The Scientist

37 Niamei I - "O começo do fim"


Notas iniciais
Bem, e queria dizer que sou um George R.R Martin que demora tempo demais pra escrever suas obras, mas eu sou uma escritora de quinta. Desculpem esse tempo toda na inativa. Um ano pra ser exata. Explico tudo lá embaixo. Perdoem erros esdrúxulos de gramática e ortografia, não sei se revisei muito bem.

21 de maio.

Deserto do Saara, Niamei, Níger.

Annabeth se remexeu no colchão e sentiu que algo estava errado: seu namorado não estava ali. Ela abriu os olhos lentamente sentindo a luz do sol incomodar um pouco enquanto procurava por Percy.

Não precisou se esforçar muito, ele estava sentado logo ali na sua frente.

Estava com as duas mãos na cabeça e os olhos fechados com força.

—Percy? -ela o chamou.

—Xiuu. -ele colocou um dos dedos sobre os lábios ainda com os olhos fechados. -Fale mais baixo, por favor. -as palavras saíram em um sussurro quase inaudível. -Estou com aquela maldita crise de enxaqueca.

— Oh, perdão. -ela pediu e começou a colocar sua roupa. -Tem algum remédio pra resolver isso?

— Sim, eu sempre carrego as minhas aspirinas comigo. -ele tirou uma cartela do bolso.

— Mas, meu amor, se sua enxaqueca é tão forte, um simples remédio como a aspirina resolve?

— Não. -Percy disse fazendo uma cara tristonha e ao mesmo tempo expressando dor. — Ela apenas ameniza. Se eu quisesse que a dor realmente parasse, eu teria que tomar um antibiótico muito forte que a longo prazo me daria úlcera ou algum problema estomacal. Então eu preferi me acostumar com somente um alívio mesmo.

Ele engoliu um comprimidos de 250mg a seco, fazendo Annabeth ficar impressionada com a proeza. Ela dobrou o colchão e enrolou o cobertor os deixando quase compactos.

—Vou deixar isso aqui, Percy. Não vai fazer nenhum mal a natureza mesmo.

—Confessa que está com preguiça de levar de volta. -ele deu um meio sorriso.

Annabeth deu de ombros.

—Você também não iria querer ter que carregar isso de volta.

Percy assentiu e mudou a direção do olhar para um ponto mais a frente. Dava pra ver a ponta de um prédio surgindo a alguns poucos quilômetros. Era aquela a tal base central de seus inimigos. Ela pôde sentir cada pedaço do seu corpo se reter de apreensão, o medo de enfrentar o que estava por vir, cada vez mais cortante.

—Percy, você tem certeza que essa cura vai ser eficaz, não é? -ela indagou com a voz um pouco trêmula.

—Sim. -Ele respondeu firme. -Os últimos teste na Turquia provaram que é eficaz.

Annabeth balançou a cabeça sinalizando que havia entendido. Percy a puxou para si e lhe envolveu num abraço singelo. Ela olhou o seu rosto, queria guardar na memória cada traço.

Ele ainda olhava para o prédio começando a surgir dentre a pilha de areia, quando disse:

—Aconteça o que acontecer. -ele segurou o rosto dela e a beijou calmamente, finalizando com um encostar de lábios em sua testa. -Eu te amo.

E então ele começou a andar em direção ao acampamento sem nem ao menos dar a ela tempo de responder.

[...]

Annabeth estava ao lado dos colegas, todos rindo e com os nervos a mil. Eram militares, gostavam de guerras e adrenalina, estar ali, mesmo que significasse o começo do fim do mundo caso falhassem, era motivo de sorrisos e apostas para ver quem matava mais.

Matar, essa palavra assustou a Percy quando Joey foi bem claro quando disse que não era pra poupar ninguém do outro lado. Annabeth sabia que o namorado não gostava de carnificinas… Menos quando queria se vingar de algo que fizeram a ela, como em Berlim.

—Tudo bem, todos apostos? -Joey perguntou. Os agentes assentiram. -Ok. A aeronáutica já veio nos auxiliar, quando ouvirem o som do apito embarquem nos aviões. Vamos entrar por cima.

—Senhor, não seria mais fácil entrar por baixo? -Annabeth perguntou da forma mais educada possível. -A única parte do prédio não exposta é o último andar, a ponta da pirâmide. A porta de acesso fica no segundo andar, podemos arrombar a porta.

