The Secret of a Promise

12 Tudo o que nos resta


Soluço e alguns cavaleiros de dragão tinham ido a ilha vizinha, nada que indicasse ser alguma coisa sobre Dagur. Mas por algum motivo Merida foi impedida de ir pelo seu próprio marido, ele estava preocupado por conta de seu ultimo ato de heroísmo ter resultado em uma flecha no seu ombro.

Então dessa vez Merida não insistiu. Estava frio, ela precisava treinar com os dragões da academia sempre que possível. E o livro que estava lendo sobre dragões era mais interessante, pelo menos era do que tentava se convencer.

Merida tentava se concentrar em sua leitura, por mais que nem estivesse prestando atenção, porem naquele instante o que lhe distraia mais, era o fato de Heather estrar lhe fuzilando com os olhos em uma mesa à frente a qual estava sentada. Ela tinha um grande copo de chá de ervas na mão, porém sua atenção era toda voltada para Merida, que pelos seus movimentos frenéticos com as pernas, não disfarçava que estava incomodada.

Foi então que Heather se levantou e caminhou até ela, com as mãos na cintura e um sorriso estampado. Heather sabia o que precisava ser feito, mas não queria. O pouco de tempo que passou em Berk, reparou a forma que Soluço a encarava, o jeito que a tratava. Tudo indicava que ele a amava de fato, por mais contraditório e difícil que fosse entender o que aquela princesa tinha feito para encantar tanto o amigo. Não conseguia ignorar o fato do casamento ser arranjado. Talvez fosse só seu subconsciente procurando uma desculpa para fazer o que Dagur tinha lhe pedido.

Era o que queria, fugir do irmão. Fazer o que quisesse e talvez com a ajuda certa ela conseguisse achar informações que queria, sem a ajuda de Dagur.

–Posso me sentar? – Depois de um longo momento em silencio absoluto, Heather decidido quebra-lo.

–Claro... – Merida respondeu distante, mais aos poucos fechou seu livro, prestando atenção na garota a sua frente que parecia nervosa ou querendo lhe contar algo.

Heather mordeu o lábio inferior e depois fitou os olhos azuis de Merida que estavam preocupados e desconfiados. Parecia mesmo que a escocesa não confiava nela e naquele momento aquilo estava ficando obvio, então Heather afrouxou sua postura tensa.

–Sabe... Eu estava na academia conversando com Soluço, e ele me contou do que você fez no seu reino para salvar sua mãe e para quebrar a tradição sobre casamentos arranjados da terra de onde você veio.

Merida arqueou a sobrancelha, curiosa. Não esperava que Heather fosse falar de alguma coisa relacionada a si mesma. Talvez esperasse até mesmo alguma coisa a mais sobre Dagur, mas não.

–Sim...? – incentivou ao ver que a viking ficaria em silencio.

–Sei que agora você está justamente nessa situação que lutou contra, mas eu estava curiosa a respeito de algumas outras coisas. Tudo ao seu redor dizia para seguir um caminho, como fez para seguir em outro?

Merida relaxou completamente a ponto de soltar um riso abafado, o ambiente era escuro e úmido e apenas iluminado pela vela o qual usava para conseguir ler, mas teve certeza que Heather reparou em seu rosto avermelhado. Nunca esperava alguém lhe pedindo um conselho, então seu ego estava totalmente inflado naquele momento.

–Não é fácil, mas se tem uma coisa que eu aprendi é que só você tem poder o suficiente para mudar seu destino, se for valente o suficiente.

Heather sorriu sem graça com a resposta subjetiva, mas que fazia real sentido. Merida relaxou e abriu o livro novamente, tentando achar alguma distração, seu coração estava batendo mais forte do que o normal, então era daquele jeito que Elinor se sentia quando dizia sábias palavras. Ela podia se acostumar com aquilo, desejou que acontecesse mais vezes.

