The Ship Sailing Romance
1 Capítulo 1
Era como se fosse um novo começo.
Norma Bates mudava-se para uma pequena cidade chamada Sinking Deep Bay a fim de recomeçar sua vida já que até então, todas as coisas pelas quais havia passado durante seus 39 anos, trouxeram mais tristeza do que alegria. A única coisa que Norma tinha certeza era do seu amor pelo filho, Norman Bates, o qual mantinha uma relação muito intensa.
Viúva, desempregada e sozinha, Norma comprou um Motel na estrada principal da cidade com todas as suas economias e a pensão que recebia — que não era muita coisa — de seu falecido marido.
Apesar de sempre passar por dramas fortes na vida, a mulher nunca perdia a esperança de que algo que ela acreditava fosse dar certo. Muito guerreira, correndo atrás do que quer e sempre com aquele brilho em seus lindos olhos azuis que quase lacrimejam ao ser expostos a luminosidade.
Aquele Motel era a chance que ela tinha para restabelecer-se na vida e conseguir manter seu querido filho com uma qualidade de vida relativamente boa, já que o mesmo sofria de fortes distúrbios psicológicos.
Mas cansada de sempre se dar mal, Norma aposta tudo. Quer fazer o que pode e não pode fazer. Ela busca um novo "eu", uma nova Norma, literalmente uma nova vida. Está disposta a tudo e mais um pouco para conseguir o que quer. Então, para promover seu novo negócio, resolve sair pela cidade a fim de encontrar parcerias, enquanto Norman tenta adaptar-se ao novo quarto, já que não era muito a favor desta mudança repentina de vida. A todo momento dizia querer voltar para sua antiga cidade.
A primeira visita de Norma foi ao famoso Sinking Cafe, um pub muito frequentado e que é a parada certa pra qualquer turista que decide visitar a pequena cidade.
Fazendo de tudo para ser aceita, Norma pergunta a um funcionário quem é o dono do lugar e logo se é apontado um homem moreno, de cabelos baixos, olhos cerrados e expressivos, com roupa de xerife e de boa aparência. De longe os dois trocam olhares. Norma tenta acenar, meio sem graça, como alguém que quisesse fazer contato, chamando-o pra perto. O homem, com um gênio um pouco difícil e sem um pingo de disposição para ser simpático, aproxima-se devagar, com a cabeça meio levantada, como alguém que estivesse desconfiado do que está por vir.
“Oi! Muito prazer, eu sou...”
“Norma Bates, eu sei. Ouvi falar de você pela cidade.”
Norma, com uma expressão completamente de dúvida, sem saber muito o que dizer, se assusta com o que tinha acabado de ouvir.
Dando risadas sem graças, olhar confuso e deslizado os dedos em seus fios loiros, pergunta:
“Como assim?”
“As notícias aqui correm mais rápido do que você pode pensar.”
Ainda confusa, Norma tenta relevar e prossegue:
“Então, como eu ia dizendo, gostaria de estabelecer uma parceria com você já que aqui é um local bastante frequentado, eu acho que é a oportunidade perfeita para ambos de nós ajudarmos um ao outro.”
Antes que a moça continuasse seu discurso gentil e um pouco inconveniente, afinal ela não sabia nem o nome do rapaz ainda e já estava pedindo favores, ele, aproximando-se ainda mais dela, a interrompeu
“Eu acho que você deveria prestar mais atenção na cidade a qual você veio morar”
E continuou andando em direção a porta, dando as costas para ela. Norma acompanhou o homem com o olhar, completamente confusa e nervosa. Num ato de explosão, ela o grita
“Heeei!!! Quem você pensa que é pra me tratar dessa forma? Afinal, o que eu fiz pra você?”
“Xerife Alex Romero! Prazer Norma!”
E o homem sai do estabelecimento, entra em sua caminhonete e deixa pra trás a mulher.
Norma, inconformada com o ocorrido, sai correndo atrás dele, batendo a porta do local e começa a gritar pela rua coisas não muito agradáveis enquanto a caminhonete se afasta. Ela não se deu conta de que pessoas passavam pelo local e a viam naquele estado. De repente a caminhonete freia e começa a dar ré até onde Norma estava fazendo o escândalo. Alex para ao lado dela e abre a janela do carro.
“Você perdeu o juízo? Entre agora dentro do carro! As pessoas dessa cidade não precisam de uma louca perturbando o silêncio que eu trabalho todos os dias para manter.”
“Você foi completamente rude comigo. Eu não lhe fiz nada. Queria estabelecer uma parceria e você simplesmente me tratou como se eu tivesse lhe dado um tapa, eu não preciso de pessoas que...”
“Entra no carro!”
As pessoas iam parando para observar a confusão.
“Oi? Quem você pensa que é pra...”
“Entra no carro!”
Norma, completamente irritada e gritando ainda mais, começa a rir de nervoso da situação e a bater com a bolsa na porta do carro tentando acertar Romero. O xerife perde totalmente a paciência, abre a porta e desce.
Ele pega Norma pelo braço e a traz para perto do peito. Neste momento os olhares de ambos estão fixos. Para Romero, era como observar um grande e atormentado mar azul e para Norma, era como se estivesse olhando para a mais misteriosa e intrigante expressão.
“Eu comando esta cidade, eu faço as regras. Se você não confiar em mim, não há lugar para você aqui. Agora, entra no carro”
Norma, já havia atingido o limite do estresse e, muito nervosa, tira o braço das mãos dele de forma ríspida e com uma expressão de quem quisesse matar uma pessoa.
