The Secret
2 01 - Prazer, Narrador.
Notas iniciais
Após a morte de Edgar e Tobitaka Seiya, as aulas foram interrompidas. Naquela noite, os alunos foram para as suas casas sem saber muito bem o que fazer, a maioria assustados. Lembro-me bem do caos que ocorreu, todos saíram correndo com o segundo tiro. Além disso, depois daquilo tudo, pude ver Haruna Otonashi aos braços do irmão, em estado de pânico.
Foi divertido de ver aquilo.
Oh, vocês não sabem quem eu sou, não é?
Bom, então devo uma apresentação a vocês.
Prazer, eu sou o seu narrador. Obviamente, eu estarei cobrando a vocês essa fatídica história cheia de segredos e escolhas. Minha identidade? Se-gre-do. Vocês podem achar que eu sou um dos “bonzinhos” da história, ou se sou um dos “malvados”. Na realidade, isso é com vocês sobre a definição entre esses dois. Não sei muito o que dizer sobre mim, mas eu gosto de blusas listradas e pessoas caladas.
Ou pessoas mortas.
Elas ficam em silêncio, não na magoam e parecem estar dormindo quando estão de olhos fechados. E de olhos abertos, parecem que estão olhando fixamente para o céu. Não sei explicar bem, mas uma cena de assassinato perfeita fala mais coisas interessantes do que as pessoas em geral.
Elas são bem interessantes e já viveram mais que muitas pessoas. Não gosto tanto de pessoas animadas, e já vi que tem algumas. Então, vamos dizer que não vão ser os personagem favoritos do narrador, assim como o seu olhar.
Um dos meus personagens favoritos é, sem dúvida, Ezra Estranho. Ele é um personagem calado, com poucas falas durante a história principal, mas seu silêncio pode dizer muito mais que qualquer outro.
Sentado com seu típico casaco preto fechado de capuz, com calças surradas e all star velho, o mesmo estava sozinho em uma das mesas da área do intervalo ao ar livre, perto de uma enorme árvore com folhas extremamente verdes em tons diferentes. O dia estava calmo e sereno, uma manhã adorável e quente. O mesmo lia na maior paz o segundo livro da saga Game Of Thrones, a versão de bolso, enquanto mordia os lábio inferior por mania.
Uns meninos o olharam e passaram por ele, sentando-se na mesa ao lado. Ezra olhou o grupo, mais especificamente um garoto de cabelos verdes ao lado de um menino ruivo.
Eles se entreolharam, Ezra deu um aceno com a cabeça e Midorikawa um sorriso discreto, voltando a suas vidas.
Uma amizade estranha e pequena crescia aos poucos e florescia, mas ao mesmo tempo uma grande quantidade de vergonha na cara de Midorikawa também faltava. E isso dava até para notar pela a conversa dos meninos a respeito de Ezra.
— Ah, esse menino não morreu não? — perguntou um garoto de cabelos albinos e olhos azuis, sem muito interesse. Suzuno Fuusuke. — Houve boatos que ele se matou esse recesso que tivemos após a morte do Edgar e do Tobitaka, mas parece que eram mentira.
— Ele é uma praga, não vai embora tão cedo. — disse Nagumo Haruya, um garoto ruivo de olhos amarelos que vive ao lado de Suzuno. — Minha vizinha falou que ele matou três filhotes de gato preto para fazer um ritual. Viram-o levando uma caixa com filhotes minúsculos para casa.
Midorikawa, naquele momento, pensou em defender, dizendo que Ezra não consegue nem matar uma mosca, imagine os quatro gatos filhotes que tinha trago para casa e batizado com o nome dos principais de Harry Potter, mas quando Saginuma Osamu, conhecido como Desarm, caiu na risada e o olhou, o mesmo apenas disse:
— Sério? Que horror. — disse o menino.— Ele merece ser punido pelo o que fez.
Desarm olhou Nagumo, que deram um sorriso diabólico. O de cabelos verdes mexeu no rabo de cavalo, fingindo não estar preocupado enquanto Suzuno colocou um pirulito de maçã verde na boca, olhando para trás.
— Oh, Hiroto já está com uma menina. — disse Suzuno, parecendo querer mudar de assunto. Ele olhou Nagumo, que respirou fundo.
