Notas iniciais
Boa leitura

Soluço analisou milimetricamente todos os movimentos de Gothi, a forma em que ela ia até a mesa em que tinha algumas ervas batidas separadas, olhava demoradamente e depois voltava para Merida sentada a sua frente, com uma expressão confusa, porém totalmente curiosa para todos os gestos da anciã, como se estivesse aprendendo algo novo.

Depois de alguns minutos Gothi voltou para Merida, e agarrou a mão da mesma com a palma virada para cima, espetou e de imediato Merida puxou a mão em reflexo, depois um pouco hesitante voltou a mão para a senhora que fez alguns movimentos e depois a soltou de forma misteriosa.

Ela andou em círculos na sala pequena. Merida olhou de relance para Soluço que apenas pediu silenciosamente para ela tentar entender que por mais peculiares fossem os métodos de Gothi, era infalível.

Gothi pegou seu cajado e começou a fazer alguns desenhos no chão.

Merida encarou confusa, Soluço pareceu pensar um pouco e depois a atenção voltou para Bocão parado na entrada.

–Eu sei o que ela quer dizer.

Ele disse humorado como sempre. Caminhou rapidamente e analisou o desenho, coçou o queixo.

–Ela disse que Merida está em perfeito estado e por isso precisamos de uma festa.

Ele disse com toda certeza, Merida teve a impressão que Gothi não tinha dito aquilo, pelo menos não a parte da festa, mas foi interrompida de protestar, pois pelo visto tinham mais pessoas do lado de fora só esperando a oportunidade de entrar.

–Eu sabia que algo tão pouco não era páreo para essa princesa. – Melequento comentou fazendo pose, dando ênfase na palavra princesa de uma forma que fez Soluço rolar os olhos e suspirar.

–Todos nós sabíamos. – Comentou Astrid dando um soco em Melequento que se acolheu passando a mão repetidas vezes no braço acertado.

–S-Sim, e se me permite dizer, foi muito legal...Com todo respeito Soluço...

Soluço riu do jeito do amigo, totalmente tímido e com os braços juntos, suas bochechas estavam mais vermelhas que o comum, depois a atenção foi para sua esposa, ela ria descontroladamente de uma maneira única, de uma forma que ele jamais imaginaria uma princesa rindo. Modesta não era uma característica que combinava com a princesa escocesa, muito pelo contrario, era notório apenas pela sua aparência extravagante. Suas sardas, os olhos imensamente azuis como o céu pela manhã, e o seu cabelo em chamas. Incontroláveis cachos acobreados como labaredas. Ela parecia tão incrível e espontânea.

Não lhe cabia na mente como ela, alguém que nunca tinha sequer montado, conseguira levar um Pesadelo Monstruoso para um barco no meio do oceano, enganado Dagur e os resgatado. Era proeza de mais até mesmo para os vikings...

–Eu gosto da ideia de uma festa. Faz alguns meses que me casei e não tive muito o que comemorar, pelo menos daquela vez...

Soluço prestou atenção na ultima frase dela. Era verdade, sua festa de casamento foi tediosa. Merida encarou Soluço que no momento estava distante e pensativo, porem sorriu com sinceridade e se aproximou dando lhe um abraço por trás, Merida apenas depositou as mãos no ante-braço dele.

–Sim, eu tenho que concordar que ainda não tivemos uma festa de casamento.

Disse animado, se soltou de Merida e foi para frente dela, junto com seus amigos que acompanhavam os movimentos do futuro líder de Berk. Ele sorriu e direcionou os olhos verdejantes para Merida.

–Você merece a melhor festa do mundo no estilo viking.

Merida riu animada e bateu palmas empolgada, depois finalmente se levantou, e esperou que Soluço caminhasse até ela pegando suas mãos e depositando um pequeno beijo na sua testa. Seus amigos vibraram maliciosamente.

Cabeça-quente e Astrid se entreolharam e depois caminharam até o casal separando os. Merida pareceu confusa no momento e Soluço derrotado.

–Não agora, pombinhos, temos uma festa e Merida é toda nossa. – Cabeça-quente ajeitou seu capacete e disse de forma irônica, os olhos pequenos e azuis, dividiram os dois até que só Merida estava na sua frente, colocou as mãos na cintura e a puxou para fora da sala.

Soluço coçou a cabeça sem-graça.

–Vejo vocês de noite. – Disse Astrid antes de sair acompanhando as duas garotas, que mesmo tendo uma Merida hesitante conseguiram leva-las até a casa de Stoico, a qual estava vazia, já que o líder costumava ficar o dia inteiro fora.

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Merida sentou-se na cama, tentou fugir, mas Cabeça-quente era uma garota esperta e sabia segurar. De certa forma elas lembraram de sua mãe, e reclamar do tratamento que tivera, de ser arrumada por elas, foi só pelo seu orgulho, mas a verdade era que amou ouvir Astrid dizer que queria trançar seu cabelo desde a primeira vez que tinha posto os olhos nele.

Amou as garotas oferecerem roupas das mais variadas, amou dar risadas, da piadas indecentes que Cabeça-quente fazia dela em relação Soluço. Guardaria aquelas memorias boas consigo, para sempre.

–Agora a roupa. – Respirou Astrid cansada, mas satisfeita.

–Estou considerando como essa sendo a sua primeira festa como casada e com um viking, logo eu posso conseguir roupas como as nossas...

–Não. Obrigada Cabeça-quente, mas eu já sei o que vou usar.

