The Scientist
36 Niamei I - "Amor pela última vez"
Notas iniciais
19 de maio
Ancara, Turquia.
Deserto do Saara, Niamei, Níger.
Percy olhava para Annabeth tentando conter um choro preso a sua garganta. Ela não estava obtendo êxito, fazia uma careta engraçada, que em outras situações Percy ficaria feliz em rir, mas não podia fazer aquilo ali.
—Nós vamos voltar pra ele. –ele tentou argumentar. –Daqui a quatro dias já vai estar tudo bem.
—Cale a boca, Percy. Ele está ouvindo, aposto que está sentindo o que vai acontecer. –ela respondeu tão brava que ele decidiu ficar quieto todo o trajeto.
Mika estava em seu colo com a cabeça apoiada no seu ombro e com os olhos fechados. Annabeth andava ao seu lado. Eles caminhavam até a pista de voo para dar os filhos nos braços de Piper e Jason que viajariam à Dublin. Ele achou que Annabeth fosse forte com qualquer situação em que a colocassem. Mas ela estava se saindo uma perfeita Maria mole como mãe. Havia chorado a noite toda e dormido muito pouco. Mika por outro lado parecia que havia levado uma pancada na cabeça, não tinha acordado nem por um segundo.
Percy tentou consolá-la, mas ela havia o xingado. Ele achou engraçado, pois a madrugada toda se resumiu em um único dialogo:
—Você vai ficar desidratada se derramar mais uma lágrima. –ele dissera.
—Você vai ficar sem a cabeça se não ficar quieto. –ela respondera.
—Vem cá, meu amor, não precisa ficar assim. Sei que é uma situação difícil, mas você me mandou se foder treze vezes e nem amanheceu.
—Porque você não ficava quieto.
—Mas eu nem falava nada, só tentava te abraçar! Você é que fica estressada toda vez que fica triste.
Aí ela chorava novamente e o abraça tão forte que as costelas de Percy ficaram doendo até aquele momento em que avistaram o avião na pista e Mikhail acordou bocejando e limpando os olhos. Sua bochecha direita estava inchada, Annabeth dissera que os dentes do menino estavam nascendo.
—Ei, meu garoto acordou. –Percy sorriu para o filho, que sorriu de volta.
Annabeth não disse nada, apenas deu um beijo na testa do menino. Percy achava que se ela dissesse algo, o choro iria desandar ali mesmo.
Mika ficou impressionado ao olhar para o avião, que dessa vez era maior que o jatinho que Will dirigira até ali. Não era um convencional, mas era maior que o último com certeza. Eles haviam chegado finalmente em frente a aeronave. E o momento de despedida havia chegado juntamente com eles. Jason e Piper estavam ao lado direito das escadas os esperando.
—Não tem como vocês viajarem de barco? –Percy perguntou a Jason.
O amigo riu.
—Avião é mais seguro e mais rápido.
—Aviões caiem e ficam no alto. –Percy bufou. Tinha ligado para o pai na noite passada enquanto Annabeth chorava e o agredia verbalmente, e explicado mais ou menos que havia se tornado pai. Poseidon ficara tão feliz que queria conhecer o menino imediatamente, há àquela hora já deveria estar em seu voo para a Irlanda. Mas antes ele fizera questão de ressuscitar o medo de Percy de altura e aviões chorando no telefone como louco. –Coloque três cintos de segurança no Mika.
—Percy, o avião não vai cair só porque você e seu pai preferem viajar feitos piratas do mar. — Annabeth falou pela primeira vez naquela manhã.
—Eu fiquei com o psicológico abalado nesta madrugada, não me culpe. Ele chorou no telefone e você chorava do meu lado, eu quase fiquei louco. –O cientista escorreu as mãos pelo cabelo, sua enxaqueca voltara com tanta força naquele instante que sua visão ficara turva. –Piper, o segure por um momento.
Piper ia pegar o bebê no colo até que Annabeth protestou e pegou o menino.
—Não! Ainda não chegou a hora. –ela abraçou forte Mika, que apenas riu pensando que aquilo fosse uma brincadeira. –Ainda temos um tempinho.
—3 minutos. –Piper disse fazendo uma expressão de pena.
