The Secret Weapon
74 One big secret
Notas iniciais
Poucos dias depois, ainda não tinha feito progresso com os pergaminhos, mas mais por falta de tempo do que de interesse. Antes da partida de Eragon para tratar com os anões, sofremos um ataque.
Desde então Nasuada me mandara com Aidan para a biblioteca real, buscar tudo sobre encantamentos que explicassem aquelas criaturas. Homens que não sentem dor, como os chamamos. Não importava o tanto que o atingíssemos, eles sequer grunhiam e continuavam o ataque. Só conseguimos nos livrar deles quando Roran decapitou um e provou que era a única forma de acabar com eles.
Eu vasculhava todos os livros que conseguia ler, enquanto Aidan procurava pelos pergaminhos de todos os tipos, tentando se lembrar se já ouvira algo sobre na magia.
— Nada? – Perguntei quando ele se sentou de frente para mim na pequena mesa. Ele negou com a cabeça, fitando a capa de um livro, sem realmente enxergar. – Os livros também não falam. Tentei buscar em necromancia, mas não é igual.
— Não, não é necromancia. Eles estão vivos. E dizer que eles não sentem dor é correto, mas não o suficiente. Eles não morrem.
— Não facilmente. – Completei, fechando mais um livro. Eu queria aproveitar a chance para procurar algo que me ajudasse com os pergaminhos, mas entender o caso dos homens parecia mais urgente. – Como ele consegue isso?
— O poder dele é assombroso, deveras.
— É mais que isso Aidan. Se você andava por aqueles corredores, com certeza sentia aquele peso esmagador.
— Como se milhares de pessoas estivessem juntas, gritando todos seus sentimentos, sim. – Ele respirou fundo, como se estivesse se lembrando daqueles dias. – Por falar nisso, como você está?
— Oi? – Eu tinha pegado mais um livro para começar a folhear, mas parei com a mão na capa. – Quer saber ou confirmar?
— Um pouco dos dois. Tem muita coisa acontecendo com suas emoções atualmente.
— Bem, me sinto estranha desde o passeio em Uru’bâen. Não me sinto mais tão agressiva depois que modificaram o selo, mas ainda assim é como se sempre tivesse uma sombra na minha cabeça.
— Sim, eu compreendo. Você disse que é como se um fio de cabelo estivesse sendo puxado, sim?
— É, melhora mas nunca passa. – Ele continuava me fitando, esperando para ver se eu contaria sobre o resto. Eu podia esconder as coisas mesmo de Elrohir, que vivia na minha mente, mas Aidan era um jogo invencível. Suspirei. – Estou irritada com Delrio.
— Pode confiar em mim, Silbena. Essa raiva não é algo comum em você.
— Eu a roubei.
— Roubou Delrio?
— Fale baixo. – Resmunguei, conferindo se ainda estávamos sozinhos. – Ela estava escondendo alguns pergaminhos de mim, fugindo do assunto, então eu os roubei.
— E por que tanto interesse em documentos?
— Eles tem as marcas do Império. Elrohir me lembro que você nos disse que a maioria dos documentos que não estão sob o poder de Galbatorix são de pouca importância, não existe razão para tanto segredo se for o caso, o que eu duvido.
— Duvida pelo que, exatamente?
— Estão na Língua Antiga. Ou o que eu acho que seja. Não consegui traduzir nada ainda. – Tomei um gole da água que estava ali perto, limpando a garganta. – E eu não gosto deles.
— E quer ajuda? – Ele perguntou, tomando um pouco de água também. Hesitei, pensando por um minuto. Eu claramente não chegaria a lugar algum sem ajuda, mas eu não queria que ninguém soubesse antes de mim o que aqueles pergaminhos escondiam.
— Eu preciso, mas com a Língua. – Ele entendeu. Ficou de pé, pegou os documentos que já tinha analisado e os devolveu às prateleiras, antes de sumir atrás de outra. Eu já estava ficando inquieta quando ele voltou.
Era possivelmente o maior livro que eu já havia visto, com uma capa de couro preta. Ele pôs o exemplar na mesa, sorridente. Ele pegou outros dois livros e me entregou, dizendo que seria mais fácil explicar porque ele queria um livro sobre a Língua Antiga, enquanto eu levava os de magia para continuar no caso do exército.
Deu certo. Os responsáveis pela biblioteca anotaram o livro sob a proteção de Aidan e nos deixaram sair. A lua estava alta no céu, o que aliviava aquele calor insuportável.
— Aqui está. Com certeza ainda terá muito trabalho, mas tem por onde começar agora. Não devolva sem me avisar, tudo bem? Enquanto isso, eu vou tentar solucionar isso desses homens. Boa noite, querida. Boa sorte.
“Parece que teremos avanço agora.” Elrohir comentou, vendo enquanto eu tentava ir o mais rápido para minha tenda, como se fosse possível esconder aquele livro.
Consegui entrar na tenda e enfiar o livro dentro do meu baú, justo quando Sano entrou na tenda. Ele pediu licença, mas não me deu tempo de responder. Não que importasse, ele sabia.
