The Sages
17 17 - Fim
Notas iniciais
Cabanas incendiadas. Poças de sangue pelo chão. Uma noite escura; as estrelas devem ter se recusado a ver esse show de horrores. Não é um dos melhor cenários para alguém morrer, mas terá que servir para mim.
Ouço os gritos de Elena. A voz de minha irmã, mesmo desesperada, serve para me distrair da dor ardente que lâmina da espada inimiga causou em meu peito. Por um segundo, tudo fica bem.
Mas esse segundo acaba, e só o que vem à seguir é o medo do escuro.
. . .
– Hailey? Hailey, por favor, fala comigo.
Abro os olhos e me deparo com a feição preocupada de Dustin. Estou tonta e só consigo escutar um pouco do barulho aqui dentro. Viro a cabeça lentamente, agora sim sentindo as dores no pescoço, e vejo Sohan, Paco e Michele lutando contra vários monstros de trevas enquanto seu líder se dedica a infernar cada vez mais suas vidas.
O que aconteceu?
– Fique acordada, Hay – Dustin me pede. – Por favor.
Antes que eu posso prometer qualquer coisa, minha visão torna a escurecer.
. . .
Finalmente concluímos nosso treinamento. Agora as espadas e os escudos são nossos. Somos oficialmente cavaleiros.
Todos estão felizes e testando seus novos equipamentos. Como sempre, Mladen e Elena estão igualmente empolgados, parecendo crianças. Mira comenta alguma coisa com Vladmir. Slaven olha para mim e sorri, erguendo a espada. Eu também sorrio e cruzo nossas lâminas. Ele diz algo que só eu escuto, e só eu rio.
. . .
Acordo de novo com a visão embaçada. Meus irmãos continuam lutando, mas parecem mais fracos agora. Água ainda está ao meu lado. Ele me chama de novo e eu me viro para seus olhos vermelhos e inchados. Estava chorando?
– Por favor, Luz. Não se deixe vencer.
Mas é mais forte do que eu.
. . .
Estamos indo para o campo. Fiquei assustada ao saber que fomos escalados, mas ainda assim consigo ficar um pouco animada com a situação.
Um dos meus novos companheiros, Slaven, vem se sentar ao meu lado, na abertura da carruagem. Ele pergunta se meu nome é Johanna e eu afirmo. E então pergunta se estou pronta. Afirmo de novo.
A terceira pergunta de Slaven é se eu sei o motivo dessa guerra. Eu começo a responder o óbvio, a história que todo mundo sabe. Entretanto, ele me corta e diz que não é só por isso; é também porque, quando as trevas e a luz ficam muito fortes, uma tende a querer destruir a outra.
Pergunto se ele quer dizer que nós estamos no lado da luz ou das trevas. Slaven balança a cabeça e não mais diz nada.
. . .
Acordo num susto, como se despertasse de um quase afogamento. Sinto alguém segurando meu braço com firmeza e tenho certeza de que é Dustin. Estamos no escuro agora. Na situação atual, isso me deixa com medo, mas me acalmo quando vejo que uma barreira de pedra nos cerca.
– Ela acordou? – Ouço Sohan perguntando.
– Parece que sim – Dustin responde enquanto me analisa. – Hay? Você está bem?
Eu não sei.
– Estou – respondo. Minha voz fraca não deve convencer muito. – O que houve?
– Bem... Você desmaiou quando a horda de feras avançou e eu tentei fazê-la acordar enquanto os outros lutavam. Você acordou e desmaiou duas vezes. Tem certeza de que está bem?
Afirmo com a cabeça e procuro os outros. Todos estão aqui. Não consigo ver o estado em que eles estão, e acho que não quero ver.
– E o que aconteceu com os monstros?
– Eles estão lá fora – responde Michele. Ela tem as mãos grudadas na barreira, talvez para mantê-la firme. – Tentamos detê-los, mas são muitos e o número não parava de crescer.
– Então resolvemos nos refugiar por enquanto – Paco termina. – Estávamos esperando você acordar.
– O que aconteceu lá fora? Você estava péssima – diz Sohan. – Começou a cuspir sangue e gemer...
