The Scientist
12 Burgas I - "Um déficit no quesito se desculpar"
Notas iniciais
18 de fevereiro
Escala em Sofia. Chegada ao porto de Burgas, Bulgária.
Percy se remexia inquieto na poltrona do avião, porém o desconforto maior sentido por ele era a culpa. Depois do incidente em Madrid, ele e Annabeth brigaram feio um com o outro.
Ela estava chateada por ele ter interrompido o curso das viagens, porém ela não falou com arrogância com ele. O problema foi a explosão emocional de Percy, matar uma pessoas era muito perturbador, e ser confrontado por apenas querer um tempo de descanso com o seu pai era pior ainda. A briga se iniciou com ela dizendo que ele era um idiota impensável e com ele gritando com ela e jogando na cara dela as coisas que ela fizera desde o seu passado.
Resultado: Ela saindo chorando do local da conversa e ele tentando há três dias se desculpar. Toda vez que ele a via, seu coração ficava apertado e ele tentava a todo custo dizer que estava arrependido. Na verdade Percy sabia que ela entendia o motivo para ele ter ficado com raiva, mas Annabeth era uma pessoa dotada de orgulho e não ira dar o braço a torcer tão fácil.
Percy tentara falar com ela quando eles adentraram no avião. Ela se limitou a lhe dar um “bom dia” e educado e contido e se sentou na poltrona da janela, enquanto Percy se sentou no corredor. Um cara que aparentava ter 28 anos, assim como Percy se sentou entre eles e começou a conversar com Annabeth. Percy tentou reprimir um sentimento incomodo que cresceu dentro dele ao ver Annabeth sorrindo para o homem e não ter sorrido para ele nem uma vez no dia.
–Ei, amigo. –Percy disse ao rapaz, interrompendo a conversa dele com Annabeth. –Pode me acordar quando tivermos chegado a Sofia?
–Claro! –ele respondeu com aquele sorriso perfeito e irritante.
Percy se virou e dormiu como uma criança na viagem. Seu pesar era tanto que havia até esquecido sua fobia de altura.
[...]
Depois de terem feito a escala em Sofia, Percy e Annabeth seguiram de avião até o aeroporto de Burgas. Saíram do local e pegaram um taxi.
O taxista falava a língua búlgara que era muito parecida com o russo e Annabeth se comunicou com ele. Percy observava a forma gentil com que ela tratava as pessoas desconhecidas. Ela entregou o endereço da casa que Poseidon dissera para Percy procurá-lo.
–Hã, Annabeth? –ele a chamou.
–O quê foi? –ele rebateu.
–Você poderia me dar o endereço para eu dar uma olhada, por favor?
–Sim, claro. –ela disse seca e lhe entregou o pedaço de papel sem nem ao mesmo olhá-lo nos olhos.
O cérebro de Percy quase deu um nó tentando ler a palavra.
–Aqui diz que é a rua A — alesk . –Percy gaguejou. –Aleksa. Argh, não espera, agora vai: Alek-dro-vis-ca. –ele disse a palavra pausadamente e sorriu satisfeito consigo mesmo.
Annabeth deu uma risadinha contida e até o taxista deu um sorriso torto. Percy ficou feliz por tê-la feito rir, era um grande passo para voltarem a se falar.
–É Rua Aleksandrovisca, Perseu. O principal centro comercial de Burgas. –ela disse em voz baixa e contida.
–Pra mim parecem os ditos de um ritual satânico.
E então, ela riu de verdade. Ele se sentiu bem por alguns segundos até ela lembrar que estava chateada com ele e voltar a fechar a cara. Percy bufou e voltou a se sentir mal. E o irônico era que da ultima vez que eles estiveram em uma taxi juntos, estavam se divertindo e aproveitando a companhia um do outro.
Quando chegaram ao endereço, descobriram que teriam que subir até o sexto andar. Percy tocou a campanhia do apartamento e se surpreendeu com a pessoa que abriu a porta.
–Tristão? –disse Percy incrédulo.
–Percy, irmãzinho! –seu irmão o cumprimento.
Tristão era meio irmão de Percy, filho somente de Poseidon com uma mulher que nunca se preocupou em conhecer o filho. Poseidon sempre levava Tristão para todo lugar que ia, mas quando o rapaz fez seus 18 anos, tomou seu próprio rumo na vida e foi estudar relações internacionais na Holanda. Percy nunca fora muito apegado a Tristão e às vezes – com consciência da sua insensibilidade — esquecia que ele existia. Mas tinha um carinho especial por ele.
