The Scourge (O Flagelo)
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Outono de 2005
Andy e John eram colegas já faziam muitos anos, 20 anos mais especificamente. Quando ambos se conheceram a esposa de Andy estava acidentalmente grávida, mas isso não impediu o jovem de seguir sua carreira. Quanto a John, já possuía mais idade na época em que formaram a dupla que logo viria a perdurar, e considerava Andy como seu jovem pupilo e não como um igual.
Mas a relação desses dois homens pouco importa para o real objetivo dessa história.
Ambos caminhavam pelas ruas da Califórnia rumo a um Asilo. Não era um asilo comum... Eles sabiam que algo de errado pairava sobre aqueles ares e a responsável por tal fenômeno era a senhora de 60 e poucos anos que ali residia, com seu passado obscuro que muito tinha a dizer sobre o que aconteceu com a Humanidade.
“Sabe cara, cada dia eu me convenço mais que isso é uma puta perda de tempo!” Exclamou Andy, dando uma tragada em seu cachimbo com tabaco barato.
“Eu duvido muito que essa velha tenha algo a ver com aquela bosta, ela é só mais uma cidadã querendo atenção judicial” continuou a resmungar.
“Não seja tão rígido, ela não tem família, ninguém a visita, pelo jeito nós somos os únicos que ela espera encontrar todos os dias pelo resto da sua vida, você não acha isso triste?”
“Sei que isso não é problema meu”
“É aqui não é? Acho que não viemos já faz uns 4 meses” disse John
“Eu não sei o que faz o chefe pensar que desta vez a velha vai abrir a matraca”
O Departamento dos cavalheiros era um tanto que peculiar.
DIF – Departamento de Investigações destinados ao Flagelo.
No dia 11 de Abril de 1974, uma grande parte de Nova York, Moscou, Berlim e Londres queimaram completamente, viraram cinzas, por meios e razões misteriosas, e a única coisa que foi vista pela primeira e última vez foi um grande Flagelo que devolveu tudo ao pó.
Milhões de mortos e feridos, ninguém sabe a razão, ninguém sabe o responsável, alguns acreditam que foi fruto de punição divina, e os mais céticos culpam as nações Terroristas... Mas infelizmente... esse não é um mundo de céticos, o medo e a superstição tomaram conta desta sociedade, instituições foram criadas para apoio às vítimas, cultos foram abertos para pedir perdão... Mas ao menos o mundo tinha finalmente alcançado a paz
“Gostaríamos de falar com a senhora Halley Hill por favor, somos do D.I.F”
“Certo, ela está esperando os senhores na mesma sala de sempre, boa sorte desta vez”
Os dois homens continuaram a avançar até chegar no quarto 102. “Toc-Toc” Andy bateu à porta
“Quem está aí?” respondeu uma voz tremula que soava de dentro do quarto
“Somos nós Senhora Halley, vai dizer que não reconhece mais nossa voz?” Disse John
“Podem entrar, desculpe, mas os últimos dias da minha vida tem sido bem perturbadores. Não é fácil levar a vida que levei e chegar a esta idade, não é à toa que todos que eu amava morreram jovens, não tiveram o desprazer de envelhecer com essas malditas memórias.”
“Não fale assim senhora Hill, a senhora tem 62 anos, ainda é jovem não vai morrer tão cedo” Falou Andy tentando contentar a pobre alma desprovida de esperança
“Talvez isso fosse verdade se meu exame de câncer não tivesse dado positivo.”
O silencio se fez no quarto por um minuto.
Não era um cômodo grande, era simples como um organismo unicelular, possuía apenas 1 janela virada para a rua, onde dava para se observar as árvores ficando sem folhas graças ao Outono.
Haviam fotos de um rapaz cujo a face era ocultada por uma máscara em cima do criado-mudo, entre outras imagens da época onde Halley Hill tinha apenas 20 ou 30 anos de idade, era uma moça alta e morena e muito bonita, algo que os detetives ali presentes nunca deixaram de reparar.
A cama estava bagunçada, e a Senhora estava sentada em sua cadeira de rodas, triste, olhando para fora, aproveitando para admirar a paisagem enquanto ainda podia, aliás, ela não sabia se existia algo parecido com aquela visão logo após a morte. Ela costumava ser uma mulher tão cheia de vida e intensa que a morte era a última coisa que costumava pensar.
“Precisamos recapitular algumas questões” disse Andy sacando seu bloco de notas e seu lápis que possuía uma borracha na ponta
“Podem perguntar, dessa vez responderei tudo” disse a senhora
Os dois homens se olharam com um ar de estranhamento, afinal, aquela senhora nunca havia colaborado devidamente com a investigação.
“Certo, então senhora Halley, como a senhora bem sabe, nós somos de um Departamento investigativo que foi criado propriamente para desvendar a tragédia que aconteceu nos anos 70... Então vamos perguntar mais uma vez... A senhora tem algum envolvimento com esse fenômeno? A senhora realmente sabe se “O Flagelo” foi causado por mãos humanas ou se é algo sem explicação...
“Paciência meu jovem, para explicar o que aconteceu, é preciso rever algumas questões metafísicas”
“Ela vai começar a enrolar mais uma vez” pensou Andy.
“Certo então...”
“A senhora fazia parte do grupo de vigilantes mascarados nos anos 60 certo? Mais conhecidos como Valetmen. Com que idade você ingressou naquele grupo?”
