The Silver Wristwatch
2 Primeiro Encontro
Notas iniciais
É, nada vai acontecer. Ele só falou comigo naquele momento e pronto. Nada mais.
Os dias passaram e nada. Nadinha mesmo. Será que eu falei o telefone errado? Por que eu me importo com isso? Esqueça, Agatha. Apenas mais um bobo que não tinha nada o que fazer e...
Não pude completar meu pensamento, ouvi o telefone “berrando” loucamente na cozinha. Corri para atende-lo. No momento em que olhei a tela e li “número desconhecido”, borboletas soquearam meu estomago.
— Alô?
“Oi! Ér... Agatha?” – Foi o que ouvi quando atendi meu celular.
— Sim. Quem fala? — A esperança era evidente na minha voz?
“Max... Daquele dia no ônibus. Você se lembra?”
— Claro que sim! — Exclamei enquanto um sorriso se formava em meu rosto.
“Ah, isso é bom. Muito bom. Eu não liguei antes porquê... Bem... Fiquei com medo que você não atendesse”
Fiquei em silêncio, não sabia o que responder.
“Você ainda está aí?” – Ele perguntou depois de certo tempo.
— Estou... Claro.
“Bom, vou direto ao assunto... Que tal nós irmos comer alguma coisa um dia desses?”
— Ah, eu acho que...
“Não diga que não. Sexta á noite está bom pra você?”
— Ótimo.
“Então eu ligo para combinarmos tudo, ok?”
— Ok! — Eu exclamei e imaginei que, como no ônibus, tinha falado alto demais.
“Um beijo.”
— Um... Um beijo pra você também.
Ele desligou. Eu abri um sorriso enorme e sai dando pulinhos pela casa com meu celular em mãos e fui direto pro meu quarto. Fechei a porta e me joguei na cama.
Eu dei uma risadinha, eu estava explodindo de alegria. Por que diabos?!
Quinta feira, 9hrs da noite.
Eu tinha acabado de jantar, estava subindo de volta pro meu quarto e então ouvi a música irritante, já costumeira, de meu celular tocando. Corri para alcança-lo antes de perder a chamada, assim que atendi ouvi uma voz animada dizer do outro lado da linha:
“Hey, Agatha!” – Logo reconheci a voz de Max.
— Hey! — Respondi no mesmo tom animado.
“Bom... Tá tudo bem com você?”
— Tô bem sim, e você?
“Eu to bem! Olha, eu pensei que ao invés de comermos alguma coisa, nós podíamos ir passear na praia...”
— Praia? Mas ainda está chuvoso, e bem frio.
“Ah, assim que é bom...” — Ele disse, era como se eu pudesse ver, ou sentir, o sorriso dele — “É só um passeio.”
— Ah, ok.
“Hum... Então... 3hs na praia?” – Ele balbuciou do outro lado da linha.
— Sexta a gente se vê! Um beijo. — Cortei ele com a voz mais fofa que consegui.
“Um beijo...”
Eu desliguei o celular e, como da outra vez, demonstrei minha felicidade em sorrisos enormes pulinhos histéricos.
— Amanhã vai ser um ótimo dia... — Cochichei para mim mesma quando me joguei na cama.
Era cedo, mas eu não me importava. Quanto mais cedo esse dia acabasse, mais cedo o amanhã chegaria.
Sexta-feira, 3hs da tarde.
Não sei como fui capaz de dormir naquela noite, cada segundo parecia uma eternidade e o horário daquele encontro não parecia chegar. Quando o relógio finalmente marcou 15hs, saí de casa com o coração palpitando, entrei no ônibus e me lembrei do momento quando o conheci.Desci no ponto mais próximo a praia e o vi esperando por mim no caminho que havia lá.
Ele sorria, e eu também, logicamente.
—Agatha... É tão bom te ver. — Ele me abraçou, torci para que ele não sentisse as batidas descontroladas do meu coração.
-É bom te ver também. Tudo bem com você?
-Sim, só estou nervoso... Vamos?
Seguimos o caminho até a praia e tentamos subir em uma das dunas para observarmos o mar. Ele subiu, eu não tinha equilíbrio suficiente, então ele segurou minha mão. Senti meu rosto se avermelhar e meu corpo estremecer. Ele riu:
-Vamos, pimentinha. Eu não mordo.
Com uma risada tímida eu segurei a mão dele com mais força e subi na duna. Sentamos lá e conversamos por muito tempo. Falamos sobre o mar, sobre nossas bandas favoritas, sobre praticamente tudo e, em cada palavra que ele pronunciava, meu coração parecia gritar “É ele! É ele!”.
Já havia se passado mais ou menos uma hora e meia, o céu estava começando a nublar e ficou frio de repente. Fiz um gesto abraçando meus próprios braços para demonstrar que estava com frio. Logicamente, eu queria que ele me abraçasse.
-Você esta com frio?
-Um pouco, o tempo está nublando...
-É... –Ele parecia indeciso, pensando se devia ou não me abraçar.
-Você não está com frio?
-Um pouco...
-Hunn – Abaixei a cabeça, ele realmente não ia tentar nada.
-Você é muito bonita, sabia?
-Eu sou?
-É, muito... –Ele disse, se aproximando de mim cada vez mais.Eu percebi como ele focava os olhos na minha boca.
-Obrigada...
Ele tentou chegar mais perto, eu recuei. Me senti insegura, mas ele tentou novamente e nós conseguimos o que queríamos. Foi um beijo maravilhoso, de frente para o mar.
-Você é um garota muito especial, Agatha. -Disse ele, sorrindo. Depois disso, repetiu o beijo, que dessa vez pareceu maravilhosamente interminável. Até que sentimos uma gota de chuva cair sobre nós.
A chuva foi aumentando e nós corremos até o ponto de ônibus. Onde, com as roupas já encharcadas, dividimos mais um beijo. Entramos no ônibus de mãos dadas e permanecemos assim até que um de nós tivesse que descer.
-Aqui é o meu ponto. -Eu disse.- Tenho que ir.
-Não quero que você vá.
-Eu também não quero ir.
-Vou te ligar hoje, ok?
-Ok. –Desci do ônibus e entrei em casa. Felicidade maior do que a que eu sentia naquele momento, impossível.
Mais tarde, quando eu estava me preparando para dormir, meu celular tocou. Era ele, logicamente. Me agradeceu pelo encontro e continuou conversando comigo até meia noite. Nunca pensei que me apaixonaria por alguém tão rápido.
Nossas conversas era melosas, mas o suficiente para mim. Ela era tão incrível e... O modo como ele falava comigo era fantástico.
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