O rapaz estava diferente, deveria estar com seus 33 anos. Os cabelos longos que pareciam ir até a metade das costas, estavam presos em um coque desarrumado. Os olhos eram verdes como os de Percy e de seu Poseidon. A barba estava bem aparada e Tristão – assim como o irmão e o pai – também exibia uma tatuagem de um tridente, só que a dele era no antebraço.
–Entre, irmão. –Tristão disse a Percy. Ele se dirigiu a Annabeth com um sorriso sedutor natural – Pode entrar também, senhorita. Se for acompanhante do meu irmão também é muito bem vinda.
Annabeth emitiu um ruído esganiçado e no mesmo instante Percy entendeu o porquê. O seu irmão parecia um modelo das mais badaladas passarelas, o sorriso era cativante, a blusa cinza apertada ao corpo com os cordões de contas e as pulseiras de tiras marrons apenas davam um contraste ao corpo definido e altamente musculoso, e a bermuda e os chinelos o faziam parecer sensualmente largado.
Ele fechou a cara por aquela cena toda dela. Estava com o sorriso maior do mundo e as bochechas um pouco coradas, ela apertou a mão de Tristão por tempo demais, deixando Percy irritado.
Eles entraram na sala do apartamento pequeno. Percy estranho o lugar ser tão simples, seu irmão ganhava bem e seu pai mais ainda. Eles ganhavam em um mês quase a mesma quantia que Percy ganhava quatro meses no trabalho.
–Então, irmãozinho, você deve está se perguntando onde o papai está, certo? –Tristão abriu os braços e fez uma careta e se jogou no sofá caindo deitado. –O velho pirou de vez, irmãozinho.
–Como assim pirou? –Percy levantou uma sombracelha para o irmão.
–Ficou maluco, Percy, biruta, mais idiota do que você com as garotas quando era moleque!
–Tristão, explique melhor, por favor. –Percy pediu.
–Está bem. –Tristão se levantou e ficou sentado no sofá. Ele apontou para a poltrona na sala e Percy entendeu que era pra ele se sentar lá. Tristão deu um tapinha no lugar ao lado dele no sofá e Annabeth se sentou ali, ainda com aquela cara de abobalhada que fez Percy bufar. Tristão voltou com as explicações: – Papai continua como biólogo, só que desistiu de morar em “terra” – disse ele fazendo as aspas com os dedos – Ele comprou um barco não muito grande, mais parecido com uma lancha enorme, e agora cismou que quer morar lá. Já está ali há um ano e quando eu vim lhe fazer uma visita, ele me ofereceu esse apartamento aqui, já que no momento estou aqui a serviço do ministério de pesca da Holanda.
E então Tristão continuou a explicar os fatos. Poseidon estava morando no barco ancorado a costa mais afastada do porto de Burgas. Pelo o que Percy entendeu, seu pai tinha lhe dado o endereço do seu irmão porque no momento ele estava dando aula de natação para as crianças locais. Aquilo era algo curioso, já que na Bulgária –como em toda a Europa- estava no inverno e fazia aproximadamente 10C°, o que era considerado um dia quente para o inverno rigoroso. Annabeth continuou calada e vez ou outra olhava para Percy, talvez ela quisesse voltar a falar com ele já que era o único amigo que iria lhe fazer companhia nos próximos dias, mas ele sabia que ela estava esperando um magistral pedido de desculpas.
–Tristão – Percy chamou o nome do irmão, interrompendo a conversa dele com Annabeth sobre os costumes búlgaros – Você pode nos levar até o Papai? Seu apartamento só tem um quarto, o que significa que vamos ter que ficar com ele esteja ele louco ou não.
–Claro, irmãozinho. Vou pegar as chaves do carro e levar vocês até lá. –E assim, seu irmão se levantou e foi até o quarto.
Quando o rapaz mais velho saiu, Percy se sentou rapidamente ao lado de Annabeth e segurou a mão dela.
–Annie, por favor, me perdoa.
–Perseu, não começa com isso. –ela o repreendeu e tirou com rispidez sua mão do aperto da dele.
–O que mais você quer que eu faça? –ele implorou com os olhos pidões.
Ela o olhou por um instante, seus olhos cinza de tempestade se tornando um azul claro da cor do céu. Ela iria responder algo, mas Tristão apareceu na sala e não percebeu estar interrompendo o momento.
–Quem está pronto pra visitar um maluco de terceira idade?
–Nós, claro — Annabeth respondeu e se levantou, esquecendo que estava prestes a dizer algo para ele.
