The Safe Place
38 Capítulo 38 – Novo lar: Carinhos e Cuidados
Notas iniciais
Emmett dormiu comigo aquela noite no hospital. Irina ficou comigo para que ele fosse em casa tomar banho e jantar, depois ele voltou e ela se foi. Fiquei angustiada quando acordei no meio da madrugada e o vi dormindo todo torto na pequena poltrona que havia ali. Quando adormeci ele estava me abraçando, mas deve ter saído da cama para me deixar mais confortável. Será que ele não entendia que eu só me sentia completamente confortável em seus braços?
Quando acordei pra valer já era de manhã e Emmett não estava mais no quarto. Uma enfermeira entrou e verificou se estava tudo bem comigo. Eu não estava mais com o soro ligado ao braço e esperava não precisar de outra dose. Odiava agulhas.
–Com licença. Bom dia, carinho. – Carmen entrou, me direcionando aquele sorriso radiante que só ela sabia dar. Veio até mim e beijou minha cabeça. – Como está?
–Bem. Mas não aguento mais ficar aqui deitada e preciso de um banho. – comentei, rindo de leve.
– A médica vai vir dar uma última olhada em você e quem sabe já te dá alta. Assim você poderá ir pra casa, tomar banho e descansar mais um pouquinho, está bem? – falou ela, docemente. Carmen estava agindo como uma verdadeira mãe e eu estava gostando de ser tão bem cuidada assim.
Assenti e vi a enfermeira sair, dizendo que chamaria a doutora Charlotte. Carmen me disse que eram quase 9 horas da manhã e perguntei se Emmett havia ido para o colégio, já que não o estava vendo por ali.
–Não, ele disse que faltaria hoje pra ficar com você. Ele foi com o pai até a cantina do hospital e já volta. – explicou ela.
Engoli seco ao ouvi-la. Uma coisa era encarar Carmen, com seu jeito doce e compreensível. Outra bem diferente seria ver seu Eleazar que, apesar de ser sempre gentil, era sério e às vezes rígido.
Não demorou muito e Emmett estava de volta, acompanhado pelo pai. Eleazar me dirigiu um sorriso simpático e perguntou como eu estava. Emmett me deu um beijo doce na testa e eu o puxei para um abraço, passando meus braços em torno de seu pescoço.
– Senti sua falta, ursinho. – sussurrei, com os lábios próximos ao seu pescoço.
– Ursinho?! – ele me encarou com a expressão divida entre confusão e graça.
–É, ursinho é bonitinho. Você é grande e fofo, então é meu ursinho. – expliquei. Minhas bochechas provavelmente coradas e ele beijou cada uma delas, para depois me dar um selinho.
Ouvimos um coçar de gargantas e nos separamos.
– Emm, seu pai quer dar uma palavrinha com vocês dois. Eu vou ver se a médica já está vindo dar a alta da Rose. – Carmen falou e foi saindo, mas não sem antes piscar pra mim.
E então a “palavrinha” começou. Aquele típico sermão de pai preocupado e que nós merecíamos ouvir. Eleazar discursou sobre os cuidados que deveríamos ter — o que me fez ficar completamente vermelha — e depois sobre as responsabilidades que teríamos de agora em diante. Sem deixar, é claro, que dizer que estaria do nosso lado para o que precisássemos. No fim ele me disse estava muito feliz por me ter em sua casa e me deu um abraço caloroso.
Por volta das dez e meia eu já havia recebido alta e fui me trocar com ajuda de Carmen. Entramos no pequeno banheiro e ela me passou uma malinha que trouxera de casa com roupas de Irina emprestadas para mim. Ela desamarrou a parte de trás daquela camisola ridícula do hospital e seus olhos saltaram quando viu minha barriga.
– Oh meu Deus, já está crescendo! – Car espalmou as duas mãos no meu ventre pouco dilatado e sorriu emocionada. Seus lindos olhos castanhos estavam brilhando.
–Pois é, mas ainda está dando pra disfarçar. – sorri de lado, colocando uma mão sobre a dela.
– Você não tem que ter vergonha disso, Rose. É seu bebezinho, deixe as pessoas saberem o quanto está feliz. Está feliz, não está? – perguntou, desviando o olhar para o meu.
