Notas iniciais
Olá, meus leitores! Espero que gostem ♥

Encontrei Mike sentado no balanço que Maggie e eu brincávamos quando criança, ele era de madeira e pendurado por duas cordas grossas que se prendiam em uma árvore centenária do jardim. Mike estava com uma taça de vinho nas mãos. Cheguei por trás e fiz um barulho com os pés para que ele não tomasse susto. Sentei-me ao seu lado no balanço e ficamos alguns minutos balançando lentamente.

—Não gosto de homem ciumento — falei um pouco entorpecida pela noite de bebidas.

— Eu não sou ciumento — Mike falou depois de derramar todo o conteúdo da taça na boca.

— Estou vendo — respondi sorrindo —Primeira lição de flerte: nunca demonstre para uma mulher que você tem ciúmes dela ou ela pode começar os joguinhos.

— Você vai começar os joguinhos? — ele perguntou me olhando com brincadeira.

— Eu não faço parte das suas lições de flerte — respondi começando a me balançar — E eu não gosto de joguinhos.

Sai do balanço e caminhei até a árvore que eu adorava brincar no jardim. Mike me seguiu como um cachorrinho e parou do meu lado, me observando atentamente. Eu gostava de passar minha adolescência naquele jardim. Maggie sempre trazia seus amigos para fazer piquenique e eu sempre acabava beijando um de seus amigos mais velhos, contudo eu não fazia isso por mal, eu nunca quis magoar minha irmã, mas eu era muito jovem e estava começando a conhecer a vida. Minha irmã sempre foi controlada e na linha, já eu era a garota que não tinha medo do perigo. Não é atoa que eu estava em uma situação ruim e Maggie era uma mulher bem sucedida.

— O que foi? — Mike perguntou ao perceber que minha expressão havia mudado. Meu passado estava ali na minha frente, assim que vi uma marca no tronco da árvore. P & M e um coração em volta.

Dei alguns passos para trás e corri para minha casa. Mike veio logo atrás. Entrei correndo na casa e fui para o meu quarto. Ver aquilo na árvore me fez querer vomitar. Eu não podia me lembrar do passado. Deixei a porta aberta, pois Mike estava vindo e, apesar de odiar compartilhar com os outros meu passado, ter alguém ao meu lado me fazia me sentir melhor.

— O que aconteceu? — ele me olhou preocupado demais. Quando viu meus olhos cheios de lágrimas, correu para me abraçar.

Aceitei seus braços sem reclamar, na verdade era bom sentir o perfume em seu pescoço. Afastei-me um pouco, mas Mike continuou segurando minha cintura com ternura. Fiquei encarando seus olhos expressivos, seus lábios tinham um formato de coração e eram avermelhados, como se me chamassem para um passeio. Beijei Mike como se aquilo fosse algo natural para mim. O cuidado que ele tinha ao me tocar fez com que eu me sentisse outra mulher, eu não era a Molly que sempre tomava a iniciativa, eu me sentia mais leve ali com ele. Por mais que eu estivesse assustada, Mike me confortou da melhor forma possível, seu beijo era como um elixir.

— Por que estava chorando? — ele sussurrou enquanto ainda me abraçava.

— Acabei de ver uma coisa do meu passado, aquele que eu nunca conto para alguém — respondi mais confiante, a Molly estava de volta.

— Você pode me contar — ele falou agora me olhando nos olhos — Posso parecer um canalha, mas eu não sou.

— Eu sei que você não é — respondi com um sorriso — Você mal saiu das fraldas.

Mike sorriu e pareceu convencido em não saber meu passado.

—Preciso voltar para a cidade — ele falou apenas segurando minha mão.

Eu queria dizer para ele ficar comigo aquela coisa, mas ao invés disso, falei:

— Você tomou uma taça de vinho, não pode dirigir. Melhor dormir aqui em casa, amanhã voltamos juntos.

— Acho que vou pedir carona a Tom — ele falou como se quisesse que eu insistisse mais.

— Tom, com certeza, vai dormir na casa da Amelia — falei convicta — Eu tenho um colchão de ar no armário, vai ser o melhor que você vai conseguir essa noite ou terá que dividir o quarto com a Amelia e o Tom, e essa certamente será uma experiência traumática.

Ele caiu na gargalhada e eu também.

— Você tem razão.

Mike me puxou para mais perto e me beijou de surpresa, me deixando sem ar.

