The Scientist
33 Donestk VI- "Annabeth ganha um anjo"
Notas iniciais
—Então, Annabeth, pelo o que você me descreveu esse é um modelo antigo de gerador de energia e rede.—Leo explicava a Annabeth. –Era usado na Guerra Fria pelos soviéticos. Mas ele é perigoso também. Esse tipo de gerador pode transformar tudo num raio de dois quilômetros em pó se desarmado de forma errado.
—Esses retardados adoram uma bomba, não é? –Percy se questionou.
Ele estava com os nervos à flor da pele, mais uma bomba que teriam que lidar. Mas só tinham ele e Annabeth ali, eles teriam que resolver aquilo. O casal de idosos estava com eles no porão, Leo tinha feito todas as perguntas aos senhores, mas eles realmente sabiam muito pouco. Até que uma cabeleira loira entrou em ação na transmissão. Os olhos eletrizantes de Jason Grace transmitiam calma, cautela e pareciam saber tudo.
—Senhores Nicolav, certo?—ele pronunciou o sobrenome do casal. Eles assentiram para o rapaz na transmissão. –Vejo que vocês realmente não sabem de nada sobre como desarmar essa máquina, mas vocês devem ter visto quando esses homens a colocaram aí, não viram?
Grigori ajeitou Mika em seu colo e assentiu novamente com os olhos agitados.
—Sim, eles prenderam a parte de trás da máquina na parede e toda vez que veem aqui, eles mexem na parte lateral esquerda. –Respondeu o velho. Ele fez uma cara desconfiada. –Como sabe meu sobrenome? Não contei nem aos pombinhos aqui. –ele fez um gesto com o queixo apontando para Annabeth sentada na cadeira e Percy logo atrás dela.
—Não fizemos quatro anos de Arquivologia para não saber pesquisar todas as informações sobre um caso. —Piper surgiu do lado esquerdo de Leo, que estava sentado na cadeira em frente ao computador, e piscou para Jason que estava ao lado direito de Valdez. –Qualquer informação em qualquer arquivo do mundo, nós vamos descobrir. Se já não sabermos.
—Beleza, parem de se exibir.—Leo interveio. –Jason fez uma ótima pergunta, eles mexem no lado esquerdo, certo?—ele coçou o queixo e olhou para cima pensativo. –Annabeth, você entende de mecânica melhor que Percy, aposto. Ele só serve pra fazer dipirona e revotril mesmo.
—Cara, eu não sou nem farmacêutico e...
—Percy, não ligue pras provocações do Leo. –Annabeth interrompeu o que poderia se transformar numa possível discussão. –Sim, entendo um pouco, Leo.
—Então vá até o lado esquerdo da máquina e abra.
Percy observou Katerina pegar uma chave de fenda e dar a Annabeth que tentou desparafusar a placa de metal ao lado esquerdo da máquina, sem sucesso. Percy se agachou ao lado dela e sorriu travesso.
—Ahá. Ainda precisa de mim pra te ajudar. –ele pegou a chave de fenda da mão dela e tentou desparafusar o primeiro parafuso. Não obteve sucesso, aquilo parecia ser mais duro do que ele imaginava.
Annabeth riu da cara dele balançando a cabeça levemente. Grigori bufou impaciente, deu Mika a Katerina e pegou a chave de fenda da mão de Percy.
—Vocês. –Grigori fez um gesto colocando a chave de fenda rente ao rosto de Percy e logo depois ao de Annabeth também. –Podem até ser as mentes pensantes, mas com certeza não são a mão de obra. Se afastem. –O pequeno senhor conseguiu desparafusar todos os quatro parafusos rapidamente. –Trabalhei montando máquinas em Petrogado, que depois virou Leningrado. –O velho franziu as sombracelhas e deu um sorriso de lado. –Que voltou a ser São Petersburgo assim como no tempo dos Kzares. E que se dane, os russos são confusos.
—Muito bem, senhor Nicolav. E perdoe a inutilidade dos meus amigos.—Leo sorriu maldoso para Percy e Annabeth. –Bem, loirinha, o que você está vendo aí?