— Inveja. — disse Nagumo Haruya deixando de lado o assunto sobre punição.
— Vou falar com os outros. — disse Desarm. — Em homenagem ao Tobitaka, deveríamos fazer isso.
— O que o Tobitaka tem a ver com o Ezra?
Desarm fechou o rosto e puxou Midorikawa para perto, cujo estava analisando como se estivesse fuzilando a menina ao lado do ruivo.
— Ezra e Tobitaka já dividiram o mesmo cigarro no início do ano passado. — disse Desarm fazendo o gesto que indicava o ato. Aquilo era gíria do grupo serem amigos próximos no passado, e tendo até mesmo uma suspeita de até terem sido amantes. — Eles brigaram alguns meses depois e o garoto jogou uma praga para aquilo ocorrer. O que é bem verdade, escutaram vozes em latim vindo do quarto dele no dia de sua morte.
Praga? Ei, ele acabou de me chamar de praga. Não sei se me ofendo com isso ou não. Afinal, esse menino é apenas uma pessoa que polui esse mundo até mais que qualquer coisa tóxica. Seria bom se ele morresse, e talvez do pior jeito que pudesse pensar...
Osamu olhou Midorikawa, dando um tapa em sua bochecha de leve. Desde que Tobitaka foi embora, o cargo de “líder” do grupinho acabou indo para ele, mas… Aquilo era cansativo, até mesmo para os dois seres totalmente opostos que estavam na frente dos dois.
— Ei, está olhando demais pra lá. — disse Osamu. — Está com ciúmes?
Midorikawa voltou a realidade e o olhou com cara de nojo, o empurrando enquanto os outros dois riram.
— Parece que sim. — falou Nagumo.
— Socorro, colocaram vodca no bebedouro ou está todo mundo louco hoje? — perguntou Midorikawa levantando-se e socando Desarm de leve no ombro. — Eu não gosto de homens.
— Mas age que nem uma bicha. — disse Desarm se levantando mexendo no celular.
— Eu não sou bicha. — disse Midorikawa.
Desarm saiu sem falar mais nada, mexendo no celular e empurrou a cabeça de Ezra para bater contra o livro, o que fez o mesmo não falar nada e continuar a sua leitura. No entanto, insatisfeito por não ter o irritado a ponto de explodir, Desarm olhou a lixeira que tinha no local e a abriu, pegando-a e jogou em cima do mesmo, o que fez todos em sua volta rirem, até mesmo Nagumo, que deu um agudo tão alto que assustou a todos.
Suzuno revirou os olhos, dando um breve riso.
— Já estava demorando para alguém jogar lixo nele essa semana. — disse baixinho mexendo no celular.
Midorikawa deu uma risada de canto para fingir que não fosse o único que estava preocupado no momento, e olhou Ezra, cujo retirou a sujeira do livro e se levantou, o olhando pelo o canto do olho e indo para o banheiro.
— Ah, não, você não vai fugir. — disse Desarm indo atrás de Ezra e chamando os outros quatro e mais uns amigos de outra mesa.
Naquele momento, podemos perceber como o mundo é realmente cruel. Ezra Estranho era o mais inocente daquele escola toda, se bobear, e era o que mais sofria por conta daquilo. Desde que Kiyama Hiroto o deu um tabuleiro de Ouija no amigo oculto e o apelido“Ezra Estranho” se viralizou, o garoto mal respira em paz.
Depois de tentar fugir deles, Ezra foi espancado no banheiro que normalmente ele tinha certa paz e silêncio na maior parte do ano. Suzuno e Nagumo não fizeram nada, apenas ficaram dois minutos ali e saíram, com o albino puxando o ruivo pela a gola da camisa para não fazer nada estúpido. De resto, o que era sete no total, o fecharam no banheiro e começaram a bater no garoto junto a Desarm, enquanto Midorikawa apenas ficava observando com um aperto no coração, principalmente quando o de cabelos negros o olhou e esticou a mão.
E a única coisa que o de cabelos verdes fez foi sair rapidamente para que Desarm não soubesse que ele estava andando com aquele tipo de gente, poderia ser ruim para a sua reputação e não queria ser espancado sempre como Ezra Estranho era.
***
— Dimitri. — chamou Fudou com as mãos no bolso.