– Foi aquela fumaça que a fera soltou. Eu a inalei. Mas não foi só isso; tinha alguma coisa de errado com minha espada.
– Nós também percebemos. O monstro absorveu os poderes das espadas – Sohan fala.
– Não, não é só isso. Foi como no dia em que quebrei a Primeira Regra. Parecia que minha espada estava cheia de trevas. Meu corpo ficou mais pesado e eu me senti péssima.
Olho para o Vento e nem preciso fazer a pergunta para ele negar com a cabeça.
– Não me senti diferente quando quebrei a Primeira Regra. Só fiquei tenso, mas nada físico.
Penso no sonho estranho que tive agora a pouco. O que Slaven disse se encaixa totalmente nesta situação: se as trevas vieram de nós, então elas ficaram tão fortes porque nossos espíritos também ficaram. Só que isso ainda é uma grande bagunça. Se nós causamos isso, então qual o sentido de lutarmos tanto?
Então, me lembro do que Mackenzie disse quando explicava sua origem: “Eu sou uma agente dos céus, responsável por cuidar das boas almas e por impedir que as más tenham o seu poder muito elevado. Pode-se dizer que meu papel é garantir o equilíbrio dos dois lados da humanidade”. Esse era o dever dela, no final das contas? Fazer com que a luz e as trevas ficassem no mesmo nível, mesmo que tão elevado?
Céus, que dor de cabeça.
– Como vocês estão? – Eu pergunto a eles. Pelo menos assim me distraio da questão “luz VS trevas” por um tempo.
– Já tive dias melhores – Paco responde. – Em geral porque nesses dias eu não levei um corte no ombro ou um golpe na barriga.
– Pessoal, sinto muito mesmo. Vocês estavam lutando e eu...
– Pare aí mesmo – Michele me interrompe. Nunca a tinha visto falando assim. – O que nós conversamos sobre você não carregar toda responsabilidade sozinha?
– Mas...
– Estamos nessa juntos, irmã. Então todos temos a mesma carga de responsabilidade pelo que acontece aqui. Você desmaiou porque foi vítima de uma carga muito forte de trevas, e nós não sabemos o que causou isso, mas sabemos que você já fez muito por nós ao longo desses séculos e que era mais do que nossa obrigação te proteger enquanto isso. Não somos só irmãos; também somos os amigos mais unidos e mais estranhos que esse mundo já viu. É por isso você tem que entender que cada um de nós está aqui para compartilhar qualquer fardo um com outro, e tem que confiar que todos podemos fazer isso sem guardar ressentimentos, porque nós somos os únicos seres neste universo que sabemos exatamente o que cada um dos cinco está sentindo.
Fico calada. Todos ficamos. Michele – não, Terra – nunca falou nada desse tipo. Foi tão inesperado que nem sei o que dizer.
Paco faz isso por todos nós:
– Só eu vi a Nádia aqui por um instante?
Nós rimos. Nádia foi o corpo russo da Terra no século XIX. Uma garota cheia de atitude e que já falou muita coisa certa no momento e do jeito certo. Mas eu tenho que discordar de Paco. O jeito como Michele falou tudo isso é diferente de como Nádia diria. Só que eu também não tenho muita certeza se foi como ela mesma diria. É quase como se Terra tivesse se transformado em outra pessoa por um minuto.
– Obrigada, Terra – digo. – Você tem toda a razão. Mas acho que eu sei o que causou aquela carga de energia negativa.
Explico para eles meus sonhos e minha hipótese em relação à frase de Mackenzie. Noto que Dustin se remexe ao meu lado ao saber da conversa com seu antigo eu no último sonho. Não consigo ver seu rosto nesse escuro, mas algo me diz que ele está com uma careta. Me pergunto se também não acha essa conversa familiar.
– Eu acho que é por isso que fui atacada por aquele monstro no refeitório e por Efrat, e que também é por isso que só eu paralisei quando vi a Grande Fera e só minha espada ficou pesada. Eles estão atrás de mim.
– É porque você é a líder – Sohan conclui. – É a nossa representante, então a maior parte de nossa luz vem de você. Não acho que os monstros queiram só te atingir, e sim que queiram apenas atingi-la primeiro.