Ela sorriu para não parecer uma negação muito forte. E por fim as duas loiras concordaram em deixar a princesa em paz para se trocar e ir para o Salão onde normalmente faziam as festas.

Merida riu e quando constatou que as garotas já tinham saído da casa e tudo se tornou silencioso ela caminhou até o baú onde estavam guardadas suas roupas e o bagunçou até encontrar um vestido azul lazuli, dado de presente por seu pai e sua mãe, alguns meses antes de se casar.

A rainha estava com os cabelos castanhos solto e seu sorriso era contagiante. Era uma tarde de primavera normal, onde os príncipes estavam bagunçando e Merida em uma das partes abertas do castelo, tomando sol enquanto afiava algumas flechas e cantarolava para si mesma em imensa paz.

Elinor caminhou até ela com as mãos juntas enquanto Rei Fergus vinha atrás, com o embrulho entre as mãos.

–Olá, minha menina valente. – Cumprimentou a rainha, recebendo o olhar da princesa de imediato.

–Temos algo, muito especial para você. – Comentou Fergus lhe entregando o embrulho.

Merida como uma criança em véspera de natal abriu o embrulho e analisou o vestido azul com detalhes de pérolas.

–Obrigada! – Disse com felicidade, abraçando seus pais.

–Quero que use em uma ocasião especial. Sua cor azul, foi estraida de uma pedra especial de lázuli, acreditam que essa pedra traga paz e alinham a mente e o corpo. Quero que use em uma ocasião especial.”

A lembrança veio rápida e Merida limpou a lagrima que iria se formar em seu rosto. Ela relamente não tinha pretensão de permanecer em Berk, mas duas coisas lhe prendiam lá. O Olho de dragão era uma delas, a mais difícil de conseguir no momento, a outra... Bem, Merida considerava fácil de se desprender das pessoas, seu encanto por Soluço era totalmente momentâneo, e uniria o útil ao agradável, precisava de Soluço para conseguir o Olho de dragão.

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Era a terceira musica a ser tocada. Astrid e Cabeça-quente já estavam na festa e nem um sinal de sua esposa. Mas qualquer menção ao ir para casa procura-la e era cercado pelas duas para impedi-lo de ir.

Então estava certo, com certeza esperaria as duas se embebedarem para poder ir para casa. Quem queria que estivesse ali não estava.

–Nossa você nem disfarça... – Comentou Stoico se aproximando do filho. Ele deu de ombros

–Você podia ao menos dançar com seus amigos.

Disse ele apontando aos amigos. Soluço se atentou aos amigos dando risada, e bebendo.

–Eu sei pai, eu só...

Soluço parou de falar ao ver Merida entrando pela porta, naquele momento tudo pareceu parar, era como se todas as atenções fossem para Merida em um vestido azul e o cabelo amarrado em uma trança lateral e algumas mechas rebeldes que davam personalidade ao seu cabelo incrível, ela caminhou envergonhada até onde estava.

Stoico pareceu incomodado com o silencio de Soluço que resolveu quebra-lo.

–Está linda, princesa. Tenho certeza que era o que Soluço pretendia dizer se nenhum troll tivesse roubado a língua dele.

Ele bateu nas costas de Soluço com força que pareceu sem-graça e fixou Stoico como se pudesse dizer para ele se retirar, o que de fato foi feito.

–Então... Quer dançar? – Perguntou sem-graça, Merida deu risada e deu um soco de leve no braço dele, puxando para uma dança.

Era uma dança animada, onde demorou um pouco para se acostumarem aos movimentos rápidos, mas ao fim pararam e saíram do salão procurado algum lugar onde tinham mais privacidade, já que estavam sendo o centro da atenção.

–Eu pensava que eu dançava mal, mas você não leva jeito mesmo. – Merida comentou.

–Tenho lá minha desvantagem. – Disse divertido fazendo ela rir.

Então Merida parou, olhou para o céu, naquele momento dividido em cores incríveis, de verdes a azuis. Ela estava hipnotizada pela beleza que estar perto do norte lhe proporcionava.

–As lendas dizem... Que as luzes levam ao nosso destino.

Ela encarou Soluço, seu coração doía. Ele sorria com sinceridade, seus olhos verdes como a grama lhe lembravam DunBroch de todas as formas. Ela levou as mãos até seu rosto, passou o dedo na pequena cicatriz em seu queixo, a barba que crescia. E depois se inclinou para beijá-lo.

Soluço envolveu sua cintura e correspondeu a intensidade dela.

Sentiria falta da gentileza dele, da forma que levava as coisas na brincadeira. Das risadas. Berk era muito agradável e se não fossem as circunstancias, escolheria permanecer. Mas Merida não era do tipo que mudava de ideia. Ela se soltou de Soluço com dificuldades e pegou na mão dele, sem nem uma única vez desviar os olhos dos dele.

–Venha comigo. – Ela disse como em um sussurro, sorrindo com sinceridade.

Soluço sentia que seu coração iria explodir, todo estava em chamas, tudo havia sido incendiado pela princesa e seus cabelos flamejantes. Eles caminharam naquela noite fria, juntos, conectados. Naquela noite em que se amariam como casados, enfim estavam unidos.

Notas finais
E aqui chegamos ao que "+16" significa. Espero que todos tenham entendido o que aconteceu nesse capítulo, eu quis ser mais singela o possível pq... sei lá, achei mais fofo e mais o clima da fanfic. Até o próximo o/ Qualquer erro de pt, desculpa mesmo gente >