The Selection
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Exatamente as 23:00h em ponto, meus pais entraram em casa. Eles traziam consigo um bolo que estava coberto pela tampa transparente, mas percebi que era bem recheado, e refrigerantes.
– Filha! Ainda bem que você ainda está acordada, você não sabe como estamos felizes por você! — Disse minha mãe, Zoey Deveraux. Em seguida veio me abraçar, estava com tanta saudade que a apertei forte, ela não era o tipo mãe coruja, mas eu gostava dela mesmo assim.
– Obrigada — Disse, papai apenas sorrio para mim, percebi que ele estava escondendo seus sentimentos, ela não gosta de ser "chorão", sei que ele está triste porque vou para o castelo, e o olhar dele me dizia que nós conversaríamos depois a sós. Sou mais apegada a ele do que a minha mãe, nos fazíamos muitas coisas juntos sempre que havia tempo, jogamos videogames e comemos besteiras, enquanto ouvimos música, e ás vezes ele me ensina golpes, pois ele é policial, o que eu acho bem legal. Já com minha mãe eu aprendo mais sobre maquiagens e roupas, ela é atriz, e muito vaidosa.
O dia seguinte, foi apenas para fazer exames médicos obrigátórios, funcionários do palácio vieram me ajudar, achei todos muito atenciosos, havia uma mulher bem simpática que estamos conversando a um bom tempo, esperando que a minha vez de fazer o próximo exame, chegasse.
– E então senhorita, está ansiosa? — Perguntou-me Sarah, a funcionária com quem eu conversava.
– Sim...
– Dá pra ver como você sonha com isso. É bom que esteja animada mesmo, pois terá que ter um pouco de paciência com o príncipe... — E nos fomos interrompidos pelo médico me chamando. Entrei sozinha na sala, Sarah ficou para trás, me deixando com uma interrogação na mente.
Já sozinha no meu cantinho — meu quarto — a noite, eu penso em que Sarah quis dizer com, "ter um pouco de paciência" com o príncipe. Ela sabia de algo e talvez fosse me contar, se nos não fôssemos interrompidas. De repente começo a pensar, será que estou fazendo a coisa certa? Se a resposta for "não", agora é tarde. Mas não deve ser nada demais, todo mundo tem lá seus problemas! Não vou ficar pensando nisso, afinal parto em dois dias.
Fechei os olhos e cai em um sono tranquilo.
Acordei com alguém me balançando de leve, abri os olhos lentamente, e percebi que era minha mãe.
– Bom dia minha querida — disse ela, rapidamente percebi mais cinco meninas atrás dela, funcionárias do palácio! Isso me pegou totalmente de surpresa, o que estão fazendo aqui? Tudo bem eu estou bastante animada com a Seleção, mas não sei nada sobre criadas virem em sua casa.
– Bom dia — Respondi, ainda sonolenta.
– Chegaram essas criadas do palácio para preparar você para viajar amanhã! — Disse ela animada! Oh.. então era isso, era evidente que em meu último dia em casa, eu não ia ter privacidade, fiquei um pouco irritada, mas depois percebi que aquilo era nesessário.
Na parte da tarde, chegou um homem a minha casa, que me disse que estava tudo "ok" com meus exames, e me perguntou se eu era virgem. Fiquei com muita vergonha, estavam apenas eu, uma criada, e ele na sala. Queria minha mãe aqui, mas está trabalhando como sempre, Me pergunto se ela vai sentir minha falta. Papai eu sei que vai.
Hoje minha casa esteve bastante movimentada. Papai chegou mais cedo, e solicitou minha presença em seu escritório. Estava em meu quarto me arrumando para encontrá-lo, ainda bem que todos os criados foram embora, não aguentava mais ser paparicada. É bom? É, mas demais é exagero.
Dei duas leves batidas na porta para indicar a minha presença.
– Pode entrar — ouvi ele dizer. Girei a maçaneta da porta e entrei. o escritório dele era como muitos outros, cheios de papeis em cima da mesa, uma mega instante com livros — apenas de enfeite. Porque só eu ali naquela casa lia livros. E uma poltrona preta super confortável.
Cheguei perto da mesa dele e me sentei em uma cadeira que tinha ali, logo percebi o conteúdo dos papéis ali. Eram casos de pessoas mortas e desaparecidas que meu pai tinha que resolver, deveria ser muito difícil, mas ele sempre soluciona boa parte deles. Também queria fazer algo assim... mas claro que não iam querer uma mulher no comando. Meu pai inicialmente, era um guarda, mas agora ele é comandante das Forças de Segurança de Illéa. Ele prende bandidos, salva pessoas de sequestros, e é ele quem seleciona os guardas que ficam com ele, e os que vão para o palácio.
– Olhe, estou muito triste porque você para o palácio, não é fácil deixar sua filha de dezessete anos ir para um lugar onde eu não posso a proteger! Você é propriedade de Illéa agora... — Disse ele, suspirando no final, mas eu vou estar bem protegida no palácio... não vou? — O que eu quero dizer, é que você não tem ideia de quantas ameaças eu recebo dos rebeldes sulistas contra minha família! Eles nos odeiam apenas pelo fato de de sermos Dois. Claro que eu sei como as pessoas de castas mais baixas são tratados por pessoas de nossa casta, mas minha família não é assim, só que eles não sabem disso, então...
