Notas iniciais
Sim, eu atrasei de novo, desculpas ;-; Tive o leve bloqueio e não sabia resolver. Algumas coisinhas dando errado então fugi de todas e vim escrever rs Espero que gostem ♥

A sensação de deixar Uru'bâen para trás me trazia uma nostalgia estranha, e nem um pouco agradável. Ainda assim eu estava livre daquele inferno e me via correndo na direção de Surda.

Meu estado era deplorável, mas era minha menor preocupação naquele momento. Eu tinha que me preocupar em chegar viva aos Varden, tinha que evitar os guardas pelas cidades também. Ou seja, eu evitaria todas.

Assim que me vi fora do alcançe, pelo menos por hora, decidi testar o tal selo. Consegui criar a pequena chama sem sentir aquela agonia anterior. A magia estava de volta. Umedeci os lábios. Tinha algo ali. Eu sabia que tinha, não era idiota, mas não estava em posição de tentar desvendar mistérios.

Retomei minha jornada poucos minutos depois. O sol já se escondia e eu não queria ficar vagando por ai no mínimo de roupas que eu tinha naquele minuto. Logo, eu tinha que chegar logo a Surda.

Foi uma noite sem lua, mas eu tinha um bom senso de direção. Eu simplesmente continuei na minha rota e decidi me orientar pela manhã para confirmar. Eu tinha me afastado muito pouco do meu objetivo original.

Três dias quase sem parar. Eu estava exausta, mas não abaixei minha guarda. Eu não tinha enfrentado aquilo tudo para ser pega de novo. Ao início do quarto dia, eu avistei-o no horizonte. O acampamento.

Metros nos separavam. Eu simplesmente queria correr até lá, mas minhas pernas mal sustentavam meu peso. Eu merecia o crédito por ter passado todos esses dias apenas com a pouca água que eu conseguia.

— Capitã? – Alguém provavelmente me reconheceu. Um dos meus homens deveria estar de prontidão na entrada. Ele correu ao meu socorro quando meu rosto bateu no chão poeirento, pedindo ajuda aos berros.

Acordei de novo com Aidan em cima de mim, o olhar preocupado, mas ainda cheio de seriedade. Pisquei, resmungando. Ele sorriu e se afastou um pouco.

— Parece que eu estava certo, você está bem.

— Aidan, oi. Eu consegui.

— Eu vi. Bem vinda de volta. Sentimos sua falta. Uns mais que outros.

— Sem enigmas sentimentais logo pela manhã. – Eu sabia que era manhã pelo calor dentro da tenda. Ele deu uma risadinha se desculpando e ficando de pé.

— Desculpe. Bem, Nasuada virá vê-la logo, imagino. Enquanto isso, deveria comer algo. Pedi para trazerem para você. – Só então reparei o prato ao lado da minha cama. Parecia apetitoso.

“Qualquer coisa é depois de dias sem comer.”

Tremi por inteiro. Como eu tinha sentido falta daquela voz retumbante soando por dentro de mim e complementando quem eu era. Sorri, emocionada. Aidan reparou e disse que me daria licença. Não prestei muita atenção.

“Eu estava ficando louco sem poder ir atrás de você. A humana escura veio me procurar e garantir que eu precisava me controlar.”

“E não se enfureceu com ela?”

“Claro que sim, mas sei ver a razão das coisas.”

“Eu senti tanto sua falta, Grande.”

“Precisa comer para se recuperar por inteiro.”

Sorri, finalmente iniciando a refeição. Elrohir permaneceu calado, mas ainda conseguia me sentir transbordando com todo seu amor em mim. E meu sorriso simplesmente não deixava meu rosto.

— Fico feliz em te ver tão sorridente. Quase apaga os últimos meses.

— Nasuada, olá.

— Precisamos conversar. Não quero que fique pensando em todas as dificuldades, mas…

— Ele virá por você. Não sei quando, mas ele a quer, Nasuada.

— Eu imagino. Um grupo sem líder se torna desorganizado. Mas saberão lidar sem mim. Temos algo mais urgente agora.

— Diga.