Tristão dirigiu por todo a costa de Burgas, pelo o que parecia seu pai estava mesmo num canto mais afastado do lugar. Percy ficou observando o céu nublado e se lembrou dos olhos de Annabeth e o quanto sentia falta da amizade dela em apenas três dias. O mar do local era de um verde claro que quando ia chegando a mar aberto se tornava um azul escuro e intenso. Bem no finalzinho da praia ele avistou um homem sem camisa e de bermudas jeans, ele fazia gestos com as mãos para um bando de no máximo 30 crianças. Elas sorriam para o homem e o vento despenteava o cabelo desgrenhado dele.
Percy se lembrou de quando era apenas um garotinho. Seu padrasto sempre fora um segundo pai atencioso para ele, mas nada se comparava ao cara rebelde, com atitudes delinqüentes e com um sorriso caloroso vindo lhe visitar. Seu pai sempre chegava desarrumado, dava um aperto de mão firme e uma pisadela para Paul e abraçava gentilmente sua mãe. E então os melhores momentos da vida do pequeno Percy começavam quando o seu pai abria a porta do carro, colocava-o no banco de trás e ia para a praia com ele. Eles sentavam na areia da praia à noite e seu pai o deixava descansar no seu colo. O pai ensina ao filho sobre a vida, o mar, a forma certa de se pegar as garotas e sobre o amor. E Percy sempre se lembrava dos olhos verdes gentis lhe dizendo que pele poderia dormir. E então ele descansava a cabeça no peito do pai marcado por uma tatuagem azul de um tridente, e dormia.
Então ele não conseguiu evitar o sorriso quando ouviu o discurso do seu pai sobre o mar. Poseidon ainda estava de costas para eles, concentrado em explicar suas palavras às crianças.
–A água, crianças, não é só 70% do planeta, ela é a vida. Cada pedacinho de vocês, cada alimento que vocês comem, cada coisa que esse mundo produz. Tudo, exatamente tudo, precisa de água. E mesmo que esteja inverno e vocês não possam nadar no mar por causa do frio, vocês têm que continuar a amá-lo. –dizia Poseidon em seu discurso.
Annabeth olhou para Percy e ele retribuiu o olhar fazendo-a revirar os olhos e sorrir, como se estivesse dizendo: “agora seu de onde vem o seu lado de cientista esquizofrênico”.
Percy sorriu também.
–É, o meu pai é meu anormal mesmo. Quando nós éramos adolescentes eu sempre te dizia que achava que ele usava drogas.
–Eu me lembro de você dizendo isso e da minha mãe brigando com ele toda que ele ia te visitar. –ela completou, ainda com o sorriso de lado no rosto. Ela olhou para o topo da cabeça de Percy e disse: — Nenhum homem da sua família tem o habito de pentear os cabelos, não?
–Sei lá. –Percy deu de ombros e percebeu algo que o fez ficar mais esperançoso. –Ei, você voltou a falar comigo?
O sorriso de Annabeth sumiu, ou pelo menos ela tentou esconder. E então ele entendeu tudo. Ela não estava mais com raiva, só estava magoada e queria que ele pedisse desculpas por isso, não pela briga em si. Ela estava feliz por ele estar ali com o pai e também estava com saudades da amizade deles. Ela só não queria entregar as pontas tão facilmente por que odiava se decepcionar e deixar a mesma situação acontecer de novo. Ela achava que por acaso se rendesse tão facilmente, ele poderia voltar a fazer a mesma coisa.
–Não. –ela respondeu simplesmente. –Agora se cale e me deixe escutar seu pai falando do quanto o mar é legal.
Ele se deu por vencido e voltou a ouvir seu pai.
–O mar, crianças, me deu as melhores coisas da minha vida. Deu-me meu emprego, minha felicidade, minha paz, meu filho Tristão e o meu outro filho, que não está aqui. –Poseidon falou.
–Quem é ele, tio? –perguntou uma menininha com seus prováveis 7 anos e que estava banguela pela falta dos dentes da frente.
–Ah ele é alto,Sacha. Ele é o menino mais irritantemente certinho e inteligente que já conheci. Muito calmo também. Tem os cabelos negros e os olhos iguais aos meus. – O homem mais velho continuava com o rosto sonhador virado para o mar.
–Tio Poseidon, as pessoas diziam que ele era igual a você? – um garoto que parecia ter a mesma idade que Sacha, perguntou.
–Sim, diziam que ele era a minha cópia de quando eu era mais novo. Mas como você sabe disso, Aleksi?
–Ah, tio, é porque tem um homem igualzinho ao senhor para do ali.
Poseidon se virou tão drasticamente que quase tropeçou na areia da praia. Ele levantou as sombracelhas e um sorriso tomou conta de seus lábios.