– Você tem medo que aconteça algo comigo. — Finalizei o que ele queria dizer. De vez em quando eu ouvia falar sobre os ataques rebeldes no palácio, mas lá tem tantos guardas, e nunca invadiram, pelo que soube. Eu quase nunca saia de casa sozinha, pois meu pai tinha medo.
– Exatamente, quero que saiba Lissa, que embora eu não seja um pai muito presente, eu a amo! E sua mãe também... então, cuide-se! — Disse ele, em seguinda vindo me abraçar! prometi a ele que me cuidaria, e depois aquele assunto deprê ficou para trás, dando lugar a uma conversa bastante agradável.
O dia da viagem chegou, e com ele o nervosismo, a preocupação... e se o príncipe não gostar de mim? Bom, eu vou ser eu mesma, se ele não gostar de meu jeito, eu simplesmente desistirei, porque não vou poder fingir ser algo que não sou apenas para agradá-lo, mas eu torço para que ele goste de mim.
As coisas no palácio serão diferentes, não vou ter mais meu pai para conversar, nem minha mãe para pedir algum conselho sobre garotos. Ás vezes queria ser mais como ela, todas gostam dela, e ela é bastante confiante. Já eu sou um pouco tímida, ás vezes, rebelde, e não sou confiante, dúvido até de mim mesma de vez quando! Lá no palácio isso tem que mudar.
Será que terei amigas? Será que elas serão muito competitivas? Deixo esses "será que" de lado, e presto mais atenção eu meus pais.
Estamos no aeroporto, e minha mãe estava se segurando para não chorar, eu podia ver. Na saída de casa, para o aeroporto, várias pessoas vieram me ver, e dejesar boa sorte, apenas acenei e sorri para todos, e conversei com alguns, pena que não pôde durar muito. Mas agora no aeroporto, não os deixaram entrar. Foi quando ela viu a multidão que ela se tocou que eu estava mesmo de viagem!
– Filha, tome cuidado certo? não deixe ninguém fazer mal a você ou coisas do tipo... — disse minha mãe — e cuidado com as outras garotas, com certeza terão meninas leais, mas outras não serão, então, não vá contar seus segredos ou suas vantagens para as pessoas erradas, falo isso por experiência própria — completou e em seguida acariciando meus cabelos. Imagino que ela não tenha muitas amigas de verdade, então não desabafa muito sobre vida, deve guardar tudo para si, assim como eu. No mundo em que vivo, ás pessoas podem se aproximar de você para saber tudo sobre sua vida e te fazer mal.
Eu até admiro a minha mãe, ser tão animada quando está cercada de pessoas falsas — tem suas exceções claro -, além de trabalhar sempre. Ser atriz não é tão fácil.
Já meu pai estava com um semblante tranquilo, até demais para uma filha que vai embora! Mas resolvi não perguntar nada, apenas fiquei abraçada a ele até a hora que chamaram o meu voo.
– Bom... está na hora — Eu disse, os abraçando — Sentirei saudades!
Eles me deram um beijo na bochecha, e me desejaram boa sorte, e eu fui embora sem olhar para trás, vamos ver o que me aguarda.
Do nada, ouço meu nome, e olho para o lado, encontrando um rapaz ofegante por ter corrido até mim: Harry.
– Lissa, eu queria ter te dado parabéns mas estava viajando quando soube! — Disse ele me abraçando. Harry e eu já saímos poucas vezes, ele até que era legal, não tinha essas frescuras e eu percebia que ele era um pessoa boa. Poderia facilmente considerá-lo um amigo, se nos vissemos mais! Só que ele viaja muito com o pai. Talvez ele me visse como uma amiga, já que se deu o trabalho de vir até aqui correndo.
Percebi que ele segurava em uma das mãos uma flor azul muito bonita! A flor da minha província. Ele me entregou, e eu sorri, grata por isso.
– Harry, quanto tempo! — Eu disse, sorrindo.
– É Lissa, não tenho muito tempo então... serei direto! Se você não ganhar essa, o que eu acho meio impossível por você ser uma garota super legal e cheia de qualidades, e acima de tudo, muito bonita. Mas se você não ganhar, terá uma fila de homens querendo casar ou namorar você, mas quero ser o primeiro dessa fila! — Disse me dando um beijo na bochecha, e em seguida foi embora, me deixando totalmente confusa.
No avião, começo a pensar no que Harry me falou, era estranho pensar que ele me queria de outra forma, e não apenas como uma amiga. Foi tão rápido, ele apenas me deu a flor, disse poucas palavras, e foi embora.
Harry é bonito, forte... cabelos pretos e olhos castanhos, pele branca. Se ele manter sua palavra, me casar ou namorar ele talvez possa ser uma coisa boa, pois ao menos eu o conheço! Sei que minha mãe vai me empurrar para vários homens ricos caso eu volte para casa.
Ao meu lado no avião, estão funciónarios do palácio, para me servir caso eu precise de algo, achei exagero. Qualquer coisa que eu queira ou precise em um avião, posso fazer sozinha. Acharam melhor não viajarmos com outras Selecionadas, apenas com os funcionários.
Eu estava sozinha, sem ninguém para conversar, e o vazio e a saudade começaram a tomar conta de mim.
Espero que isso mude assim que eu chegar ao palácio.
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