The Same
1 Começo
Notas iniciais
Espero que goste.
Essa é a terceira vez que tento postar a fic aqui no site. Minha paciência está se esgotando, espero que dessa vez vá :p
Beijos ♥
A vida é dividida em momentos bons, médios e ruins. Eu estava em um momento médio. As coisas até estavam indo bem, mas nada era bom o suficiente para me fazer ser otimista. É certo que ser garota propaganda da maior empresa de laticínios do norte do país era maravilhoso, contudo eu sempre seria a garota do ‘Leite e Iogurtes Sabor do Campo’. Em todos os eventos de moda eu era reconhecida pelos consumidores de leite. Meu sonho era representar uma grande marca da moda, um grande estilista. Mas meu passado me deixava alerta, não queria correr os mesmos riscos de seis anos atrás. Quando eu era uma bela jovem de 18 anos, ingênua e que acreditava no papo de qualquer um.
Eu estava em um ensaio fotográfico com outras modelos. Todas estavam usando biquínis de uma marca recém-chegada no mercado. Eu seria a próxima a ser fotografada. Meu cabelo ruivo estava solto e caindo ao redor de meus ombros, eu usava um biquíni minúsculo verde claro, a estilista achava que combinava com meus olhos. O fotógrafo me chamou e eu subi no tablado.
— Molly, sorria como se quisesse conquistar a câmera — Charles falou para mim enquanto fotografava — Isso mesmo! Agora fique de costas e olhe para a câmera por cima do ombro.
Fiz o que ele pediu. Eu gostava do meu trabalho, embora me esforçasse muito para me manter na área. O dinheiro que entrava era o suficiente para que eu tivesse uma vida confortável, contudo eu ainda tinha que aguentar as críticas de minha irmã mais velha, Maggie. Ela era médica e achava que tudo rodava ao redor de sua profissão. Meus pais sempre me apoiaram, mesmo quando passei por uma grande crise nervosa aos 19 anos. Naquela época quase desisti de ser modelo, se não fosse minha melhor amiga, Amelia, nunca teria saído do buraco em que caí. Mely me incentivou a continuar e fez com que eu voltasse a confiar nas pessoas.
— Muito bom, Molly — Charles falou animado.
Saí do estúdio e troquei de roupa. Coloquei meu macacão estampado com listras étnicas e fui embora. Meu chevette azul me esperava do lado de fora. Entrei em meu possante e dirigi até o centro da cidade, onde encontraria Amelia. Meu carro sempre foi motivo de gozação entre as minhas colegas modelos, porém eu não o largaria. Aquela era a única lembrança que eu guardava de meu avô, Dante. Ele havia falecido há três anos e deixou o carro de herança para mim. Maggie repudiou a ideia de ficar com uma lata-velha, mas eu não podia me sentir mais grata por meu avô deixa-lo para mim.
Estacionei próximo ao bar e desci ao encontro de minha amiga e seu namorado, Tom. Os dois estavam juntos há um mês e eu nunca vi Amelia tão feliz. Tom era vocalista de uma banda de indie rock muito famosa, The Caries. Estávamos no Low’s, um bar de estilo underground em que a banda sempre se reunia para relembrar os velhos tempos. Era a primeira vez que eu encontrava todos juntos. Na mesa de oito lugares estava a banda: Brad, o guitarrista; Alex, também guitarrista e vocalista; e Mike, baterista. Além disso, Cyntia, ex-secretária de Amelia e nossa amiga e Jonas, patrão de Cyntia e grande amigo de Amelia, estavam lá. Sentei-me na única cadeira vazia e cumprimentei a todos.
— Chegou a atrasada — Mely falou e todos sorriram.
— Estava em uma sessão de fotos — respondi.
— Às oito da noite? Não sei por que eles gostam que você trabalhe a essa hora — minha amiga continuou e eu ri. Meu trabalho não tinha um horário definido.
— Também trabalhamos em horários estranhos — Mike, o baterista, falou — Te entendo, Molly.
Mike sorria com leveza. Ele era o típico músico mulherengo que não deixava de flertar com todas as mulheres que via. Eu o achava muito atraente, mas era cinco anos mais novo que eu.
Em pouco tempo um assunto em comum foi encontrado. Cyntia contava histórias engraçadas de seu irmão mais novo e eu falava dos podres de Maggie, ela não estava ali para se sentir a superior mesmo. Amelia também falava de sua infância sem irmãos e de como éramos próximas. Ela era mais velha que eu, mas acabou que eu a consolei muito na adolescência. Eu e Mely tomávamos suco de uva e os outros aproveitavam as cervejas. Cyntia e Jonas foram os primeiros a ir embora, os dois iriam dividir um táxi. Logo depois Alex, a vocalista mal-humorada da The Caries, disse que estava com um pouco de dor de cabeça e puxou o namorado, Brad para ir embora. No fim, estávamos Mely, Tom, Mike e eu. Os homens estavam entorpecidos pelo álcool, mas ainda não estavam totalmente bêbados. Chamei Mely para ir ao banheiro e ela topou na hora.
— Como vai o namoro? — perguntei a ela enquanto retocava o batom.
