Notas iniciais
P.S.: Não tenho problema algum em aceitar membros da realeza na seleção do Darren o/ Estejam a vontade para criar filhas de Duques, duquesas, Ladys, Viscondes tanto quanto criadas, professoras...

Darren Schreave aprendeu a ler e escrever muito antes de dizer suas primeiras palavras. Para alguns, talvez, esta fosse uma grande realização. Mas não para o rei. Ele queria um príncipe eloquente, um futuro soberano que soubesse mover montanhas ao seu favor apenas com a lábia, não um menino que escrevia aos quatro anos mas que nunca dissera uma palavra.

“Se estivesse fazendo seu trabalho”, ralhou com o professor do jovem príncipe “Ele já estaria falando!

“Mas, Vossa Majestade, não posso obrigar o menino a falar”.

Richard Schreave empurrou o homem, que se postava entre ele e Darren, e se aproximou do filho com uma raiva descontrolada.

Vamos!” gritou, “Fale! Fale alguma coisa!”.

“O senhor está assustando…-” a ama de leite tentou se colocar entre o rei.

“Saia da minha frente”, ralhou, “Ele é meu filho”. O homem sacudia o garotinho de cinco anos com tanta raiva que a criada achou que ele talvez pudesse lhe deslocar alguma coisa, “Talvez ele precise de um incentivo”.

Darren, por sua vez, mantinha os olhos verdes arregalados de pavor, tentando desesperadamente se fundir contra a parede enquanto o pai se encaminhava para a prateleira e pegava um de seus livros de capa dura. Se encolheu contra a parede enquanto Richard se aproximava com um olhar sádico para perto do príncipe.

“Talvez ele precise de uma boa surra…”.

Não!”, a ama de leite, que amava o rapaz como se fosse seu próprio filho, gritou, “Por favor, Vossa Alteza. Por favor. Não o machuque”, ela tinha lágrima nos olhos e desespero na voz, “Talvez ele não tenha o que falar… Talvez ele não queira… T-talvez ele esteja com medo; é uma reação comum em crianças…”.

Richard voltou sua atenção para a mulher.

“Ele não é apenas uma criança. Ele é meu filho. Herdeiro Schreave. Ele será um soberano algum dia. Não me diga o que fazer”, por alguns instantes, Marize acreditou que o rei fosse lhe espancar também, pois o homem ergueu sua mão enorme para acertá-la.

“N-n-não!”, não foi o professor quem falou. Com surpresa, o rei voltou-se para Darren, que agarrava a barra de sua calça.

“O que você disse, garoto?”. Richard largou o livro, abaixando-se para ficar na altura do menino, “Hein?”.

Foi a primeira vez em que Darren se confrontou com uma situação difícil. Os olhos do pai, fixos nele, quase devorando sua alma, cheios de expectativas. Ele abaixou a cabeça e massageou as mãos.

“Vamos. Fale”, incentivou, “Você não falou alguns segundos atrás?”. O rei se virou com rapidez para encontrar a babá de Darren, “Faça ele falar!”, berrou.

“Por favor, senhor…”.

“Cale-se!”.

“N-n-n-não b-bata nela”, o príncipe chamou novamente.

“Diga novamente”, Richard ordenou.

“N-n-n-não m-m-machuque ela”.

“Novamente”.

p-p-p-p-por favor!”.

O rei largou a ama de leite e massageou as têmporas.

“Oh, meu Deus”, esmurrou a parede, “Ele é um idiota!”.

“Não diga isso, senhor”, o professor se manifestou, “Ele é um menino inteligente-”

“Meu reinado ficará nas mãos de um débil mental!", Richard berrou, seus gritos sendo escutados por todos os corredores frios do palácio.

Darren chorava, recostado em Marize.

“Eu n-n-n-n-não s-s-sou-”

“Sempre soube que minha rainha Elinor jamais poderia produzir nenhuma criança saudável… Mas ela morreu e me deixou com um… retardado!”, o rei chorava de raiva, "O que eu fiz para merecer tal maldição?!".

Richard arrancou Darren nos braços da babá e lhe deu um tapa bem forte.

“Eu não tenho um filho”, sussurrou no ouvido dele, “Eu tenho um fracasso”.

Bateu a porta com força ao sair, deixando o pequeno Darren se afogando em lágrimas no colo da ama.

Aquele dia ainda assombrava Darren Schreave. Nove anos depois, e ele ainda lhe caçava em seus mais profundos pesadelos. Tinha quatorze anos agora, quase um rapaz. Fora mandado para uma escola longe, tão longe que a deixaria apenas com dezoito anos. Mas as notícias andavam: o rei tinha novos filhos com a nova esposa; seis, no total. O garoto se perguntava o quanto tiveram de trabalhar para isso, já que não fazia muito tempo desde que deixara Illéa. Um irmão, qual Richard pretendia passar na frente de Darren na linha de sucessão. Tudo porque acreditava que o filho do primeiro casamento era incapaz de pensar.

Oh, mas ele pensava. E tinha muito tempo para pensar, desde que decidira falar com cautela. E pensava muito bem. Pensava em toda sua obstinação para fazer com que seu querido rei engolisse a própria língua quando decidisse falar sobre o filho gago e retardado que possuía, mas, “ei, quem precisa de saber dele, não é mesmo? Vamos falar de Anthony, meu querido filho”.

Darren estava no internato a nove anos, e nos nove anos que lhe deram, fez o possível para se livrar da gagueira e agora, no entanto, havia quase desaparecido; eram poucas as vezes em que ouvia-o titubear. A criança assustada, tomada pelas garras do pai e atormentada pelas palavras de ódio, havia crescido. E cresceria ainda mais

Seu plano era partir para Illéa quando atingisse a idade e garantir seu trono por meio de uma antiga lei, recriando a Seleção. Mas, acima de tudo: fazer com que o rei engolisse cada palavra que dissera para ele naquele dia, na torre de estudos.

Notas finais
Ficha:
♚Nome:
♚Idade: (16-18)
♚Função:
♚Casta: (1-3. Casta um: nobreza e clero. Casta dois: burgueses. Casta três: "o resto").
♚Personalidade: (minímo 4 linhas)
♚História: (mínimo 10 linhas)
♚Qualidades e defeitos:
♚Manias e fetiches:
♚Habilidades:
♚Opinião sobre o atual estado do reino:
♚Extras: (línguas que fala, modo de falar, animais, tudo mais que queira colocar).