—Claro que podemos, Chase. Mas isso estragaria o efeito surpresa. -Joey disse. -Contamos com o fato deles estarem desprevenidos para irmos o mais rápido possível até o topo da pirâmide, que estranhamente nessa caso, fica no último andar. Só temos cinco horas, não podemos correr o risco de sermos displicentes.

Annabeth assentiu. Ele estava certo, tinham que terminar aquilo o mais rápido possível.

—Aliás, os novos aviões das forças armadas quase não fazem barulho. E a julgar pelas grossuras das paredes de vidro que eles tem, vão ouvir pouca coisa. -Joey fez gestos para a esquadra do fundo. -Vocês, já podem começar a ir para os aviões. Chase, repasse o plano com o cientista e os Di Ângelo.

As ordens, os agentes se dirigiram para o avião e Annabeth, Nico e Thalia se puseram a frente de Percy.

—Tudo, Jackson. Você tem que ficar frio, entendeu? -Nico perguntou e Percy assentiu. -A sua única missão é injetar o vírus na bomba assim que Valdez desmontá-la. Aliás, Valdez? Valdez?

—Aqui! -Leo surgiu dentre o último batalhão, correndo e com o seu cinto de ferramentas. -Desculpem a demora, só estava checando se estava tudo aqui.

—E está? -Thalia perguntou.

—Sim, senhora. O Mac maneiro vai salvar o mundo desarmando aquela bomba. -Leo deu o seu sorriso de duende sob efeito de cafeína.

Nico assentiu e voltou as explicações. Sua expressão séria o deixava sombriamente bonito aos olhos de Annabeth. Seria bom tê-lo por perto, nunca teve a oportunidade de participar de uma missão em que estivesse exclusivamente ao lado da lenda viva chamada Di Ângelo.

Ele se pôs na frente de Percy fitando firmemente nos olhos. Negro no verde.

—Primo, você acabou de ver aqueles caras grandões se dirigirem para o avião. Pois bem, eles vão entrar primeiro. Ao julgar pelo espaço geométrico, o maior número de vermelhos vai estar logo no primeiro andar em que chegarmos, e os números vão diminuindo até chegar à bomba. -Nico tomou fôlego e continuou. -Depois que eles entrarem, irão abrir caminho para nos. Vamos ver algumas dificuldades e agentes pedindo socorro para acudir ferimentos, mas você não vai parar para ajudar nenhum entendeu, Percy? Você não pode descumprir o seu foco. Tem que continuar descendo até chegar a bomba, sem sensibilidade com o que está acontecendo a sua volta.

Percy demorou, mas assentiu e prometeu que faria aquilo. Nico prosseguiu, enquanto Annabeth checava todas as armas em seu corpo e Thalia polia o cano de sua pistola silenciosa.

—A partir do terceiro andar, segundo Jápeto, vamos enfrentar dificuldades. Acho que lá, talvez, os inimigos usem arma branca. Jápeto nos avisou que Cronos viva murmurando sobre algum tipo de escudo, mas você não tem que se preocupar com isso. Apenas continue seguindo o seu caminho. O segundo andar é que é o problema, não sabemos o que tem lá, provavelmente produtos químicos, está com a roupa especial por debaixo dessa, não é?

Percy assentiu novamente parecendo desanimado a cada nova informação. Ele vestia aquilo que Annabeth classificava como “roupas de cientista” calça e tênis sociais, blusa social branca com aquele horrível suéter bege que ele gostava de usar e os óculos de grau combinando com o cabelo meio penteado para um lado (meio porque aqueles fios negros nunca ficavam comportados). Leo estava normal: calça jeans, cabelos cacheados avoados, blusa pólo preta e tênis Nike. Ele também vestia sua hiperatividade e o sorriso louco. Annabeth, Thalia e Nico vestiam roupas de combatentes: calça preta de malha, colete a prova de balas preto e armas por todo canto. O macacão de lycra especial estava por baixo de todas essas vestimentas.

—No seu bolso você vai encontrar uma máscara de mesmo tecido, Percy. -Nico prosseguiu. -Se caso você ver que no segundo andar a produtos químicos que façam a pele queimar, coloque. -O moreno bufou cansado pela explicação. -Entendeu, primo?

—Perfeitamente. -respondeu Percy. -Quem vai me acompanhar são vocês, certo?

—Sim, Jackson. -Thalia tirou os olhos de sua arma e direcionou-os a seu primo. -Pretendemos estar com você e Valdez até o final.

