Eu & Ela
Talvez você me odeie,
Sob a perspectiva de que eu te dei motivos.
Arranque-os de mim, como faz com frequência...
Feche a porta que nos separa, com força e violência.
Bater e fazer ranger os dentes não tornam tuas palavras
Ordens e veemências.
Inveja-me o quiescente dos monges em aquiescência.
Eles não fazem mágica, apenas deixam aquela porta escancarada
Gritar e espernear em ventos frios de geada.

Talvez você me ame,
E perceba que tudo isso só discorre sobre o célebre infante
Que reclama seu trono em um reino esquecido.
Lembro-me de te perguntar por que você tem perseguido esse caminho...
E me questionado sobre o porquê da estrada pelas sombras.
Eu tenho algo a esconder de você,
Só que você poderia esconder algo sobre mim?
Sei que quer as coisas assim, mas o que eu posso te contar...
Que irá saciar essa sua estranha vontade de confabular?
Somos vazios ou estamos sendo preenchidos com nada.
Se cada palavra fosse mágica, nós ainda estaríamos brincando,
Como se brinca nos contos de fada?
Você sobrecarregou minha alma...
Por isso não posso pedir desculpas por te deixar irritada.

Talvez você esteja confusa,
Mas, querida, saiba que isso é o que faço de melhor.
Se ainda não entender isso...
Posso lhe contar sobre as batalhas na Colina Jericó.
Oh, isso seria interessante, isso seria amargo...
O café que bebo não tira o gosto de sangue do meu lábio,
Todavia, posso fazê-lo preço pago para ainda ter tinta.
Você ainda leria minhas cartas em vermelho?
Pode mentir sobre isso, ou me contar uma verdade...

Talvez você me engane,
E eu sei que isso é verossímil como doce mel.
Ah, querida, eu adoraria trespassar todos esses conflitos para o papel,
Só que ele não aguentaria conter a aflição...
Faça-me brincar entre linhas,
Peça-me mais um soneto bordado com rimas bonitinhas.
Não posso continuar como se nada tivesse acontecido,
Não posso fingir estar bem consigo e contigo.
Enfim;
Ao mesmo horário, amanhã...

Mas talvez você esteja ocupada à manhã.

~Gabriel.