—Três fios grossos. Um verde, amarelo e vermelho. –Annabeth revirou os olhos. –Não me diga que vou ter que cortar um para desarmar tudo como nos filmes de Hollywood?
—Fazer o que, não é?—Leo deu de ombros. –Eles aí da Europa Oriental são atrasados. Fazem com as máquinas o que os filmes americanos já faziam há décadas atrás. E não, não é só isso. Explique a ela, Jason.
—Vamos ter que interceptar arquivos e mudar configurações dentro desse gerador. Conseguimos localizar a rede dele e estamos a desestabilizando. Vai demorar meia hora.—Jason explicou. –No final a única coisa que você terá que fazer é cortar o fio certo, se não tudo aí explode. Mas vamos tentar descobrir qual é a cor certa para você fazer isso. E ah, ainda tem...
Piper colocou um dedo na boca do namorado e sorriu feliz.
—As boas notícias deixem comigo. –Ela pediu e Jason concordou com a cabeça como um bobão apaixonado. –Thalia e Nico vão chegar aí em uma hora. E como o Di Ângelo pilota helicópteros, ele esta indo com um buscar vocês para levá-los a Moscou. E depois vamos para o local da big bomba , terminamos logo com isso e adeus missão imbecil. –ela mostrou o dedo do meio para eles, mas Percy interpretou aquilo como um xingamento a missão e não a eles.
—Então é só isso.—Leo disse. –Hã, agora vem a parte complicada.
—Estava demorando pra não ter uma mesmo. –Percy não sabia como ainda ficava surpreso com a sua má sorte.
—Diga, Leo. –Annabeth pediu apreensiva.
—Vocês vão ter que evacuar a casa e a única pessoa que vai ficar aí é Annabeth.—Leo a olhou com pena. –Os outros vão ficar em um lugar que tenha pelo menos duzentos metros de distância da casa. Se Annabeth errar, ela será a única a ser morta e Percy poderá continuar a missão. Os senhores Nicolav e o menino estarão seguros.
—Você está brincando, não é? –Percy riu sem humor sentindo a raiva subir a cabeça. –Quer que ela esteja com todo o peso nas costas e corra esse risco sozinha?
Um ser surgiu atrás de Leo, era Joey. Ele parecia abalado pela recente perda de Phill, mas parecia decido também e disse as seguintes palavras com toda convicção do mundo:
—Annabeth é uma militar. Ela sabe que o dever vem antes de qualquer coisa.—Joey a olhou duro e frio. –Ela sabe que é o dever dela proteger você e essa família, Jackson. Phill sabia que era o dever dele morrer quando foi preciso e ela sabe que se for a hora dela, ela irá cumprir com isso. Certo, Chase?
—Certíssimo. –Annabeth bateu continência para Joey como se ele fosse um superior a ser imensamente respeitado. –E é isso o que vou fazer. –A voz dela vacilou na última palavra, mas Percy teve a impressão de que só ele percebeu.
—Você não precisa fazer isso. –Percy segurou uma das mãos dela. –É responsabilidade deles saberem qual é o maldito do fio certo.
—E é responsabilidade minha terminar o serviço caso eles não consigam. –ela retrucou. –É o que devo fazer.
Eles trocaram olharem intensos. Percy sabia que ela não iria desistir daquilo, era orgulhosa demais. Ele admirava tanta determinação, mas sabia que não poderia deixá-la sozinha ali. E ele não iria, claro.
—Eu te entendo. –ele mentiu e lhe deu um beijo na palma de sua mão.
—Evacuem a área.—Joey ordenou do outro lado. –Agora, Chase. Você tem as suas ordens, cumpra.
—Sim, senhor... –Annabeth arrastou a última palavra e sorriu para o colega. -... Comandante. –Ela completou a frase, ao que parecia, ela sabia só pela pose de Joey que ele havia tomado o lugar de Phill.
Percy e os Nicolav começaram a colocar grossos casacos e arrumaram tudo para sair de dentro da casa.
[...]
—É um abrigo feito por Petro para nos escondermos caso os vermelhos quisesse matá-lo, apesar de não ter adiantado nada. –Katerina explicou a eles quando eles chegaram a um abrigo parecido com os antibomba que faziam nos EUA.