—Sim, bonitinho, não é? -Annabeth brincou. -Agora a sessão explicações e fofura acabou. Temos que pegar o último avião de combate. -ela lembrou aos amigos e virou Percy e Thalia resmungarem em protesto. -Vamos lá, galera. Temos que salvar o mundo. -Ela fingiu falsa expectativa na voz.

[...]

Annabeth sorriu ao ver o topo do prédio a três metros de distância de onde eles sobrevoavam. Uma guerra deixam as pessoas doidas, e Annabeth mais que ninguém experimentara isso. Lá estava ela encarando uma possível morte, e com um sorriso sem noção no rosto.

O fato é que ele se lembrou de tudo o que aconteceu naquela missão, do quanto aquilo ferira a Percy, o quanto aquilo custara a família Nicolav. Aquele era o acerto de contas, sua chance de dar um fim a tudo.

—Como vamos descer? -Percy perguntou.

Annabeth sabia como, mas estava evitando contar a ele para que o mesmo não morresse de infarto.

—Vamos pular. -ela disse simplesmente.

—Vamos? Eu não estou incluído nesse vamos. -Percy balançou a cabeça negativamente. -Não vou pular coisa nenhuma.

—Eu te entendo, primo. -Thalia parecia um pouco verde.

Aquele negócio de medo de altura devia ser algo de família porque Thalia também morria de medo de ficar à dois metros que fosse do chão.

—São só três metros. -Nico parecia impaciente. -Qualquer imbecil faz isso. -Ele ficou na porta do avião. — É só pular e cair rolando. Olhem pra mim e façam exatamente a mesma coisa, entenderam?

E então ele foi. Se jogou dali e caiu rolando no chão como se quisesse livrar o seu corpo de chamas imaginárias.

—Eu vou quebrar um braço, já estou até vendo. -Leo sussurrou.

—Que bom, Valdez. -Thalia disse sorrindo da cara dele. -Porque você é o próximo!

E então ela o empurrou. Leo foi esperto o suficiente para se lembrar de rolar.

O sorriso no rosto de Thalia morreu e ela pulou também repetindo o mesmo processo. Percy olhou aflito para Annabeth e implorou através de seu olhar para que não pulasse. Ela deu de ombros como se dissesse que nada poderia fazer por ele e o empurrou da mesma forma que Thalia havia feito com Leo. Só que Percy não rolara como os outros. Caíra de uma forma bem estabanada na verdade.

Annabeth finalmente pulou.

—Ai, que droga! -Percy reclamou olhando a palma de suas mãos que estavam raladas.

—Não é hora de reclamar, Jackson. -Nico disse daquela mesma forma fria e dura que ele fazia.

—Se agachem. -Annabeth ordenou e todos obedeceram. -Vou me conectar com Joey e ver o que está rolando no andar debaixo.

O lugar em que eles estavam na pirâmide era plana e largo, era muito parecido com o topo de prédios comuns de Nova York. Os outros grupos já haviam entrado e, como o combinado, o grupo de Annabeth era o último. Ela apertou o botão que ativava comunicador na alça de sua blusa camuflada.

—Joey. -ela sussurou.

Depois de cinco segundos que pareceram demorar bem mais que esse tempo, uma voz respondeu:

—Deu tudo errado, Chase. -a voz de Joey parecia raivosa. -Escute.

—Não estou ouvindo nada, Joey.

—Isso mesmo, nada. Quando descemos aqui só haviam 10 homens inimigos. Não tivemos o efeito surpresa. -ele bufou. -Fomos traídos, havia um espião o tempo todo.

—Onde você acha que os inimigos estão?

—No andar debaixo… apenas esperando o primeiro agente abrir a porta para atirar em nós como em alvos de sala de tiros. -Joey fez uma pausa e Annabeth pode ouvir ele gritar que iria abrir a porta. -Estamos expostos.

Annabeth queria não acreditar naquilo, mas aquela não era uma boa hora para fugir da realidade.

—Quando descemos? -Ela perguntou.

—Quando os tiros diminuírem.

Ela ouviu o barulho de uma porta sendo aberta e pés pisando duro enquando desciam alguma escada.

—Esperamos? -Nico perguntou ajoelhado e olhando para baixo como se quisesse ver tudo que acontecia abaixo de si.

—Sim, senhor.

Tiros, coquetéis molotovs e socos. Annabeth podia imaginar cada cena acontecendo pelos sons que ouvia. E então ela percebeu que não podia deixar Leo e Percy desarmados. Desarmar alguém enquanto se tem inimigos armados em sua volta, é deixá-lo indefeso ao extremo.

