The Secret of a Promise
16 O fim é só um começo
Notas iniciais
Merida se levantou bruscamente, pôs a mão do lado da cama em que Soluço dormia e se espantou ao ver que estava vazio, de um lado do quarto Banguela ainda dormia, mas ao perceber que a humana estava acordada ele a olhou com apenas um dos olhos.
Merida havia perdido completamente a noção do tempo, mas depois que levantou percebeu que ainda estava muito cedo para Soluço estar acordado.
Ela pegou uma um candeeiro e abriu cuidadosamente a porta de seu quarto, pode ouvir a voz de Stoico se sobressaindo a de Soluço, como era o de costume.
Pelo horário da conversa Merida teve a impressão de que se quisesse ouvir deveria fazê-lo em silencio absoluto e assim o fez, quando conseguiu se encostar atrás de um pilar de madeira da casa.
Soluço caminhava rápido e impaciente de um lado para o outro, visivelmente irritado, seu pai estava sentado mas da mesma forma impaciente.
–Você disse alguma coisa para alguém?
Soluço perguntou com a voz um pouco tremida, não pelo frio, mas temia pela resposta do pai, estava aflito. Stoico soltou um demorado suspiro e rodou os olhos, aquela pergunta não fazia muita diferença para ele, mas pela condição emocional do filho preferiu seletar bem suas palavras desta vez.
–Que diferença isso faz, filho? Traição é algo muito sério. Você conhece a nossa lei.
Soluço suspirou derrotado e se sentou junto ao pai, com as mãos na cabeça e encarando a madeira da mesa.
–Mas não pode ser a sua solução, pai. Merida é minha esposa e eu a amo.
–Te traindo ela também traiu os vikings. Esse crime é punido com a morte ou exilo, ainda estou te dando a escolha, Soluço! – Sua voz saiu um pouco mais severa do que realmente desejou. Soluço levantou os olhos verdes semi-cerrados para o pai.
–Mas que escolha... – usou o tom irônico o qual sempre usava e sempre irritava o pai daquela forma, mas naquele momento não se importou com o olhar severo e muito menos quando ele se levantou irritado e foi até a porta da casa a abrindo sem cautela, fazendo o vento forte entrar em casa e depois fechou a porta em um estrondo alto.
Soluço bateu o punho na mesa revoltado pela discussão mal sucedida com Stoico. Praguejou quase em silencio e depois se levantou em silencio arrumando a cadeira.
–Merida, eu sei que está ai...
Merida saiu cautelosamente de seu esconderijo, encarou o chão a frente de Soluço e depois direcionou o olhar para os dele. Observou em silencio por muito tempo. Cada detalhe, suas sardas fortes, o cabelo liso sempre bagunçado, de um castanho intenso, a cicatriz que o acompanhava no queixo e os olhos verdes intensos que ainda se destacavam no ambiente escuro.
Ela evitou ao máximo expressar qualquer sentimento que teve ao ouvir a conversa com o líder, mesmo seus olhos estando marejados por estar assustada. Ficou em silencio, ao ver Soluço se aproximando devagar, o barulho de sua prótese de metal encostando no chão foi o único barulho na sala.
Soluço tocou em sua bochecha, Merida fechou os olhos ao sentir a mão gelada encostando-lhe, depois ele direcionou nos cachos flamejantes e a puxou em um abraço, Merida encostou a cabeça em seu peitoral e pode sentir o coração de Soluço acelerado. Ele também estava com medo, mas não queria e nem iria demonstrar.
Merida, aos poucos se acalmou, sabendo que enquanto Soluço estivesse ali estaria segura.
–--x---
Astrid andou com dificuldades na neve até a academia e é claro, já esperava encontrar pelo menos um dos alunos, ou até mesmo Soluço para ajudar a limpar tudo, mas é claro que sabia que era só uma falsa expectativa, mas tinha que admitir que estava feliz por saber que Merida finalmente se aquetaria em Berk. Como um conto de fadas feliz para sempre.
Até ao abrir a porta viu a figura de Stoico severo para ela. Ela estava confusa e não disfarçou.
–Quero que convença a princesa ir embora. – Ele tinha sido objetivo como sempre.
–O que? – Perguntou Astrid assustada, esperando pelo menos uma resposta. Stoico sabia que Astrid era uma menina-exemplo, obediente, forte e talentosa, mas também era uma pessoa de opinião, gostava da companhia de Merida e não via motivos para aquele pedido sem noção.
