The Secrets of Crowley
19 Perda
Notas iniciais
Depois de pegar um ônibus para a cidade onde os irmãos haviam sido vistos pela última vez, Evelyn sentia uma paz interior. Talvez pelo fato de que ela estivesse na “superfície”, talvez pelo fato de que estava fazendo algo pra salvar duas pessoas. Ela não sabia ao certo. O dia estava ensolarado, nuvens finas e brancas cobriam o céu anil. Uma brisa leve balançava o verde das árvores e Evelyn estava feliz. Ela não tinha certeza se os encontraria ali, no endereço do motel que o pai de Charlotte havia dado mas, era a única coisa que ela tinha então começaria por lá.
Chegando à rodoviária, Evelyn perguntou para o motorista do ônibus se o local era longe.
– Motel Chicago? Não, é bem próximo. Se quiser pode até seguir para lá a pé. – ele falou enquanto apontava a direção. – Siga naquela rua depois dobre a primeira direita. Ele fica no final do quarteirão. – o moço terminou e sorriu.
– Tudo bem, obrigada.
Evy já ia se distanciando quando avistou, um pouco ao longe, um homem que a encarava. Ele não era muito alto, tinha cabelos castanhos, olhos claros e usava um sobretudo bege. Evy ignorou o homem sem olhá-lo muito e seguiu seu caminho. Um pouco mais a diante dali, enquanto caminhava, mais uma vez ela o viu, parado no centro de uma praça. Evy ficou assustada, achou que provavelmente ele a estaria seguindo. Então ela acelerou o passo.
Depois de dobrar a esquina para a rua do motel, a sensação de estar sendo observada se tornou ainda maior. Evy olhou para os lados e do outro lado da rua, estava o mesmo cara. Encarando-a fixamente, um rosto sem expressão. Ela ficou com medo e imediatamente começou a correr. Seus cabelos voavam, seu rosto suava e sua pulsação estava acelerada. Ela sentia como se corresse um perigo iminente. O motel já estava à vista, ela precisava alcança-lo. Evy tentou correr mais rápido, se aproximando mais e mais, ela já estava quase lá, o impala dos Winchesters estava no estacionamento. Ela sentiu um alívio, eles estavam realmente lá! Suas pernas já estavam pedindo que ela parasse, sus respiração entrecortada não lhe dava escolha a não ser cessar a correria. Evy parou, olhando em volta e para trás. Nada do homem desconhecido. Ela olhou para frente, já se imaginado lá dentro falando com os dois, mas deu de cara com o homem.
– Evelyn Salt. Eu vim para tirá-la da perdição. – o homem falou.
E Bum.
~ Em outro lugar ~
Crowley suava em seu terno preto.
– Sr. Crowley, eu juro, todos os nossos carregamentos foram encaminhados para sua central, eu juro!
Um cara franzino gaguejava enquanto falava com Crowley, que o tinha suas mãos apertando a gola de sua camisa. Ele e mais alguns demons, estavam em uma espécie de deserto, um sol escaldante iluminava-os.
– Um carregamento não chegou na minha central e você quer mesmo que eu acredite que ele não foi extraviado seu verme imundo?! – Crowley resmungou.
– Eu ju juro eu juro! – o homem dizia desesperado.
– Jura pela sua vida miserável?
O homem balançou a cabeça assentindo.
– Matem-no. – Crowley deu a sentença, se afastando.
Dois demons seguraram o cara, que gritava ainda tentando salvar sua vida, e o mataram, deixando o corpo no chão, que logo se desfez. Crowley tirou um lenço branco de seu bolso e passou-o em sua testa, suada. Ele suspirou, olhando as dunas ao longe, com o brilho do sol ofuscando seus olhos. Um de seus empregados chegou perto dele.
– Desculpe pelo local senhor, esse cara sabe se esconder.
– Da próxima vez seu inútil, veja se me arranja um sombra ou algo assim. Não fui feito para esse sol. – Crolwey respondeu ainda olhando ao longe.
– Sim senhor, desculpe.
– Vá, vá, ainda precisamos achar o carregamento...