—Tudo bem, só... me dê um instante a sós com ele e com Percy. –Annabeth pediu.
—Claro, vamos estar lá dentro, quando terminarem é só nos chamar que pegamos o menino. –Jason disse e deu a mão a Piper, entrando juntamente com ela no avião.
Assim que os amigos entraram no avião, Annabeth o abraçou com um braço e com o outro segurou Mika. Percy ajudou a segurá-lo de modo que ela o abraçava de lado ficando com a cabeça colada em seu peito e Mika abraçado aos dois. Ninguém falou nada por uns instantes e ao ouvir o começo do choro de sua namorada e a cara de desespero do filho, Percy deduziu de que era missão dele tomar as rédeas da situação.
—Filho? –ele chamou o menino que incrivelmente já sabia que toda vez que Percy ou Annabeth pronunciavam a palavra “filho”, era direcionado a ele. –Talvez você não entenda o que vou dizer, mas acho necessário de explicar isso: vamos ficar uns dias separados , mas vamos nos encontrar o mais rápido do que você imagina.
Annabeth escondeu o rosto no pescoço do rapaz e Mika estranhamente parecia absorver cada palavra. O semblante desesperado sumira dando espaço a uma expressão de compreensão, mas ao mesmo tempo tristeza. Ele sabia do que o assunto se tratava e Percy ficava fascinado por ter a oportunidade de conduzir a paternidade de um pequeno ser humano tão inteligente.
—Não fique com medo, vamos voltar mais rápido do que você imagina. –ele continuou. –Quando formos pra América, a primeira coisa que farei é te apresentar à vovó, e depois vou te ensinar a nadar. Você vai ser o homem peixe mais veloz da família. Sua mãe pode até te ensinar aquelas lutas que ela aprendeu no treinamento, aposto que com três anos você já vai dar uma surra em qualquer assaltante. –Annabeth deu uma risadinha em seu pescoço, retirando o rosto dali e olhando para o filho. –Mas agora temos que resolver uma coisa, filho. Você vai ficar com os seus tios e logo tudo estará bem, muito melhor que agora.
Annabeth deu um beijinho no rosto do filho e ela mesma chamou a Piper. A amiga apareceu quase instantaneamente com um sorriso no rosto e com os olhos de caleidoscópio receptivos. Annabeth deu Mika a ela.
—Se tornou o meu bem mais precioso. –disse a loira se referindo ao pequeno garoto. –Cuide bem dele.
—Cuidarei com a minha própria vida. –Piper respondeu.
—Está proibida de comprar roupas pra ele no meu cartão. –Percy disse se lembrando do fato de que deixara o cartão e a senha para que ela comprasse o necessário para o filho. –Jason me disse o que você faz quando entra em uma loja de roupas. Já vi venderam urânio por um preço mais barato do que o quê você gasta.
Piper fez uma careta e revirou os olhos, ficara bem decepcionada.
—Jason também me falou que você é insuportavelmente chato. –Ela deu de ombros abraçando Annabeth e subindo as escadas. –O quê é uma pena, até te achava fofinho. –Ela piscou um olho para Percy e deu um último aceno.
Mika não chorou em nenhum instante, mas sabia que aquilo se tratava de uma despedida. Quando Piper estava no último degrau, a mãozinha esquerda dele acenou de uma forma desajeitada, porém firme. Como se dissesse “nos vemos logo”.
O casal observou a porta do avião se fechar e deram uma distância considerável para a decolagem do mesmo. Percy sentiu a mão de Annabeth escorrer para a sua, entrelaçando os seus dedos. Ela suspirou pesadamente quando o avião levantou voo e subiu aos seus.
—Espero que ele fique bem. –ela disse.
—Eu ainda achava melhor eles terem ido de barco. –Percy comentou.
Ela deu uma risada ainda com o olhar vago e a tristeza estampada em seu rosto.
—Prometo que em alguma oportunidade no futuro eu, você e Mika vamos dar um passeio de barco pela costa do Atlântico. Até podemos convidar o seu pai, já que ele tem o barco e que pilota. –Annabeth disse enquanto caminhava ao lado dele. –Mas, por enquanto, eu e ainda temos que pegar outro avião, dessa vez para Niamei.
