The Safe Place

6 Capítulo 6 – Nunca Deveria ter Acontecido!


Notas iniciais
Meus amores, me desculpem a demora. Não morri não, só passei o feriado todo praticamente fora, então..Agora estou aqui com mais um capítulo pra vcs. As minhas lindas leitoras, já tem gente me abandonando :c Tá ruim? Aceitando sugestões, okay? Sem mais enrolação, bora ler! (:

Pela misericórdia de Deus o sinal bateu anunciando meu momento preferido do dia: a saída daquele inferno!

Okay, eu não posso reclamar. O dia de hoje até que foi bom. E Emmett era responsável por isso. Numa manhã só conseguiu mudar completamente meu dia. Espero que isso se prolongue o máximo possível...

–Hey Rosalie! – Ouvi sua voz me chamar e me virei. Estava caminhando ainda na rua em frente ao colégio. – Eu disse que ia até sua casa. – ele falou ofegante, depois de correr até mim.

–Agora? – perguntei assustada, tentando não transparecer isso. Meu pai estava em casa a essa hora. Era geralmente nesses períodos que ele costumava ‘’extravasar sua raiva’’ em cima de mim.

–Algum problema? – ele perguntou confuso. Encarei meus pés por alguns minutos, tentando arrumar uma bela desculpa. Mas nada vinha a cabeça.

–Não, tudo bem. Você me encontra lá?

–Eu vou junto com você.

–Ah, você não vai querer fazer isso. – respondi rindo.

–Porque não? – perguntou confuso.

–Bom tá a fim de pegar 2 ônibus? Fora esse primeiro pedaço a pé. – arquei uma sobrancelha, sabendo que ele desistiria ali mesmo.

–2 ônibus? – Emmett arregalou os olhos e eu assenti. – É muita coragem sua. Não me pareceu tão longe da minha casa aquele dia. Bom, talvez porque eu venha de carro pra cá e nem note a diferença.

–Eu nem noto tanto assim, já acostumei. Às vezes pego carona com a Bella, mas hoje ela está sem carro e foi com o pai dela. Mas e aí, vai encarar mesmo? – perguntei.

–Vamos de carro.

–Que carro?

–O do meu primo. Ele me empresta se eu pedir. Ele vai com o Jasper depois. – Emmett deu de ombros. – Vem, vou lá falar com ele.

Ele me puxou pela mão e eu caminhei com os olhos cravados no chão. Paramos perto da turminha de Edward que conversava animadamente. Fiquei um pouco mais atrás, tentando me esconder ao máximo atrás das costas largas de Emmett.

–Ei Edward, me empresta o carro? Preciso ir à casa da Rosalie. – ele pediu, fazendo Edward e a turminha pararem de conversar e o encararem.

–Nossa, mas já tá pegando novato? – ouvi uma garota morena com o estilo skatista perguntar.

–Ninguém está pegando ninguém, garota. – Emmett bufou e eu quis dar meia volta e correr para longe deles.

–Ele está fazendo é caridade, Zoe. – Edward debochou fazendo todos em volta rirem.

–E desde quando devo explicação pra vocês? Me empresta a merda do carro Edward, ou quer que seu pai saiba dos pontos na sua carteira por estar dirigindo ‘’altinho’’ por aí?! – ele ameaçou o primo, se referindo ao fato do Masen com certeza ter sigo pego dirigindo depois de tomar umas bebidas por aí.

A galera toda fez um barulhinho do tipo “Uhhh” e Edward revirou os olhos, buscando a chave no bolso. Assim que encontrou as atirou para Emmett, que as pegou com precisão no ar.

–Valeu. – agradeceu e se virou para mim. – Não disse que ele emprestava? – comentou enquanto nos afastávamos.

–Você não devia brigar com seu primo por minha causa. – falei envergonhada, olhando para o chão.

–Não briguei com ele. Mas como disse, ele é idiota e tem coisas que faz que não concordo. Apesar de tudo, ele é um cara legal também.

Eu o encarei e tinha um sorriso leve em seu rosto. Sorri também, não entendendo porque sua felicidade me deixava feliz também.

Entramos no Volvo prata e eu fui explicando o caminho mais fácil para minha casa. Chegamos rápido, e me senti aliviada por não ter que passar um bom tempo sentada no ônibus.

–Eu vou lá dentro buscar, me espera aqui ok? — pedi descendo do carro.

–Ok, você quem manda.

Entrei em casa e a primeira coisa que fiz foi checar se meu pai estava lá. Suspirei aliviada ao perceber que não. Subi as escadas correndo, entrei no quarto e abri a primeira gaveta, cavando até o fundo onde havia escondido a blusa de Carmen. Não sei por que a guardei tão bem, só queria a entregar de volta perfeitamente intacta.

