The Secret
16 Magoa
Cap. 15 – Magoa
Riza dormiu até quase as dez horas da manhã e quando acordou resolveu descer para comer alguma coisa, Roy provavelmente havia avisado que ela estava na casa.
- Um novo começo.
Um singelo sorriso brotou nos lábios da mulher que ainda estava com as roupas da noite anterior.
Desceu as escadas, silenciosa e quase morreu de susto quando deu da cara com a morena que lia sentada no grande sofá da sala.
- Oh!
- Bom dia, Riza!
A morena a recepcionou com um sorriso.
- Pode relaxar, não vou bancar a cunhada chata que empata a vida do casal, só estou aqui porque o Roy pediu para eu ficar de olho em você.
- Imagine, eu só me assustei.
Riza caminha em direção a morena.
- Acho que não fomos devidamente apresentadas, Elizabeth Hawkeye.
Riza estende a mão.
- Na verdade eu sei muito sobre você, sabe, você é o assunto favorito do Leroy.
- Nossa! Melissa...?
- Melissa Schelby, prazer.
Depois de um a perto de mão as duas sentam-se no sofá.
- Seria muita indiscrição perguntar sobre sua relação com o Roy?
- Não, você já é da família.
Riza sorriu ao ouvir aquela frase.
- Nossa! O Leroy tem razão, você é muito certinha, muito apegada às convenções.
- Prefiro o termo reservada.
- Que seja então, mas o que exatamente você quer saber?
- Quando você soube do Roy?
- Bem, isso deve ter uns sete anos, eu estava no escritório do meu pai, lá em casa, mexendo em algumas papeladas velhas quando achei uma foto dele com uma mulher muito bonita que não era minha mãe...
A mulher a frente de Riza era muito bonita, os fios negros e lisos combinavam perfeitamente com a pele clara e os olhos azuis.
Era muito parecida com Roy, ou no caso dela ser mais velha, ele ser parecido com ela.
- Perguntei quem era a mulher e ele desconversou e perguntou onde eu havia achado a foto... Nossa! Ele ficou uma arara! Isso me deixou intrigada, eu mexi os pauzinhos e descobri quea mulher era Jaqueline Monserrat, uma das garotas da conhecida Madame Christmas.
- Ligar uma coisa a outra não deve ter sido difícil.
- Não foi, logo após descobri que a tal Jaqueline teve um filho e morreu no parto e que o pai da criança era um figurão... Meu pai.
- Deve ter sido um choque.
- Não pelos motivos que você deve estar achando, eu nunca fui boba, meus pais brigavam muito e muitas dessas brigas eram por causa de mulher... Não foi tão chocante descobrir um irmão, o pior foi saber que meu pai quis dá-lo a adoção.
- Você tem bons informantes, altos militares já tentaram descobrir algo sobre a vida do Roy e não acharam nada.
- Pagando bem e as pessoas certas você descobre qualquer coisa, mas voltando, eu contei ao meu pai que sabia de tudo, brigamos muito feio, mas eu não desisti de conhecer o Roy, mas primeiro fui a madame...
- Hn.
- Marquei um encontro com o Leroy em uma cafeteria... Acredita que ele achou que eu queria alguma coisa com ele, chegou mandando o maior charme.
As duas riem.
- Se não fosse assim, ele não seria Roy Mustang.
- Mas isso não quer dizer que ele não falasse de você. Eu me apresentei e depois de um choque, começamos a falar um pouco de nós e você ocupou boa parte da prosa.
- Não precisa mentir...
- Não estou! O Roy sempre teve uma admiração muito grande por você, só não sabia que isso também podia ser chamado de amor.
- Nossa! Mas e seu pai?
- No norte. Já se aposentou, mas não quer saber muito da vida fora de suas fazendas de eucalipto.
- O Roy nunca quis tentar uma aproximação?
- Não. Nunca. Ele considera muito seu pai...
- Meu pai pode não ter sido um pai para mim, para o Roy foi.
- Mas não falemos de coisas desagradáveis, vamos comer alguma coisa? Você deve estar com fome?
- Sim.
- Bem, acho que os empregados foram dispensados, o Leroy não quer platéia até vocês acertarem tudo o que tem que acertar...
- Não vai me dizer que você também é um desastre na cozinha, como seu Irmão.
- Olha o respeito! Fui criada para ser uma moça prendada! Mas não espalha!
- Eu sei como é! Aventais rosa não impõem respeito!
- Porque esse povo não sabe como uma frigideira pode ser perigosa.
As duas riem e vão para a cozinha.
-
-
Já se passava das quatro da tarde quando Roy chega em casa. O silencio o fez pensar que Riza ainda devia estar deitada e a irmã em algum lugar da casa.
Deixou o sobretudo sobre o encosto do sofá e subiu as escadas para seu quarto, queria ver como sua Riza estava e perguntar a irmã, como ela havia passado a tarde.
Entrou no quarto com cuidado, mas coisa que não teve utilidade já que Riza não se encontrava ali.
- Ué, cadê a Riz?
Um barulho do terceiro andar chamou-lhe atenção.
Era melodioso e bem tocado, parecia música clássica.