— Melhor impossível — ela disse sorridente — A banda vai ficar mais um mês na cidade. O que significa que terei mais tempo com Tom antes de minhas aulas voltarem.
Amelia estava fazendo pós-graduação em direito. Ela estudava como louca, mas estava de férias. O que era um alívio, porque quando ela estudava não havia espaço para mais nada em sua vida, apenas os livros e os artigos científicos.
— E você? — ela perguntou com um olhar insinuante — Não está interessada em ninguém no bar?
Eu não era do tipo que ficava desacompanhada em uma noite de sexta-feira, porém hoje só queria ir para casa e aproveitar minha cama sozinha.
— Não — falei cansada — Trabalhei muito essa semana, preciso descansar.
— Não parece minha amiga falando — Mely ria de mim com vigor — Principalmente com Mike te encarando o tempo todo.
— Ah para com isso, Mely — reclamei — Ele é só meu amigo, você sabe!
—Seu amigo e um grande admirador de seus peitos e olhos verdes — ela caçoou de mim.
— Não vou discutir com você, melhor voltarmos para a mesa — falei saindo do banheiro.
Ao voltarmos, encontramos Mike e Tom rindo de suas piadas. Os dois eram grandes amigos. Sentei em meu lugar e terminei meu suco de uva. Eu só não estava bebendo porque teria que dirigir de volta para casa. O Low’s ainda estava cheio, mas a maioria das pessoas estava bêbada. Vi que Tom e Amelia ficariam por muito tempo em seu papo apaixonado e resolvi ir embora.
— Mas já? — Tom perguntou.
— Sim — respondi — Amanhã tenho almoço com a família.
Mely contorceu o rosto. Ela sabia que meus almoços familiares nem sempre eram agradáveis, principalmente quando se tinha uma irmã médica e que era noiva de um deputado federal rico.
— Boa sorte — ela falou — Mande lembranças a Maggie.
Mostrei o dedo do meio para ela e rimos. Eu amava minha amiga, para mim ela era minha verdadeira irmã. Não a megera da Maggie que fazia questão de me culpar por todos meus problemas do passado.
— Vou te levar até lá fora — Mike se ofereceu.
Concordei por educação e saímos do bar. Ele colocou a mão longa e grande em meu ombro. A sensação de seu toque era gostosa e eu queria que ele nunca tirasse a mão de mim. Parei ao lado de meu carro e ele exclamou:
— Belo carro!
— Obrigada, ele é meu xodó! — falei abrindo a porta e entrando — Obrigada por me trazer.
— Não há de quê — ele falou soltando um sorriso galanteador.
Tentei ligar meu carro, mas um estrondo vindo do motor me assustou. Meu chevette não queria pegar, tentei novamente e Mike ficou ao meu lado observando. Nada. Ele não estava funcionando.
— Ah! Vamos lá — pedi ao carro como se ele pudesse me entender. Mas continuou na mesma.
— Não está pegando? — Mike perguntou preocupado, eu confirmei com a cabeça — Posso dá uma olhada?
Eu deixei e ele levantou o capô do meu carro. Colocou a lanterna do celular e olhou com atenção para dentro. Ele parecia entender do assunto, diferente de mim que sabia apenas dirigir e colocar gasolina.
— Parece que ele afogou — ele falou —Nada sério, mas é melhor mandar para oficina.
—Como você sabe? — perguntei desconfiada. Mike não parecia saber mais do que tocar bateria.
—Fui ajudante de mecânico um tempo atrás — ele falou e fechou o capô. Sua mão estava suja. Abri meu carro e peguei minha caixa de lenços.
— Deixe-me limpar isso — apontei para a mão dele.
Mike me estendeu a mão e eu esfreguei o lenço com afinco. Ele me observava curioso e eu continuava a minha limpeza. Levantei a cabeça e vi que ele estava admirado me olhando, eu tinha quase a mesma altura que ele.
— O que foi? — perguntei terminando de tirar a graxa de sua mão.
— Você é muito linda — ele falou e eu sorri desconcertada.
Larguei a mão dele e joguei o lenço sujo no lixo. Depois parei em sua frente um pouco envergonhada, eu nunca me importei com elogios masculinos, mas Mike fazia com que tudo parecesse um grande jogo.
— Vou ligar para a seguradora — falei com os braços cruzados — Vou ver se Amelia quer dividir o táxi comigo.
Se eu soubesse teria bebido alguma coisa...
— Duvido que aqueles dois vão se afastar — ele falou me impedindo de entrar no bar — Posso dividir o táxi com você!
— Não precisa — falei rápido.
— Faço questão — Mike sorria para mim novamente, como se ele soubesse que seu sorriso me dava arrepios engraçados — Vamos lá!
Tranquei meu carro e ele me guiou até o ponto de táxi. Pela manhã eu ligaria para a seguradora e resolveria a situação do meu carro. Mike me deixou na porta do meu prédio e não quis que eu pagasse a corrida. Despedi-me dele com um beijo no rosto e saí do táxi com um sorriso bobo no rosto que eu não via há muito tempo.
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