The Secret Room
2 Um esconderijo
Notas iniciais
Após aquela forte união, Calebe estava com uma grande dúvida: compartilhar uma coisa sua com os outros, uma coisa que só ele, entre todos os alunos da escola, sabia que existia. Um esconderijo.
Era o parquinho, não o parquinho em si, mas havia um lugar lá que era demais, que impressionava muito a Calebe, e quando descobriu, era um dia comum como todos os outros:
Sua mãe foi até a escola para resolver alguns problemas e logo que chegou entrou na diretoria para conversar e Calebe, por achar aquilo chato, ficou do lado de fora. Ele saiu e seguiu até o parquinho e se sentou no banco para esperar... Tentou olhar para todos os lugares e investigar tudo que podia, até que viu uma pequena alça no chão, lá no canto, levantou do banco e foi examinar. Olhou, olhou, olhou e resolveu puxar aquela pequena alça, ele apalpou o espaço por perto da alça, se afastou um pouco e finalmente puxou. Uau, era uma espécie de buraco, era azulejado com pisos antigos e era todo empoeirado. Calebe não hesitou e com curiosidade pulou. O buraco quase cobriu Calebe e ele se agachou e lá em baixo havia um túnel, bem comprido, então, Calebe foi se arrastando até o final, enfim ele chegou, era um espaço grande, não muito alto, dava-se para sentar confortávelmente. Calebe ainda não sabia para que servia aquele lugar, mas a partir daquele dia, ele sempre ficava lá após o período das aulas, seja para pensar, estudar, fazer lição de casa ou simplismente passar um tempo, ele nunca pensou na possibilidade de levar alguém lá, mas quando ele, Gabi, Bia e Vini começaram a se tornar amigos de verdade, a possibilidade começou a se tornar real.
Você deve estar achando que Calebe não tinha amigos, mas ele era amigo da sala toda, por ser extrovertido e animado sempre. Mas quando precisava, ele ficava na dele.
Voltando ao assunto do esconderijo, Calebe pensou, pensou e pensou até que em uma manhã, Calebe entrou na escola decidido a mostrar o esconderijo a eles, então quando os encontraram disse:
– Pessoal, tenho algo para mostrar a vocês. Venham.
Um a um, foram entrando no parquinho e Calebe puxou a alça.
– Que lixo de lugar é esse? — Perguntou Bia, com nojo.
– Entrem para ver.
– Eu não vou entrar ai, deve está cheio ratos, baratas...
– Que barata o que Beatriz, esse lugar é ótimo para um esconderijo, já que todos ficam nos espionando.
Já convencidos, Gabi e Vini entraram.
– É só se arrastar até o final.
– Uau, é grande — A voz de gabi ecoava pelo túnel — Acho que havia um depósito ou algo do tipo.
Finalmente, Bia ficou curiosa e entrou, Calebe foi atras, fechando a abertura. Uma escuridão se exaltou.
– Vamos ficar no escuro mesmo? — Disse Beatriz.
– Não, tenho uma lanterna por aqui.
Calebe ligou a lanterna.
– Bem melhor, agora só falta um ventilador, está muito calor aqui.
– E por acaso você está vendo alguma tomada aqui, Beatriz? — Disse Gabi ironicamente.
– Calebe, quando descobriu isso?
– Antes da gente se unir (?) Não sei, antes passava um tempo aqui, mas acho que a partir de hoje será mais útil, não é?
– É perfeito, agora podemos pensar em um monte de coisas sem aqueles chatos ficarem nos observando!
– Como códigos! — Sugeriu Vini.
Eles estavam tão envolvidos que desta vez ignoraram o sinal e ficaram lá durante o período de aula inteiro conversando, rindo, brincando ou apenas admirando aquele lugar maravilhoso, eles fantasiavam muitas coisas ali. Como Gabi disse, era perfeito.
Os dias se passavam e todos já estavam cansados de resolver as coisas como: apagar colas de prova da mesa, ou então resgatar materiais dos professores e salvar alguns alunos de ir até a sala do coordenador. Enfim, estava virando uma chatice, até que começaram a recusar os convites para resolver as sujeiras e eles, pouco a pouco, se afastaram e já não havia aquela união.
Certo dia, Bia parou Gabi na hora da saída e perguntou:
– Posso falar com você, como melhores amigas?
Gabi ficou meia perturbada com a pergunta e ficou em silêncio, após alguns instantes ela a respondeu.
– Er... Claro! Estou sempre aqui.
Elas se sentaram e Bia começou a contar sobre oque estava sentindo, Gabi ficou com ciúmes no primeiro momento, mas depois aceitou, fez algumas perguntas e depois que Bia terminou, Gabi se despediu, mas Bia a impediu de ir embora:
– Gabi, isso não foi uma declaração de amor ''via você'' e sim um pedido de ajuda, não tenho como desabafar se não for com você, quero nossa amizade de volta!
– Bom, fico feliz por ter lembrado que eu existo, mas amizade não se pede se conquista. Enfim, não posso fazer nada por você no momento... Desculpe, eu sinto muito mesmo. Até amanhã.
– Gabi... Não esquece do trabalho amanhã.
– É verdade, na sua casa depois das aulas, não é?
– Isso mesmo!
– Até mais Bia, preciso ir mesmo!
Bia não havia estranhado a atitude de Gabi, ela havia contado com Bia, e Bia nem sempre esteve lá para ajudar, sentia-se culpada por isso.
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