Voltei rapidamente para baixo, querendo entregar logo a blusa e ver Emmett partir. Não que eu quisesse que ele fosse embora, não. Por mais estranho que possa parecer eu queria ficar o máximo possível de tempo com ele. Ele me transmitia àquela estranha sensação de confiança que eu ainda não entendia muito bem, mas queria desfrutá-la ao máximo.

Quando estava abrindo a porta lamentei com o que sabia que aconteceria. Meu pai estava chegando, normalmente bêbado, só pra variar, se esgueirando pelas paredes. Pensei em bater a porta e não ter que sair para falar com Emmett, mas seria completamente errado.

Respirei fundo e sai, indo até o carro onde ele me esperava encostado no mesmo.

–Está aqui, até mais. E agradece a sua mãe por mim, por favor?! – pedi apressada.

–Hey, que pressa é essa? Achei que podíamos, sei lá,... Conversar?! – ele coçou a cabeça, confuso.

Olhei para o fim da rua e meu pai estava cambaleando ainda murmurando alguma coisa que não dava pra entender. Suspirei pesadamente, mas tinha que entrar logo.

–Olha, desculpa, mas hoje não dá mesmo. Conversamos no colégio, tudo bem? Desculpa mesmo, Emmett.

Ele segurou minha mão não querendo me deixar ir.

–Qual é Rosalie, achei que fôssemos amigos. – sua expressão triste pareceu quebrar meu coração em vários pedacinhos.

–Nós somos. Só que é.. Af! É complicado. – dei de ombros frustrada. – Amanhã conversamos tá bom? Preciso mesmo entrar. – respondi por fim, indo contra minha vontade de passar o resto do dia todinho desfrutando de sua companhia.

Ele me puxou para um abraço inesperado e eu fiquei sem reação. Demorei menos de um minuto pra me acostumar ao calor de seus braços. Parecia que eu pertencia aquele lugar, que eu sempre estive ali. Era tão familiar, quente, acolhedor.. Protetor! Era um lugar seguro. Meu lugar seguro.

Tudo bem, talvez não fosse meu. O que eu estava pensando? Eu mal o conhecia direito, éramos apenas recém-amigos.

Bom, eu podia fingir que era meu, não é? Por aqueles breves segundos podia.

De repente fui arrancada da minha reserva particular de calor momentânea com brutalidade. Senti meu braço ser apertado com tanta força, mas não gritei, apenas fechei os olhos com força.

–Parabéns Rosalie, você está se saindo uma ótima moça de família. — ironizou a voz bêbada tão conhecida por mim. A última que eu queria ouvir naquele momento.

Nem percebi quando ele se aproximou demais, Emmett roubava toda minha atenção tão fácil.

–Pai, eu não... -ele nem me deixou terminar e apertou mais meu braço. Cerrei os olhos com força outra vez. Senti as lágrimas caindo.

– É uma vadia mesmo, igualzinha a sua mãe. — cuspiu as palavras. O hálito impregnado de álcool em meu rosto me causando náusea.

–Quem você pensa que é pra falar dela assim? -Emmett se intrometeu me defendendo.

– Não se meta moleque, isso é coisa de família.

–Família? Que família hein?! -berrei na cara dele. As lágrimas correndo, me fazendo sentir seu gosto salgado.

– E você cala a boca, menina. Não vai querer levar uma surra na frente do seu amiguinho vai?! — ele falou me chacoalhando pelo braço. Reclamei de dor e senti a mão de Emmett me puxar pelo outro braço.

–Solta ela, está machucando. Não percebeu, cara?

Ele empurrou meu pai que cambaleou pra trás.

–Não Emmett, por favor... – entrei na frente dela o barrando com as mãos, tentando impedir que ele quebrasse a cara do meu pai. Porque era isso que parecia que ele faria logo.

–Arrumou um otário pra te defender foi, menina? Mas lembre de que você mora na minha casa e me obedece. Agora entra de uma vez. — berrou a última frase apontando para porta de casa com a mão que segurava a garrafa de bebida barata.

– Não, ela não vai entrar. — Emmett se colocou a minha frente. Meu pai soltou uma risada irônica e deu dois passos trôpegos em nossa direção.

–Tudo bem, eu vou. — me rendi. — Vai embora Emmett, por favor.

– Não, eu não vou te deixar sozinha com esse bêbado. — Ele ficou de frente pra mim, segurando meus braços. Suas mãos desciam e subiam por eles numa tentativa de me fazer ficar calma e cessar a dor do puxão. Com certeza haviam ficados mais marcas.