Era difícil para ele, considerando os sentimentos os quais Soluço sentia a respeito da princesa, mas era difícil ignorar que a moça tinha atirado uma flecha contra seu filho, não era mais a ousadia o qual tinha presenciado quando Merida salvou os cavaleiros de dragões, era uma rebeldia que ameaçou a confiança que podia ter a respeito dela. Ela havia feito uma vez, poderia fazer de novo. A vida de Soluço poderia estar ameaçada. Mas Astrid era jovem como Merida, sua ideia insana de seguir a lei era louca e ocasionaria uma guerra civil contra o próprio filho.
Ele respirou fundo e encarou os olhos azulados da garota a sua frente, ela ainda estava confusa e esperando a explicação do líder, esperando pelo menos um sinal de brincadeira, mesmo não tendo esperança nenhuma no senso de humor de Stoico.
Ele colocou a mão no ombro dela e deu três tapas de leve, caminhou para longe dela em perfeito silencio.
Astrid não pediu e nem pediria explicação, mas sua preocupação foi tanta que imediatamente se direcionou a casa dos Haddok.
–Soluço? Merida? – Ela chamou baixo, batendo na porta de leve, até que foi atendida pela figura de Merida, sua expressão já era preocupada antes mesmo de falar alguma coisa a respeito o que fez Astrid imaginar que eles já sabiam algo a respeito. Merida deu passagem para a loira passar e ela observou Soluço igualmente preocupado sentado na cadeira da cozinha.
–É a lei, não é?
Soluço se levantou e contraio as sobrancelhas, estava preocupado.
–É. Sinto muito Merida, peçam aos deuses para que só eu saiba, para que Stoico só procure a mim.
Merida respirou tentando manter a calma, não era como se estivesse se preocupando em morrer, afinal, exigia-se muito esforço para alguém conseguir mata-la, mesmo alguém no nível da Astrid. Mas uma se uma coisa era certa era que sua conduta nos últimos meses não tinha sido tão boa. Talvez fugir não tenha sido uma boa ideia, mas naquele momento tinha alguma ideia.
–Então... Eu posso ir embora de novo.
Astrid e Soluço a encararam surpresos. Soluço colocou a mão na cabeça preocupado e se aproximou de Merida dando-lhe um beijo em sua testa.
–Garota, atira uma flecha para me matar que daí sim você me impede de ir atrás de você. – Ele disse em um tom irônico, mas Merida não tinha levado na brincadeira, afinal o motivo daquilo tudo tinha sido justamente a sua flecha e entregar o maldito Olho de Dragão para o seu inimigo.
–Estou falando sério! Não foi só isso. Dagur está com o Olho de Dragão por minha culpa. – Ela se afastou aos poucos e cruzou os braços encarou Astrid por alguns segundos e depois para a parede emburrada. Morrer estava longe dos seus planos, mas parecia digno naquela situação.
Astrid deu alguns passos em direção a porta. Encarou Soluço como se pudesse dizer que o mataria caso ele não convencesse Merida de que o lugar dela era Berk, e então saiu.
Soluço engoliu em seco e depois encarou Merida. Rezou a Odin para que suas palavras saíssem certas naquele momento.
–Tem uma canção antiga dos vikings... Que diz que eu posso navegar em marés turbulentas, desde que você esteja comigo. Nada nunca vai te acontecer Merida, eu juro pela minha vida.
Merida se aproximou dele, com os olhos marejados. Acreditava piamente nele, não tinha como não ser tocada pelas palavras dele, pelos olhos verdes que lembravam os campos que costumava cavalgar em DunBroch. E agora depois de tudo que tinha passado tinha certeza de uma coisa, seu lar era onde Soluço estava, queria novas aventuras ao lado dele.
–Lembra quando falou que me prometia a felicidade? – Merida perguntou e ele assentiu. – Eu tenho um segredo para te contar, eu confio em você e em sua promessa.
Ela o beijou delicadamente e depois o deixou envolver pelo seu abraço caloroso naquele dia onde a nevasca era intensa, tinham muitas aventuras para capturar o Olho de Dragão novamente, muitos planos para o futuro. Mas só tinham certeza de uma coisa, estariam juntos sempre.
Fim.
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