The Show Time - A Safira de Ibaylla

2 Capítulo 2 - Manhã de Segunda-Feira!


Notas iniciais
"Feche seus olhos e relaxe, Conte de 1 a 10 e depois os abra, Todos esses pensamentos pesados irão tentar te por pra baixo, Mas não dessa vez". -Owl City

Após deixar seu quarto, Erika atravessou o corredor em direção ao banheiro, que estava com a porta aberta.

Entrando no banheiro, ela se despiu e depois ficando embaixo do chuveiro girou a torneira e a água começou a escorrer, o primeiro contato do corpo dela com a água naquela manhã a fez saltar gritando.

Semana passada, Erika lera em uma revista os benefícios de se tomar banhos frios, realmente deixara a pele dela mais macia e o cabelo mais limpo. Em geral, ela gostara da sensação de tomar banho frio, mas para isso ela começava molhando aos poucos os dois braços, depois as pernas para por fim entrar de cabeça.

Desta vez, ela entrara com tudo e o choque entre o corpo quentinho dela, que acabara de sair da cama, onde estava coberta com um cobertor e um edredom, com a água gélida do chuveiro, o resultado disso foi um salto seguido por um berro. Logo, o corpo dela se acostumara à água e ela pode tomar um banho completo sem demora.

Com o término do banho, ela fechou bem a torneira e saiu de debaixo do alcance do chuveiro, pisando no pano de chão azul e se enrolando em uma toalha como se fosse um vestido e enrolando outra na cabeça como se fosse um turbante.

Antes de deixar o banheiro, ela deu uma última olhada no espelho, nele refletia uma garota pálida enrolada em uma toalha de banho rosa chiclete e na cabeça uma na cor lilás.

“Sorria” pensou ela. Seu reflexo então abriu um sorriso mostrando os dentes brancos e começou a retirar o “turbante” esfregando o cabelo.

Livre do turbante, o espelho agora refletia a garota pálida de cabelos negros e olhos escuros, segundo Erika, esses eram os únicos fatores que a impediam de desaparecer na neve nos invernos de Flowerlake.

Ela saiu do banheiro penteando o cabelo e voltando ao quarto. Dentro do quarto, em um banco baixo perto da cama estava uma muda de roupas cuidadosamente dobradas. Eram as roupas que separara na noite passada para vestir no dia seguinte, ela costumava separar as roupas que vestiria no dia seguinte uma noite antes, porque ela sempre demorava em se decidir o que ia vestir e fazer isso de última hora sempre significava atraso.

Erika não demorou mais que um minuto para se vestir e para pegar o celular em cima da cama e deixar o quarto em direção à escadaria no meio do corredor, escadas que levavam direto para a sala.

Enquanto descia as escadas, começara a checar o celular e se surpreendeu ao ver na telinha a notificação de que recebera quatro mensagens. Uma sensação de curiosidade a envolveu, essa sensação foi acompanhada por ansiedade e pela emoção empolgante de felicidade, porque nunca recebia mensagens.

Infelizmente foi algo momentâneo, suas expectativas foram destruídas e seu sorriso desapareceu quando ela as abriu e se deu conta de que eram mensagens da operadora.

“O que tem para mim hoje, Flowerlake!” pensou ela tentando afastar os pensamentos negativos que começaram a se formar.

Sentiu os pés tocarem o carpete felpudo marrom que ficava no piso próximo a escada. A sala estava fria, com exceção das poucas áreas iluminadas pelos poucos feixes de raios de sol que entravam.

Então ela foi até a cozinha, passando pelo armário ela pegou uma tigela e a caixa de cereal e antes de ir para a mesa, fez outra parada, dessa vez na geladeira, onde pegou o galão de leite, que estava quase acabando por sinal e então foi até a mesa onde colocou o que pegara sobre e sentou-se na cadeira.

Colocou o cereal de chocolate dentro da tigela, agitou o galão e banhou o cereal com leite. Iria começar a comer, mas esquecera de pegar uma colher.

Mais uma viagem, dessa vez até a gaveta do armário ao lado da pia, tirou dali uma colher e quando voltava em direção à mesa ouviu o celular tocar.

Foram dois toques e então parou, no primeiro toque Erika correra, mas chegara tarde demais para atender.

Na telinha estava a foto da melhor amiga, Jennifer Ayers, nela ela estava com os olhos verdes arregalados fazendo uma careta, esticava um mecha dos cabelos castanhos claro abaixo do nariz, como se fosse um bigode e na cabeça usava um sombreiro preto.

A primeira coisa que passou pela cabeça de Erika foi retornar a ligação, mas depois de pegar o celular e consequentemente ver as horas ela mudou de ideia. Eram 8h22m.

“Sinto muito Jenny, seja o que for, terá que ficar pra depois”.

Sem perda de tempo ela começa a devorar o cereal, enquanto come pensa sobre sua vida, mês passado ela tinha 15 anos, a mãe a acordava cedo e chegando à cozinha o pai já havia preparado um café da manhã delicioso, ela comia sem a preocupação de se atrasar e podia apreciar melhor a refeição.

Agora ela morava sozinha, nunca tinha tempo de preparar um café da manhã decente por isso se contentava com o cereal de chocolate, ou às vezes passava na cafeteria “Suzie’s Coffee”. Claro que se fosse por Erika, comeria lá todos os dias, porque a comida era boa, o ambiente era agradável e era sempre bem atendida, só que o problema é que ela não tinha dinheiro para fazer isso com tanta frequência, comia lá apenas de vez em quando.

O dinheiro de Erika era meio escasso, já que ela ainda não tinha idade para trabalhar, por sorte o boletim dela era exemplar e o prefeito de Flowerlake havia começado uma iniciativa para recompensar bons estudantes, alguns professores a indicaram e com isso ela passou a receber 500 dólares por mês na conta bancária que criara no começo do ano com a ajuda dos pais.

Com a refeição terminada, ela deixou a tigela dentro da pia, “lavo depois”. Saindo da cozinha ela passou na sala, pegou a mochila que estava em cima do sofá e colocou nas costas, no porta-chaveiros pegou as chaves de casa e do carro.

Já do lado de fora, ela se certificou de ter trancado as portas antes de começar a andar sobre a trilha de pedras que passa pelo meio do jardim, interligando a porta da entrada da casa ao portão.

O dia estava bonito, o céu estava azul com poucas nuvens, o clima estava um pouco frio ainda, o sol ainda subia para seu lugar alto no céu, alguns de seus raios banhavam alguns prédios e uma delas atingiu o rosto de Erika, o que foi bom porque deu uma aquecida.

Ela caminhou do portão até o carro, que estava estacionado em frente sua casa, rodopiando a chave no dedo indicador.

“O presentão de 16 anos”, era um “Sedan Ford Focus 2009” prateado de segunda mão, mas estava perfeito e ainda tinha cheiro de novo, o cheiro que deixou Erika indecisa se dormiria no carro ou na casa no dia em que ganhara.

Erika destrancou o carro, jogou a mochila no banco de trás, se sentou no banco do motorista, olhou para o céu enquanto colocava o cinto de segurança e bateu a porta do carro em seguida.

“O que será que Jenny queria?” esse pensamento ficou passeando em sua cabeça até ela perceber que eram 8h30m, as aulas dela começavam às 9h30m nas segundas-feiras. Sem perder mais tempo, ela começou a dirigir em direção a Flowerlake High School.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.