Penso nisso. Nunca me imaginei como a portadora de maior luz do grupo, embora isso faça sentido. O problema é que a ideia de que eu não sou o único alvo das feras de certa forma me deixa mais tensa.
– E o que fazemos agora?
Sinto todos os olhares caindo sobre mim graças à pergunta de Paco. Francamente, eu não sei. Não tenho nada planejado. Só consigo pensar que, se a luz e as trevas tendem a tentar destruir um ao outro, nós não devíamos ser as únicas vítimas. Os monstros querem nos matar. Nós queremos eliminá-los. Sempre foi assim. A diferença agora é que eles estão mais fortes por terem absorvido a energia de nossas espadas, e nós estamos em desvantagem pelo mesmo motivo. Há uma horda incansável de feras assassinas nos esperando fora da barreira de Michele e que aparentemente foi criada por nós. Nossa missão aqui é destruí-los antes que eles causem ainda mais problemas. Quantos humanos já morreram ou foram gravemente feridos enquanto estamos sentados aqui? Não só em Jerusalém, mas no mundo todo?
Sou a primeira a me levantar. Não é hora para ficar pensando em explicações para tudo. Agora é hora de concluir o que viemos fazer aqui, o motivo de sempre reencarnarmos, o motivo de termos assumido corpos que deviam pertencer a outras almas. E temos que honrar isso.
Não preciso enxergar muito para saber que os outros também se levantam. Dustin me estende minha espada e eu a seguro. Embora aquela onda de trevas não passe pelo meu corpo de novo, ainda posso senti-la mais pesada.
– “E pela espada amaldiçoada o mal será selado” – ele sussurra em meu ouvido.
A profecia. Se ela diz que minha espada é a chave, terei que usá-la.
– Tudo bem – sussurro de volta. E depois digo em voz alta: – É isso, pessoal. Michele, ao meu sinal, desfaça a barreira. Paco, vamos precisar de algo para manter os monstros afastados.
– Pode deixar – os dois dizem.
– Sohan, preciso que você abra caminho.
– Agora está falando como uma líder.
– Dustin e Michele, ataquem assim que o caminho estiver aberto. Paco e Sohan, juntem-se à eles assim que puderem.
– Entendido – Dustin fala. – Enquanto isso seu alvo será o grandão, certo?
– Isso não me agrada, mas sim. Perderemos muito tempo se tentarmos eliminar cada um dos monstros menores. Espero que vocês possam me dar cobertura enquanto destruo seu núcleo.
Dustin põe a mão em meu ombro.
– Estaremos logo atrás de você.
– Para o que der e vier – Sohan complementa.
Fico muito agradecida por tê-los comigo. Não poderia ter irmãos – mais do que isso, amigos – melhores.
– Se preparem.
Empunho minha espada, já rezando para sua carga negativa não me derrubar. Posso ver a silhueta dos outros quatro enquanto também levantam suas lâminas. Respiro fundo. Expiro. Respiro.
– Agora, Terra.
Não sei o que ela faz – provavelmente tira a mão da barreira – para as pedras que nos cercam começarem a se desfazer. Depois de a metade desaparecer já consigo ver os monstros tentando se aproximar de nós. Quando só faltam duas fileiras de pedras, eles partem para o ataque.
E Fogo também. O menino imediatamente coloca a mão livre no chão e grita:
– Comburet: Fraterna Circullum!
Com isso, um círculo flamejante nos cerca, mantendo os monstros longe. Alguns tentam pular por cima, mas o fogo cresce para queimá-los também. É um círculo protetor definitivo.
– Sohan?
– Com prazer.
Ele escolhe o lado que vai diretamente para a Grande Fera e recua o braço, para logo em seguida jogá-lo para frente. Uma rajada de vento é lançada de sua mão, ultrapassa o círculo de Paco e abre um corredor exclusivo para nós.
– Rugiet: Andron Angelorum!
Eu avanço e Vento e Água vêm atrás. Golpeio os monstros que já invadem a passagem e tenho certeza de que minhas costas estão protegidas pelos garotos. O barulho da batalha aumenta e sei que Terra e Fogo já se juntaram a eles.
E então eu chego ao núcleo disso tudo.