—Ah que droga. –Percy murmurou. –Vou tentar dormir para passar o tempo mais rápido.
—Sinto muito, meu amor. Vou precisar de você muito bem acordado. –Annabeth o olhou com pena. –Tenho que te contar todo o plano de invasão ao tal quartel general dos vermelhos.
[...]
Percy estava derretendo. Seus cabelos estavam molhados de suor e sua blusa pegajosa. Eles haviam acabado de entrar na van e o ar condicionado estava programado para a temperatura mais baixa possível, mas ainda assim o alívio demorou a aparecer. A van era confortável e com um banco de frente para o outro. O motorista ainda não havia dado partida, estava abastecendo o carro utilizando um galão de gasolina deixado ali pela CIA. Percy não viu nenhum agente conhecido aos seus olhos, mas ao que parece Annabeth sabia o nome de todos e todos a respeitavam.
E por falar nela, ela tinha mudado da água para o vinho. Seu rosto esbanjava uma vontade de aceitar o desafio de Cronos com maestria e finalizar o mais rápido possível aquela missão. Percy viu a mesma expressão decidida que quando se reencontraram há alguns meses atrás. Nada poderia detê-la naquele estado atual, porque ele sabia que ela jamais permitiria que a detivessem.
Ele por outro lado já não estava tão bem, uma enxurrada de sensações cruzavam o seu cérebro. Ele tinha acabado de ver cenas que partiram o seu coração e o seu senso de moral.
—Você não está bem, não é? –Annabeth perguntou a ele.
Estavam sozinhos na Van e os outros agentes iriam no banco da frente com o motorista. Foram ordens exclusivas de Joey deixar Percy o mais sozinho o possível para que estivesse preparado para a missão.
—Ela não deveria ter mais de 10 anos. –ele respondeu abaixando a cabeça e fechando os olhos com força. –Ela estava tão desesperada por comida que o próprio corpo perdeu o valor.
Annabeth se inclinou no banco e segurou uma das mãos dele. Ainda estavam sentados de frente um para o outro o que significava que se encaravam. Percy tentou mergulhar naqueles olhos cinza para esquecer o que havia acabado de ver, mas parecia impossível.
Assim que embarcaram no precário aeroporto de Niamei, eles tiveram que caminhar pelo centro da cidade. Não parecia civilizado, e era desumano ver pessoas em situações tão vis. Mulheres carregavam escassos galões de água que eram conquistados depois de enfrentarem uma fila gigantesca de doações governamentais, Percy deduziu pelo tamanho da fila que para se conseguir chegar até o primeiro lugar, precisaria estar naquele fila há três dias... As pessoas ficavam três dias sem água ali e espantosamente conseguiam sobreviver.
Percy contou três vezes que teria sido assaltado se não estivesse acompanhado de quatros agentes enormes para defendê-lo. Ele teve que desviar os olhos várias vezes para não ver crianças chorando de fome. Teve que se fazer de surdo para os pedidos de comida – apesar de não saber o idioma local, ele sabia que era a única prioridade para aquele povo. Teve até mesmo que se fazer de cego e fingir que não estava vendo uma gangue de rapazes que aparentavam ter entre 16 e 25 anos pegarem duas moças pelo braço e arrastarem para um beco a fim de estuprá-las.
“Continue andando e fingindo que não viu nada” Annabeth dissera a ele. “Se atrapalharmos o que estão fazendo podemos arranjar confusão. Não temos tempo para confusões.”
Percy pode sentir cada palavra arranhando a garganta dela ao falar. Ela queria ir ajudar, mas estava certa. Eles poderiam matar os rapazes, mas viriam outros e uma hora as balas das armas acabariam e então eles é que seriam as vitimas e o corpo de Percy estremeceu só de deduzir que se eles fossem as vítimas, Annabeth é que estaria no lugar daquelas meninas.