Ele foi andando lentamente na direção de Percy, com os braços estendidos. E Percy não pode evitar ficar com os olhos um pouco marejados ao sentir o abraço carinhoso do pai. Que ele percebeu – olhem só! –estar mais baixo que ele alguns centímetros.
–Meu filho. –Poseidon disse depois que se afastou, olhando-o com orgulho.
–Papai. –ele respondeu.
[...]
–E então, vocês estão em uma viagem de negócios? –Poseidon perguntou.
–Sim, estamos, senhor Jackson. –Annabeth respondeu enquanto estendia sua taça para Poseidon enche-la com um pouco mais de vinho.
–Só não podemos lhe contar o que é, pai. –Percy advertiu.
–Ah, tudo bem. –O biólogo fez um gesto de indiferença com a mão.
A ideia de morar em um barco por alguns dias tinha deixado Percy curioso, mas o local era simplesmente perfeito. O barco era branco por fora, mas por dentro era decorados com paredes de madeira e estofados de couro marrons. Eles estavam jantando na cobertura do barco, a luz de velas, a céu aberto e com o vento marítimo transformando o clima em algo bom. Bebiam vinho e conversavam. Percy se sentia um pouco deslocado, por ser o mais correto da mesa, ele não tinha muitas histórias pra contar. O que ocasionou em uma amizade estranha entre seu pai e Annabeth, porém ele admitia internamente que era divertido ouvi-los conversar. Ele colocou mais um pedaço de bacalhau na boca, que Poseidon tinha pescado e o próprio Percy cozinhado.
–Hum, filho, esse bacalhau está delicioso! Com essa salada especial então, nem se fala. –seu pai o elogiou.
–Ainda bem que alguém aqui sabe cozinhar, porque senão íamos ter de comprar em algum restaurante todo dia. –Annabeth fechou os olhos de uma forma sexy enquanto se deliciava com mais um pedaço do pescado. –No meu apartamento existe uma pilha de caixas de pizza.
–Aqui em casa também tinha – Poseidon gargalhou. –Tristão disse que se eu não aprendesse a ter boas maneiras ira me levar a um psiquiatra.
–Você já tem que ir a um psiquiatra só por confundir morar em um barco como se fosse “casa”... –Percy murmurou baixinho, porém nenhum dos outros ouviu. Estavam entretidos demais na conversa e como antes, ele se sentia excluído.
–Ainda bem que minha amiga Piper de vez em quando faz algumas coisas. Iria ser ruim demais gastar todo o meu salário ligando para restaurantes e pedindo pra entregarem comida na minha casa. –a loira comentou.
Eles continuaram com a conversa até que acabarem de comer. Os homens guardaram a mesa que se dobrável em um local próprio para ela do barco e Annabeth retirou os pratos e as taças e levou-os até a cozinha no último andar do barco.
–Qual é o seu lance com a loira? –seu pai lhe perguntou quando estavam a sós.
–Ela é minha amiga, só isso. –Percy respondeu.
–Ahã, e por que estão sem se falar?
–Problemas antes de virmos pra cá.
–E depois fala que não está tendo nada com ela.
–Pai, não se meta nisso, por favor. –Percy finalizou a conversa, fazendo seus pais levantar as mãos em gesto de rendição.
Annabeth voltou e eles se sentaram nos bancos braços colados aos ferros que cercavam o barco. Annabeth e Poseidon conversaram como se eles é quem fossem pai e filha. Ela estava sentada no meio dele e de seu pai. E então, a conversa de repente virou algo que Percy classificou como “detonem o senso de dignidade do jovem cientista”.
–E então, Annabeth, já que meu filho não vai responder por que é muito recatado. –Poseidon se inclinou na direção dela e perguntou: -Me diga, vocês dois já transaram?
–Pai! –Percy protestou.
–Sim. –Annabeth respondeu com o sorriso travesso e cheio de humor pela cara vermelha de Percy.
–E como foi o desempenho dele? –Poseidon perguntou.
–Pai, essas coisas não se perguntam! –disse Percy sendo ignorado mais uma vez.
–Ah, senhor Jackson, ele foi incrível! –ela bebeu o último gole da taça que tinha trazido da cozinha. –Ele sabe usar a língua, sabe?
Percy corou violentamente e escondeu o rosto entre as mãos.
–Ah, graças ao deus mar. – Poseidon suspirou de alívio. –Eu fico preocupado com esse menino, a mãe dele diz que ele passa a vida todo naquele laboratório. Não come ninguém e não namora nenhuma garota. Eu cheguei a pensar que ele era gay.
–Pai, eu não sou gay. –disse Percy tentando finalizar a conversa.
–Bem, pelo o que pareceu ele é bem másculo. –Annabeth reforçou.