– Eu vou ficar bem. Agora vai, por favor. — implorei encarando fundo em seus olhos verdes. Ele suspirou se dando por vencido.

– Ok, mas promete que me liga, está bem? — Assenti. Ele beijou minha testa se despedindo e me lembrei de que tínhamos trocado números do telefone quando fui a sua casa jantar.

– Ah que coisa mais ridícula: o moleque corajoso, e pequena vadia. — meu pai riu. Apenas apertei a mão de Emmett e confirmei que estava tudo bem só com um olhar.

Ele assentiu e entrou no carro. Quando acelerou meu pai disparou uma torrente de xingamentos para ele. Corri para dentro de casa, subi o mais rápido possível às escadas e me tranquei no quarto.

Meu pai bateu tanto na minha porta que achei que ela fosse cair. O ignorei e logo ele desistiu, com certeza indo buscar mais uma de suas garrafas de cerveja na geladeira.

Não desci para almoçar, não liguei para reclamação que meu estômago fazia. Não iria sair daquele quarto hoje, não enquanto meu pai estivesse em casa.

Minha cabeça só conseguia pensar na vergonha que tinha submetido Emmett. A última coisa que eu queria que acontecesse acabou acontecendo.

Não pude deixar de notar em como tudo na minha vida dá errado. Em como eu existir no contexto do mundo parece tão errado.

Foi com esses pensamentos que escutei o som de Blue Jeans e quis chorar mais. Mas tinha que atender meu celular. Me levantei da cama, limpei as lágrimas que embaçavam minha visão e sorri fraco ao ver quem era no visor.

– Oi?! — falei sem a menor vontade e com a maior vergonha.

– Eu disse pra você me ligar — Emmett me repreendeu.

– Sem créditos, me desculpe. — respondi e o ouvi bufar insatisfeito do outro lado da linha.

– Você está bem? — sua voz soou preocupada.

– Sim, está tudo bem.

– Eu perguntei se você estava bem. Sim ou não? — insistiu ele.

Prendi a respiração por alguns segundo, tentando segurar as lágrimas. Queria gritar pra ele que não estava bem. Que meu corpo doía; que estava com medo, que meu coração estava em pedaços, que queria sua companhia, seu abraço. Mas eu simplesmente não podia.

– Estou... — minha voz morreu. Minha garganta doendo por ter que segurar palavras -e sentimentos- que teimavam querer sair.

– Não, você não está Rosalie. Quer que eu vá te buscar? Podemos dar uma volta por aí, sei lá...

Apertei o celular contra o peito e deixei mais lágrimas escorrerem, lavando minha dor. Eu queria dizer que sim, que iria pra qualquer lugar que ele me levasse. Que só queria sair daquele inferno particular. Mas eu não podia, não quando abrir as portas desse inferno significasse fazê-lo queimar junto comigo.

Posicionei o aparelho de novo para poder falar.

– Não, por favor, não vem. Eu estou bem. Eu vou ficar melhor. Amanhã conversamos. — pedi, querendo desligar.

– Tudo bem, só não fuja de mim ok?

– Ok. — confirmei fungando no final, mas não tinha tanta certeza em minhas palavras.

– Até amanhã, Rosalie. — ele se despediu.

– Até mais Emmett. — desliguei.

Agarrei o travesseiro ao meu lado e afundei minha cabeça nele. Não sei como conseguia, mas lágrimas ainda rolavam por meu rosto, e cada vez mais.

Me doía e me matava de vergonha ter que encará-lo amanhã. Sempre soube que eu não era uma pessoa boa para amizades, não com essa vida que tenho. As pessoas próximas a mim só se machucam e depois vão embora. Mamãe me deixou e mesmo assim não a culpo. Sei que Emmett também vai se afastar, todos, em algum momento, mesmo que sejam apenas Bella e Alice, em algum momento vão embora.

Suspirei pesadamente. Não suportaria perder as meninas e nem Emmett. Meu novo amigo. Minha necessidade de ficar perto dele era tão grande agora. Eu não podia me apaixonar por ele. Não quando tudo ao meu redor parece instável, que vai desabar.

Eu não podia. Mas já estava completamente apaixonada por aquele garoto perfeito. Perfeito até demais pra ser real. Para ser meu.

Notas finais
Façam fila para bater no pai da Rose. Quem quer ser a primeira? Apesar de triste, eu amo esse capítulo porque mostra que o Emm se preocupa com a Rose e quer cuidar dela. Ela tá 'peixonada' hahaha Será que ele também? Bom, comentem por favorzinho o que acham, tá?! Beijinhos da Joi :33