Então a porta foi aberta e o vento entrou rigorosamente apagando não só a sua vela como dos outros vikings sentados nas outras mesas. Todas as atenções foram para Soluço acompanhado por Astrid na entrada.

Tinham uma postura firme, porém ao vê-las Soluço caminhou até elas, Astrid ao ver Heather acompanhada por Merida ficou nitidamente incomodada, mas conseguiu disfarçar, pelo menos, por conta da euforia de Soluço ao ver a esposa. Agradeceu por isso.

–Alguma novidade? – Perguntou Merida animada, finalmente podia fazer alguma coisa que não fosse ler livros empoeirados.

–Claro! Encontramos uma nova lente para o Olho de Dragão. Estou tão animado... Me arrependi por você não ter vindo conosco.

Merida se acolheu, mas depois sorriu. Ela queria ter ido, como todos os seus amigos, e estava decidida que da próxima vez ela iria com ou sem o consentimento de Soluço.

–Talvez na próxima. –Ela respondeu sem muito entusiasmo. Merida se levantou, e Soluço lhe deu um beijo na testa.

–Quanto a Dagur, alguma novidade? – Perguntou Heather com os olhos brilhando de curiosidade. Soluço suspirou fundo mudando suas feições, mas antes que pudesse responder Astrid o fez.

–Não. Nem mesmo um rastro, é como se Dagur tivesse desaparecido misteriosamente ou já tivesse um meio de chegar até nós. – Comentou Astrid sugestiva, encarando Heather intensamente. Heather desviou o olhar a principio, mas depois voltou a encará-la com um sorriso claramente falso.

–O que você quer dizer? Já avisei que Dagur me enviou para pegar o olho de Dragão e não o fiz. O que mais me traria aqui?

Astrid ficou pensativa mais não falou nada.

–Nós acreditamos em você, Heather.

Soluço encarou Astrid com desaprovação. Ele sabia que Astrid, mais do que ninguém tinha suas razoes para sempre desconfiar de Heather, porém diferente dela, Soluço acreditava na amiga, e sabia que tudo o que ela um dia tentou fazer, tinha ficado no passado. Acreditava em Heather.

Merida ficou incrédula por um momento, uma noite antes de Soluço sair em sua aventura, comentou a respeito dos desentendimentos das duas anos atrás, mas não sabia que Astrid ainda guardava algum rancor, isso explicava o porquê dela nunca estar a vontade perto de Heather, mas não parecia só isso. Astrid guardava alguma coisa, que Merida precisava saber o que era.

–Então, você pode me mostrar à lente. – Merida tentou mudar de assunto. E Soluço agradeceu mentalmente por isso. Ele se despediu das duas e junto a Merida foram para casa.

Chegando lá, Merida cumprimentou o Furia da Noite que estava quase dormindo. Stoico que estava lendo algumas coisas e foram para o quarto. Soluço lhe entregou a lente e Merida analisava a peça delicada. E por mais que estivessem ali, nenhum dos dois parecia estar prestando muito atenção na realidade.

–Então... Eu não queria voltar nesse assunto, mas foi só o roubo de Tempestade que chateou Astrid em relação à Heather?

Merida perguntou curiosa. Soluço engoliu seco, estava nervoso com a pergunta e Merida não entendeu o porquê.

–Sim... – Respondeu simplesmente, pegando algumas as caldas de Banguela para se fugir do olhar de Merida que sabia que estava mirado em si.

–Pode falar a verdade.

Dessa vez a voz dela foi mais alta e mais perto, e ao se virar ela estava na sua frente, desconfiada. Soluço abriu a boca para falar, mas não conseguia, então largou a peça que tentava arrumar e suspirou derrotado.

–Não... Teve eu também. – Ele tentou parecer espontâneo, mas não conseguia entender o quão difícil era falar sobre antigos relacionamentos amorosos com Merida, ainda mais gostando tanto dela. Ela assentiu um pouco aborrecida, voltando sua atenção para a lente do Olho de Dragão.

