The Six Kingdoms: OS ORBES DO PODER!
6 Capítulo 6 - A Enciclopédia Da Magia.
Notas iniciais
A sala de reuniões era escura e fria, toda feita de pedra. Das pequenas janelas do castelo do protetorado de Hedgestorm podia-se ver toda a paisagem daquele arquipélago. O sol nascente que refletia na copa das árvores dava um tom caramelo às ilhas e ilhotas que divergiam em direção ao Oceano. Apesar da eminente beleza, o lugar pairava triste, como se algo estivesse errado, faltando. Não tinha mais a mesma magia no ar, como se tudo tivesse se tornado fosco. A província de Mystica não era a mesma. Mudara drasticamente depois do desaparecimento do Orbe Espiritual.
A grande mesa de pedra redonda agora estava quase vazia. Das seis cadeiras que a circundavam, só duas estavam ocupadas. Syren Wild aceitou a proposta de conversar a sós com a mulher à sua frente, assim que todos os outros membros do Conselho saíssem.
– Gato, você tem certeza disso? Quero dizer... É muito perigoso, talvez nós mesmos devêssemos nos certificar disso.
– Não podemos, minha cara. Com a instabilidade crescendo dessa maneira, ataques aos protetorados não tardarão a acontecer. Precisamos ficar, Morgana. Precisamos defender nossas cidades, protegê-las! E além do mais, é fundamental que o garoto parta para essa jornada. Estou quase certo de que a lâmina pendurada em seus ombros é a chave dessas manifestações, mas para que isso se concretize ele precisa evoluir.
Pensou por um curto período, e então assentiu.
– Pelo jeito, não há como te convencer.
Morgana Malfatti é a mais jovem dos membros do Conselho dos 6. Possui um longo cabelo negro até a cintura, pele clara, um olhar perverso, porém caridoso. Jazia em sua testa um diadema negro com um pequeno rubi no centro. Seus olhos eram negros como a noite, e envoltos por um delineador igualmente negro. Seus lábios carnudos eram manchados com um batom vermelho vibrante, e suas roupas eram uma sensual mistura de couro preto e tiras de ferro, que deixavam suas curvas serem notadas. Pendurado em seu cinto havia um chicote enrolado.
Morgana, ainda sentada na cadeira, levantou a mão esquerda muito bem cuidada com um esmalte vermelho, e fez um breve aceno. Uma pequena circunferência manchada de preto e vermelho surgiu bem na frente de sua mão: Um portal. De dentro dele saiu um animalzinho pequeno e esguio, completamente negro, com pequenos olhinhos vermelhos. O furão subiu em seu ombro e começou a se esfregar em volta de seu pescoço, em uma demonstração de carinho.
– Oh, meu querido! Também estava com saudades! – Disse acariciando o animal – Bom, se essa é a sua decisão... Que assim seja. Dois buscadores por reino. Além do garoto, imagino que vá mandar o seu Comandante, não?
– Exatamente – Concordou – Mais uma coisa. Minha hipótese sobre do que se tratam os poderes daquela foice cresce cada dia mais. E acho que se eu estiver correto, você poderia ajuda-lo a desenvolver tais habilidades, Morgana.
– Haha... Acredita mesmo nisso? Seria uma honra. Faz muito tempo desde que encontrei alguém com a mesma habilidade que eu.
– Muito obrigado. Já esta amanhecendo, preciso voltar para Selvarya. Foi de grande agrado vir te visitar, Morgana.
– Igualmente.
Com um aceno final o Arqui-Mago dirigiu-se a escura porta de madeira e desapareceu.
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Bruce acordou assustado. Teve um sonho um tanto perturbador essa noite, mas felizmente sua mente o descartou no momento em que se levantou. Estava colocando suas roupas quando uma batida na porta ecoou.
– Bruce Kings!?
– Pois não? – Atendeu.
Uma mulher de media estatura, com cabelos castanhos curtos e vestindo uma túnica (Que Bruce reconheceu ser uma túnica de mago) azul estava parada na frente da porta do seu quarto.
– Eu sou Jade Scarlet, maga pessoal da corte. O senhor está sendo chamado no Auditório.
Bruce não sabia o que era o Auditório, mas sabia que Jade Scarlet era alguém importante, portanto, achou melhor acompanhá-la. Seguiu Jade até a entrada do castelo, mas ao invés de entrarem, viraram uma rua para a direita, e chegaram a um grande saguão à céu aberto: Um anfiteatro de pedra. Uma multidão ocupava os degraus, e bem no centro do anfiteatro estava Syren, com sua típica túnica bege. Do seu lado esquerdo estava um brutamontes de dois metros de altura. Uma gigantesca massa de músculos revestida por uma pele verde, e protegida por uma couraça de placas de ferro e aço. Seus cabelos, loiros como sua barba comprida, juntavam-se numa trança. Seu rosto era marcado de cicatrizes. Em suas costas estava um grande machado de dois gumes. Scar Krovnir, o mestre de Ágatha, General da Brigada de Guerra de Oakstride. Ao seu lado estava Ágatha com sua armadura de prata e suas Espadas Gêmeas. Do lado esquerdo Syren estava uma elfa com um arco e uma aljava de couro pendurada nas costas. Tinha uma pele amarronzada, cabelos negros e lisos, orelhas pontudas, traços bem angulados e um par de olhos vermelhos como sangue. Bruce a reconheceu devido à descrição que Ágatha lhe dera. Chelsea Barrich, a líder da Ordem dos Arqueiros.
