The Selection - Interativa ♠
6 Capítulo 6
Notas iniciais

Blake DVanelle Arton
Faz apenas seis horas que a primeira selecionada entrou por estas portas e meu pequeno e limitado mundo mudou completamente. Não que isso seja ruim. Mas seria bom poder eu mesmo sair pela plebe, procurando por minha garota no meu cavalo branco. Okay, isso foi gay, pode parar!. As mudanças foram, definitivamente, significativas. Não posso andar pelos corredores depois da hora do jantar, a não ser que seja num encontro. Não posso entrar no salão das mulheres, nem que permitam. Não posso sair do quarto sem estar apresentável. Muitas coisas que não posso. Só seria uma pena se eu realmente não ligasse para o que posso ou não posso, afinal, sou o futuro rei da França.
Quando espiei pela porta e percebi que nenhum criado estava pelo corredor, sai e segui para a cozinha. Alguns dos cozinheiros se assustaram, mas a maioria estava preparando a mesa para o café da tarde.
— Por favor, não façam alarde, só quero algo para comer – sorrio de um jeito tranquilizador e pego uma das maças vermelhas de cima de um balcão.
— Senhor, só não esqueça que tens o primeiro jornal, ao vivo, sobre as selecionadas. – ouço dizerem do fundo da cozinha e me viro. Ali estava uma garota franzina, de cabelos castanhos presos num coque e escondidos numa touca, a não ser por uma mecha solta. Semicerro os olhos e a encaro até ela abaixar a cabeça. Ando em passos rápidos até a menina, olhando de cima. Dou um sorriso de canto, da qual todos se referem como cafajeste e pisco.
— Creio eu que não esquecerei.
~*~
Estou no jardim e até agora não encontrei nenhuma selecionada. Todas devem estar no Salão das Mulheres, onde acredito que estejam se adequando a beleza real do castelo. Num lampejo, tenho uma ideia um tanto absurda. Absurda mesmo fui essa ideia para termos uma seleção minha mente grita e eu sorrio maroto. Caminho até onde sei que há as paredes de vidro do salão e sendo na beirada da fonte desativada, dando mordidas na fruta vermelha.
Uns minutos depois, minha mãe que lia uma revista perto da parede me vê e faz cara feia. Tento ler seus lábios, mas ela realmente está brava e falando muito rápido. Algumas selecionadas percebem e se acumulam ao redor da transparência do material que nos separa. Levanto-me e aceno, sorrindo. As quinze garotas esboçam reações diferentes, algumas dividem a surpresa, outras sorriem e a maioria compartilha ideias sobre mim aos cochichos com a mais próxima.
De repente, sinto uma mão de dedos longos e finos tocar meu ombro delicadamente, e o espanto é grande quando vejo ali parada minha prima Abdalla. Os braços dela me envolvem e a única coisa que faço é retribuir o abraço.
— Quanto tempo, pequeno Blake.
— Igualmente! Da última vez que te vi foi em sua festa de debutante – Digo me lembrando da noite de travessuras em seu castelo, e observando o quão diferente minha priminha ficara.
— Pois então, passam-se três anos e você resolver sortear sua rainha da plebe esse joguinho estúpido, o que foi que perdi mesmo? – Ela fala com desdém e acabo rindo junto dela.
— Também não sei o que perdi. Mas faz quanto tempo, desde que chegou?
— Há algumas horas, estava arrumando as malas em um dos quartos de hóspedes, mas não sabia que estava fazendo o seu showzinho para as plébéien.
Ao ouvir, me viro novamente para a platéia montada. A expressão mais forçada é a da minha mãe, que está com uma das sobrancelhas arqueadas e se vira quando meu amigo guarda, Daniel, se aproxima. Ela fala com ele com seriedade.
— Sinto muito estragar nossa conversa prima, mas acho que terei que sumir por uns instantes. – falo rapidamente, deposito um beijo em sua bochecha e saio correndo.
~*~
Antes mesmo de chegar à primeira estufa, sou barrado por Daniel, um jovem de 19 anos com os cabelos louros escuros e olhos verdes, meu amigo de longa data, por termos a mesma idade e ele praticamente morar comigo.
— Cara, o que você tem na cabeça? Sua mãe estava louca contigo, dessa vez você não vai escapar!
— Então ela vai ficar mais louca ainda, pretendo continuar com esse jogo até meus pais descobrirem que isso é uma grande besteira.
— Arton, às vezes acho que eu daria um rei melhor que você. É claro que eles não vão cancelar a seleção, todas as garotas já estão aqui e se fizessem isso, ai sim a população iria se revoltar. Para de ser infantil.
— Existem, com certeza, outras maneiras de se distrair o povo. Outras táticas de panem at circus que não envolveria uma escolha tão difícil da minha parte.
