LXIX

Se a força me faltar nesse momento...

Apague as luzes, como em um lamento.

Creio não corresponder à altura,

Aquilo que se espera da partitura

De uma música que eu devo tocar.

Ora, baile com insegurança,

Deixe-se levar belo ritmo que balança,

Enquanto a alma exausta ainda dança,

Esperando um novo round.

Se és beleza, minha querida...

Introduza-o aos carnais pecados associados à cama.

Sutil beleza essa a de dama,

Ou rainha em meus tabuleiros de xadrez.

Sue o líquido grosseiro que respinga,

Na camada mais profunda do travesseiro.

Odor verdadeiro que aquece uma chama...

Meros mortais sussurram gentilezas,

Enquanto a dama ainda ama...

No andar de cima da carruagem,

Com gemidos discretos e indiscriminados.

Cálice de vinho traz estampado à sua taça,

Os brilhantes enganadores, associados à trapaça.

Jovens joias raras conclamam seu espaço,

Deleitando-se o máximo

De um tempo retirado da própria ampulheta

De areia.

Ama-se como se ama no oriente,

Sofre o calor sob o sol quente.

Se me quiseres essa noite,

Peça!

Devaneios de adolescente se completam,

Para cada gracejo impuro e secreto.

Louca rainha de cabelos louros...

Trazendo à cabeça os louros da vitória.

Os movimentos não são nada perante a noite cálida...

A sensualidade que me esconde sobre o véu é calma,

Não tentada aos teus olhos tentados de dama.

Se ainda me quiseres essa noite,

Chame pelo nome em sua cama...

Atendida pelo escravo não preso a correntes.

Sugue de minha alma a juventude aparente...

E continue como a rainha vampira das noites

De vinho quente, de sereno ardente,

De promessas rentes...

Com prostitutos que não sentem.

~Gabriel.