The Savior
4 Capítulo 4
Chegando à taberna, o taberneiro já me deu as saudações “Prazer em te ver novamente Kazehira, vejo que cumpriu sua palavra. Aqui está a outra metade do seu pagamento. Eu já arrumei a cama para você e irei garantir que ninguém o perturbe.”
“Está bem, amanhã irei partir.” Eu subi as escadas, abri a porta do quarto e fui direto para a cama, deixei minha espada no chão, comi um pedaço de pão que havia guardado e adormeci.
Após estar descansado, arrumei minha roupa e peguei novamente a espada. Eu desci as escadas e me encontrei com o taberneiro. Ele parecia feliz, vivia sorrindo. Ele estava bebendo água e após terminar, falou comigo: “Você faz parte da resistência? Um dos seus amigos passou aqui há algumas semanas, veio comer na Taberna e logo partiu em direção ao castelo. Dizem que eles ficam nos arredores, mas devem ser só lendas.”
Eu não conhecia essa “resistência”, além disso, a única pessoa que eu conhecia forte o suficiente para ser lembrada, era meu mestre que havia sumido.
Eu quis saber mais sobre este tal lugar escondido, então eu falei com o taberneiro: “Você deve estar me confundindo, mas obrigado pelo elogio. Nunca ouvi falar dessa resistência. Por acaso essa pessoa que passou pela taberna possui cabelos brancos e carregava um bastão?.”
“Não, era uma mulher de cabelos vermelhos. Estava com um Arco e eu acho que notei sutilmente uma adaga em seus bolsos.” Respondeu o taberneiro, cruzando os braços.
“Interessante” eu disse. Parece que essa viagem será melhor do que eu imaginava. Eu preciso conhecer essa resistência, quem saiba meu mestre está lá. Faz 3 anos desde que eu o vi pela última vez quando misteriosamente ele desapareceu. “Você pode me dizer para aonde ela foi??”.
“É bem simples: basta que siga a estrada. No caminho você irá encontrar uma placa virada para esquerda escrito ‘Outside hill”, então siga para a esquerda, provavelmente ele deve ter ido para lá.” Respondeu o taberneiro, enquanto arrumava seu bar que acabara de chegar um cliente. Antigamente as tabernas viviam cheias, com gente bebendo e mulheres dançando. Hoje em dia, o tempo livre é usado para lutar. Poucas cidades não possui uma academia que, apesar disso, não possui tanta força para luta.
Parece que esse será minha próxima parada, mal posso esperar para encontrar alguém no meu nível. Quem sabe alguém pode me ajudar a chegar até o castelo. “Obrigado pela informação, espero que você fique bem.”
Eu já sabia meu objetivo, era hora de partir. O taberneiro continuou com um sorriso honesto e olhando para min. Acenou com a mão. Eu retribui, abri a porta e saí. Estava novamente andando pelas ruas da cidade, agora em outra direção. Dava para ver mais os destroços nessa parte da cidade. Grande parte das cabanas de madeira estavam novas, provavelmente pois foram reconstruídas recentemente. A grande guerra havia causado tudo isto.
Eu estava andando pela estrada de terra, aonde eu olhava era só árvores e montanhas. Era tudo verde. Na minha frente havia uma parte com uma variação de altitude, onde o terreno era mais elevado e era separado pela estrada, que continuava no mesmo nível. Era quase como uma caverna sem teto e sem escuridão.
Enquanto eu andava, ficava pensando nos textos antigos que meu mestre me mandava ler. Era chato e massivo, mas me ensinou bastante sobre magia. Eu tive sorte de derrotar aquele mago tão facilmente. Na verdade, eu faço minha sorte, então foi habilidade. A magia deles vêm da natureza, das plantas, árvores e outras coisas verdes. Dizem que pode vir até de pessoas. Eu já acredito que foi um presente dos dragões, antes de eles serem traídos. Os magos costumam meditar bastante. Enquanto não fazem isso, ou estão a trabalho, ou lendo pergaminhos antigos para aprender magias novas. Eu já tentei usar magia antes mas não me encaixo nesse estilo de vida ou não sou digno de coletar energia. Tanto faz, só preciso de minha espada.
O sol estava se pondo. Depois de andar por bastante tempo, eu encontrei a placa. Realmente estava escrito “Outside Hill” e estava virada para esquerda. Percebi que o caminho da direita estava com a grama amassada. Isto poderia significar que alguém havia passado ali frequentemente. O caminho tinha uma atmosfera estranha. Resolvi ir para a direita ao invés de seguir a placa. Peguei outro pedaço de pão e comi, depois bebi um pouco de água da minha garrafa e continuei andando. Já estava de noite, o céu sem nuvens em um azul violeta. Várias estrelas brilhando no céu deixava tudo mais lindo ainda. Me lembra de casa, essa era visão que eu tinha quase todas as noites, diferente daqui que só é mais comum ver a fumaça de vilas queimadas cobrindo o céu com a cinza dos que já se foram.