Era a exatos duzentos metros de distância da casa dos Nicolav. Depois de tirarem a neve por cima, Percy viu um quadrado no chão com uma puxador, que ele puxou rapidamente. A pequena porta terrena se abriu e revelou um lugar subterrâneo do tamanho de um quarto. Era um buraco no chão praticamente. Não daria pra viver ali por muito tempo, mas Percy percebeu que era o máximo que Petro conseguiu fazer com poucos recursos.
Parecia um lugar quente e dificilmente alguém os descobriria ali, ainda mais com a camada de neve por cima, ele esperava que aquilo fosse o suficiente para proteger a todos no caso de uma explosão também.
—Pegaram a comida, senhora Nicolav? –Perguntou Percy.
—Sim, querido. Está tudo aqui. –ela respondeu.
—Ótimo, caso a casa exploda a comida dará até queCIA mande o resgate, o que não vai demorar muito, tenho certeza. –Percy pegou Mikhail no colo e o abraçou bem forte. –Em algum outro momento, eu gostaria de ser um pai pra você, rapazinho. –Ele beijou o rosto do menino e o entregou a avó. –Vocês vão ficar bem.
—O que quer dizer com "você"? –Grigori perguntou. –Você tem que ficar aqui conosco também, você ouviu as ordens!
Percy gargalhou baixo e um pouco nervoso, ele baixou os olhos e olhou com toda a certeza que tinha dentro de si para Grigori.
—O senhor não achou que eu fosse deixar a minha garota lá sozinha pra morrer só caso algo desse errado, pensou?
—Não é que...
—Qual é, senhor Nicolav, eu jamais faria isso. Está pensando que sou o quê, um marica?
Katerina deu um sorriso aberto e abraçou Percy fortemente, tomando cuidado com Mikhail em um dos seus braços.
—Obrigada por essas últimas semanas, rapaz. –ela agradeceu. –Você me deu a oportunidade de viver como se eu tivesse o meu filho aqui novamente.
—Ela tem razão, rapaz. –Grigori o abraçou logo em seguida. –Ainda falta alguns centímetros pra você ser igual a Petro, mas pra mim não faz tanta diferença. Você é um homem exemplar.
Percy sorriu para eles e deu um último beijo na testa de Mika.
—Obrigado. Agora tenho que ir.
E foi isso que ele fez. Fechou a pequena portinha com os Nicolav dentro do abrigo e correu para a casa. Chegando lá, Percy não perdeu tempo e desceu correndo as escadas até o porão. Se reteve um pouco antes de entrar de vez no cômodo, não queria atrapalhar o raciocínio de Annabeth caso ela estivesse cortando um dos fios.
—Não.—ele conseguiu ouvir a voz de Jason decepcionado na transmissão. –Não conseguimos descobrir qual é o certo.
—OK, vejo que terei que me virar sozinha. –Annabeth respondeu um pouco vacilante.
Percy entrou no porão e ficou atrás dela a observando. Ela ainda não tinha o percebi, mas assim que parou de encarar o gerador e virou para trás, o viu. Ela arregalou os olhos e ele colocou um dedo sobre os lábios pedindo silêncio. Percy engatinhou vergonhosamente até o lado esquerdo do gerador. Como a transmissão ocorria no computador 5, abaixado ele não apareceria na webcam e os agentes não o veria, porém ele conseguia ver a tela de relance assim como quem estava sendo exibido ali.
Annabeth tentou fingir que estava sozinha.
—Bem, vocês tem alguma dica? –ela perguntou –Eu não me lembro muito das aulas de desarmar bombas.
—Você sempre ficava zoando tudo e todo mundo, é claro que não iria se lembrar, querida.—Piper soltou ao fundo.
—Calada, Mclean, você me acompanhava todas às vezes que eu dava uma escapada. Você também tem culpa.
Piper exibiu o seu dedo do meio pela segunda vez naquele dia.
—Geralmente o fio verde é apenas uma distração, Annabeth.—Percy sentiu náuseas ao perceber que aquela era a voz de Daniel, que pelo tom, ainda não havia superado a paixão por ela. –O amarelo e o vermelho é que realmente contam.