— Elrohir. Chegou aqui com suas marcas descobertas, e poucos homens a viram, mas…

— Podemos tornar público. Meu pai sabe. – Gelei um pouco quando notei a forma como o chamei de pai. Talvez fosse apenas o costume ganho após todo aquele teatrinho banal dele.

— Imaginei que ele tinha descoberto. Muitos dos nossos quase o fizeram. Se quiser se tornar uma figura como Eragon…

— Não quero. Eragon cumpre seu papel de herói da nação muito bem. Acho que não pode ser evitado mais, no entanto.

— Então entrarão no nosso próximo ataque. Quando atacarmos diretamente as muralhas. Vamos nos deslocar. – Ela deu a notícia com um certo impacto, mas não me incomodei. Pelo menos agora não teria que cobrir a maior parte da minha pele. – Pode ir ver Elrohir, não vou mais lhe impedir.

— Obrigada. – Acabei de comer rapidamente e me vesti novamente, pronta para ir encontrar meu melhor amigo. Ou melhor dizendo, a outra parte de mim.

“Oi, Grande” Ele me deixou acariciar seu focinho com toda empolgação, soltando um daqueles grunhidos de quem está se divertindo. “Senti tanta falta de você”

“Eu também. Aquele velho não perde por esperar.”

“Vamos, sem vinganças. Meu tempo lá não foi tão terrível no início.”

“Ele te enfeitiçou?”

“Ele retirou o selo mágico de mim, então não mais.”

“Hum, acho bom mesmo.”

Continuamos ali, matando saudade um do outro, até o sol atingir seu ponto mais alto no céu. Soltei-o, suspirando. Sorri e passei as mãos pelas suas escamas.

“Você vai poder parar de se esconder logo. Juro.”

“Se fosse te deixar feliz eu ficaria escondido minha vida inteira. Mas vai ser bom.”

“Sei que sim.”

Decidi deixá-lo e ir resolver minha vida. Tinham me chamado de capitã, mas eu nem sabia mais se ainda liderava qualquer coisa. Nasuada não tinha me dito nada também. Com os braços expostos, sai andando pelo acampamento. Recebi diversos olhares, mas descofio que seja mais pela ausência dos meus fios de cabelo compridos.

— Capitã. – Elwë. Olhei para ele, a expressão aliviada de quem recebia uma boa notícia. Sorri.

— Olá, Elwë. Quanto tempo?

— Mais do que o necessário. Bem mais. O que…?

— Estamos falando do meu novo corte ou das tatuagens?

— São marcas, para sermos precisos. Mas falemos dos dois. Foi Galbatorix quem o fez?

— Ele já sabe de Elrohir. Não importa mais se eu me escondo ou não.

— E o cabelo?

— Deve ser alguma moda real. – Eu tinha mesmo respondido aquilo? Bufei, passando uma mão pelos fios. – Humilhação.

— Parece mais provável. Bem, fico feliz que esteja de volta. E viva, o mais importante. – Ele sorriu, um afeto evidente tanto na voz quanto no rosto. Meu coração doía depois de ser rejeitado pelo elfo, mas eu podia me contentar com aquelas pequenas simpatias que eu ganhava.

— Obrigada. Se me der licença, preciso rever Nasuada.

— Não tem motivos para se preocupar por agora, mas fique à vontade. Ah, e Sano sentiu sua falta.

Concordei, suspirando. Sano devia estar arrasado depois de ter me deixado ser levada. Até ai, que culpa ele tinha? Fui até Nasuada e conferi se ainda tinha minha tropa. Ela concordou que eles não funcionavam direito sem ser sob meu comando. Agradeci, lisonjeada.

— Silbena...O pronunciamento será feito antes de partirmos. Não queremos ninguém se apavorando com um dragão desconhecido no céu.

Concordei, me sentindo estranha. Silbena. Aquele ainda era meu nome. Minha mente parece ter se esquecido disso, pois quase corrigi Nasuada dizendo que era Eleanor. Manias, provavelmente. Bem chatas.

— Sim, senhora. Com licença. – Sai da tenda, ainda incomodada com a forma que Silbena tinha soado aos meus ouvidos. Afastei a dúvida e fui repousar pelo fim do dia.

Notas finais
Até mais vê-los :3