— Será um prazer passar a noite ao seu lado — ele piscou de uma forma sexy.

Voltamos para o jardim. Amelia e Tom nos olharam procurando por algum sinal de que estávamos nos agarrando, por sorte meu vestido e cabelo estavam bem alinhados. Mike sentou em seu lugar e eu voltei para a mesa das minhas primas, onde eu deveria ficar até o fim do jantar. Morgan estava sentado em uma mesa com os amigos de colégio de Maggie, assim que ele me viu levantou a taça de champanhe e sorriu.

~~~

O jantar estava acabado. Maggie estava tão feliz que nem mesmo minha presença a fez se irritar. Ela e Robert foram dormir. Meus pais, Mike e eu estávamos na sala em um momento constrangedor. Na cabeça deles, Mike era meu namorado. E na cabeça de Mike nós estávamos prestes a ir para a cama. E eu só pensava em como sair daquela sala logo, antes que as perguntas de meus pais começassem a surgir.

— Mike, coloquei o colchão no quarto de Molly. Espero que durmam bem — minha mãe falou alegre.

— Obrigado, Susan! — Mike respondeu.

— Vamos estar no quarto ao lado, filha — meu pai falou com seu instinto protetor.

Mike não era a visão que os pais gostariam de ter na sala de casa num sábado à noite depois de várias doses de álcool. Ele era alto, com braços ligeiramente definidos, usava umas roupas de roqueiro pobre — que não tinha nada a ver com o evento chique de Maggie — e tinha piercing nos lábios. Meus pais deveriam estar preocupadíssimos com minha virtude vendo aquele rapaz na sua frente.

— Está bem, pai — respondi envergonhada — Vou para o quarto. Boa noite!

Despedi-me dos meus pais. Mike ainda ficou na sala para ajudar minha mãe com uns arranjos que estavam atrapalhando a passagem na porta. Entrei em meu quarto e vi o colchão que minha mãe colocou para Mike. Ele era o pior que tínhamos em casa, senti pena dele. Minha mãe só podia estar de brincadeira. Eu não poderia deixar um astro do rock deitar em um colchão feito de pedras. Ou será que podia?

Mike apareceu assim que eu estava saindo do banheiro. Havia colocado uma roupa velha da época do colégio já que eu não estava com minha mala.

— Minha mãe deixou um pijama do meu pai para você vestir — falei deitando na cama — Mas acho que você vai ficar parecendo um vovô se usar ele, dessa vez sou eu que não quero ficar traumatizada.

—Não preciso do pijama, eu durmo só de cueca — ele falou tranquilo e eu tossi. Depois dei uma risadinha sem graça. Como eu poderia dormir se Mike estaria só de cueca bem perto de mim?

Mike pisou no colchão e fez uma cara de decepção. Minha mãe não queria eu o deixasse dormir no pior colchão do universo.

— Esse colchão está muito ruim — falei sem graça.

— Cadê o colchão de ar? — ele perguntou olhando pelo quarto.

— Minha mãe emprestou para minha tia, acho que você terá que ficar com esse — eu ri.

Mike também riu daquilo.

— Bom... Minha cama é grande — sugeri e ele me olhou curioso.

—Você quer que eu deite seminu com você em sua cama? — ele falou bem humorado — Isso faz parte das lições de flerte? Treinando o autocontrole.

Eu quase sufoquei de tanto de rir da forma como ele disse aquilo. Mike me fazia rir mais do que o normal.

— Você é quem sabe. Pode deitar aqui comigo ou nesse colchão duro — conclui depois de parar de rir.

Mike tirou a camisa, a calça jeans preta e os tênis em um piscar de olhos. Depois apagou a luz e deitou ao meu lado. Em nenhum momento eu quis me esquivar dele, era bom estar tão perto de um homem que havia me feito rir tanto há alguns minutos. Ele se inclinou e beijou meus lábios de forma suave, como se uma pétala de rosa estivesse pousando em mim. Surpreendi-me em como Mike podia ser delicado. Puxei-o para mais perto e esperei até que ele tomasse a iniciativa.

— Não vamos fazer isso hoje — ele sussurrou —Você está bêbada, chorou em meus braços e seu pai está aqui do lado. Não vamos ser muito silenciosos.

Eu sorri e o beijei. Mike havia provado que era o cara mais digno que eu já havia conhecido e aquilo, perto dos homens que eu conheci, era um prêmio.

Notas finais
Obrigada!