The Shadow
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Seis e quarenta, aula, tarefa, professores, prova. Meu deus hoje o dia promete. Abro a porta da sala e vejo as minhas amigas Carla e Isabel.
–- Olá, querem saber de uma novidade?—digo com um sorriso maligno no rosto, já sei o quê elas vão dizer.
–- MEU DEUS DO SANTO CÉU, você finalmente percebeu que está afim do Peter e parou de negar esse fato?? – Carla me agarra e me leva até o fim da sala – Me conte tudo.
–- Não meninas, eu só queria dizer que a minha casa está finalmente pronta! Preciso mostrá-la para vocês.
–- Passe uma semana lá, depois eu vou. Cuidado Pri, lá pode ter espíritos malignos que estão com sede de sangue – Isabel fala, olhando para os lados sem parar.
–- Que filme você assistiu agora? – Carla diz isso com um sorriso medonho.
–- Nenhum, só estou avisando.
–- Seria maneiro se a minha casa fosse assombrada – digo.
–- Cala a boca!! Você está insultando-os. Nem a pau que eu vou pra tua casa agora. Espíritos existem sim, há os bons e os ruins, eles não aparecem quando você quer, e sim quando eles querem. A nossa mente gosta de pregar peças, mas uma coisa que a nossa cabeça faz é esconder coisas. Sim, às vezes é só imaginação, mas, quando você está preparado e sabe a verdade, eles aparecem.
–- Para de baboseira Isabel, chega disso. Vamos mudar o assunto para o novo professor de álgebra. Minhas amigas, que homem!
Caímos na gargalhada, realmente aquele homem era um deus.
****
–- CHEGUEI – grito, sei que a minha mãe deve estar no telefone e ela odeia quando a atrapalham, mas eu realmente adoro deixá-la com raiva.
–- Meu deus Priscila, pare de gritar. Faz nem três dias que estamos aqui e o pessoal já deve pensar que somos loucas!!
–- Boa tarde pra você também.
–- Estou indo filha, tome banho, almoce e vá estudar, volto às dez, beijos.
****
Olho para o relógio, 9 horas da noite, ainda falta muito tempo para a minha mãe chegar.
Vou para a janela escutando música. Na frente há uma casa maravilhosa, com um muro branco ao redor; à direita tem um terreno baldio e à esquerda algumas casinhas humildes.
Lembro-me do que a Isabel me disse: “Espíritos existem sim, há os bons e os ruins, eles não aparecem quando você quer, e sim quando eles querem. A nossa mente gosta de pregar peças, mas uma coisa que a nossa cabeça faz é esconder coisas. Sim, às vezes é só imaginação, mas, quando você está preparado e sabe a verdade, eles aparecem”.
Caio na gargalhada, mesmo sabendo que estou rindo de uma religião e, ao perceber isso, sinto-me horrível.
Vou para a cozinha beber água e, ao voltar para a janela, vejo, perto de um poste, um homem muito estranho, vestia um terno e o seu rosto estava coberto pela sombra do poste. O mais estranho é que, na primeira vez que eu fui até a janela, a lâmpada funcionava perfeitamente e agora piscava sem parar.
Foquei naquele homem, próximo à casa maravilhosa. Eu tinha certeza que ele me olhava, apesar de não conseguir ver seus olhos. Eu o encarei, provavelmente fora a coisa mais estúpida que eu fiz.
A porta da minha casa se abre, viro rapidamente e vejo a minha mãe entrando, olho novamente para a janela e ele sumiu. O poste funcionava normalmente, procuro por ele e o meu desespero aumenta, como alguém pode desaparecer em alguns segundos?
Fale com o autor