Paro sob seus olhos sinistros e tento manter a postura de coragem. Nós nos encaramos, as trevas e a luz se desafiando para a última batalha. Estou pronta para isso. Nós estamos.
A fera ruge e suponho que ela também esteja pronta. Posiciono minha espada, fazendo um esforço que nunca pensei que precisaria fazer, e o desafio mentalmente a começar.
E ele de fato começa. Sua pata enorme e mortal avança para me matar. Uma energia que eu não esperava me preenche de repente e eu salto para cima dela. O monstro começa a chacoalhar a pata para me fazer cair. Finco a espada nela e me agarro ao cabo. Porém, isso a faz estourar de novo na nuvem roxa.
Caio de pé no chão e imediatamente tampo o nariz e a boca para não inalar essa coisa de novo. Faço a primeira coisa que me vem à mente: deixo minha espada no chão e esfrego o polegar no indicador enquanto traço uma linda diagonal com a mão diante do tronco instável do monstro. Uma trilha de círculos brilhantes aparece ali e todos explodem ao mesmo tempo. Me permito sentir um gosto de vitória por um segundo, mesmo com toda a fumaça liberada no processo, mesmo com a certeza de que ele não foi derrotado tão facilmente.
E não foi mesmo. Bastou a nuvem se dissipar – pouco antes de meu fôlego chegar ao limite – para o corpo da fera se expandir e se dividir no que mais parece ser três tentáculos roxos e desformes de escuridão. Eles avançam contra mim de uma só vez e eu, sem pensar, pego minha espada e a uso para me defender.
Parece que era isso o que ele queria. Uma luz roxa aparece na lâmina e cresce tanto que quase consigo senti-la. Até que ela chega ao cabo e queima minha mão.
Largo a espada imediatamente. Acho melhor ignorar o estado da minha mão por ora. O que mais me preocupa agora são os três tentáculos querendo me atingir. Pulo para trás para desviar deles, tomando o maior cuidado para não tocá-los, até que bato as costas na parede.
A fera para como uma cobra analisando sua vítima antes de dar o bote. Pense rápido, Hailey. Como escapo dessa?
A resposta só vem quando o ataque chega. Por puro instinto, me abaixo no instante do bote e corro agachada até onde minha espada ficou. Tento segurá-la. Minha mão é repelida pela queimação de novo.
Mas eu preciso dessa espada, então conto até três e seguro o cabo com força, fazendo uma força enorme para não me render à dor. Boto a mão livre sobre a lâmina e canalizo minha energia para tentar devolver-lhe um pouco da luz.
Os tentáculos conseguem se desprender da parede – não sem deixar um buraco enorme – e suas formas voltam a mudar ao mesmo tempo que eles se reagrupam. No minuto seguinte eu me vejo diante de um contorno enorme do que parece ser um guerreiro, a julgar pela espada negra em sua mão. Este avança primeiro, veloz, e eu novamente bloqueio com a espada. E mais uma vez ela é preenchida cada vez mais pela escuridão.
Pulo para trás e continuo recuando enquanto tento iluminar minha arma. Seria muito mais fácil e muito menos doloroso se eu não precisasse me preocupar em carregá-la. Maldita profecia.
O guerreiro inimigo balança sua espada e, antes que eu possa me perguntar qual o sentido de fazer isso tão longe, a lâmina de sua espada cresce até me alcançar. Me abaixo no último instante, embora a sensação de sangue escorrendo em meu rosto prove que não me safei. Só me levanto quando ela se afasta.
Mas aí outra lâmina extremamente comprida aparece, dessa vez atacando em vertical, e mais uma vez é minha espada que uso para o bloqueio.
O impacto que me faz voltar ao chão e ainda descarga uma onda de energia negativa. Breve, mas forte o suficiente para abrir um corte na minha testa. Minha mão queima cada vez mais enquanto o que restou da luz da espada vai desaparecendo de forma gradual. O que acontece se ela ficar corrompida por inteiro? Não sei e nem estou interessada em saber.
Não posso vacilar agora. Minha luz tem que ser mais forte.
Sem pensar, boto uma das mãos na lâmina de trevas e tento empurrá-la para cima. Isso dói demais. Parece que minha mão vai ser incinerada e meu braço, esmagado.