Mais adiante algo terminou com toda a esperança de Percy de achar algo correto naquela cidade. Era uma menina –linda, com a pele negra como a dos demais, porém sem nenhuma imperfeição e brilhante, os olhos eram da cor do mel e os cabelos eram cacheados e volumosos em tons de castanho e dourado –que parecia não ter menos de 10 anos. Estava com a roupa em frangalhos, a blusa vermelha surrada e a saia verde parecia rasgada. Ela sorriu para Percy, mas de uma forma que o assustou. Não era um sorriso receptivo, era um sorriso sensual.
Aquela menina estava se insinuando para ele para se prostituir e ele nem precisou criar teorias para saber a troco de quê: comida, óbvio. Ele foi até ela e se ajoelhou a olhando nos olhos. A menina não queria fazer aquilo, estava bem claro. Percy conversou com ela através de Annabeth, que aprendera o idioma comum africano enquanto fizera trabalhos sociais para a ONU. Deu alguns sanduíches que carregava na sua bolsa e que ele comeria na viagem de carro e lhe deu a jaqueta térmica que usava, já que a temperatura ali caia brutalmente a noite por se tratar de uma aérea desértica -por esse motivo ele estava sentido aquele calor infernal, a jaqueta o mantinha pelo menos fresco.
A garota em retribuição lhe deu um colar com um deus africano, era mais parecido com uma máscara tribal em tons de verde, vermelho, amarelo e preto. Percy lhe deu um abraço e sentiu a menininha ficar comovida, ele provavelmente era o único a lhe dar carinho enquanto os outros se aproveitavam de sua fome para explorá-la.
E então eles seguiram viajem e agora estava assistindo crianças correrem mais rápido que um Flesh atrás da van. Ele já havia visto uma roda de crianças ao redor do veiculo quando chegaram, mas achou que estavam curiosas quanto ao automóvel.
—Confesso que agora fiquei confuso, porque eles estão correndo atrás da van?
—Pensam que são carros de comida vindas da ONU ou outras organizações que fazem doações para o continente. — Annabeth respondeu com uma lágrima solitária escorrendo pelo rosto que logo tratou de limpar. –Já que você gosta de curiosidades, vou lhe contar uma nada agradável: é por isso que africanos são bons nos cem metros nas olimpíadas. Passam a vida toda correndo atrás desses carros, alguns olheiros de esportes veem para cá os tiram de suas famílias e os fazem campeões do mundo.
—Minha mãe sempre dizia que ser curioso demais poderia ser doloroso ao meu deparar com algo que eu não iria querer saber.O quê você me contou me fez entender, finalmente, está frase. -ele viu o último menino mais veloz ficar para trás quando o veículo ganhou velocidade. E então disse decidido: -Vou voltar para este lugar para ajudar essas pessoas.
—São muitas, Percy.
—Não preciso ajudar todas, só algumas. E então poderei ficar em paz. -ele pensou no valor da vida e se lembrou de sua mãe. -Minha mãe está definhando sob o câncer, ela mesmo sempre dizia que queria ter feito algo por mais pessoas durante a vida. Eu tenho saúde e tenho vida, nada me impede de juntar essas coisas à vontade de ajudar essas pessoas.
Annabeth ficou em silêncio por um momento, mas sua expressão ficou dura e insensível.
—Sei que você quer ajudar, mas tem família agora. Não pode nos abandonar para vir pra cá.
—Eu sei, você está certa. -Percy suspirou. Achou melhor encerrar o assunto por ali, já estava o cansando pensar naquilo. -Vou tentar arranjar um emprego que eu ganhe mais e mandar um dinheiro para cá e ajudar algumas crianças. Só isso, prometo.
E aquela fora a promessa mais vazia que ele já fizera, mas parecia a mais certa naquele momento.
[...]
—Um oásis no deserto? -Percy perguntou abobalhado.
—Tem muitos por aí. Milhares e milhares de quilômetros de areia e pá! De repente várias árvores e um oásis. -disse Leo. -Uma pena termos que ficar tão longe dele.
Percy também sentia pena, estava a um quilômetro a frente do oásis acampados em barracas. Pela manhã, assim que o sol começasse a nascer, eles iriam prosseguir em jipes para a pirâmide de Cronos.
O sol já se punha e todos os agentes já estavam reunidos ali. Inclusive aqueles que não vieram com Percy e Annabeth. Até mesmo Bob estava presente, conversando com Joey com uma expressão séria.