–Se vocês estão tão bem assim, estão se falando por quê? –Poseidon adotou um semblante preocupado.
–Seu filho é muito emocionalmente balado, senhor Jackson. E muito complicado também. –ela respondeu.
–Eu sei, eu sei. Por isso que eu achava que ele era gay.
–Então, enquanto ele não aprender a pedir desculpas decentemente eu não volto a falar com ele e ponto.
Os três ficaram em silêncio por um tempo, enquanto as luzes das constelações banhavam seus rostos. Percy pensou que finalmente eles pudessem ter uma conversa descente, mas seu pai contrariou esse pensamento.
–E o brinquedinho dele, cresceu? –
Annabeth gargalhou de verdade da pergunta de Poseidon. Percy se levantou e começou a ir até o quarto, no andar de baixo.
–Argh, vocês são impossíveis. –Percy falou. –Eu vou dormir.
E então ele foi até o quarto deixando Annabeth e seu pai falando de seu desempenho sexual. Como no barco só tinham dois, Annabeth teria que dormir com ele no mesmo quarto. Ela, porém, colocou um colchão no chão para ele dormir ali. Percy suspirou e pegou uma cueca Box na sua mala recentemente desfeita foi até o banheiro e tomou um banho quente. Ele colocou um short e uma blusa regata e se encolheu entre os edredons que Annabeth tinha colocado em cima do colchão para ele dormir.
Depois de alguns minutos dele rolando de um lado para ao outro, ele sentiu a claridade da luz sendo acesa e ouviu a porta do quarto ser aberta.
–Annie? –ele chamou.
–A própria. –ela respondeu.
Ele se levantou um pouco sonolento e foi até ela, segurou em suas mãos e olhou no fundo dos olhos cinza. Ele estava arrependido e não sabia por que ela continuava aquele joguinho.
–Vamos, me perdoa, Annie. –ele pediu, quase implorou.
–Percy... –ela suspirou e o olhou com compaixão. –Acho que você já entendeu que eu não estou mais chateada com você. Eu estou magoada. Você me disse que eu não me preocupo com ninguém, que eu só me importo comigo, que foi por isso que eu te deixei da última vez. Eu me arrependi do meu passado, mesmo. Mas é difícil conversar com você e olhar nos seus olhos sabendo que pensa tudo isso de mim. Por isso te evitei por esses dias.
–Eu fiquei com raiva depois que você disse que eu estava ferrando com a missão inteira e ainda envolveu o destino do mundo nisso. –ele a abraçou e ficou com os lábios encostados na testa dela. –Eu ainda não aprendi a lidar com toda essa pressão. E eu preciso de você pra me ajudar nessa, você é a melhor amiga que já tive. –ele abaixou o olhar para olhar nos olhos dela novamente. –E ei, eu não penso essas coisas de você. Disse isso pra te atingir, sei que foi errado, mas queria que você sentisse o que eu estava sentido.
–Isso foi cruel demais da sua parte. –ela falou.
–Eu sei que já falei isso demais, mas me perdoe.
–Tudo bem. –ela se soltou dele e pegou suas roupas para tomar um banho também. –Eu ainda estou magoada. Não pense que não estou falando com você por mal, só... Ah sei lá. Conversamos amanhã, ok? –ela sorriu docilmente pra ele e entrou no banheiro logo em seguida.
–Ok. –ele murmurou para si mesmo.
Percy voltou para o seu lugar no colchão e se cobriu com os edredons. Ele viu algo curioso jogado ao lado de sua mala no pequeno sofá no quarto. Ele andou até lá e viu que era uma foto que ele tinha colocado dentro da mala, sem nem mesmo se dar conta. Era a foto dele e de Annabeth com seis anos, quando se conheceram. Eles sorriam inocentemente para a câmera e ela era um pouco mais que ele na época. O Percy na foto parecia feliz e Annabeth parecia mais feliz ainda, parecia agradecida por ter ganhado um amigo quando estava em um lugar que tinha acabado de chegar e ainda não conhecia ninguém.
Percy guardou a foto num bolso da mala e de repente uma ideia genial de pedidos de desculpas veio a sua mente. Algo simples e bonito que, segundo as palavras de Annabeth, era a definição da perfeição.
Ele estava pegando no sono quando a porta do banheiro se abriu e ele sentiu um hálito quente e com cheiro de vinho chegando perto de si. Annabeth depositou um beijo no seu rosto.
–Boa noite, seu garoto irritante.
Percy estava com tanto sono que a única resposta que deu foi:
–Humm...
E com o som de uma risadinha fraca dela, ele despencou no mundo dos sonhos e dormiu.
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