–Sim, estou. No começo eu estava mais assustada do que alegre, mas agora sei que as coisas vão melhorar então, sim, estou super feliz. – devolvi o largo sorriso, podendo realmente sentir a felicidade e sinceridade em minhas palavras. Eu estava completamente feliz com meu bebê, apesar das circunstâncias.
–Não sei como a Irina não percebeu sendo que ela te via todos os dias. Olha só essa barriguinha, está linda! – Car afagou as laterais da minha barriga e senti a maciez de seus dedos e o carinho emanando por eles.
– Eu só tenho usado camisetas largas e casaco, nem ninguém do colégio percebeu. Mas acho que logo não dará mais pra esconder. – fiz careta, imaginando o falatório que seria de mim naquele lugar.
– Vai ficar ainda mais linda, meu amor. Agora vai, se veste que o Emm já deve estar impaciente lá fora. Ele quer te levar logo pra casa. – comentou ela, enquanto eu vestia uma blusa branca de mangas curtas.
Irina era mais alta que eu e a blusa ficou um pouco cumprida, mas ainda sim estava ótima. Tive que dobrar a barra da calça jeans para não arrastar no chão e em seguida calcei minhas próprias sapatilhas vermelhas. Carmen se ofereceu para pentear meus cabelos, então saímos do banheiro e me sentei na cama. Ela os penteou e prendeu os prendeu com um elástico num rabo de cavalo alto. Lhe agradeci com um beijo na bochecha.
Emmett nos assistia da porta e quando fiquei de pé para irmos, ele me deu um beijo estalado na bochecha e sussurrou que eu estava linda.
–Vou ficar melhor quando tomar um banho daqueles e tirar esse cheiro de hospital. Tenho certeza que estou cheirando a gente doente. – comentei rindo e ele negou, me dando um beijo no pescoço. – Para Emm, sua mãe está aqui. – coloquei a mão em seu peito o afastando.
–Eu não vi nada. – Carmen brincou, pegando sua bolsa e a que havia trazido para mim, que agora continha minhas roupas. – Vamos?
Nós assentimos e logo eu estava deixando o hospital numa cadeira de rodas completamente desnecessária. Eu queria ir andando, mas nem a médica nem Emmett deixaram. Ele mesmo se prontificou a me empurrar antes que a enfermeira que trouxe a cadeira fizesse isso.
Emm me levou para fora do hospital até a entrada, onde o pai dele esperava ao volante. Carmen vinha ao nosso lado, com a enfermeira que iria levar de volta a cadeira, e abriu a porta traseira para mim.
–Quer passar na sua casa para pegar suas coisas, Rose? — ela perguntou enquanto Emmett me ajudava a entrar no carro. Eu estava me sentindo doente com tanta ajuda, mas não podia deixar de dizer que ser paparicada assim era tão bom.
Olhei para Emmett, agora sentado ao meu lado, e neguei. Eu não queria voltar para aquela casa de jeito nenhum. Estava com tanto medo de Hector que se o visse na minha frente não saberia se seria capaz de sair correndo.
Emm apertou minha mão me dando um sorriso compreensivo. Depois de um afago na minha bochecha, ele se virou para mãe que nos encarava parada enfrente a porta ainda aberta.
–Vou buscar as coisas dela depois, mãe. Sozinho. — ele esclareceu. — Não quero a Rose naquela casa novamente. – respondeu convicto.
Ele passou um braço em torno dos meus ombros, me trazendo para mais perto de si. Escondi meu rosto em seu peito absorvendo seu perfume delicioso. Me sentia completamente segura ali.
– Está certo. Então depois nós resolvemos isso. Quem sabe podemos passar lá no horário de trabalho do seu pai, Rose?! E o seu pai vai junto, Emm. – ela fez questão de ressaltar.
Eu concordava extremamente com Carmen. Se não era seguro pra mim lá, muito menos para Emmett. Estava fora de cogitação deixá-lo ir a minha casa e encarar meu pai.
Minha sogra fechou a porta do lado de Emmett e se dirigiu ao banco do carona. Quando o carro deu partida, senti como se estivesse deixando toda uma vida de sofrimento para trás e dando inicio a uma nova realidade ao lado do garoto que eu amo. O amor da minha vida e pai do nosso bebezinho.
