The Secret

22 Capítulo 22


-Mas, acho que ela gosta de sua serpente... – olhei-o apressadamente quase deixando a garrafa de água escapar de minhas mãos com seu comentário.

-Você acha? – falei indo até a pia e pegando um copo que estava no escorredor, já seco e fechando a porta com o pé.

-Não viu o jeito como se entrelaçaram naquele dia? – lembrei-me de ter ficado apavorada e suando frio ao ver duas serpentes se entrelaçando no tapete de minha sala.

-Sim, mas... – eu não tinha argumentos, mas esperava que ele me interrompesse e foi o que aconteceu.

-Isso não é normal Melany. Geralmente elas se atacam e não... – ele parecia não querer falar.

Então virei-me para a bancada da pia e enquanto eu colocava a água no copo disse desajeitadamente, não querendo encará-lo nos olhos:

-Trocam carícias? – ri de meu comentário.

-Acho que sim. – a voz de Matthew saiu séria, como se estivesse se lembrando de algo.

Virei-me e sentei do outro lado, ainda com os braços para fora da bancada.

Bebi minha água em silêncio enquanto ele evocava sua serpente para que voltasse a pertencer, literalmente, a ele.

Coloquei o copo na pia, respirei fundo, constrangida por ter acabado o assunto e eu ainda estar ali, parada, que nem uma idiota.

-É melhor eu ir deitar. – fui em direção a porta que ligava a cozinha e a sala, mas ele segurou meu pulso com força suficiente para me prender, mas não me machucou.

Eu podia sentir o calor de sua pele e a eletricidade que ele transmitia, me fazendo ficar nervosa, meu pulso acelerar e até mesmo controlar minha respiração para que não saísse alta e pesada demais, ele realmente mexia comigo, mesmo que fosse um mísero toque.

-Espere... Eu... – ouvi sua voz por trás de meu ombro e o fitei com os meus olhos bem abertos, esperançosa que ele dissesse algo como “Eu gosto de você” ou ”Você poderia ficar mais um pouco?”

Ele soltou meu pulso, respirando fundo e até um pouco chateado com alguma coisa.

-O que foi? – perguntei, inclinando a cabeça para o lado em ar de pergunta.

Ele realmente parecia chateado quando respirou fundo, cerrou os punhos, trincou os dentes e olhava para o chão fixamente. Por um momento achei que fosse para os chinelos, mas era algo além.

-Pode falar... – insisti, vendo-o com raiva, parecia de si próprio... Ou de mim?

-Eu... – ele falava pausadamente com dificuldade. – Não... Posso... – ele parecia querer continuar a falar, quando se sentou novamente no banco elevado da bancada e respirou fundo com dificuldade.

-O que não pode Matthew? – falei sentando do seu lado.

Estava começando a ficar realmente preocupada com ele, Estava nervoso, com raiva, chateado e até um pouco triste, mas se ele não me contasse eu não poderia ajudá-lo.

-Te contar! – exclamou ele com lágrimas nos olhos.

Ok! Eu realmente mesmo estava preocupada com ele. Não agüentava vê-lo assim, ele sempre se mostrava tão... Forte e intolerável e do nada muda tão drasticamente, algo estava diferente nele.

-Eu não contarei a ninguém. – falei baixo para ele sentir que eu não me abalei com sua exclamação, mas eu me abalei e muito.

-Todos podem saber... – ele fez uma pausa. – Menos você, Melany. – ele me olhou nos olhos e vi a sinceridade e meu reflexo em seus olhos verdes esmeralda.

Eu dei um sorriso.

-Eu consigo me ver perfeitamente em seus olhos. – sabia que não tinha absolutamente nada haver com que ele tinha dito, mas eu precisava dizer isso a ele e aquela me pareceu uma grande oportunidade.

Ele fechou os olhos e virou o rosto para mim, com as mãos trêmulas.

-Eu sei. – ele falou seguramente.

Surpreendi-me ao ver que ele sabia disso e evitou meu olhar exatamente por essa razão. Não sei como, mas eu sabia.

-Sabe? – falei com as sobrancelhas quase que juntas.

-Infelizmente. – minha auto estima foi despencada após ouvir essa palavra que eu não tive reação a não ser me levantar e ir em direção a porta.

Eu não queria mostrar que eu fiquei abalada, mas foi demais para uma noite só.

-Espere. – ouvi a voz baixa que soou de sua garganta arranhada. – Desculpe pelo que disse, é que eu não... – ele não completou e eu também não queria.

-Tudo bem. – sorri e olhei para suas costas másculas que me deu até vontade de pular nele e beijá-lo.

-Melany... – ouvi sua voz quando pus um dos pés para fora da cozinha.

-Diga. – parei e meu virei para encará-lo.

Ele estava de pé, com os punhos cerrados, olhos vidrados nos meus e uma postura tão máscula, instigante, apaixonante que quase fiquei sem ar.

Ele movia os lábios, mas eu não conseguia escutar uma só palavra a não ser um zumbido enorme que me fizeram agachar e por as mãos nos ouvidos, mas o zumbido estava em minha cabeça.

-Eu não consigo te ouvir. – eu podia sentir meus lábios falando, mas não escutava minha voz.

-Shhhhhh! – ele pos as mãos na boca e se aproximou de mim e pos suas mãos em minha boca.

Fiquei calada e aos poucos o zumbido sumiu e tirei as mãos do ouvido.

Ele estava agachado ao meu lado.

-Desculpe, é que... – comecei a falar, mas ele me interrompeu.

-Eu sei. – disse ele preocupado e com as sobrancelhas quase juntas.

-Me diga o que sabe?! – elevei a voz um pouco, indignada por ele só dizer “eu sei” e não falar do que ele sabe e eu não.

-Mesmo que eu diga, você não vai escutar, vai acontecer esse mesmo zumbido. – falou ele fulo ao se levantar e andar para um lado e para o outro.

-E por quê?! – me fiz dizer um pouco alto demais, me levantando e colocando as mãos na cintura.

-Melany, eu quero que ouça o que vou dizer com muita atenção. – falou ele vindo até mim, fitando-me.

Acenti e ele começou a falar rapidamente.

-Eu sou completamente, perdidamente, cegamente apaixonado por você Melany, mas não posso fazer nada quanto a isso por vários motivos e o mais importante é que nossa organização não permite.

Fiquei chocada com o que ele tinha acabado de dizer.

Uma onda de calor e frio invadiu meu corpo, me fazendo pensar que estava com febre, não conseguia mais engolir minha saliva, estava com borboletas no estômago, olhos esbugalhados, maxilar completamente cerrado, respiração rápida e me sentindo uma idiota por ele poder ver isso tudo vindo de mim.

-Como é? – conseguir cuspir duas palavras.

-Isso que ouviu, e tem mais... – tem mais?! – pensei. – Eu tenho uma ligação estranha com você, eu não sei explicar, mas sonho com você e às vezes suas frases vêm em minha cabeça, mas eu tento ignorar, mas está começando a ficar difícil, por que agora vêm pensamentos diretos e... – ele fez uma pausa para respirar. Claramente estava nervoso. – Eu particularmente gosto de te ouvir em minha mente. – ele deu um sorriso cortado. Como era sedutor... – pensei.

Ele deu um sorriso e pendeu a cabeça para trás.

Notas finais
Agora sim! Mais um cap para vocês S2