– Aqui está ele – Disse Jade, com certo desdém.
– Junte-se a nós, Bruce. Temos um recado a dar – Convidou Syren, gentilmente.
Bruce se alojou ao lado de Ágatha, e esperou. Sentia-se um grão de arroz perto de Scar. Seu ombro tinha duas vezes o tamanho da cabeça de Bruce, que se odiou novamente por ter 1,60cm de altura. A multidão esperava atenciosa pelo discurso.
– Meu caro povo de Oakstride! — Começou em voz alta – Convoquei vocês ao Auditório nesta manhã para dar-lhes algumas notícias sobre esses estranhos acontecimentos que veem ocorrendo. Antes de tudo, não há nenhum motivo para pânico. Devo lhes dizer que o plano dimensional foi novamente corrompido, e a cidade provavelmente sofrerá ataques no decorrer dos dias. Mas, como todos vocês sabem, estamos muito bem preparados! Nossas defesas estão prontas para qualquer eventualidade. O General Scar Krovnir estará aqui pessoalmente para impedir qualquer ameaça de invadir esta cidade! A Escola de Magia de Oakstride não perdoará nenhum infrator! Jade Scarlet, diretora da Escola de Magia! E por último, mas não menos importante, a Ordem dos Arqueiros caçará qualquer um que se opuser ao nosso protetorado! Chelsea Barrich, líder da Ordem dos Arqueiros!
Um “viva” ouvia-se após cada nome citado no discurso do protetor.
– Isso é tudo. Muito obrigado, povo de Oakstride! Tenham um ótimo almoço! – A multidão foi dispersando aos poucos. Syren esperou que estivessem completamente sozinhos, para então virar e falar.
– Damas e cavalheiros, como vocês sabem, a única maneira de estabilizar o plano dimensional é reunindo os quatro Orbes. Conforme decidido hoje pelo Conselho dos Seis Protetores, cada reino terá de enviar dois buscadores atrás dos Orbes do Poder. A situação está pior do que eu pensei, já ocorreram ataques em Folkmore e Elsinger. Não temos muito tempo.
– Como saberemos onde eles estão? Digo... Podem estar em qualquer lugar – Perguntou Scar.
– Sim. Acredito que cada esfera esteja bem afastada da outra. Mas, como cada uma representa um elemento da natureza, não será difícil encontra-las. O que eu quero dizer é que na proximidade do lugar em que cada Orbe se encontrar, haverá uma concentração de tal elemento, isso faz parte da instabilidade. Os espíritos elementares estão agitados. Não foram criados para ficarem isolados, e sim para coexistirem em harmonia. Eles estão se manifestando.
– O senhor já sabe a localidade de um não é? – Perguntou Ágatha.
– Sim. Recebi notícias de constantes terremotos na província de Reedvest. O Orbe da terra está lá. Será o primeiro que vocês irão buscar.
Todos se aquietaram por alguns segundos.
– Juntos conseguimos chegar a outras duas conclusões. Primeiro: Muitas fendas dimensionais deverão se abrir, ou já estão abertas próximas aos locais onde os Orbes pousaram. Portanto, mais monstros e demônios. O que eu mais temo não é a conectividade com outras dimensões, mas sim o contato com o inferno. Não gosto da ideia de demônios escaparem de lá. Segundo: Assim que o primeiro Orbe retornar ao templo dos Antigos no protetorado de Hedgestorm, os outros três se aquietarão, e ficará quase impossível de localiza-los por um tempo.
– Por que? – Manifestou-se Chelsea.
– Creio que os espíritos elementares gostam de se sentir livres e independentes, minha querida. Assim que o primeiro for capturado, os outros tentarão se esconder, para não acabarem da mesma forma. Com essa aquietação, a abertura das fendas cessará, assim teremos um tempo de trégua.
– Quanto tempo? – Agora foi a vez de Bruce
– No máximo seis meses.
Syren olhou seus espectadores com calma, como se estivesse os lendo por dentro.