–Olha, eu era... – Soluço começou a falar, mas Merida lhe interrompeu.

–Não tem o que explicar, é o seu passado, nada haver tem comigo.

Sua voz saiu mais seca do que ela própria esperava, então Soluço se aproximou e fez com que ela o encarasse segurando seu rosto com a mão.

–Eu te amo, Merida.

Ele falou com intensidade. Merida assentiu, mas não respondeu, apenas lhe entregou a peça e foi deitar. Soluço suspirou, guardou a lente se arrumou devidamente e fez o mesmo.

Soluço estava inquieto, se virou várias vezes e viu o corpo de Merida imóvel virada para o lado oposto. Queria conversar com ela, vê-la sorrir, mas qualquer esforço que tinha parecia que ele próprio destruía e o pior é que mal sabia como arrumar as coisas.

Então se sentou, não pode dizer ao certo que a esposa já estava dormindo, mas decidiu enfrentar o frio e ir beber um pouco de água.

Estava tudo silencioso, se não fosse o barulho do vento batendo contra a porta.

Até que uma sombra apareceu na porta, assustando Soluço. Ele abriu imediatamente, desconfiado.

Era Heather. Ele não entendeu então só ficou encarando-a para que ela dissesse alguma coisa.

–Dagur não me mandou apenas para pegar o Olho de Dragão. Ele quer “Erda”, nome falso o qual Merida usou para salvar vocês. Ele quer vingança. Desculpa.

Soluço pareceu confuso, mas logo o quebra-cabeça se montou. Então por isso ela não foi com os outros cavaleiros. Precisava de Merida sozinha para colocar aquele plano em prática.

–O que ele lhe ofereceu? – A voz dele era baixa e preocupada. Heather suspirou antes de responder:

–Tudo o que eu mais quero nessa vida. Respostas, sobre meus pais, sobre tudo. Desculpa mesmo.

Ela não tinha feito o plano então, não tinha do que se desculpar, mas agora tinha algo a mais que lhe preocupava, Merida, seu inimigo queria sua esposa morta. As lagrimas nos olhos de Heather rolavam, então em um ato instintivo Soluço a abraçou para consolá-la.

O vento era mais forte do que quaisquer coisas naquele momento logo não viram a presença de Merida quando ela apareceu ou quando silenciosamente ela voltou ao quarto, sem dizer uma palavra sequer.

Andou de um lado para o outro, seu coração batia forte e tinha vontade de chorar, não queria julgar as atitudes de Soluço pelo seu passado, mas nada fazia sentido naquele momento, pensou em Soluço defendendo Heather mais cedo, estava com ciúmes. Sua insegurança referente às palavras de carinho direcionadas a si mesma, tudo pareceu tão falso em sua mente agora. Era um casamento arranjado, tudo era simples assim. Ela caminhou até o Olho de Dragão e o segurou forte.

Pensou um pouco e depois só colocou seu vestido pegou só o que considerou essencial e pulou a janela.

Tinha que ser rápida partiria logo. Pois tinha certeza agora, nunca seria feliz invadindo o espaço de Soluço, nunca seria feliz privada de sua liberdade e o privando da dele, aceitar o pedido de seus pais foi um erro, nunca seria feliz em Berk.

Caminhou em passos rápidos, onde ficavam os dragões, a quantidade de neve atrapalhava sua visão e sua velocidade, mas nada a faria voltar atrás.

–Merida?

Era a voz de Astrid, em frente à academia. Ela tirou a toca que lhe protegia. E se aproximou, com uma expressão confusa como se já pudesse perguntar o que significava ela estar ali, naquele tempo e naquela hora.

–Eu vou embora, foi um prazer, mas não posso mais ficar aqui, não pode me obrigar.

Astrid não tinha visto a amiga tão alterada assim desde que havia chegado, então ficou em silencio por um tempo.

