The Sharpest Lives
1 Capítulo 1 - Único
Notas iniciais
- Não Frank você não pode fazer isso comigo! – Gerard berrava entre lágrimas e dor.
O pequeno estava caído em seus braços. Ambos no chão do banheiro do backstage do show. O azulejo revestido de um vermelho rubro. Vermelho sangue. Chovia torrencialmente do lado de fora. O barulho de trovões foi o que abafou o som do tiro.
- Nós deveríamos ficar juntos! – o garoto de cabelos coincidentemente vermelhos como sangue, chorava — Você é aquele de quem eu preciso e eu sou aquele que você detesta não é? – sorriu doentio lembrando-se das várias provocações que um fazia ao outro constantemente.
No início ele não sabia o por quê de Frank implicar tanto com ele. Tantas críticas, reclamações e piadinhas às vezes um tanto ofensivas. O que estava por trás dos incontáveis xingamentos?! Amor. O baixinho amou Gerard no instante em que os olhos esverdeados dele encontraram seus orbes cor de âmbar. E foi impossível para Gerard não se encantar com o sorriso infantil e rosado de Frank. Sempre foi amor.
Gerard encarava o semblante calmo de Frank. O calor, aos poucos ia abandonando o corpo. Sabia que já estava morto. Frank tinha morrido há muito tempo. Gerard notou a mudança de humor, os sorrisos que não apareciam mais e o silêncio constante. Os olhos não brilhavam mais, mudaram de âmbar para um marrom sem vida.
- Sem vida – Gerard repetiu baixo, amargo, chorando.
Mal sabia o garoto de cabelos vermelhos que o motivo da tristeza de Frank também era o motivo de sua alegria. O próprio Gerard. Nunca nenhum dos dois fez menção ao sentimento que sentiam um pelo outro. Escolheram ouvir à razão, que dizia que tudo aquilo era errado, à ouvir o coração. Admitir amar outro homem?! Nunca. Os dois sempre ignoraram o amor. Mas não se sufoca o amor, certo? Frank não aguentou mais negar seu sentimento. Se não podia ficar com seu Gerard, era melhor acabar com o sofrimento logo.
Era mais uma noite de show. Frank perseguia Gerard com os olhos. Seguia cada movimento do então, ruivo de farmácia. Uma débil tentativa de ser notado pelo outro. “Um beijo e eu me renderei” pensava frenéticamente. Um beijo era tudo o que Frank precisava. Talvez, se tal beijo tivesse acontecido, o baixinho tatuado estaria respirando agora. Mas não. Na cabeça de Frank, Gerard estava muito ocupado para lá, com os outros garotos da banda. “Sem tempo para beijos. Sem amor, para mim”.
Ninguém achou estranho quando ele se levantou do sofá e foi até o banheiro.Gerard deu falta do garoto quando faltavam dez minutos para o começo do show. Todos começaram a procurar por Frank. Foi Gerard quem achou-o caído no chão do banheiro.
- Por que Fran? Por que?! – a raiva desconcertante voltou e ele segurava o corpo sem vida, com força desnecessária – O que eu deveria ter feito para que você não... – um soluço preso na garganta impediu-o de terminar a frase.
- Se você me dissesse, eu faria... Eu faria qualquer coisa por você – abraçou o corpo.
Sentia seu rosto molhado de lágrimas e sangue. Se Gerard pudesse lembrar-se dos sinais que Frank mandava. “Give ME a shot to remember” rosnou inconformado, em seus pensamentos. Deveria ser ele ali, morto. Foi ele quem não percebeu os sinais.
Se ele tivesse entendido que os xingamentos e implicações eram amor. Eram demonstrações de que Frank o amava também. Mas não, o destino fora cruel. Talvez os garotos fossem como Romeu e Julieta, destinados a não ficarem juntos. A morte se comportando como uma criança teimosa. Teimando em separa-los. Maldita seja a morte. Maldito seja o destino.
- É tudo minha culpa. Eu te amava tanto... – balançava-se com o corpo para trás e para frente bem devagar – Eu te amo – disse finalmente.
Gerard finalmente disse as três palavras que poderiam ter dado um final diferente a essa história. Pena que já era tarde demais. Chorou compulsivamente.
- Tire toda a dor para longe de mim – suplicou num sussurro para ninguém.
“Então por que você não assopra um beijo antes que ele se vá?” uma voz cantou no fundo de seus pensamentos.
Abraçou com um pouco mais de força o corpo de seu amado Frank. Beijou os lábios gelados e sem vida. Forçou-se a imaginar como seria aquele beijo em um Frank vivo. Gemeu de tristeza. Pegou na mão de Frank. Segurou a arma que ainda retesava ali. O cano frio como o corpo do amado, tocou o alto de sua cabeça. A decisão estava tomada. A insanidade surgira no instante em que vira seu grande amor estirado no chão. Ele não conseguiria viver sem Frank. Ele preferia infinitas vezes o Frank pentelho e implicante ao Frank morto. Não via sentido na vida sem o seu baixinho, sem o seu guitarrista, sem o seu amigo. Sem o seu amado.
- Então você pode me deixar assim como a sanidade me abandonou – sentenciou olhando firme para o rosto sereno de Frank. Sorriu fechando os olhos. “Se parecer que eu estou rindo estou apenas pedindo para ir embora. Ir ficar junto com você”. Foi o que pensou antes de puxar o gatilho.
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