Ela viu que não tinha muita opção e saiu arrastando os pés até o outro lado do veículo, abriu a porta, entrou e a bateu com toda a força do mundo.
Os curiosos ainda estavam em volta olhando.
“Voltem ao trabalho!” Diz Romero caminhando até o veículo.
Ele gira a chave e o carro começa andar.
“Você vai me prender agora? É isso? Eu venho aqui tentar criar vínculos e acabo presa?”
Romero mantém o silêncio.
Norma, ainda inconformada, começa a aumentar o tom da voz novamente.
“Para o carro! Para o carro agora! Pra onde você está me levando? Você não tem esse direito! Para o carro!!!”
Romero dá continuidade a viagem, que parecia ser não muito longa, pois alguns instantes depois, estacionou a caminhonete em uma rua em que já não havia muita luz.
“Desce!”
“Parece que você não é muito acostumado a lidar com mulheres!”
Nesse momento Norma não estava entendendo absolutamente nada. Ela desceu do carro, até porque ela já estava ali, não é mesmo? O que ela poderia fazer perto de uma pessoa que anda armada e a leva para uma rua escura? Ela não tinha saída e optou pela única opção que ela tinha que era descer.
Havia uma casa no fim da rua e foi pra lá que ele a levou.
Os dois entraram na casa.
“Ok, Alex Romero! Cá estamos. Você tem a obrigação de me dizer do que isso tudo se trata, porque você me fez vir até aqui contra a minha vontade e até agora eu não obtive nenhuma resposta. Eu poderia processar você por sequestro, você sabia? Você não parece um policial! Que tipo de ser humano é você? Eu odeio você! A primeira pessoa na qual tentei contato nessa cidade eu já odeio. Você não tem esse direito. Quando eu sair daqui, você vai ver o que vai acontecer, eu vou te denunciar...”
Norma não parava de gritar, ela estava completamente estressada e nervosa.
“Você precisa falar mais alguma coisa?”
“Como é que é?”
“Você... Você tem mais algo a dizer? Ou já foi suficiente?”
“É... eu..”
“Ok! Então é minha vez de falar! Primeiro, não, você não poderia me denunciar, eu sou um policial e você me desacatou, você tentou me agredir. Eu estou fazendo apenas meu trabalho, então, sim, eu tenho esse direito! Segundo, a menos que você queira parecer uma louca a qual ninguém irá respeitar, nunca mais grite, me ofenda ou xingue as pessoas nessa cidade. Você não sabe o que se passa aqui. Você não vive aqui. Você não é daqui. Então não faça nessa cidade o que bem entender pois você irá prejudicar-se.”
“Olha, eu não sei do que isso tudo se trata, eu não sei o que eu faço aqui e nem por quê, eu...”
“Pois deveria. Antes de vir comprar sua casa em uma cidade distinta, com um Motel, a preço de banana, você deveria sim saber do que se trata antes de decidir vir morar aqui. Aquela casa em que você está morando pertencia a Bob Deep, um ditador que matou pelo menos uma pessoa da maioria das famílias dessa cidade. Quando ele morreu, tudo o que todos mais desejavam era derrubar toda aquela construção e aquele Motel que, para Bob, era mais do que um simples Motel. Era onde ele sacrificava todas as suas vítimas que iam pra lá como simples hóspedes. Ninguém podia fazer nada contra. Todos morriam de medo. Ele era dono de todo o comércio da cidade e por isso, impunha mais medo ainda nas pessoas. Todos estavam dispostos a acabar com tudo aquilo devido ao falecimento do senhor Deep, porém, por algum motivo que ainda não descobri, Norma, a casa conseguiu ser vendida, e pra você... Já havia uma ordem judicial para o derrubamento do lugar e quando você apareceu todos souberam que não seria mais possível. Agora, como, Norma. Como?”
Norma escondia algo. A expressão mudou completamente quando Alex contou toda a história. Claramente, ela havia feito alguma coisa para aquilo ser possível, ela só não sabia o que isso tudo causaria e nem das consequências que teria.
“Agora você parou de falar? Não está mais com aquele semblante de raiva. Agora tudo o que eu vejo é dúvida, incerteza e medo. O que houve, Norma? O que aconteceu?
“Eu preciso ir embora. Me tira daqui. Eu preciso ir embora”
Norma começou desesperar-se e andou até a porta com a intenção de correr pela rua e voltar pra casa. Romero correu até ela e colocou-a contra a parede.
“O que você esconde?”
Os olhos da loira começavam a lacrimejar e a expressão de desespero não a largava. Tentando se soltar das mãos fortes de Alex, Norma começa a gritar
“Me solta! Me solta! Eu quero ir embora, você não pode fazer isso comigo”
“Você precisa confiar em mim. O que você fez?”
Ela grita:
“E por que eu deveria?”
“Você não tem escolha”
“Alex, me solta! Eu preciso ir embora, meu filho está em casa. Ele precisa de cuidados”
Com Norma ainda contra a parede, Romero aproxima do rosto da moça, quase que os narizes se tocando, olha em seus olhos e diz: Essa conversa ainda não acabou.
Alex a leva até o centro da cidade, aonde tinha a visto pela primeira vez.
No caminho, nenhuma palavra entre os dois foi trocada. Apenas o silêncio permanecia.
Norma desce do carro do xerife e vai correndo até o dela para voltar pra casa.
“Tome cuidado!”, disse Romero enquanto ela corria até o carro dela.
Norma não entendeu e nem respondeu. Entrou dentro do carro e saiu apressada para casa.
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