Mas então, do nada, algo acontece. A palma da mão brilha e essa luz se expande aos poucos. Ouso fazer mais força para empurrar a espada e, para minha surpresa, tenho algum avanço. A lâmina levanta a medida que a luz em minha mão aumenta. Não faço a menor ideia do que esteja acontecendo. Só sei que pode continuar assim.
Então, minha luz vence as trevas da espada do guerreiro maligno e esta desaparece. Sem nenhuma fumaça de brinde.
Me levanto e vejo que o guerreiro não se foi junto com a espada, e muito menos recuou. Minha mão continua brilhando. Posso sentir a luz crescendo em mim.
– Vai, mana! – Dustin grita no meio de sua própria batalha. – Detona ele!
Me permito desviar a atenção do monstro e olhar para meus irmãos. Eles ainda lutam bravamente contra as criaturas. Todos têm ferimentos, alguns leves, outros mais graves – tento ignorar estes – desta batalha e da anterior, e ainda assim nem pensam em recuar. Dustin retribui meu olhar e dá aquele seu sorriso confiante.
– Acaba com isso, irmã! – Grita Michele.
– Dá uma paulada nele logo! – Paco incentiva. À sua maneira, mas incentiva.
– Você consegue Luz! – Sohan diz. – Só você consegue!
Agora eu entendi. Minha luz não está aumentando; ela sempre esteve aqui. Ela só está ficando mais forte. As coisas só não tinham dado certo antes porque eu estava com medo, e o medo é uma das maiores formas das trevas se propagarem. Não preciso ter medo. Meus irmãos estão aqui.
Mas Sohan está errado. Não sou eu quem consegue; somos nós cinco. Juntos.
A fera corre até mim de novo. Não recuo dessa vez. Opto por levantar a espada, agora sem medo de que as trevas se apossem definitivamente dela. E nem preciso, afinal; minha mão que segura a espada também está brilhando, e sua luz já está chegando à ponta da lâmina.
O monstro pula para cima de mim e estende seu braço. Seus dedos transformam-se em garras imensas e sedentas pelo meu sangue. Respiro fundo. Não tenha medo.
Giro a espada e corto seu braço fora. Novamente, nenhuma nuvem roxa aparece como resultado. O guerreiro recua um pouco com isso. Não consigo segurar um sorrisinho vitorioso. Agora sim é a minha espada.
A Grande Fera percebe a mudança de jogo e torna a mudar de forma, logo voltando a ficar gigante. Ela solta seu rugido de escuridão bem na minha cara e, por um segundo, eu acho que vou desmoronar. Mas não. Permaneço de pé, totalmente segura.
– Admito que sua escuridão é bem forte – digo a ela. – Mas não há nada maior do que a nossa luz.
A luz de minha espada a preenche por completo e começa a expandir, formando uma grande extensão para a lâmina. Quando dou por mim, vejo que estou segurando uma grande espada de pura luz, com minha energia a envolvendo tanto que consigo vê-la.
Não... Não é a minha energia. Sei disso porque vejo os traços azuis, os vermelhos, os marrons e os verdes. É a energia dos Cinco Sábios reunidas numa só.
Um corte. É disso que preciso para lançar toda essa luz e eliminar as trevas.
. . .
O clarão que se faz não incomoda meus olhos, por isso não preciso fechá-los. Ele se extingue logo, deixando para trás apenas pontos brilhantes que sobem, atravessam o teto da igreja e continuam seu caminho até o infinito. Percebo que muitos desses brilhos saem da minha espada, que se desfaz aos poucos. Acho que isso faz sentido.
Me viro para meus irmãos. Sohan joga Paco para o alto com um sorriso enorme no rosto. Dustin e Michele se abraçam. As criaturas desaparecem em outros flocos de luz.
Tenho certeza de que as que estavam lá fora também se foram. Também tenho certeza de que não pudemos salvar muita gente. Me sinto mal por isso, mas deixo o assunto de lado quando meus quatro e incríveis irmãos correm até mim.
Estou tão tonta... Não acho que tenha força para retribuir seus abraçá-los. Mas vou adorar desmaiar em seus braços.
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