Annabeth viera até ele -que estava sentado em um pedaço de tronco de árvore mais afastados dos outros olhando para o frasco de um litro que continha o líquido da sua cura para o vírus.
—Senhor Jackson. -ela o chamou. Tinha que usar o nome formal por ali, eram regras militares para qualquer um que estivesse no local, mesmo eles que já se conheciam intimamente.
—Senhorita Chase. -ele a cumprimentou de volta se levantando e a encarando. -O que deseja?
—É uma situação particular, ninguém mais pode saber. -um sorriso malicioso brincou nos lábios da moça. -Quando o seu relógio de pulso despertar, ande até as árvores e me encontre no pequeno oásis onde tem o açude. -Açude seria a piscina natural?
—Sim. -as sobrancelhas dela se arquearam. -UAL, encontrei algo que você não sabia pela primeira vez.
Ele riu.
—Que bom que programou o meu relógio, Senhorita Chase. Estarei lá assim que ele me despertar.
—Ótimo. -ela lhe deu um aperto de mão e sai andando enquanto rebolava naturalmente.
[...]
O anoitecer havia chegado e Percy ainda não conseguia parar de olhar para aquele frasco. Sua caderneta agora inútil, fornecerá as últimas folhas de papel para uma carta destinada a sua mãe, que um agente prometeu entregar dentro de algumas horas. Ele não sabia como seria possível, mas aprendera a não duvidar de agentes.
Seu relógio de pulso fez um barulho estridente no mesmo instante que um grandalhão mandava todos irem dormir. Eram dez da noite ali e ele continuava sentado mesmo troço de árvore afastado de todos. Não viu Annabeth, mas decidiu seguir com o combinado. Se dirigiu até a entrada do oásis, passando pelas palmeiras e sentido o vento no seu rosto.
Depois de uma boa caminhada, ele encontrou Annabeth sentada ao lado do açude com os cabelos soltos, a calça térmica escura, uma blusa regata e uma jaqueta também térmica jogada sobre os ombros. Ela estava linda.
Quando o viu, os seus olhos cinza sorriram.
—Demorou. -ela se queixou.
—É um quilômetro do acampamento até aqui e eu sou bem sedentário. -ele sorriu. -Seria muita fé esperar que eu viesse rápido.
—Eu só esperava que você viesse mesmo.
Ela se levantou e o beijou de uma forma apaixonada, porém cortante. Poderia ser a última vez que eles fariam amor (sim, eles iriam transar, ele não era tão lerdo para não ter percebido aquilo).
—Não vamos transformar essa experiência em algo triste. -ele pediu. -Vai ser divertido como sempre foi.
—Também pensei nisso. -ela sorriu travessa. -Vem, vamos aproveitar a água enquanto ainda está uns vinte graus aqui, quando a temperatura abaixar mais ainda, vamos congelar ali dentro.
—Não tem problema eu gosto de água gelada e… -Percy perdeu a fala ao ver Annabeth tirar a roupa ficando completamente nua a sua frente. -Você tinha que ter um corpo tão bonito assim?
Annabeth deu de ombros e pulos na piscina natural dali. Ela emergiu sorrindo com o corpo tapado pela água e com uma sobrancelha arqueada em desafio.
—Anda logo, Percy!
Milésimos de segundos foram o suficiente para que ele tirasse a roupa e corresse até a água.
Estava fria, mas o seu corpo estava quente quando os braços dela envolveram o seu pescoço e os seios dela ficaram colados ao seu peito. A língua macia de Annabeth esbanjava desejo e sensualidade em contato com a sua. Ela não queria preliminares, ele muito menos. Era bom nadador, mas não tão resistente, então foi para um lugar onde a sola dos seus pés tocavam o chão de areia da água. Levantou o corpo dela, que cruzou suas belas pernas em sua cintura, e a penetrou com força a ouvindo gemer. Ele estocava depressa enquanto chupava seus seios e tentava conter os gemidos que queriam sair de sua boca para acompanhá-la naquela luxuosa melodia. Perdeu a conta de quantas vezes Annabeth mordeu o seu ombro na busca por extravasar seu prazer.