Eu resolvi acampar aqui mesmo. Peguei um pedaço de madeira de uma árvore caída, cortei com minhas espada e acendi. Deitei na grama e me cobri com minha capa. Já era de dia, o sol já havia nascido e os pássaros os pássaros estavam cantando. Eu amarrei minha capa na cintura pois o dia estava quente. Continuei andando por mais um tempo. Quando eu irei encontrar algo? Será que este caminho foi apenas um erro de interpretação meu?
De repente, minha espada começou a ficar estranha. Estava muito quente e parecia vibrar. Eu notei que em um certo trecho, ela ficava bem mais pesada quando eu atravessava. Eu desenhei uma linha para saber o exato local. Eu sabia que a minha espada não era uma simples arma, ela tinha uma história por traz que eu não conhecia, apenas o meu mestre. Eu resolvi fazer um golpe no ar mesmo já que não tinha nada a perder. De repente, a luz começou a se dobrar. O lindo campo verde foi desaparecendo aos poucos, dando lugar a uma fortaleza de madeira acabada. Eu escutei o barulho de madeira se esticando e um silvo no ar. Por um reflexo, eu fiz um golpe com minha espada no ar novamente, percebendo depois, que havia desviado de uma flecha. Eu ví duas pessoas em cima de uma torre. Era um local rodeado por um muro com estacas em cima e havia um portão gigante de madeira. A torre ficava em cima desse muro, onde havia espaço que era um corredor, provavelmente era um local estratégico para arqueiros. Um dos arqueiros era uma mulher de cabelos ruivos que batia com a descrição que o taberneiro me deu. Era um bom sinal, parece que eu havia encontrado o local. O outro também tinha cabelos vermelhos e não usava um arco, e sim, uma lança. Sua lança parecia conter algum tipo de escritura bem antiga. Os dois eram estranhos, havia um sentimento ruim quando se olhava para eles. O que estava usando a lança dava a sensação de antiguidade, enquanto a com o arco, de raiva.
“Quem é você? Como descobriu nosso esconderijo? Fale agora ou morra.” Disse a mulher.
Eu queria mostrar que não estava ali para lutar “Eu sou apenas um viajante, eu ouvi falar dessa cidade e vim para procurar uma pessoa. Vocês viram alguém de cabelos bran...”
“Nem mais um passo ou a próxima flecha irá acertar seu crâneo” -interrompeu-me a mulher. “Não minta, o que você realmente deseja fazer aqui? Como desfez nossa barreira?”
Que droga, eles não acreditam em mim, o que eu posso fazer para me acreditarem? Essa mulher está começando a me assustar. Ela fala como um homem, não vejo delicadeza.
O rapaz estendeu o braço e mandou ela parar. Ela abaixou o arco e ficou me olhando. Parece que eles não iriam me matar. De repente, ele saltou do muro e veio até min, carregando sua lança. Sua lança assustadora de perto, tinha metade da altura dele de comprimento e estava pintada de preto. Ele a colocou nas costas, com um cinto. Esse cara era muito estranho, nunca senti uma aura estranha como a dele, ele parecia possuir anos de conhecimento.
Ele se aproximou de min e disse: “Interessante você ter descoberto este lugar, por acaso o senhor é um mago?”
“Não me dou bem com magia”
“Então provavelmente foi sua espada, eu acho que já ví esse material antes... interessante. Me diga seu nome.”
“Kazehira Mikadzuk.” – Eu disse meio desconfiado “Agora que você já me conhece, me diga seu nome.”
“Ainda não é a hora.” – falou o ruivo com um sorriso amedrontador. Ele tossiu brevemente e parecia cansado “Então, você procura uma pessoa. Como tinha dito mesmo, cabelos brancos se não me engano?”.
“Sim, procuro um homem de cabelos brancos, um pouco mais alto do que eu e anda com um bastão.”
“Bom, após uma certa idade todos nós ficamos com cabelos brancos” – Ele disse dando uma risada irônica. “Mas eu acho que já vi uma pessoa usando um bastão bem fino e de sua altura, já que você não é muito alto.” Ele continuou rindo.
“Pode me dizer aonde ele está agora?, eu posso te pagar.” – mostrei um saco de moedas para ele – “Por favor.” Droga, estava até pedindo por favor.
“Hmm... Bom, eu não necessito de dinheiro, mas tem um favor que eu posso te pedir.” – Disse ele olhando minha espada ensanguentada. “Você parece ser bem forte, vejo que já conversou com algumas pessoas no caminho até aqui.” Ele continuava com ironias, não fazia sentido. “Bom, existe uma caverna perto daqui onde dizem estar lotada de minérios e, nós precisamos para reparar as armaduras e fortificar o local. Seria tudo uma maravilha se não houvesse um pequeno problema lá.”
“Que problema?”
“Bem, eu fui lá com um de nossos soldados dar uma olhada para confirmar se é verdade o não. O problema é que eu quase saí morto de lá e meu amigo perdeu o braço, o que não estava nos planos.” Ele sentou em uma pedra que estava com uma sombra de uma árvore próxima. Eu guardei minha espada, estava começando a ficar interessante. “Bem, a fera supostamente não era para existir ainda, e bem, eu pude confirmar que a caverna é bem valiosa. Eu quero propor uma coisa: Se você me ajudar a matar esse monstro, eu irei te contar sobre o homem dos cabelos brancos.”