Ela pegou a pistola da sua cintura e deu a Percy. Thalia fez o mesmo dando uma pistola que não estava usando. Annabeth apertou mais um pouco o seu riffle de assalto no corpo, afim de usar as mãos para mostrar a mustache prata para Percy.

—Ei Peixinho.

—Não me chame assim, caramba! -ele protestou.

—OK, cabeça de algas. -ela disse o fazendo revirar os olhos. -Essa é fácil. Se destrava em cima, viu? -Ela mexeu no cabo da arma a destravando. -O pente é de cinco balas, você tem 5 chances pra acertar alguém e depois vai perder um tempo carregando, o que eu sugiro que você não faça já que não sabe e o seu foco é outro. -Annabeth virou o cabo para ele lhe dando a arma. -É o meu Bebezinho, Percy. Gastei uma fortuna nessa arma, não estrague.

—Não vou atirar… -Jackson começou a dizer.

—Vai sim, priminho. -Thalia simplesmente deu sua menos pistola na mão de Valdez e o deixou se virar sozinho. -Nesse tipo de missão sempre haverá alguém precisando levar uma bala pra que você saia vivo. Não é hora de pacifismo.

Percy odiou aquilo, ele era do tipo pacifista. Mas aceitou ficar com a pistola na mão.

—Nico, como está o terreno aí?

Nico era um sniper nato além de ter outras habilidades como espionagem e disfarce. Ele usava um riffle de precisão com uma mira poderosa, o que lhe permitia dar uma vasculhada precisa no andar de baixo.

—Apenas algumas lutas corpo a corpo no canto. De resto, está tranquilo e ao julgar pelos barulhos, os tiros estão no outro andar mais abaixo.

—Isso significa que estamos perdendo a festinha, certo? -Leo indagou visivelmente nervoso. -Já estão no quarto andar e nós ainda nem entramos.

—Sim, estamos perdendo a festa. -Nico sorriu lentamente.

Annabeth viu Leo se inclinar e pode ouvir o sussurrar para Percy:

—Ele tem mesmo que ficar dando esse sorriso sinistro assim?

Percy apenas sorriu de volta para o amigo.

—Tudo bem. Vamos descer. -anunciou Nico. -Eu primeiro… Como sempre.

E então ele desceu as escadas para o próximo andar. Os outros foram atrás dele. O andar era simples com paredes azuis claro. Annabeth se sentiu num aquário. o chão continha poucas marcas de sangue e os dez corpos de vermelhos no chão. O barulho dos tiros continuava no andar de baixo e ela sabia que não podia esperar mais nenhum segundo. Logo, logo as horas iriam passar e a tempestade de areia no final da tarde iria deixá-los presos ali, com inimigos e bombas.

—Nico, temos que descer. -ela disse ao amigo.

—Vamos formar um círculo então. -Thalia sugeriu. -Eu, você e Nico. Leo e Percy ficam no meio.

—Vocês podem ser facilmente alvejados, sabem disso não é? -Percy parecia culpado por exigir tamanha proteção.

—Antes nós que vocês. -Annabeth disse. -Pro meio, agora.

Leo e Percy se interceptaram no meio dos três. Thalia protegia a retaguarda, Nico estava a frente e Annabeth do lado.

No quarto andar havia luta e tiros tão altos que faziam os ouvidos de Annabeth ressoarem. A escada ficava perto de onde estavam: no canto da parede. Desceram por ela até chegarem no terceiro andar que era… Completamente negro. Não dava pra ver nada somente ouvir. E ali o negócio estava feio. Annabeth sentiu uma pressão na parte esquerda do seu corpo e um barulho de um corpo sendo derrubado no chão. Socos e mais socos, era tudo o que ouvia ali.

“No terceiro andar eles usam arma branca”, fora o que lhe disseram. Mas o que parecia ouvir era claramente o barulho de tiros e uma multidão desferindo golpes uns nos outros.

—Percy? -ela chamou.

—Aqui, não fui eu o derrubado, nem o Leo.

—Foi o Nico. -Thalia disse. Ela acendeu um isqueiro para ver o local. -Puta merda…

Havia muita gente, homens e mulheres. Não era fácil dizer quem estava em desvantagem. Pelo menos na luta corporal Nico havia conseguido derrubar 3 caras com certa facilidade.

—A maldita escada fica no meio. -Annabeth constatou. -Como vamos chegar até lá?

—Rapazes, lembram das armas que lhes demos? -Thalia destravou a sua. -Atirem para chegarem naquela maldita escada. E corram, desgraçados, corram o máximo que puder no 3, ok? 3, vamos!