Caminhou pelo longo corredor que dava para um ateliê que pertencera ao antigo dono da casa onde havia um piano que Roy não havia mandado retirar.
- Caramba, Riz! Você toca muito bem!!
- Que nada! Faz um século que não mexo com isso...
- Talento é talento querida!
- Muito bonito! Eu lá preocupado e vocês duas aqui!
As duas mulheres olham para trás.
- Oi para você também, Leroy!
- Oi...
Roy segurou o queixo de Riza e lhe deu um beijo seguidamente se levantou e deu um beijo na testa da irmã.
- Não sabia que tocava.
Ele se sentou no banco ao lado de Riza.
- Meu pai não tinha muito tempo para mim, então horas livres não me faltavam quando eu ficava no colégio aos fins de semana.
- Eu ainda quero te ouvir tocar uma hora.
- Uma hora... Como ficaram as coisas?
- Sobre?
- Gabriel...
- Foi enterrado e o caso foi encerrado.
- Onde?
- Por que você quer saber?
- Eu gostaria de levar flores...
- Flores?? Para aquele maluco que tentou te matar?
- Eu sei, mas eu não posso esquecer que foi o ombro dele que muitas vezes agüentou meu choro.
- Não me interessa! Eu não vou te falar isso!
- Roy!
- Não! O que você tem que fazer é esquecer aquele maldito!
Roy sai pisando alto.
Saber que Riza nutria algum sentimento bom em relação a Gabriel o deixava possesso, só porque ele a consolou algumas vezes não queria dizer que ele era uma boa pessoa.
O moreno entrou no quarto e foi para o banheiro tomar um banho frio para ver se a raiva passava.
Saiu do banheiro com um roupão preto e com uma toalha em volta do pescoço.
- Eu não entendi o por quê de tanta raiva.
Riza estava sentada na beirada da cama.
- Você tinha que abominar esse homem, não quer levar flores no túmulo dele.
Ele se sentou ao lado dela.
- Você preferia que eu fosse uma mulher amargurada?
- Não...
- Então?
- Você não pode ter algum sentimento bom em relação a alguém que te fez tanto mal.
- Se fosse assim, eu não levaria flores ao túmulo do meu pai e com certeza não poderia te amar.
- Mas eu nunca te fiz nada...
- Não querendo, mas quem foi o filho do meu pai foi você. Eu podia muito bem te ver como um inimigo.
- É diferente, muito diferente!
- Mas eu podia te odiar e não te odeio. Eu podia amaldiçoar meu pai e não o faço. Então seria muito hipócrita da minha parte não perdoar o Gabriel.
- Quer dizer que você não guarda magoa nenhuma??
Ele estava indignado.
- Eu não disse isso. Eu só não quero passar o resto da minha vida com um sentimento de raiva e desprezo.
- Tudo bem, se você quer tanto isso...
Roy virou o rosto e se levantou, estava com muito ciúme de Gabriel, o cara nem depois de morto lhe deixava em paz. Tinha tanto medo de que Riza resolvesse ir embora...
- Roy...
Ela o segura pela mão.
- Hn.
- Eu te amo, não duvide disso, mas se você está assim porque duvida, é melhor eu ir embora.
O coração do moreno deu um pulo.
Ela não podia estar falando certo.
- Nem pense nisso!!!
Roy se virou para ela.
- Eu só estou inseguro...
- E o que ele pode fazer? Está morto!
- Desculpe, mas eu não quero perder você.
- E não vai...
Ela sorri.
- Mandei o Havoc no cartório hoje, e como ser o marechal tem suas vantagens, nos casamos semana que vêm.
- O que??
Riza dá um pulo para trás.
- Casamos semana que vem.
- Você não acha que isso é meio precipitado?
- Hn.... Não! Se eu pudesse apressava mais ainda os tramites.
- Mas... A gente podia esperar mais um pouquinho...
- Por quê?
- As estatísticas provam que noventa por cento dos casamentos que acontecem num período menor que um ano de relacionamento tendem a falhar.
- E nós nos conhecemos a muito mais que isso.
- É completamente diferente!
Ela se levanta de súbito.
- Mas o que as pessoas falariam?
- Eles acham que temos um caso a anos, não fará diferença esperar... Uns dois ou três anos.
- O QUE??? Três anos??? O QUE VOCÊ ANDOU BEBENDO AMOR??
- Ok, eu posso ter exagerado um pouquinho, mas esperar mais alguns meses não faria diferença.
- Faria sim! A gente casa!
- Mas...
- Mas nada!!! A gente casa!
Roy abraça a loira e lhe dá um beijo.
- Eu sempre pensei que eu teria de ser arrastado para altar, não a minha noiva.
Ele solta uma risada.
- Se o nosso casamento acabar em divórcio, a culpa será sua.
- E você acha que se livra tão fácil de mim? Vai nessa! Comigo é até que a morte os separe!
- Em que buraco fui me meter?
- Em um muito fundo!!!
Os dois começam a trocar carinhos e beijos...
Continua...
Notas finais
Espero que gostem e comntaem!!
Me façam feliz!!
Kisss
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