—Então devo descartar logo o verde? –ela indagou e todos que estavam à vista pareceram concordar. –Ótimo, 50% de chance de morrer ou acertar.
Ela foi para o lado de Percy encarando-o. E sem tirar os olhos dele, falou um pouco mais alto:
—Já estou aqui, não vai dar pra vocês me verem enquanto faço isso, mas estou os ouvindo. –Assim que ela terminou a frase deu um beijo apaixonado em Percy.
Ele retribuiu o beijo mesmo não entendendo nada.
—O que está fazendo aqui? –Annabeth sussurrou o mais baixo possível
—Não podia deixar você sozinha em um momentos desses. –ele respondeu no mesmo tom.
—Mas se você morrer a missão morre também, e o mundo todo inclusive.
—Você ainda não entendeu, não é, sabidinha? Se você morrer, então mundo morre pra mim também. Nada vai fazer sentido. –Percy deu um beijo no pescoço dela. –Nem mesmo terminar essa missão.
—Você é burro mesmo, Percy. Puta que pariu. –ela soltou uma risada contida.
Annabeth girou o alicate nas mãos e olhou para os fios. Era uma decisão extremamente difícil e Percy torcia para ela não vacilar.
—Qual vocês acham que é o fio certo?
-Vermelho, geralmente são os vermelhos que carregam a energia.—Joey disse.
—Aposto no vermelho também, loira.—disse Leo.
—Mais alguém tem algum palpite?
—Não, não queremos ser responsáveis pela sua possível morte.—Piper gritou e os olhos gargalharam.
—Haha, muito engraçado rainha da beleza. –Annabeth debochou da sua amiga. –Pelo menos ainda faltam mais meia hora para Thalia e Nico chegarem, se essa merda explodir não vai alcançar o helicóptero deles.
—Exato, esse é o momento, Chase. —Joey determinou. –Você tem que cortar, contamos com você.
Ela olhou para Percy, que moveu os lábios dizendo “você consegue”. Annabeth posicionou o alicate pertíssimo do fio vermelho, havia chegado o momento de cortá-lo. Percy pode sentir a tensão dela percorrer cada célula do seu corpo também, as emoções dos dois eram as mesmas. O mesmo medo e o mesmo nervosismo.
—Tudo bem. –Annabeth sussurrou para si mesma. –Eu posso fazer isso.
Ela afastou o alicate e na hora de cortar um fio, fez algo que fez o coração de Percy falhar uma batida: ela cortou o fio verde, aquele que todos disseram que não tinha efeito sobre nada. O gerador começou a vibrar e fazer um barulho como o ronco de um motor.
—Annabeth?—a voz em tom estridente de Piper a chamou aflita.
—O que você fez, Annie? –Percy perguntou.
—Apenas cortei o que achei que seria o certo, mesmo todos dizendo que não era. –ela respondeu. –Eu sei, é que gosto de ser trouxa. –ela o beijou de novo. –Eu te amo.
—Eu também te amo. Nos encontramos no inferno. –ele sorriu temeroso pela morte.
Percy a jogou no chão e ficou por cima dela para protegê-la mesmo sabendo que não adiantaria nada num caso de explosão. Ele esperou por trinta segundos, mas não sentiu nada o queimando. Esperou um minuto, dois minutos. Ele achou morrer rápido demais e indolor. Então ele decidiu abrir os olhos, era hora de encarar o diabo com um tridente pronto para espetar em seu rabo.
A primeira coisa que viu foi o porão da casa dos Nicolav e um gerador que não funcionava mais.
—Por que o inferno parece com o lugar que morremos, é uma pegadinha dos demônios? –ela indagou sem entender nada.
Annabeth o empurrou tirando ele de cima de si.
—Não morremos, imbecil. O gerador parou de funcionar, eu cortei o fio certo! –ela se levantou sorriu e com o semblante em comemoração.
—Mas o quê? –Percy olhou em volta. –Puta merda, você conseguiu, Annabeth! Você conseguiu!
Ele a abraçou e a levantou a rodando no ar. Pode ouvir a equipe comemorando do outro lado e Joey o repreendendo por ter estado ali o tempo todo.