—Ela deviria começar a contar do 1… -Leo começara a dizer quando foi empurrado por Percy para que corressem.

Annabeth bateu com o riffle na cara de um homem e atirou no que estava atrás. Thalia parecia possuída por um demônio enquanto sorria e atirava aleatoriamente em vermelhos. Percy e Leo corriam o mais rápidos que pudiam.

—ARGH! -Leo gritou. -Algum desgraçado atirou no meu braço. -Eu não consigo mexer!

—Thalia, tem algo de errado nesse andar. -Annabeth falou. -Pare de gritar, Valdez, o tiro pegou de raspão, você ainda pode mexer e desarmar a bomba.

—Isso dói pra cacete! -Ele exclamou.

—A maioria dos vermelhos estão aqui. -Thalia disse enquanto pulava se esquivando de uma banda. Ela virou atirou no homem que havia tentado isso. -O andar de baixo deve ser o das coisas tóxicas.

—Estamos quase chegando nas escadas. -Annabeth corria com Percy e Leo uns milímetros a frente. -Thalia você… Thalia?

Ela não estava ouvindo, outros agentes estavam do lado dela e atiravam. Montanha tinha um estúpido machado nas mãos e parecia usá-lo como um taco de beisebol na cabeça dos vermelhos. Annabeth não sabia onde ele havia conseguido aquilo, mas julgou que ele tinha visto aquela série “vikings” demais.

—Ela não vai conseguir chegar até a gente, ficou muito atrás. -Percy puxou a mão de Annabeth que pareceu ficar paralisada ao ver aquilo. Sua amiga iria ficar no terceiro andar, o mesmo em que Nico ficou. Talvez ela não fosse a ver novamente. -As escadas estão aqui, Annie. Vamos descer.

—Mas ela e Nico?

—Eles podem sobreviver. Mas se nós não chegarmos lá embaixo. Ninguém vai sobreviver. -ele disse sério a fitando nos olhos.

—Certo.

Eles desceram as escadas em ritmo frenético. O andar parecia tomado por uma neblina.

—Acho que essa é a hora de usar as máscaras. -Leo falou com a voz num sussurro. -Com certeza tem algo aqui que causa uns efeitos bem surreais como o lugar onde você tomou um tiro começar a arder ou derreter, dependendo do ponto de vista.

—Chamam de neblina de cal, tem uns elementos químicos pesados aqui. Mas acho que com a máscara vamos ficar bem. -Percy olhou para o seu suéter se desfazendo bem lentamente. -Não é muito aconselhável ficar por muito tempo nisso. As roupas especiais vão nos proteger, mas ainda é perigoso. Annabeth, consegue ver onde ficam as escadas?

—Droga. -ela conseguia ver e via muito bem. Dessa vez as escadas ficavam no final da sala. -No final.

—Ótimo. -disse Percy de forma irônica.

Aquele andar já não havia mais ninguém. Bem, ao menos ninguém em condições de lutar. Os que não estavam feridos, estavam vomitando, chorando e gemendo de dor. Cronos era um sociopata tão elevado, que criará um andar da pirâmide que não pouparia nem seus próprios homens. Annabeth estavam começando a sentir sua pele quente e os cintos em que as armas estavam estavam afrouxando… Não, afrouxando não. Estavam se desfazendo.

Leo estava tão desesperado com o braço ardendo que já havia corrido até as escadas. Percy e Annabeth fizeram o mesmo. Até que ela ouviu um barulho de um corpo se estatelando no chão.

Era Percy, ele fora puxado por alguém para o meio da sala.

Esse alguém era Daniel.

—Seu desgraçado. Eu sempre desconfiei de você- Percy se levantou e o socou enquanto dia as palavras.

Daniel revidou sorrindo feito um maníaco. Suas bochechas estavam queimadas, provavelmente havia ficar muito tempo naquele andar. Ele e Percy ficaram naquele embate até que o pior aconteceu: Daniel acabou fazendo Percy de refém.

—Annabeth. -Daniel falou com a voz claramente danificada pelo ar tóxico dali. -Eu realmente gostei de você. Comecei espião do lado vermelho, mas Cronos me convenceu a ficar do lado e trabalhar como agente duplo. Você não entende, não é? Quando essa guerra estourar, nós vamos ser o lado vencedor. Nós vamos ser os heróis. Esqueça esse babaca e o seu maldito país. -Ele fixou com mais força a arma na cabeça de Percy enquanto o segurava como em um mata leão.