Em outra parte do colégio, sendo essa dentro do mesmo e na sala de estar da escola, um garoto que parecia uma calopsita não tão adorável com aquele moicano meio torto chamava a Madonna adotado que foi achado na caçamba de lixo.
O mesmo levantou o olhar, enquanto fazia uma bola com o chiclete que estava em sua boca, jogando algo no celular que ele pausou e entregou a Mike White ao seu lado, no qual começou a jogar na hora enquanto falava coisas em inglês com um sotaque enorme de australiano. A bola de chiclete estourou e o garoto passou a língua nos lábios para descolar o chiclete, logo olhando Fudou.
— Fudou. — disse o mesmo cruzando os braços e sorrindo brevemente.
— Sua irmã, naquele dia da festa, deixou esse brinco cair. — disse o mesmo o entregando o brinco longo prata. Dimitri o olhou.
—Legal. A minha irmã está na sala de dança.
— Você não poderia entregar para mim?
— Eu estou jogando agora, e a Irene está de mal humor, então… — Fudou revirou os olhos e jogou em Dimitri, saindo andando. — Adorável esse menino. Mike, leva lá.
— O QUE? — exclamou Mike perdendo no jogo e o olhou, negando. — Está maluco? Aquela menina me fez o meu cu fechar de modo que não passasse nem átomo.
— Ah, Mike, minha irmã não é tão ruim assim. Vai lá.
— Não, eu tenho amor a vida.
Hasuike, a garota que estava lendo um livro ao lado dos dois, fechou o mesmo e retirou os fones, olhando o mesmo e estendendo a mão.
— Eu levo. — disse a mesma respirando fundo e Dimitri sorriu, a entregando o brinco e a mesma se levantou, saindo andando do local. No mesmo momento, Kabeyama chegou ao local com uma câmera em mãos, sorrindo e sentando-se do outro lado do Madonna.
Mike, um ser curioso de nascença, lançou-se em cima de Dimitri, um garoto que tinha acabado de conhecer a uma hora, e pegou a câmera da mão de Kabeyama, olhando o que tinha gravado. Uma garota magrela e aparentemente alta, usando uma blusa larga e legging preta com tênis da mesma cor,uma roupa comum para que vai dançar, e assim ela começou a dançar com a maior calma e beleza a música “Look What You Made Me Do”.
— Você filmou a Irene? — perguntou Mike e Dimitri olhou.
— Sim, ela queria ver como estava dançando, então eu a filmei para mostrar. — disse Kabeyama sorrindo. — Sai de lá agora.
Dimitri cruzou os braços, e quando ia falar alguma coisa, eles começaram a escutar uma discussão, o que chamou atenção até de mim, que estava tranquilo fazendo minha lista enquanto de mortes sentado no sofá bem mais perto que eles imaginavam.
Se eles soubessem que sou eu, naquele momento, sentado com as pernas dobradas e escrevendo em meu caderno, o que eles fariam? Sairiam correndo? Me matariam sem dó e nem piedade? É divertido pensar nisso quando já tem tudo preparado, nos mínimos detalhes, para a maioria dos principais telespectadores desse show de horrores.
— ME SOLTA! — gritou uma garota enfurecida. Mike olhou a cena, vendo uma garota de cabelos curtos e castanhos claros se afastar a cada passo de um menino. Aquela era Aki Kino e o menino que ela estava brigando era seu namorado, Ichinose Kazuya.
— Por favor, Aki, para de gritar e me escuta! — exclamou o garoto.
— Eu vi tudo, Ichinose, não tem o que explicar ou escutar. — disse Aki.
Dimitri revirou os olhos e voltou a mexer no celular.
— Que desnecessário. — disse Dimitri revirando os olhos enquanto colocava o dedo para desbloquear o celular para jogar e Mike voltou a ver o vídeo, assobiando. Logo Kazemaru chegou perto deles, olhando diretamente para a câmera e começando a assistir.
— Ela dança muito bem. — disse o garoto sorrindo.— Ela é o que todos consideram perfeito, mas a personalidade estraga. Que pena.
Dimitri nem retirou os olhos do celular, enquanto Kabeyama olhou o azulado.
— Que bom que não se interessa, é muita areia para o seu caminhão.
— Ela me parece perfeita.
— Não existe mulher perfeita. — disse Mike.
— Eu ainda estou a espera de uma. — disse Kazemaru sorrindo e Dimitri caiu na risada.