—Isso foi a ação mais displicente que já vi, Jackson.—Joey tentou fingir que estava bravo, mas um sorriso brincava em seus lábios.
—Eu também estou feliz por estar vivo, Phelps. –Percy sorriu para ele.
Eles comemoraram ali e os agentes do outro lado. Mas comemoraram por pouco tempo. Logo um agente, que Percy não se lembrava o nome, fora sussurrar algo nos ouvidos de Joey que arregalou os olhos com a notícia.
—O quê?—ele gritou com o rapaz que parecia ter uns dezenove anos. –Saiam daí agora!
Os outros agente ficaram em silêncio repentino e sem entender nada assim como Percy e sua namorada.
—Saiam! Os vermelhos desconfiavam que vocês estivessem aí e agora com a merda do gerador desestabilizado, nossas rotas registraram que eles estão indo aí matar vocês.—Joey explicou tudo. –Se escondam o mais rápido possível. Assim que a ameaça passar e eles saírem de nossas rotas, Nico e Thalia estarão aí para resgatá-los.
O cérebro de Percy paralisou-se, ele só conseguiu pensar em duas coisas: a primeira era que tinha quase certeza que esse Nico era o seu primo esquisitão que ele não via a séculos, e segunda era que ele e Annabeth precisavam correr até o abrigo. Ela parecia ainda estar em transe, por isso Percy a puxou pela mão.
—Vamos, meu amor. –ele puxou o cabo desligando o computador 5 e interrompendo a transmissão. –Temos que sair daqui.
[...]
Aquele foi os duzentos metros percorridos com maior velocidade na vida de Percy. Annabeth disparou um pouco a sua frente, já que tinha um melhor preparo físico, mas ainda assim ele fora rápido. Ele com certeza deixaria o melhor corredor de cem metros no chinelo.
Ele correu tanto que não conseguiu parar, então se jogou no chão deslizando na neve e parando a alguns centímetros da portinha no chão, bem a onde havia deixado um galho de árvore para se lembrar do local. Annabeth já tinha tirado a neve de cima dali e Percy, ao chegar, puxou a portinha na maior velocidade que conseguiu.
—Senhores, Nicolav, nos deem espaço. Os vermelhos estão vindo nos matar e temos que nos esconder. –Percy jogou Annabeth lá dentro, que reclamou do atrito do corpo no chão. –Muito obrigado. E eu prometo ser delicado da próxima vez, Annie.
—Vai se foder, que merda. –Ela esfregou a cabeça. –Estou com um galo na parte de trás da cabeça agora.
—Mas pelo menos estamos seguros. –Percy disse.
Mika gritou para ficar nos braços de Annabeth e ela o pegou ainda reclamando da cabeça. Percy contou o que estava acontecendo aos Nicolav. O casal olhava um para o outro de uma forma que incomodava e dava medo em Percy.
—Então, é isso. –Percy finalizou.
—Quanto tempo acha que eles levam pra chegar aqui, querido? –Katerina perguntou.
—Uns 10 minutos no mínimo. –Percy respondeu. –Por quê?
—Porque nós temos que voltar para casa –Grigori respondeu.
—O quê? Não, Grigori. –Annabeth estava vermelha de raiva. –Que porra é essa? Eles vão matar vocês!
—Nós sabemos disso, filha. –Katerina a olhou sorrindo tristemente. –Mas se não estivermos lá, eles vão procurar tudo e talvez os achem.
—Se formos para lá, eles vão entender que vocês fugiram e vão os procurar na floresta e talvez até irão para a cidadezinha perto daqui achando que vocês fugiram para lá. –Grigori explicava. –Vão perder tempo nos matando ou interrogando e ao julgar por esse tempo perdido, eles vão se ver obrigados a aceitar essa como a única possibilidade possível.
—Mas vocês não podem ir pra lá assim. –Percy olhou para o senhor baixinho e a senhora com olhos meigos a sua frente. –E Mika?
—Ele fica com vocês, oras. –Grigori apertou o ombro de Percy. –Meus filhos se sacrificaram por essa causa e agora chegou a nossa vez, Jackson. Já estamos velhos e vocês ainda têm muito o que viver e ainda têm um mundo pra salvar. Podemos nos sacrificar sem problemas. Não vou fugir de um desafio desses, não sou um maricas, rapaz! –Grigori sorriu com os dentes amarelos de vodca.