— Agora já era, meu maninho. Se vira, porque se você ta confuso assim, ficará mais quando vir as selecionadas. Toma rumo, vou te acobertar dessa vez – ele fala piscando um dos olhos e deixa um tapa amigo nas minhas costas. Com as mãos no bolso da calça do uniforme da guarda, ele sai assobiando.
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Claire Marie DVanelle
As horas passam e em poucas descubro que Blake aprontou mais uma das suas, o que me faz ficar vermelha de raiva. Mamãe conversa comigo sobre as selecionadas e quais ela já percebeu que são mais educadas, simples e espontâneas, mas sinceramente, não consigo pensar em mais nada a não ser a burrada da qual meu irmão se meteu, e desde então está sumido.
— Com licença, mãe. Acho que preciso tomar um ar. – Digo fazendo uma reverência e beijando sua testa.
— Claro, querida. Lembre-se do Vrai hoje à tarde!
Saio de meu quarto e procuro por Daniel, que está fazendo a ronda da tarde no salão, que atualmente está abarrotado de criados arrumando as coisas para o primeiro café da tarde das selecionadas.
— Onde está meu irmão, Sr. Locker? – Falo firme e deixando transpassar minha raiva, o que o faz dar um sorrisinho.
— Arton pediu para não comentar com ninguém sua localização, aliás, nem eu mesmo sei.
— Agora não é hora de colocar a amizade no caso, portanto, chame o futuro rei de maneira correta!
— Ora ora, princesa. Para mim, a lealdade e amizade vêm em primeiro lugar. E você? Onde põe essas virtudes? – Ele pergunta, com uma das sobrancelhas arqueadas. Bufo e o ignoro, indo em direção ao estúdio de filmagens. Não preciso provar minha dignidade para ninguém, nem mesmo para o insolente guarda, ainda mesmo quando tenho outros problemas para qual me preocupar.
Quando entro no cômodo, vejo que Blake não está ali, o que faz meu âmago revirar. Se Blake não aparecer, além de estar com a reputação arruinada para meus pais, fará o povo e as garotas perceberem que ele não dá a mínima para a seleção. Ele não tem ideia de que as coisas podem ficar sérias.
— Onde está seu irmão, Marie? – meu pai, com sua voz grave, me pergunta.
— Não sei. O que o senhor fará se ele não aparecer?
— Diremos que ele está doente, mas com certeza Marcy irá comentar sobre a exposição dele as selecionadas esta tarde, então temos que estar preparado para o pior. – ele diz cansado e um pouco decepcionado.
~*~
O jornal foi bem, todas as informações foram passadas e o ponto de vista sobre as selecionadas foi exposto. O último jornal apenas junto da família real se finalizou, com a notícia de que o príncipe não estava muito bem.
O conheço desde sempre, melhor do que ninguém. Onde Blake estaria? – me pego pensando e se supetão, tenho alguma noção de onde ele está.
Pego um de meus poucos shorts, uma blusa de cor verde água e um tênis para caminhada. Saio do castelo apressada e demoro alguns bons 20 minutos para chegar onde quero, já que não habitava aquele lugar a um bom tempo.
A minha frente, há um lago artificial de pouca largura, que ocupa a lateral do castelo, que ganhou vida própria a partir dos vários anos. Ultrapasso um paredão de arbustos e me vejo na direção de uma ponte estreita, que dá para um gazebo, uma pequena construção deteriorizada pelos anos, cuja cor branca já está descascada.
Chego lá aos tropeços, e como imaginei, Blake está sentado no único banco que há, passando o dedo por uma inscrição na parede, da qual conheço muito bem. Há o nome de nosso trisavô, um coração, e o nome de sua selecionada, falecendo como esposa. Havíamos descoberto este pequeno paraíso em uma de nossas excursões de exploração, prometendo que não contaríamos a ninguém sobre a existência do lugar e suas juras de amor até acharmos alguém para amar, e levar até lá.
— Sabia que você me abandonou? – pergunto fazendo bico.
— Como assim?
— Você prometeu estar comigo nos momentos difíceis. Está sendo difícil para mim também, Blake. Eu sei que pareço animada com isso tudo, mas não passa de encenação. Claro que estou ansiosa, mas está estranho. Preciso ser a única a tranquilizar papai e mamãe, e todo o trabalho que faço você está, praticamente, jogando aos ares. Eron está cansado, e Amélia se desgasta cada vez mais, deixando sua saúde a desejar. O pior, é que você não percebe isso, esta sempre pensando em si próprio e deixa sua família e seu povo de lado. Devido a sua falta no jornal de hoje, teríamos sorte de não sofrermos um ataque rebelde em poucas horas. – Digo tudo e sinto um alívio, o nó da garganta se soltar. Em todo o momento, passei encarando seus olhos, e não consigo segurar as lágrimas.
Ele se levanta e vem até mim com a testa enrugada de preocupação, me abraça — Desculpe-me, irmãzinha. Prometo continuar com você, para sempre se puder.
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