— Ah, por favor, pare de ser tão sovók¹. — disse Dimitri e Kazemaru fez uma careta com a palavra em russo. — Homens ficam esperando a mulher perfeita, e as mulheres ficam esperando o homem perfeito… Quando vamos acordar e notar que aqui não é Disney?
Kazemaru olhou Kabeyama que sorriu brevemente.
— Dimitri está Lispector hoje.
— Estou. E, com isso… — ele empurrou Mike para sair de cima dele, levantando-se. — Vamos para o Jardim da Paz? Quero ter inspiração para filosofar hoje.
Os três meninos deram de ombros e o seguiram com calma, sem muita pressa, em direção ao finalmente aberto Jardim da Paz, no qual fica no telhado da escola, e seu nome mesmo é “Jardim Tobitaka-Valtinas”. Finalmente aquele maldito jardim tinha ficado pronto, e ficou bonito mesmo.
Olhei a briga de Aki e Ichinose acabar e a garota se sentar no sofá da sala de estar da escola, passando a mão no rosto. Natsumi e Fuyuka foram até ela, a consolando passando as mãos em suas costas.
— Porque a Rika? Porque? Eu achei que ela era minha amiga. — disse Aki.
No entanto, todo o local parou com a entrada de Haruna Otonashi no local, que estava mais pálida do que já era, ao lado do irmão Kidou Yuuto. Aki limpou as lágrimas e se recompôs, correndo para cima da melhor amiga com um sorriso no rosto ao lado de Natsumi e Fuyuka.
Haruna tinha encontrado o corpo de Tobitaka e visto Edgar se matar, e teve um ataque de pânico assustador. Ela realmente não conseguia se manter em pé por maior parte do tempo e, de acordo com algumas fofocas, ela ficou um dia todo de cama chorando, sem saber o que fazer. Pelo o jeito que ela está agora, foi uma boa ideia ter uma semana de recesso.
Os corredores e assuntos do local se tornaram a pequena garota de cabelos azuis escuros ao lado de seu irmão, dizendo o quão ela deve ter ficado assustada quando viu aquela cena, e logo após esses comentários, começavam a falar de Edgar e Seiya. Oh, Valtinas ia adorar ser o assunto número um da escola. Com certeza.
“Pobre Haruna, tão boa. Não merecia ver aquilo.” Esse comentário despertou o meu humor em cima da pequena Otonashi.
Pobre Haruna, ela merecia tanta pena e piedade de outras pessoas? Porque ao meu ver de Narrador, ela é a verdadeira bitch do local.
***
Dimitri tirava algumas fotos enquanto Kabeyama e Mike ficavam brincando com a câmera e fazendo várias caretas e documentários, deixando Dimitri levemente irritado e Kazemaru ficava rindo daquela irritação. Do outro lado, Megane e Kageto estavam olhando com a maior satisfação do mundo para o local, felizes por tudo ter dado certo e orgulhosos por aquilo ter tudo começado com uma ideia pequena de ambos que eles nem sabiam que ia dar certo.
Sentaram-se em um canto, perto do canteiro de flores amarelas adoráveis e sorriram, enquanto Megane tirava uma foto. Shadow, como Kageto era chamado, sentiu o cheiro das flores no local, feliz.
— Esse jardim realmente trás uma paz de espírito.
Megane concordou.
— Que essas flores façam aqueles que têm o coração perturbado por algo se acalmarem.— disse Megane e Shadow o olhou arqueando a sobrancelha. — Foi o que a professora Hitomiko falou, eu estava apenas tentando filosofar e…
— Não deu certo. Mas sim, espero.— disse Shadow sorrindo. — Que o Jardim da Paz seja realmente uma paz nesse colégio, que é um local bom para uns e péssimo para outros.
Aquela declaração me deixava meio triste pelo o que estava por vir. Dimitri chamou os dois para colocar uma foto no instagram de ambos, e os dois o olharam, fazendo alguma pose aleatória. Depois daquela foto, Dimitri reclamou de fome e desligou a filmadora de Kabeyama após dar um dedo do meio para a mesma.
Aquele dia passou rápido. Teve a tarde, uma hora antes do almoço, o boas-vindas no auditório, onde explicava as coisas do colégio aos poucos. Depois disso, com a tarde livre, as pessoas foram se socializar, e outras apenas ficaram trancadas no banheiro por algum motivo o outro.