— Oh, boa noite, Sano. O que houve?
— Nada, eu só quis lhe ver. – Ele deu de ombros. Sorri para ele. – Já jantou?
— Ainda não. Me acompanha? – Questionei, ao que ele aceitou de uma só vez. Aquele trabalho começaria no dia seguinte. Elrohir pareceu achar uma boa ideia ter um tempo para preparar meu coração.
Acabei a noite depois de passar algum tempo com Sano. Vi Roran com a, agora esposa, no salão e senti um aperto no peito. Os dois obviamente tinham um sentimento um pelo outro que era quase palpável. Enquanto Sano continuava morno. Bom, nem tão morno, ele parecia mais confortável com contato físico, contanto que Elrohir não estivesse perto. Mesmo assim, não era como o casal em nossa frente.
“Pare de mentir para si mesma, então”
“Não estou mentindo, estou tentando aprender”
“Você já sabe, só ocorreu de se apaixonar por um grande cabeça dura”
Não respondi. Ele não estava errado. Ao mesmo tempo, não adiantava passar o resto da minha vida buscando o amor de alguém que não me queria. Com a atual situação, eu nem sabia se sobreviveria tempo suficiente para tudo isso.
Acabei de comer e fui para minha tenda. Elrohir me deixou em paz enquanto eu trocava de roupa e me deitava. Amanhã eu teria o dobro de trabalho. Suspirei, rolando no catre até apagar.
Acordei no dia seguinte sem muita animação, mas me vesti e fui cumprir meus afazeres. Nasuada estava com pressa para finalmente encerrarmos o cerco em Feinster e tomar a cidade de vez. Ou seja, eu tinha menos tempo para entender aqueles documentos.
Assim que consegui concluir minhas tarefas, deixei Orun com a organização de nossa tropa e me recolhi. Desde meu retorno, o meu humor afastava as pessoas, principalmente de minha tenda. Pela primeira vez, aquilo seria bom.
Peguei o livro e somente um dos pergaminhos. Eu tinha que começar por algum lugar, então escolhi o que parecia mais gasto. Aidan tinha razão quando disse que seria difícil. O livro tinha diversas páginas com diferentes formas de se dizer ou escrever algo, muita história, muitos termos. E nada parecia seguir uma ordem.
Foi um trabalho de horas e pouco rendimento. Ao final da primeira noite de esforço, eu só tinha entendido três linhas. Tinham muitas outras, com certeza. O pouco que eu descobrira dizia respeito sobre uma fonte de energia e poder pouco convencional. Tremi.
Foram cinco dias naquele ritmo. As minhas olheiras com certeza entregavam que eu não estava tendo os melhores descansos, mas dei uma má resposta para Orun e Sano e os dois decidiram me deixar em paz.
No sexto dia, eu tinha conseguido traduzir tudo. Algumas coisas pareciam construídas da forma errada, mas num geral era entendível. E minha boca secou lendo sobre aquilo.
“De forma geral estes podem ser utilizados como fonte de energia e para a melhoria dos poderes mentais, assim como manter a conexão entre dragão e cavaleiro, mesmo após sua partida. Estas joias são regurgitadas por seus donos quando estes acham necessário. Dragões mais velhos tendem a ter maiores eldunari, enquanto os mais novos tem versões menores e com menor poder. Ainda assim, o coração dos corações até do menor dos dragões atribui aos cavaleiros, ou quem os utilizar, grandes vantagens em combate.”
“Você sabia disso, Grande?”
“Eu não sabia o que era, mas sempre houve algo”
“Uma sensação?”
“Por ai.”
“Isso explica algo. Essa força toda que Galbatorix tem. O dragão dele não é o seu dragão original. Shruikan foi forçado a se conectar a ele. Ele poderia ter o eldunari do seu falecido dragão”
“Talvez, mas só um seria capaz de lhe dar tanto poder assim? E o garoto?”
“Murtagh. Ele disse que ele e Thorn cresceram fora do tempo. Será que por isso?”
“Parece a única razão plausível. Eu duvido que somente uma magia conseguiria o mesmo efeito.”
“Galbatorix não esconderia se fosse só uma magia. Todos sabem as coisas terríveis que ele faz com esse conhecimento. Dragões...quantas dessas gemas ele precisa de verdade para conseguir tudo isso?”
Elrohir não respondeu. Aquilo tornava tudo ainda mais assustador. Aqueles dragões realmente apoiavam Galbatorix? Possivelmente não, mas sem existirem fisicamente mais, eu duvido que eles tinham como se opor. O que tornava tudo ainda mais sombrio. Parecia impossível ganhar assim.
“Não desanime. Interpretar os outros dois deve ser mais rápido. Não temos muito mais tempo.”
Concordei, dobrando o pergaminho de novo. Nasuada precisava se preparar contra aquilo, apesar de que, dessa vez, nem mesmo eu imaginava como poderíamos ganhar.
“Bem, vamos ao próximo, então.”
E com isso eu desdobrei o segundo pergaminho e abri o livro, pronta para mais uma noite de leitura até a exaustão.
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