Percy sabia que ele não iria desistir. “Marica” era a palavra chave para Grigori dar uma de durão.
—E eu não vou abandonar o meu marido, meninos. –Katerina foi até Annabeth e lhe deu um beijo do rosto. –Não conseguiria viver sem ele, ainda mais nessa idade.
Percy se deu por vencido e abriu a portinha fazendo o vento gélido de Donestk entrar dentro do abrigo. Annabeth se sentou no chão olhando desolada para Mika que brincava com o final da trança em seu cabelo.
—Adeus, senhores Nicolav. –Percy de despediu quando eles já estavam lá de cima acenando para eles.
Ele pôde ver algumas lágrimas escorrerem do rosto de Katerina, mas não deu muito tempo de observar o rosto dela. Logo, ela e o marido já estavam correndo pela neve em direção a casa. Percy observou com apenas um pedaço de sua cabeça para fora eles entrarem lá dentro. Ele juntou a neve com a mão e jogou em cima da portinha e depois a fechou, torcendo para que os vermelhos não percebessem nada.
Dentro do abrigo havia tensão.
Ele se sentou no chão do lado de Annabeth e a abraçou. Mika ficou divido entre o colo dele e dela.
—Vão, me tragam esses desgraçados! –uma voz disse lá encima.
—É Octavian. –falou Annabeth.
Percy não disse nada, não era hora pra palavras. Era hora de torcer que nada desse errado. Ele fechou os olhos sentindo frio e medo. A única coisa que iluminava o abrigo era uma pequena vela que havia ali, e ainda assim, esta parecia que não duraria muito.
Ele ouviu os vermelhos passaram por cima do abrigo correndo. Ouviu-os arrombarem a porta da casa, não sabia como tinha conseguido ouvir àquela distância, mas ouviu. Não demorou mais de dez minutos e ele ouviu o barulho de tiros.
—Não. –Annabeth gemeu ao seu lado.
Mikhail pareceu ter absorvido o medo dela e começou a chorar. Annabeth não aguentou e chorou também, baixo, mas ainda assim era perigoso e havia o risco de serem ouvidos. Mikhail, por outro lado estava começando a chorar mais alto. Percy o pegou no colo e o abraçou forte.
—Xiu, não chore, meu garoto. –Percy o balançou levemente. –Eu estou aqui, você está seguro.
Ele não fazia ideia do que estava falando só queria que Mika entendesse que podia confiar nele. O garoto o olhos com aqueles olhos azuis um pouco vermelhos do choro e por incrível que pareça, parou de berrar. Percy sentiu Mika fungar e tremer de medo, mas o garotinho não fazia barulho. Ele ficou com os bracinhos envoltos no pescoço de Percy e a cabeça repousada no seu ombro direito. Uma das mãos de Mika escorreu e segurou um dedo de Annabeth, que também repousou sua cabeça no mesmo ombro direito de Percy, dividindo com Mika.
Um grito de Octavian foi ouvido. Ele parecia irritadíssimo por não tê-los encontrado lá. Ele atirou mais algumas vezes e de repente sua voz pareceu mais audível de onde eles estavam.
—Devem ter fugido pela floresta até aquela cidade de merda aqui perto. São mais uma porrada de quilômetros até a civilização. Esse lugar é literalmente no meio do nada. –Octavian disse para algum de seus capangas. Percy agradeceu aos céus por ter um inimigo tão burro. –Vasculhem a área e depois adentram nesse maldito matagal.
—O que fazemos com os corpos, senhor? –algum verme vermelho perguntou.
—Tirem fotos e mandem para Cronos, ele vai gostar de ter pelo menos essa satisfação. E depois deixem os aí. Que se decomponham em frente à casa, eu não me importo.
Percy trincou o maxilar, a raiva queimou dentro de si. Os vermelhos assobiaram, correram e gritaram perguntando uns aos outros se haviam encontrado algo e nada. Depois de um tempo, Percy os ouvi indo embora.