Annabeth viu que precisava ganhar tempo para pensar em algo urgentemente. Então ela decidiu fazer o que pessoas sem alternativa fazem: conversar.

—O que te fez mudar de lado, Daniel? Olhe pra você agora, vai morrer por causa desse ar.

Daniel sorriu e Annabeth escondeu a cara de nojo ao perceber que o seu sorriso estava manchado de sangue.

—Ele me prometeu você. -Daniel disse. -Ele me prometeu que eu poderia te levar para qualquer lugar do mundo e te fazer minha. Não, não, eu não ia te violentar, ao contrário, iria fazer você perceber que eu sou o melhor pra você. Eu ia te conquistar enquanto apreciavámos as lindas praias de Cabo Verde. Tínhamos um futuro lindo pela frente.

—Você é louco! -ela exclamou com repulsa. -O que te faz imaginar que eu iria querer ter algo com você depois de você ter participado da merda desse plano? E além do mais, gênio, você está morrendo, não vai conseguir sair daqui vivo.

Ele balançou a cabeça como se não quisesse admitir e falou:

—Então você fica comigo. Se vou morrer, quero morrer junto com você.

—Claro que não, seu merda! -Percy gritou e Daniel deu uma coronhada em sua testa.

Percy gemeu de dor, mas continuou acordado. E dizendo com os olhos para Annabeth nem pensar em ficar ali.

—Se você não ficar aqui, eu mato ele. -Daniel sussurrava e tossia entre as palavras. -Pense, Annabeth, vocês não vão conseguir sair daqui vivos mesmo. Mas você pode ficar aqui comigo e morrer, ou pode descer e eu atiro nele. De qualquer forma, no final do dia, aquela bomba química vai ser acionada. A guerra é inevitável.

Annabeth pensou por mais um pouco. Daniel tinha razão em dizer que ela teria que ficar. Percy e Leo deveriam seguir o curso mesmo que isso significasse que ela não estaria junto. Thalia e Nico fizeram isso, chegara a sua hora também.

Ela olhou para Percy e ele com o olhar desanimado já sabia o que ela queria dizer: ela iria ficar. Annabeth deu um sorriso rápido de lado que significava que ela ia dar um jeito de chegar lá embaixo e vê-lo cortar o efeito do vírus.

—Eu fico. -foi o que ela disse.

—Corra pro meu lado, sem armas. -Daniel exigiu.

Ela tirou as armas do corpo rapidamente e correu para o lado dele. Daniel empurrou Percy para as escadas e a prendeu no mesmo mata-leão que havia dado no cientista. Os olhos cinzas focaram nos olhos verdes e diziam que iriam voltar a se ver de novo.

—Você não vai vencer, Jackson. -foram as últimas palavras e Daniel. -Vamos todos morrer nessa merda e o mundo vai virar cinzas.

—Você está muito niilista, Daniel. -Annabeth disse em um tom forçado de comédia. -Vai, Percy.

Percy ficou a olhando, confuso e triste. Leo gritou de dor mais uma vez e puxou o amigo para baixo. Ela tentou se lembrar de cada detalhe do homem que amava enquanto ele saia de vista. Seus pulmões começaram a ficar pesados e os olhos também.

—Você é não é nada romântico para um britânico.

Ela ouviu barulhos, mas não conseguia distinguir se era de Percy sendo recepcionado no andar debaixo ou agentes amigos ou inimigos se movimentando no seu.

Annabeth só sentia sua garganta arder e o filete de sangue passar por ela.

Notas finais
Sim, galera, postei um capítulo. Não sei se vou voltar com a história, eu estou sem tempo total. Amo escrever, mas tenho que fazer outras coisas pra viver: tenho faculdade, estágio, estudos paralelos e a história de um livro pra desenvolver (essa última parte é incerta). Vocês já devem ter desistido de mim, vocês tem razão em fazer isso. Não sei quando vou postar de novo. Gostaria de saber a opinião de vocês sobre o capítulo. Se alguém quiser me xingar nas mensagens ou cometários, fiquem a vontade. Eu realmente não sei o que tô fazendo com a minha vida no sentido de continuar com a fic ou não. Isso não é drama, isso é só alguém que só tem 24 horas por dia e que gostaria de fazer tudo o que tem vontade de fazer, mas que tem que dormir e viver a vida e não só suas histórias. Comentem se quiser, sério. Esse capítulo ficou uma merda mesmo, eu sinto. Beijos e até uma próxima.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.