Crowley começou a falar mas repentinamente, algo lhe atordoou. Suas pernas se enfraqueceram como se ele fosse desmaiar e sua visão ficou escura. Tudo se tornou um completo silêncio. Depois de alguns poucos segundos que se pareceram como minutos para ele, o som em seus ouvidos, sua visão e equilíbrio, voltaram em segundos. Ele percebeu que alguns dos seus empregados estavam lhe segurando, ali ao seu lado. Ele pôde ouvir alguns deles perguntando se ele estava bem.
– Me soltem, seus idiotas. – ele disse fazendo eles se afastarem.
– O que aconteceu senhor? – um deles perguntou.
Por um segundo apenas ele não soube também, mas depois ele só pôde pensar em uma coisa.
– Evelyn! – falou atônito.
~ De volta ao estacionamento do motel ~
Após ouvir aquilo, Evelyn só pôde pensar em um breve “ O que?” e depois foi como se algo a atingisse. Imediatamente ele foi transportada em sua mente para milhões de lembranças de sua vida. Algumas felizes, outras nem tanto. Algumas de quando ela tinha apenas 5 anos, coisas que ela nem sabia que ainda estavam em sua mente, outras eram de Crowley, o evento da premiação dos filmes, o primeiro beijo, ele sorrindo quando viu que ela estava envergonhada, o seu quarto no hell. Nada daquilo parecia real, milhões de imagens, sensações e sons, invadiam sua mente enquanto ela parecia apenas flutuar entre elas. Depois, ainda atordoada com aquele desconhecido, ela pôde ver, aos poucos e embaçado, o que identificou como o Impala. Na frente dele, dois caras correndo em sua direção, Dean e Sam, com o rosto sofrido e preocupado, que ela jamais havia visto. E parado, em pé a sua frente, o cara estranho que a tinha seguido. Ela notou que estava deitada no chão e sentiu que algo a estava molhando. Era sangue. “É meu sangue?” ela se perguntou por um segundo.
Alguém a pegou no colo. Era alto, era Sam. Dali ela pôde ver o rosto do homem e Dean falando com ele, o som era baixo para ela.
– O que você fez Castiel?!! – Dean gritava, só assim Evy conseguia ouvi-lo.
O homem, a quem Dean havia chamado de Castiel, disse algumas palavras, mas Evy não pôde ouvir, ele falava baixo demais, era como se ele estivesse so mexendo os lábios. O que ele estava dizendo Evy queria muito saber! Então Dean e Castiel subitamente olharam para trás dela e de Sam. Uma luz forte encobriu Castiel e um segundo depois ele não estava mais lá.
Sam se virou fazendo com que ela visse que do outro lado da rua, tinha um demon, com a mão em um símbolo que havia sido desenhado com sangue em uma árvore. Vindo em sua direção estava Crowley. Ele tinha no rosto uma expressão sofrida, seus braços estavam esticados, suas sobrancelhas arqueadas.
– Sai de perto dela! – ela pôde ouvir Dean gritando.
Depois sua visão ficou apagada e ela não pôde sentir mais nada. Só ouvia a voz dos dois.
– Me dê ela Sam... – a voz de Crowley era chorosa.
– Sammy, não. – Dean falava.
– Ele precisa Dean. – Sam respondeu.
Em outro segundo Evelyn já estava de pé, ao lado dos três homens. Ela olhou ao seu lado e viu um homem alto vestindo preto, ele tinha os cabelos bem alinhados e segurava um caderno fino em sua mão direita, colado junto ao corpo.
– Quem é... – ela começou a perguntar.
– Sou o seu Ceifeiro, Evelyn. – o homem respondeu, a voz firme e imponente.
Então ela entendeu. Olhou para frente e pôde ver que Crowley estava ajoelhado, segurando um corpo que era dela, ele parecia estar chorando enquanto a segurava nos braços. Ao lado dele Sam e Dean estavam em pé, parecendo igualmente abalados. Só então ela pôde perceber que ali, no centro de seu peito, havia um buraco enorme jorrando sangue e sua pele, já começava a se acinzentar.
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