The Selection ♚ Interativa
3 Bônus ♚
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"the sky cries over the lives he can't save."
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Dezoito anos antes
Elinor sabia que era a única capaz de controlar o marido. Richard. Oh, como Richard tinha um ódio intenso do mundo, mesmo sem conhecê-lo… Era um homem centrado em regras e tradições, louco com seu reino e a Casa Schreave. Cometia barbaridades, às vezes, mas era um bom homem. Ou pelo menos era isso que ela queria colocar em sua cabeça.
Ela se apoiava pelas paredes para conseguir atingir seu destino, mas nem mesmo seus pés era capaz de ver com aquela barriga imensa que nem parecia a dela própria. A última gestação apenas chegara aos cinco meses e depois o feto quase-desenvolvido fora tirado de dentro dela por médicos. Ainda doía-lhe profundamente saber que carregara um ser morto dentro de si, ainda tinha pesadelos com aqueles momentos de pânico em que acordava no meio da noite, sangrando, chorando para que fosse apenas um sonho. Mas não era. Aquele bebê que carregava agora, por outro lado, existia. Ela soltava um suspiro de alívio todas as vezes em que ele dava aqueles chutes dolorosos ou a deixava enjoada de alguma forma, afinal, aquela era a prova de que ele estava vivo.
Agora precisava chegar ao escritório de Richard para lhe mostrar os resultados favorecedores de sua última ecografia, quais mostravam seu menino crescendo forte e saudável. Darren. Darren seria seu nome. Seu pequeno menino.
“Vossa Majestade”, o pajem colocou-se entre a porta do escritório e ela, “O Rei pede para não ser perturbado neste momento”.
Elinor franziu o cenho, deixando que a mão descansasse na barriga.
“Sou sua rainha, rapaz. Creio que meu marido não se importaria”, sorriu para o homem que abaixou a cabeça e saiu de seu caminho.
Ela abriu a porta com cautela, procurando surpreendê-lo, mas assim que cruzou o portal, o viu despindo uma moça em sua mesa. Imediatamente, levou as mãos à boca, os olhos quase transbordando em lágrimas. Richard. Seu Richard. Num pulo, a mulher magra puxou as sedas de volta para o corpo enquanto Elinor sentia o coração murchar dentro de seu peito.
“Elinor”, ele limpou a boca e se endireitou, “O quê está fazendo aqui? Deveria estar de resguardo, na cama”.
Ela o fitou, perplexa.
“Oh”, soltou, “Eu deveria estar na cama”, virou-se, controlando a expressão, “Desculpe-me, meu Senhor. Irei para a cama agora”. Ela tinha um tom mordaz, agora.
“Elinor, volte aqui”, chamou enquanto ela se adiantava de volta para os corredores, “Elinor!”.
“Desculpe-me se não estou me sentindo perfeitamente capaz de participar com vocês. Acho que vou vomitar”.
Deixando o marido para trás, ela correu. Correu mais do que seus médicos jamais permitiriam em seu estado. Sentia-se pronta para desabar ali mesmo, tanto emocional quanto fisicamente. Richard… Como pudera ser tão estúpida? Estúpida a ponto de acreditar que ele realmente lhe era fiél. É claro que os boatos corriam na corte, mas nunca… Nunca imaginou que ele fosse realmente capaz. Ainda com ele em seu encalço, jogou o corpo contra uma porta aleatória, se escondendo na sala até que ele desaparecesse.
Como ele ousava trai-la tão próximo de seu parto? Como ele podia, ela se perguntou, desonrá-la daquela maneira?
“Um, dois, três”, contava, tentando apaziguar o enjoo ao sentir Darren lhe dando mais um chute. “Meu Deus, você será um grande lutador, não é mesmo?”, falou com o bebê, acariciando a barriga por cima do tecido pesado de seu vestido, “Seu chute de direita é absurdamente forte, meu pequeno Darren”.
Sentindo-se um pouco melhor, deixou a sala e seguiu até seu quarto. Seu quarto, não o de Richard; ocupava uma pequena parte de dois andares da Ala Norte, com uma escada em espiral ligando as duas salas. O chão era de madeira, não a pedra fria e raquítica que cobria o chão dos outros cômodos, havia um tapete de pele de tigre estendido na frente da lareira, o primeiro presente de Richard para ela, e sempre que se sentava na poltrona confortável com um livro na mão, imaginava seu pequeno Darren, com três anos de idade, cavalgando no pescoço daquele tapete. Havia também uma parede de vidro e uma entrada que guiava-a para o jardim interno do palácio, com acesso apenas seu.
No segundo andar, encontrava-se seu piano, penteadeira, uma cama de dossel bastante antiquada, mas que ela gostava muito, e a mesma parede de vidro, de modo que podia sempre deitar-se observando as estrelas dali. Era bonito e romantico, mas naquele momento tudo pareceu amargo e asqueroso. Quis arrancar a cabeça do tigre, jogá-la no quarto de seu marido com uma nota bastante afiada. Queria também quebrar todas aquelas vidraças jogando os vasos de porcelana nelas. Mas não fez nada disso, apenas caminhou lentamente até o jardim, o sol fraco e a ameaça de uma forte tempestade.
Tocou as rosas, abaixou-se (coisa que não deveria, jamais, fazer, segundo seu médico) para afofar a terra em volta de uma pequena muda. De alguma forma, a terra a acalmava profundamente. Ainda se ressentia com Richard, mas não estava mais com raiva. Olhou para a própria barriga enquanto se sentava no balanço de cordas e madeira que havia construído ali anos antes.
“Oh, pequeno Darren… Eu nunca deixarei que ninguém lhe magoe”, acariciou o ventre novamente, sentindo um chute fraco em sua mão, “Como posso amá-lo com tanta perfeição quando não amo aquele com quem lhe fiz?”, ela perguntou-se, “Acho que sou uma mãe”, Elinor sorriu, balançando o corpo para a frente e para trás, até tomar um pequeno impulso, “Vou contar um segredo: eu achava que não estava pronta para concebê-lo, que seria fraca. Mas eu já te amo tanto que acho que posso me esquecer desses detalhes”, sorriu novamente.
Ela estava pronta para ser mãe. Ela queria ser mãe, queria segurar seu bebê nos braços e embalá-lo até que caísse em um sono plácido e profundo.
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A primeira gota de água de chuva que caiu do céu no castelo naquele dia foi no rosto da bela rainha Elinor. Talvez fosse um aviso. Talvez fossem o céus, chorando sobre o fatídico destino da querida soberana de Illéa.
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