O jardim da paz teve muita visita de casal a tarde, e após fechar, a de Ichinose e Aki. Eles já não eram um casal tecnicamente, mas pareciam estar ali escondidos para fazer as pazes, o que me divertiu demais.
Parecia que estava vendo um drama de baixo investimento, aqueles onde que os atores são todos ruins e o cenário é uma droga junto com a história, mesmo que o tema dela em si seja ótimo. Estava tão chato que eu tive que dar algo a mais, e tinha que ser algo bem feito.
E foi bem feito, olhem só:
Um assassinato. Enforcamento.
Local? Jardim da Paz.
Ah, sentiram a ironia? Eu a amei.
É engraçado a coincidência, vamos ser honestos.
O assassino matar a própria namorada, cujo disse naquele mesmo dia que tinha vontade de a matar por ser tão irritante e até mesmo fizeram o maior pagamento de mico a vista de tanto brigarem. Analisei o desespero do atual assassino com um sorriso no rosto, logo começando a guardar aquele crime. Ele cavou um buraco enorme no jardim da paz sem danificar as flores e colocou o mesmo ali, “olhando” para o céu.
Ah, Aki Kino, as estrelas não estão lindas? Pena que, logo, você estará soterrada e sendo admirada pela as raízes das flores. Mas não se preocupe, eu irei às admirar por você.
E foi isso que aconteceu: Ichinose colocou tudo de volta, colocou as flores e viu se tinha alguma falha, logo saindo após limpar qualquer vestígio. Depois daquilo, desci as escadas com ele e decidi o deixar em paz, o deixando sem memórias do que fez e achando que teve mais uma de suas crises de sonambulismo.
Voltei ao jardim, respirando fundo e me sentando perto de onde a Kino estava. Analisei várias coisas, arrumei os vestígios do crime. Além do mais, seria interessante que todos descobrissem o corpo da mesma só depois de todos acharem que ela está desaparecida.
Devesse fazer Haruna, sua melhor amiga, a encontrar? Seria bem engraçado a reação assombrosa da mesma, que já não tem seu psicólogo bom devido a mesma ter, sem querer, visto a cena de Edgar e Tobitaka.
Talvez eu sou um tanto cruel, mas não é como se eu não tivesse avisado. Afinal, eles não sabem realmente do que eu sou capaz. Ou o que passei. Na realidade, como você pode me julgar? Você não sabe quem sou eu, muito menos o meu nome.
É, ser um narrador anônimo é um pouco chato.
***
Eram onze horas da noite quando Midorikawa conferiu que Hiroto estava dormindo e saiu do quarto, indo em direção a saída do dormitório e passando para ir ao banheiro onde Ezra provavelmente estaria, onde normalmente as pessoas vão para fumar ou fazer coisas ruins, como bater uns nos outros.
Ele tinha mania de ir lá para olhar pela a janela no alto da parede algumas estrelas enquanto pensava na vida, se acalmava e colocava um cigarro na boca, mas sem o acender. Dificilmente Ezra acendia o cigarro, ele apenas ficava com aquilo na boca por um tempo e jogava fora. De acordo com ele, era um jeito de fazer algo que mata, mas não estar realmente se matando.
Entrou no banheiro, e a primeira coisa que viu foi o garoto com o cigarro entre os dedos, soltando a fumaça pela a boca de uma forma levemente atraente para seu ver, ou ao ver de qualquer um. Ezra Estranho, se não fosse “estranho”, seria realmente um galanteador. Tem o rosto de um.
Seu rosto estava todo machucado, com uma marca na bochecha esquerda, dois machucados nos lábios e um machucado na cabeça cujo ele já tinha feito um curativo. Midorikawa foi até ele, que apenas revirou os olhos e levou o cigarro até a boca. Uma treta estava por vir.
—Ezra… — começou Midorikawa, encostando levemente em sua bochecha e o garoto grunhiu levemente de dor, o empurrando com o braço. — Me desculpa.
Ezra o olhou seriamente, fechando o punho. Logo apagou o cigarro com a água da pia e jogou na lixeira após o embrulhar com papel higiênico, e o mesmo olhou para a janela.
— Cala a boca, Midorikawa.