– Bruce e Ágatha, vocês irão. O resto de vocês ficará aqui, para o caso de precisarmos defender nossa cidade. Vocês irão até a península do sul de Selvarya, e pegarão uma embarcação que estará esperando por vocês, para que possam fazer a travessia até Reedvest. Vocês partem amanhã de manhã. Devo alertar a todos que uma de minhas especulações está correta. Algumas organizações criminosas também almejam a posse destes Orbes – Ágatha fechou o rosto na hora – Embora eu não saiba a sua finalidade. Portanto, fiquem alerta. Será uma viagem muito perigosa. Bruce... – Olhou-o com seus gigantescos olhos amarelos – Sua foice é a chave disso tudo. Apesar de ainda não saber exatamente como, sua foice possuí uma ligação direta com o que está acontecendo. Sinto que o poder dela está adormecido, e acredito que esta jornada poderá despertar esse poder.
– Certo – Disse Ágatha – Até que enfim! Chega de chutar esses fracotes! Quero algo digno de minhas espadas!
– Essa é a minha garota! – Exclamou Scar com uma enorme e desajeitada risada.
– Mais alguma coisa? – Perguntou Bruce, sendo indesejavelmente um pouco irônico.
– Acredito que isso é tudo.
Bruce não negava: Estava assustado com a situação. Mas alguma coisa lhe dizia que isso faria bem para ele. Desde criança esperava algo mais de si mesmo. Algo mais do que viver confinado em uma cabana rural, cuidando de galinhas. Esperava reconhecimento, respeito. Talvez essa seja a sua tão sonhada jornada. Talvez essa seja sua chance de se mostrar capaz.
– Espere – Disse a voz que quase o acordara hoje mais cedo – Tenho um pedido.
– Pois não, Jade? – Perguntou curioso, Syren.
– Acredito que há espaço para mais uma integrante nesse grupo. Minha melhor aluna espera por uma oportunidade como essa para obter mais conhecimento sobre o mundo da magia há muito tempo. Ela está trabalhando em um manual. Um tipo de enciclopédia da magia, e acha que essa é sua chance de concluir o seu trabalho. Além, é claro, de ser uma maga muito habilidosa. Apresente-se, Kim!
De trás de uma coluna de pedra surgiu uma menina loira, de óculos, vestindo uma túnica bege com um capuz cobrindo seus cabelos. A garota segurava um espesso livro de capa preta como se sua vida dependesse daquilo.
– Olá a todos – Disse com severidade – Meu nome é Kim Falks.
Syren a observava, porém nem um pouco surpreso. Bruce imaginava que o Arqui-Mago já soubesse que a garota estava escondida fazia muito tempo. Estudava-a do dedão do pé ao topo do capuz bege.
– O que!? – Trovejou Ágatha – Essa nerd vai com a gente? Não pode! O Conselho foi claro! Somente duas pessoas!
– Hm... – Pensou Syren, fitando-a – O que exatamente você procura, minha jovem maga?
– Uma chance de completar minha obra, de adquirir conhecimento e experiência, e de concretizar minhas pesquisas. Eu não desapontarei o senhor – Disse com firmeza.
– Mas o que?!? Você não pode... Não... Syren! – Bufou
– Acalme-se, Ágatha. Essa jovem possui uma nobre finalidade. Acho que posso abrir essa exceção – Disse olhando atentamente para a capa negra do livro de Kim. Sua cauda mexia-se incessantemente.
– Muito obrigada! O senhor não vai se arrepender! – Agradeceu.
Kim virou as costas determinada e saiu do Auditório.
Ágatha olhava a situação como se tivesse acabado de tomar um soco na cara. Não acreditava no que estava vendo.
– Como você...? Você sabia que essa era a minha chance de me vingar! Argh!!
– Vingança não te levará à nada, Ágatha.
Ágatha Moonlight virou as costas e esmurrou a parede de pedra sólida, mas pareceu não sentir nada.
– Calma, Ágatha! É só mais uma pessoa, isso não muda praticamente...
– CALMA? – Gritou, dando outro soco na parede. Bruce podia jurar que viu uma pequena rachadura se formar no local – Como pode me dizer para ter calma? VOCÊ NÃO SABE NADA SOBRE MIM! – E com esse grito saiu esmagando o chão para fora do Auditório.
– Ágatha é uma pessoa muito complicada – Concluiu Syren – Mas eu acredito que vocês ainda vão se dar muito bem. Por enquanto é só, Bruce. Amanhã cedo estarei te esperando próximo aos portões. O resto do dia é seu – Com isso se retirou, junto dos demais presentes.
Bruce não achou Ágatha na cidade, então passou o resto do dia sozinho. Almoçou, passeou pelas ruelas e pelos becos da cidade, foi até o lago ver o passeio dos hipogrifos, e até treinou um pouco com a sua foice. Pensava a todo o momento sobre a jornada que o aguardava no dia seguinte, e sobre aquele livro que Kim Falks carregava consigo. Assim que o dia começou a escurecer, Bruce retornou para a estalagem Olho Sem Rosto. Bruce mal entrou no quarto e já ia tirando sua capa, quando tomou um grande susto. Deitado em sua cama havia um grandioso lobo albino. O animal levantou a cabeça e o olhou fixamente com dois grandes olhos azul-turquesa.
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