—Vamos ficar aqui até Thalia e Nico chegarem. –ele decidiu.
Annabeth fungava junto com o pequeno, Percy sabia que os dois estavam chorando e podia sentir seu coração sendo triturado quando ouvia algum deles fungar.
—Sabe, Mikhail, eu gosto do significado do seu nome. –Annabeth começou a conversar com o garoto. –Onde eu moro, você se chamaria Michael. Em alguns lugares você se chamaria Miguel, Michel, Micael, Michelle, Mikel... enfim, isso não muda o significado do seu nome.
Mika deslizou o próprio corpo e Annabeth entendeu o recado: ela o pegou no colo e ele ficou olhando fascinado para ela, enquanto uma das pequenas mãos limpava os próprios olhinhos.
—Em qualquer língua você seria um anjo, arcanjo na verdade, alguém que trás luz e que é enviado diretamente dos céus para ajudar um outro alguém. –Ela sorriu triste para ele. –Eu sei que você tem pouco tempo de vida e já sofreu tanto e sei que você está sendo dado a mim em uma situação difícil, mas você é o meu anjo. Eu pensava que jamais poderia ter filhos, Mika, mas aí vem você e se transforma numa luz pra esse problema.
Percy colocou uma mão na testa e envergou a sua cabeça, sentia seu coração doer e ao mesmo tempo se encher de uma estranha alegria. Ele sentiu seus olhos marejarem e um sorriso se formar no canto de sua boca.
—Eu acabei de ganhar um filho, meu anjo. –Annabeth beijou a testa de Mika e bagunçou o seu cabelo. –E vai ficar tudo bem, eu prometo. Você nunca mais vai sofrer dessa maneira, porque agora a mamãe está aqui.
Percy jurava que aquela cena não poderia ficar mais bonita, até o pequeno anjo de Annabeth sorrir banguela. Ele gargalhou e ela também. Era uma cena estranha e se ele contasse ninguém acreditaria: eles haviam encontrado alegria no meio do caos.
A loira olhou no fundo dos olhos verdes de Percy e ele assentiu. Aquele moleque era parte dele também, era filho dele também e agora era a ligação entre eles para sempre. Percy jamais poderia sair da vida de Annabeth agora, pois ele tinha um filho com ela. Ele aceitou de bom grado aquela dádiva.
—Ei, Mika. Você tem um pai também, não se esqueça de mim. –Percy balançou um dos bracinhos deles. Mika gargalhou e chorou ao mesmo tempo e Percy ficou espantado, não sabia que bebês de oito meses podiam fazer aquilo.
Percy estava feliz, mas sabia que nada se comparava a felicidade de sua garota. Eles ficaram ali até que uma voz que Percy estranhou ser conhecida, os chamou.
—Annabeth? Percy? –era a voz de seu primo.
—Aqui. –Percy gritou de volta e abriu a portinha do abrigo.
Nico Di Ângelo levantou uma sombracelha e tirou o cabelo de frente dos olhos.
—Ora, ora, se não é o peixinho.
—Não me chame assim, seu retardado. –Percy retrucou tentando parecer bravo. Ele olhou para o lado e reconheceu o que parecia ser a sua prima distante que ele apenas havia visto uma vez. –Talita?
—É Thalia, seu filho de pescador. –ela disse.
—Ei, eu só te vi uma vez na vida, não me culpe! –Percy processou tudo depois de uns minutos. –Caralho, “Thalia e Nico” são os meus primos. Eu consegui juntar Nico ao jogo, mas você não.
—Meu pai sempre me disse que tio Poseidon era o mais lerdo mesmo, o filho tinha a quem puxar. –Thalia riu da cara de Percy junto com Nico.
—Ah vão se ferrar vocês dois.
—Isso é jeito de falar conosco, Jackson? Somos o resgate. –Nico deu aquele sorriso sinistro de zumbi de The Walking Dead. –Onde está Annabeth?
Percy se lembrou de sua namorada e sorriu, deixando Nico e Thalia confusos.
—Está aqui dentro do abrigo. Vou pedir pra ela sair. –Percy a chamou e ela começou a se levantar com Mika nos braços. –Ela acabou de ganhar um filho!
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