— Eu realmente queria lhe ajudar no momento, mas...—ele parou, vendo que as mãos dele estavam cobertas de band aid e machucados, como se ele estivesse lutado com Desarm. — Eu não sei, fiquei com medo.
— Claro, quem iria querer fazer algo que poderia acabar o condenando a mesma situação que eu passei? — perguntou Ezra com calma em suas palavras, mesmo que pudesse sentir um pouco de dor nelas. O de cabelos verdes, no qual estavam soltos por ele ter esquecido de amarrar antes de vir, pegou a mão do garoto e a analisou.
— Eu… Por favor, me perdoe.
O menino estranho ficou sem responder por um tempo, enquanto o garoto fazia um leve carinho em sua mão. Por um momento acreditei que ele falaria que estava tudo bem ele ter corrido e tecnicamente o deixado para morrer, mas assim que ele afastou a mão de Midorikawa da dele, me senti aliviado.
— Porque? Você estava fazendo apenas o seu papel de péssimo amigo. —disse Souji com firmeza na voz, que antes estava um tanto falha. Ele chegou mais perto do garoto. — Se é que eu podia lhe classificar como amigo. Alguém que sente vergonha de falar comigo.
Ele se afastou e desceu de cima da pia, colocando as mãos no bolso da calça moletom azul marinho que usava, o olhando.
— Estou indo.
Midorikawa fechou o punho e abaixou a cabeça. Ele sabia e todos sabiam, não precisava ser Freud para entender, que o de cabelos verdes que mais pareciam algas marinhas na cabeça de alguém mereceu aquilo.
— O que eu posso fazer para recompensar? Para você me perdoar? — perguntou Midorikawa o pegando pelo o pulso, mas logo soltando quando o garoto respirou fundo como se tivesse sentindo dor no local. Afinal, ele foi espancado, talvez estivesse doendo até em lugares que ele nem sabia que existia.
— Me trate como um amigo, como você me trata quando estamos sozinhos, e não como um conhecido que apenas sabe o nome por causa dos boatos. — disse o garoto continuando a andar. — Ou sei lá, não quero ter amigos por pena, principalmente se essa pessoa for você. Porque, honestamente, eu que tenho pena de você.
O Ezra Estranho deixou aquelas palavras ecoaram na cabeça de Midorikawa, que tinha acabado de perceber que tinha acabado de perder uma das maiores amizades que ele tinha feito naquela vida. O garoto de cabelos escuros era estranho, mas não merecia aquilo.
Ele respirou fundo, olhando as estrelas pela a janela. Estavam tão lindas.
Olhou para o chão, vendo a foto de uma garota sorrindo com fones de ouvido enormes e azuis claros, e ela parecia estar se divertindo. Ele pensou um pouco, e logo lembrou quem era: Lorelai, irmã de Ezra.
Ela era realmente bonita, e parecia tão feliz naquele dia. Lembrava-se do menino dizer que essa foi a última foto de sua irmã, antes dela ser encontrada morta no banheiro da casa. De alguma forma, ela tinha se suicidado… Ou pelo menos foi o que a polícia disse para todos, e com o tempo a história de Lorelai foi apagada da mente de todos, como uma palavra errada escrita a lápis.
Ah, vocês sabem como funciona o esquema melhor que qualquer um: A autópsia diz algo, mas dependendo da quantia do dinheiro, a polícia diz outra e o caso se encerra por ali.
Opa, mas porque eu estou falando isso? É, eu tenho que aprender a segurar a boca enquanto narro, mas acho que com o tempo eu vou me acostumando e vocês, caros espectadores, também irão.
Naquela noite, Midorikawa não dormiu direito, em compensação Aki dormiu como se estivesse morta. E quando amanheceu, todos começaram a se arrumar para mais um dia normal na escola.
Ou pelo menos eles achavam que seria. Mas infelizmente, eu teria que aumentar mais um pouco o desespero para conseguir o que eu quero, e já sabia quem seria a pessoa a descobrir.
Oi? Quem é a pessoa? Ah, o nome dela é Amelia Grey, eu realmente gosto dessa garota. Afinal, ela é cuidadosa e sabe se defender, já que tem até uma arma de fogo para isso. Ou… A arma poderia ser usada de outra forma, vocês não acham?
Fale com o autor