–Não pretendia te obrigar. Eu não sei o que aconteceu, mas tem certeza? – Astrid perguntou. Merida pareceu hesitar pelo menos por frações de segundos.

–Obrigada. Talvez ainda possamos nos encontrar algum dia. Me promete que não vai contar ao Soluço.

–Ele vai ficar arrasado... – Ficou pensativa.

–Astrid! – Insistiu Merida.

–Tudo bem...

Então Merida se foi, em passos rápidos até ao Pesadelo Monstruoso que estava habituada. Ele não era seu, mas daria para pelo menos chegar o mais distante o possível, antes de fazê-lo voltar a Berk. Era uma questão de tempo para Soluço estar atrás dela, ela conhecia Astrid, e tinha certeza que a guerreira contaria ao Soluço, por ter certeza que estava disposta a declinar a fuga na presença do viking.

Astrid tentava ser o mais rápida que podia, o vento estava forte aquela noite, agradeceu a Odin, por ter ficado até mais tarde na academia.

Lá estava Soluço, ela ignorou Heather na entrada conversando com ele.

–O que vocês estão fazendo? – Depois lembrou do motivo que lhe trouxe até ali.

–Merida fugiu, vai logo atrás dela! – Ela praticamente gritava, e empurrava Soluço para que ele fosse mais rápido. Soluço pareceu confuso, mas em poucos segundos que sua ficha caiu, ele correu desajeitado até seu quarto, onde pode ver a janela aberta. Ele passou a mão no cabelo desesperado, até que seus olhos depositaram sua escrivaninha onde deveria estar o Olho de Dragão.

–Banguela! – Chamou e logo o Dragão acordou indo até ele, correram até a saída e voaram.

–--x---

Merida tinha parado em algumas rochas acima das nuvens onde pelo menos não tinha neve, para descansar um pouco. Ela pegou o Olho de Dragão e fez com que o fogo do Pesadelo Monstruoso o abrisse. Encarou o mapa.

Agora que tinha fugido não parecia muito inteligente ir para Dunbroch. Sua família ficaria desapontada e ela desonraria o nome de sua casa. Estava destinada a vagar pelo mundo. Pelo menos encontraria aventuras que sempre sonhara.

–Achou que podia simplesmente fugir sem falar nada, por que fez isso?

Era a voz de Soluço. Ela suspirou já esperava por aquilo.

–Já sabia que você viria. Só esperei para pedir para você não alimentar nenhuma esperança. – Ela foi direta. Soluço desceu do Furia da Noite e negou com a cabeça sem acreditar no que ela tinha dito.

–Não é verdade. Você me deu uma chance...

–Sim e percebi que isso nunca daria certo. Você no fundo concorda comigo.

–Não... – Ele tentou se aproximar para segurar na mão de Merida, mas ela se afastou, negando com a cabeça. Ele continuou.

–Não vou deixar você ir – Ele enfatizou tentando insistir.

–Eu também sabia que diria isso, mas você vai me deixar ir.

Merida pegou seu arco e uma flecha e apontou para Soluço. Ele estava incrédulo se afastou cautelosamente. Banguela não sabia como reagir. Os olhos dela estavam marejando, e sua respiração alterada, mas mirou em sua perna. Atirando.

Soluço gritou, segurando sua perna. Banguela rangeu os dentes e tentou ajudar Soluço por mais que não soubesse como.

–Desculpa, Soluço.

Então ela subiu no Pesadelo Monstruoso.

Soluço encarou o grande dragão avermelhado ficar cada vez mais distante, ele conseguiria se esforçar para ir atrás dela, mas aquela flecha em sua perna provava de que era melhor não segui-la.

Notas finais
Vim até mais cedo hoje (chega de dormir de madrugada -.-) Eu gostei desse capítulo embora eu tenha escrito com o coração na mão... Até o próximo