“Bom, eu era bem jovem, tinha 17 anos e o ano era 1960...” Quando parecia que Halley estava para começar a contar a história pelo seu ponto de vista, ela interrompe subitamente.
“Mas para explicar O Flagelo, devemos retroceder um pouco mais na história, afinal, quando eu ainda não havia nascido, os vigilantes mascarados que viriam a se tornar meus grandes amigos já haviam sido criados...”
“Desculpe mas... a Senhora disse “criados?”
“Exatamente.”
1941 – Em algum lugar da Europa Ocidental
Eram 5 Câmaras de vidro, 5 pessoas estavam dentro delas, e no braço de cada uma havia um número tatuado, bem como se fazia nos campos de concentração... Afinal os Nazistas adoravam tratar seres humanos como animais.
Dentro de cada cápsula havia uma pessoa nua encoberta por um líquido viscoso, com máscaras de oxigênio e diversos fios ligados ao seu corpo, elas estavam sendo observadas por homens de jaleco que seguravam pranchetas em suas mãos e faziam anotações enquanto conversavam sobre algo que os seres dentro das cápsulas não podiam ouvir.
Então... o Número 1 acordou de algo que parecia ser um longo sono...
Ele então percebeu que se queria sair daquele lugar vivo, deveria fingir que ainda estava em sono profundo. O que ele conseguiu ver no limite em que suas pálpebras poderiam ficar abertas era que estava em uma espécie de laboratório, e uma bandeira da suástica estava hasteada perto de sua cápsula.
O Número 1 não se lembrava de nada, nem de sua idade, nem do seu nome e muito menos de como acabou parando ali, suas memórias estavam igual a quando chegamos neste mundo... uma página em branco. Passou pela sua cabeça então que as outras pessoas também estavam na mesma situação
Ele observou seu reflexo pelo vidro da cápsula e concluiu que sua idade era entre 18 a 20 anos. Então ele olhou para a cápsula número 2 e lá estava um garoto alto e magro com cabelos escuros e ainda adormecido.
Quando seus olhos fitaram o rapaz flutuando entre o líquido, sua cabeça doeu intensamente, como se seu cérebro tentasse se lembrar de algo, um fenômeno que continuaria a acontecer ao longo dos anos sempre que via aquele mesmo garoto.
Na cápsula número 3 estava um homem de aproximadamente 30 (ou talvez 40) anos, ele não era muito alto mas tinha a aparência de um homem inteligente e inocente.
Na cápsula Número 4 estava um homem de 28-30 anos, loiro alto e forte, provavelmente com olhos claros graças a sua visível descendência Alemã
E finalmente na cápsula número 5, um homem de cabelos levemente crespos e castanhos, com seus 32-38 anos talvez, alto, e aproximadamente 1,88.
A natureza observadora do Número 1 o fez perceber que devido ao fato de todos eles estarem com os cabelos compridos e com os corpos devidamente mais magros que o normal, eles deveriam estar adormecidos há mais de 1 ano, e graças a essa conclusão uma forte emoção de impotência e ódio tomou conta do seu ser.
O rapaz então fora de controle começou a se debater, e os cientistas perceberam que havia despertado. Achando que de nada adiantaria ele desferiu um soco contra o vidro da cápsula e ela se estilhaçou completamente... que força era aquela? Aquilo era normal? Com certeza a resposta era “não”.
Ele logo percebeu que o vidro era extremamente grosso, reforçado, e provavelmente blindado, impossível de quebrar, ainda mais naquelas condições físicas.
Caiu no chão do laboratório, molhado e nu, uma situação extremamente constrangedora e logo se levantou para quebrar as outras cápsulas enquanto uma sirene extremamente alta começou a tocar, e uma luz vermelha e intensa piscava por todo o laboratório.
O pensamento estava mais acelerado... Ele sentia sua capacidade de raciocínio aumentando, tudo parecia em câmera lenta... ou será que ele estava mais rápido que o normal?
Logo vieram os guardas armados, e o rapaz instintivamente pulou entre eles antes que pudessem atirar e os desarmou, desferindo dois golpes mortais em suas colunas, matando-os antes mesmo deles caírem no chão... Ele tinha certeza que era a primeira vez que assassinava alguém, mas não tinha tempo para sentir remorso.
Parecia que diversas artes marciais foram automaticamente implantadas em sua mente... Ele havia se tornado um soldado perfeito...
Correu para as cápsulas e quebrou o vidro de todas elas, despertando as cobaias que caíram no chão ainda mais confusas do que ele. Então não pararam de vir guardas, e enquanto alguns se escondiam, outros percebiam suas capacidades sobre humanas e lutavam, movimentando-se em alta velocidade, socando e chutando os guardas Nazistas matando-os quase ao toca-los... Foi um verdadeiro massacre...
Eles se juntaram, não conseguiam falar direito... alguns tinham sangue nas mãos, outros estavam com expressão de horror, eles correram para saída, estava nevando lá fora
“Algum de vocês sabem aonde caralhos nós estamos?” disse o Número 4
“Pelo clima, suponho que estamos em algum lugar no Extremo-Norte da Europa, ou talvez na Sibéria” Respondeu o Número 3 como se fosse um professor.
Quando os dedos do Número 1 encostaram na neve, ele por algum motivo não sentiu frio...
Fale com o autor