Não parecia um bom acordo, não pelo fato de ter que enfrentar um monstro, mas de ter que andar com alguém, ainda mais alguém em quem eu não confiava. “Está bem, eu posso te ajudar se você me dar a informação e eu espero que seja verdade.”
“Tudo bem, eu irei chamar um de nossos melhores guerreiros para ir com você, creio que ele sozinho conseguiria com bastante esforço... então com seu auxílio, pode ficar bem fácil.”
O ruivo fez um sinal para um dos soldados que estava no lugar da ruiva, ele gritou “Abra os portões” e o portão começou a se levantar. Parecia bem pesado e estava se abrindo lentamente com a ajuda de mais dois soldados puxando correntes. Lá longe, vinha uma pessoa atravessando o portão. Ele possuía cabelos marrons, estava com apenas uma camisa, luvas, botas e pedaços de armadura protegendo partes estratégicas. Não estava quebrada, ela foi feita para ser assim. Ele se aproximou, era da minha altura. “Olá cavaleiro, será uma honra lutar com você” — ele disse.
Eu notei que ele não estava usando nenhuma arma, perguntei: “Onde está sua arma? Você irá apenas assistir?.”
“Não uso armas, sei que parece estranho mas é assim que eu luto” – disse ele enquanto mexia em suas luvas. Ele parecia ser uma boa pessoa, estava sorrindo e não mostrava falsidade.
“Bem, esse é Yuuki, um dos meus soldados mais confiáveis.” – disse o Ruivo com os braços cruzados “Eu já deixei ele a par das informações que pude notar sobre o monstro, e a propósito, meu nome é Hyoudou e eu sou o líder daqui.”
Bom, se o líder é confiante ao ponto de mandar sua arqueira que quase me matou sair, então acho que dá pra confiar na palavra dele na questão de poder, até porque ele me disse que sou forte e bem, é verdade.
O rapaz sem arma se aproximou mais ainda, abriu um sorriso de canto a canto da boca e disse: “Meu nome é Yuukite Nokoribi, prazer em conhece-lo.” Ele estendeu as mãos.
Nokoribi... uma família de magos, acho que já ouvi histórias deles antes. Eu aceitei suas saudações “O meu é Kazehira Mikadzuk. Bom, agora preciso saber aonde está esse tal monstro para que possamos partir.”
“Bem, Yuukite sabe o caminho, basta apenas segui-lo” – disse Hyoudou, “Espero que vocês consigam acabar com o monstro facilmente. Tome, leve isso.” Ele me deu umas ervas enroladas em grandes folhas. Eu não conhecia o nome das plantas. “Isso irá te ajudar caso se machucar, bem, boa sorte.”
Hyoudou se virou e foi em direção ao portão. Após isso, o portão se abaixou e ficou um silêncio.
Nós fomos andando. Eu estava seguindo o Yuuki, estávamos indo para a esquerda, enquanto estávamos de costas para o portão. Havia montanhas por perto, parece que iriamos até uma delas.
Yuuki estava calmo, parece que ele não se importava muito com o monstro que iria enfrentar “Então Kazehira, como você conseguiu quebrar nossa barreira de ilusão, você é um mago?” – ele perguntou.
“Não, parece que minha espada fez isso.”
“Que ‘espada’ estranha você usa, se é que pode se chamar o isso. Ela possui algum nome? É bem peculiar...”
“Eu a chamo de Crescent Moon.”
“O que há de especial nela para conseguir facilmente derrubar nossa barreira?”
“Bem, tudo o que eu sei é que foi forjada em uma caverna onde viviam dragões.”
“Interessante, se isso for verdade, deve ser de um material bem raro. Dragões estão extintos faz tempos, apesar de que já li relatos e estudos dizendo que eles vivem isolados em um lugar. Bem, são apenas teorias.”
“Bem, quem sabe.”
“Onde a conseguiu?”
“Recebi do meu mestre, após terminar o treinamento.”
Continuamos andando “O local é muito longe?” eu perguntei.
“Falta pouco para nós chegarmos.”
“Ainda bem que estou acostumado a andar longas distâncias.”
Yuuki parou de andar “Realmente vale a pena se arriscar assim para informações? Eu digo, você está indo matar um monstro que nosso líder quase morreu apenas para saber se ele viu seu mestre, sendo que você não tem confirmação se é realmente ele?”
Fiquei em silencio, pensando se valeria a pena responder. Yuuki me trazia um sentimento de confiança, era igual o que eu sentia com o meu mestre. Acabei respondendo sua pergunta: "Desde que cheguei aqui, há um tempo atrás, venho procurando ele. Apenas acho pequenas pistas mas mesmo assim, não vou desistir tão facilmente. Não é a primeira vez que me arrisco pra procurar pelo meu mestre. Preciso da ajuda dele para continuar minha jornada nesse mundo, somente ele pode me ajudar agora."
Fale com o autor