The Secret of a Promise
2 A princesa
Notas iniciais
O dia inteiro Soluço conseguiu evitar conversas com seu pai, Stoico. O motivo era simples e compreensivo: Soluço era uma pessoa esperta, pelo seu pai já era considerado o futuro líder, então gostava de se manter informado a respeito de todos os acontecimentos em Berk, até porque qualquer problema causado por dragões, ele se sentia no mérito de poder resolver pessoalmente. Soluço era um treinador de dragões, mas ainda era também um aprendiz de ferreiro e por isso alternava em dormir na casa de seu mestre e na própria casa, em uma das vezes que escolhera a casa de seu pai, pode encontrar uma carta, diferente das usuais de seu povo.
Passando-se dias de pesquisa sem descanso ele conseguiu compreender que seu pai tinha planos sobre ele, era algum tipo de negociação foi difícil entender muita coisa sobre a carta, mas mesmo assim evitou as conversas repentinas sobre casamentos e sobre sua mãe desaparecida há muito tempo atrás.
Então o inverno chegou severo aquele ano, o que impediu qualquer viking de fazer atividades extras fora de casa como as que Soluço fazia. A academia estava fechada, os dragões guardados em segurança e as jornadas de explorações foram todas suspensas a pedido do próprio líder.
Soluço estava em casa, mas especificamente na mesa, completamente tenso, esperando que a carta não fosse nada complicado de mais a ponto de seu pai não conseguir resolver.
Ele estranhou o fato de Stoico ter feito questão de ter preparado a comida naquela noite, algo fora do comum. Mas não comentou nada ao vê-lo servindo a sopa escassa no seu prato e no do filho. Ele deu um sorriso por baixo da barba e esperou a reação do filho.
–Está ótimo, pai. Depois de tudo você não perdeu completamente o jeito. – Ele tinha bom humor ou sarcasmo na voz o qual Stoico não decifrou ao certo o que era e por isso decidiu não responder ao comentário.
–Filho, precisamos conversar.
Foi o suficiente para Soluço largar a talher e perder completamente o apetite.
–É sobre aquela carta? – Ele disse calmo e insistente, encarou o pai como se pudesse dizer que não esperava que o líder mantivesse algum tipo de segredo sobre as inter-relações com outros povos. E Stoico sentiu a culpa percorrer seu corpo, mas manteve-se estoico.
–É sim. A carta era sobre uma negociação que estamos fazendo com um lugar chamado DunBroch. Parabéns filho, você está noivo.
Soluço engasgou imediatamente, tossindo freneticamente e se colocando de pé onde pode tentar se controlar, pegou e bebeu um copo de água para amenizar o choque. Ele colocou uma das mãos na mesa, mas deu preferencia a ficar de pé.
–Desculpa, mas eu não vou fazer isso. – Ele respondeu simplesmente.
De todas as coisas que Stoico podia pedir, uma era restrita, qualquer coisa que interferisse na sua liberdade e nas dos dragões que em Berk viviam. Mas queria ver a explicação que seu pai tinha para ter lhe metido naquilo. Então o encarou até que seu pai resolvesse argumentar sobre a sua negação.
–Soluço, eles precisam de auxílio por causa de uma guerra que tem a possibilidade de acontecer e nós precisamos de comida, como você pode estar percebendo. – Ele apontou para o prato onde tinha a sopa fria e rasa.
–Ótimo! Podemos fazer uma doação de um dragão em troca de comida, mas cá entre nós que eu continuo com a opinião que essa gente aí fora podia comer menos.
Os olhos de Stoico se estreitaram com o comentário. Soluço simplesmente se sentou novamente na mesa, incomodado. Apoiando a cabeça com o braço enquanto brincava com a comida com o outro.
–Eles são nobres, não é assim que se resolvem as coisas com eles. Você não vai se casar com qualquer uma, ela é uma princesa. – Ele afirmava sua opinião com mais serenidade que de costume, o que incomodou Soluço a um ponto que o impedia de não forçar um dialogo com seu pai, afinal o que estava em jogo não era só a vida dele, era a vida da princesa também.
–Princesa? Você vai trazer uma pessoa que mal deve saber tomar banho sozinha para uma ilha cheia de dragões com esse inverno de Niflheim*? É sério isso? – Soluço mal pode perceber o momento em que sua voz começou a se alterar ou quando a de seu pai se tornou mais alta para acompanhar o ritmo do filho.
–Não há nada que você possa fazer, Soluço, a princesa é sua!
Ele afirmou severo como se não esperasse que Soluço contestasse a ideia de levar ao altar matrimonial uma princesa completamente desconhecida. De qualquer forma se os próprios vikings estavam tendo grandes dificuldades para se aquecerem e sobreviverem o dirá uma moça que passou a vida esperando apenas o momento do casamento?
–Ela vai morre aqui, pai, você não pode concordar com isso. – Tentou se acalmar um mínimo momento, discutir com seu pai estava longe de seus objetivos e agora sabia o porquê de ter evitado aquela conversa, assim que viu sabia que aquela carta significava problemas para ele.
–Sobrevivendo ou não precisamos desse acordo. – Admitiu Stoico cruzando os braços, ele parecia não querer negociar, a face de Soluço se espantou por aquela afirmação fria. Desejou que Stoico tivesse dito apenas por impulso da conversa que se transformara em discussão.
–Pai! – Repreendeu Soluço.
O líder deu um longo suspiro e se levantou, caminhou até as lenhas na sala sendo seguido pelo filho, colocou mais algumas madeiras na lareira e ficou alguns segundo encarando o fogo, como se ali fosse encontrar as palavras certas.
–Não sei Soluço, talvez você não devesse julga-la tanto assim sendo que nem a conhece.
Pareceu bem contraditório aquilo vindo de seu pai, mas não queria desviar o assunto.
–Eu nem devo me casar com ela por não a conhecer. De qualquer forma, uma princesa é uma princesa, fim. – Como o tom de Stoico se acalmou por completo, Soluço acabou fazendo o mesmo.
–Mas na carta diz que ela sabe muito a respeito de arquearia. – Seu pai disse confuso, mas tentando convencer Soluço do contrario, que o casamento era a escolha certa a ser feita.
–Arquearia? Alguém está tendo sucesso para te impressionar e eu sempre pensei que não era uma tarefa tão simples assim, pelo menos "parabéns" esse pessoal de DunBroch merece! – Ele deu risada da própria ironia, mas parou e pigarreou disfarçando ao ver seu pai se virando irritado com a fala do filho, Soluço apenas passou as mãos nervosamente no cabelo bagunçado.
–Você ao menos contou que em Berk temos dragões? Eu não consigo acreditar que pais concordariam que uma filha, que viveu em uma bola de vidro todos esses anos, mude para um local com dragões. – Ele cruzou os braços, não conseguindo recordar da vez em que seu pai mencionara a reação dos escoceses ao ouvir falas das bestas implacáveis que Berk controlava.
–Não exatamente. – Revelou Stoico.
–Ah, isso é ótimo! E o que você vai contar para a princesa quando ela chegar aqui? – Não conseguiu controlar sua ironia mais uma vez, mas ao invés que receber uma represaria do seu pai, viu ele assentindo com a cabeça. Ele caminhou calmamente até seu filho colocando a mão em seu ombro.
–Eu não sei filho eu não pude recusar, temos que alimentar nosso povo e como futuro líder você precisa saber que isso é o mais importante a ser feito. Você não vai recusar certo?
–Pelo visto eu não tenho muita escolha.
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