The Shining City
1 Prólogo - The City Battle
Eu vivia em uma pequena cidade situada na fronteira das duas maiores nações do meu mundo, a Republica ocidental e o Império oriental, não havia muito mais que eu soubesse sobre toda aquela guerra, mas de alguma forma eu sentia que meu destino estava entrelaçado à ela…
Meus dias costumavam ser sempre os mesmos, como hoje por exemplo… levantar por obrigação junto com o disparar das sirenes, ir mau humorada me aprontar, uma calça gasta e uma camisa simples geralmente as primeiras roupas que encontrava pelo chão já eram o bastante, sentar- me a mesa com minha mãe e meu irmão casula, olhar os lugares vazios ao canto da mesa enquanto comia mais um pouco daquela ração pastosa que os militares nos forneciam e o resto do tempo eu alternava em ajudar minha mãe com as coisa de casa enquanto tinha que ouvir ela reclamar sobre como eu devia ser mais feminina e andar com as garotas da minha idade e começar a sair mais e bla bla bla…
Mas tinha algumas horas no dia que eu podia passar fora de casa, eu podia subir nas arvores e pensar em tudo que eu não podia pensar em casa. Lá de cima eu admito que esperava alguma hora cair e quebrar algum osso, mas eu nunca consegui me machucar de verdade, o que não queria dizer que eu realmente não sentisse dor.
Minha cidade era uma pequena região agrícola, nós não projetávamos armas nem fazíamos bombas, nosso único erro foi plantar raízes justo no ponto chave desse massacre, não éramos cidadãos nem do Império nem da Republica, poucos de nós conseguiam se manter neutros, a maioria era a favor do Império… Eu não.
Eles nós protegiam, não jogavam bombas do céu como a republica, mas faziam algo pior, eles levavam nossa família. Assim como levaram meu melhor amigo, meu pai, meus irmãos, tanto o mais velho quando o mais novo e como um dia eu sabia que também levariam o meu casula.
Sem perceber comecei apartar os punhos contra a casca da arvore onde agora me encontrava, naquele dia só havia conseguido sair de casa com um vestidinho lixo graças a minha mãe, eu odiava essas coisas, era uma guerra… Não tínhamos tempo pra isso!
Foi quando algo mais chamou a minha atenção, o som de disparos.
Meu corpo congelou e me joguei para frente pulando da arvore. Cai de joelhos no chão, mas não me importei, já tinha me machucado pior antes. Levantei-me e com todas as forças corri para casa, eu sabia oque estava acontecendo.
Uma invasão.
Corri pelas ruas e me escondendo entre os murros de pedra, tinha que chegar em casa. Algumas vezes podia ver as luzes das armas dos soldados sendo energizadas.
- Laser… — eu ainda podia ser simples, mas sabia sobre nossas armas melhor do que qualquer um.
Desviei de vários disparos sentindo minha pele queimar em vários pontos onde os ‘quase-tiros’ tinha chegado perto de atingir, me abaixei, corri, tudo para ir até minha mãe.
Cheguei ao meu quarteirão sentindo um alivio imenso, isso foi antes… Antes de ver que aquele era o centro do confronto. De longe pude ver a porta da minha casa escancarada, os soldados do Império faziam barricadas entorno dela, mas nenhum apontava suas armas para lá…
Meu coração congelou com o que veio a seguir, de dentro do meu lar… Minha mãe apareceu sendo arrastada pelos cabelos, segui aquela cena aterrorizada e vi oque ela era agora, uma refém da Republica, um escudo. Meu irmãozinho apareceu logo atrás chorando em puro desespero, seus pequenos braços tentavam esmurrar a mão do soldado que segurava nossa mãe, esse pareceu se irritar, ele levantou a mão com raiva, jogando o pequeno contra a parede.
Apertei os lábios e me vi em total desespero, eu tinha que fazer alguma coisa… Qualquer coisa!
Eu me vi correndo, e em questão de segundos agarrei a arma de um soldado caído no chão, eu sabia que não tinha nenhuma chance real de conseguir se quer disparar, mas eu não podia ficar parada.
Tudo, tudo que eu tinha, estava sendo tirado e mim, tão simples, e tão errado… Mas eu não ia mais deixar.
Eu me encontrava próxima da entrada da casa apontando uma arma para o peito daquele homem com toda raiva que eu tinha. Ele riu... Enquanto todos ao meu redor gritavam para eu sair da frente, dizendo que não havia nada que eu pudesse fazer, mas eu podia... Eu podia puxar o gatilho!
Fechei os olhos com força e descarreguei toda minha emoção naquela arma…
E depois… Um disparo, o ensurdecedor som do disparo me fez perder a audição e tudo ouvia era o silencio.
Meu coração batia forte, toda adrenalina do meu corpo fazia minha respiração pesada queimar na garganta, eu estava errada, eu não estava surda, tudo a minha volta tinha ficado mudo. Como se o mundo, dês de pedras à pessoas, ficassem espantados, surpresos e até intrigados com o fato… De uma garota ter disparado.
O homem que antes ria de mim agora carregava um buraco no peito, sem sangue porém. Ele caiu no chão, totalmente inerte... Morto. Mas era como se... Seus olhos continuassem a me fitar com espanto.
— O-o que eu fiz? — Me encolhi um pouco deixando a arma cair no chão.
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