—Eu… -ela tentou avisar, mas já era tarde.
Percy sentiu ela gozar nele, mas ele continuou o trabalho vendo a água formas ondas ao seu lado em protesto aos seus movimentos. Não demorou muito para que ele também gozasse.
Eles continuaram abraçados na água com seus narizes tocando-se e os olhos vidrados um no outro.
—Trouxe um colchão do acampamento para dormimos, mesmo eu não achando que vamos dormir tão cedo. -ela disse estremecendo. -Peixinho, eu sei que você é resistente a água fria, mas eu não. Vamos sair daqui?
Percy assentiu e caminhou ao lado dela para fora dali. Ele a abraçou de lado e beijava o seu rosto e pescoço durante todo o caminho até o colchão.
Inferno, ele tinha que amá-la tanto assim mesmo? Tinha que querer mantê-la por perto todo o tempo? Tinha mesmo que ter aquela vontade incontrolável de beijá-la a todo instante?
Ele não teve tempo de amaldiçoar a si próprio por muito tempo. Foi jogado no colchão com ela por cima sussurrando em seu ouvido.
—Segundo round. É melhor ficar pronto garotão.
—É pra já. -retrucou ele imediatamente ficando duro feito pedra.
Annabeth colocou uma perna de cada lado do seu corpo e o posicionou em sua entrada descendo devagar e rebolando cuidadosamente. Percy rosnou, aquilo era tão bom que deveria ser proibido.
Os cabelos molhados dela deixaram as ondulações na ponta mais bonitas e a franja desgrenhada caindo sobre o seu rosto de uma forma tão sensual que olhá-la parecia pecado.
Mas ele gostava de pecar. Gostava de vê-la subir e descer enquanto apertada suas coxas. Gostava de ver os seios dela balançarem na sua frente, gostava de ver o seu corpo brilhar de suor mesmo estando uma noite fria ali. Gostava daqueles lábios levemente avermelhados entre abertos e emitindo gemidos desesperados.
Ela parecia uma deusa e ele se sentia agraciado por ela tê-la escolhido para estar dentro dela, mesmo sendo apenas um mero mortal.
Percy começou a se movimentar junto com ela, jogando sua cintura contra o corpo dela. Ele ia mais fundo daquela forma e ela podia rebolar mais livremente.
Ele inclinou o seu corpo permitindo que ela voltasse a envolver o seu pescoço com os braços. Se beijaram por tanto tempo que ele poderia jurar que havia passado 30 anos ou 30 segundos ali.
Dessa vez o corpo de ambos combinaram de atingiram o ápice juntos e de uma forma intensa.
Percy caiu deitado e Annabeth por cima, eles ficaram em silêncio depois do sexo. Não havia motivos para se falar nada.
Annabeth logo dormiu sobre o seu peito, com o rosto bem ao lado do deus africano pendurado no seu colar novo.
Percy olhou para as estrelas no céu e pensou em Mika e em sua mãe. Ele não acreditava em divindades, mas pediu para qualquer uma que ouvisse que protegesse seu filho e sua mãe.
Ele abraçou o corpo da mulher que amava um pouco mais forte enquanto fechava o zíper do colchão cuidadosamente para não acordá-la.
O dia seguinte seria longo e a noite curta, mas o que sentia por aquela garota ali… Ah, isso sim seria eterno.
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—-> Capítulo não revisado, qualquer erro grotesco é efeito de se escrever com sono em plena madrugada <--
Geralmente (quase sempre, bem sempre mesmo) eu não enrolo em capítulos porque enrolação cansa muito pra se escrever, mas a descrição do local foi totalmente necessário e como amo vocês, vou adiantar que essa é uma dica para a próxima temporada.
Uncover, meu amor, muito obrigada pela linda recomendação. Eu fiquei bastante surpresa quando vi que havia recebido uma e mais surpresa ainda por ter sido uma recomendação tão bem escrita. Eu absorvi todo o carinho e o devolvo em dobro, esse capítulo foi seu!
Galera, mesmo eu não sabendo se vou poder responder os comentários ou até mesmo vê-los, comentem, eu quero voltar aqui e saber que vocês continuam me dando uma força.
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