seu tio a momentos atrás, estava agora em suas mãos. O cabo preto de madeira e metal, com inúmeros desenhos e escritos estranhos entalhados possuía em uma extremidade a lâmina negra, afiada e brilhante, agora manchada de sangue. Na outra, uma pequena massa de metal com alguns espinhos.
Sim, ele matara o lobo. Mas, como a foice que anteriormente pertencera a seus antepassados aparecera em suas mãos? Isso ele não sabia responder. Olhava fixamente para a lâmina, como se estivesse fascinado. Só saiu do transe quando outro grunhido de dor atingiu os ares. Esquecera completamente que havia outro lobo, mas, pelo o que parecia, esse também já estava morto, a uns 10 metros de distância.
Atrás dele, alguém pressionava sua cabeça contra o chão com o pé. Uma garota. Uma garota muito bonita. E o mais estranho, ela vestia uma brilhante armadura de prata.
– Qu...quem é você? – Disse Bruce, saindo do transe, assombrado pelos acontecimentos, e pela súbita presença de uma garota.
– Meu nome é Ágatha Moonlight. – Disse ela enquanto limpava o sangue de uma das espadas, em outra espada brilhantemente branca – E quem é você, seu moleque?
Continua...
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