[...]
Não demorou muito e avistei pela janela a fachada da casa dos Cullen. Emm me ajudou a descer do carro, sustentando meu peso com o braço em volta da minha cintura. Entramos e eu fiquei meio perdida. Pela primeira vez não sabia o que fazer em sua casa, que agora seria minha nova moradia.
–Esta com fome, Rose? — Carmen perguntou após fechar a porta. Eu e Emmett estávamos sentados no sofá, com nossas mãos entrelaçadas.
–Não Car, obrigada. -neguei e ela se aproximou, se sentando ao meu lado e segurando minha mão.
–Mas tem que se alimentar, meu bem. Tem um bebê aí que precisa crescer forte e saudável. – Carmen me lançou aquele sorriso maternal. Agradeci mentalmente por ter uma sogra tão gentil como ela.
–Está certo, eu como. — eu concordei com um sorriso.
–Vou preparar uma sopa de legumes bem leve pra você, mas antes vou ajudá-la a tomar um banho, ok? — Ela ficou de pé, colocando uma mecha de cabelos para trás da orelha.
–Eu a ajudo com o banho, mãe. — Emmett se prontificou e me olhou. Acho que eu havia ficado vermelha. -Tudo bem pra você, Rose?
Eu apenas assenti, um pouco insegura com a reação que Eleazar e Carmen fossem ter. Afinal, só porque eu estava grávida dele e morando na mesma casa, não como se estivéssemos liberados para qualquer coisa que quiséssemos.
– Acho melhor sua mãe cuidar disso, filho. -Eleazar se pronunciou.
–Ah amor, eles não vão fazer nada demais. Vamos deixar o Emm ajudá-la com o banho. Enquanto isso você me ajuda a cortar os legumes, tá certo? -Carmen pediu a favor do filho, e de mim obviamente, com mão sobre o peito do marido.
–Está certo. — ele revirou os olhos, cedendo ao sorriso doce e persuasivo da esposa. -Juízo e não demorem.
Emmett riu, assim como a mãe, enquanto os pais saiam. Ele ficou de pé e me pegou no colo. Precisava disso mesmo? Eu podia andar até lá em cima.
–Isso é mesmo necessário? Não é como se a gente estivesse casando, não tem que passar pela porta comigo no colo, seu bobo. – ri, escondendo o rosto em seu peito.
– Talvez não, mas eu quero fazer. – respondeu e depositou um beijo na minha cabeça.
Fiz uma nota mental de agradecer a Deus todos os dias por ter um namorado tão maravilhoso como Emmett. Depois de tudo que eu fiz, não merecia ser tão bem tratada assim. Mas lá estava ele, me carregando no colo escada à cima.
–Eu podia tomar banho no banheiro lá de baixo mesmo, Emm. Assim te poupava tanto trabalho. –falei. Meus braços estavam em torno de seu pescoço.
– No banheiro de baixo não tem banheira e quero deixar você completamente confortável. – respondeu, já no corredor.
–Mas no seu banheiro também não tem. – eu disse, me lembrando.
–Mas no da minha irmã sim, ela não vai se importar se você usar. Só preciso me livrar desse tênis antes. – ele comentou, parando na porta do próprio quarto.
Emm me colocou no chão e foi retirar os sapatos. A bagunça de sempre estava lá, eu já estava familiarizada com cada parte daquele cantinho da casa. Só então percebi o quanto senti falta de passar ótimas tardes ali com ele.
Avistei uma foto nossa sobre o pequeno criado ao lado da cama dele. Me aproximei e a peguei, me sentando na beirada da cama. Estávamos lindos e sorridentes. Emmett esbanjava seu melhor sorriso de covinhas tão radiante. Ele era perfeito! Acho que fiquei perdida minutos demais encarando o retrato, pois quando percebi Emm estava parado em minah frente.
–Vamos? – perguntou. Eu assenti e peguei sua mão que estava estendida em convite para mim.
Fomos para o quarto de Irina e eu fui direto para o banheiro. Emm foi pegar uma toalha e roupas no armário dela enquanto deixava a banheira encher. Fechei a porta para usar o banheiro e pouco tempo depois ele estava batendo nela.
–Rose, posso entrar?
– Espera aí. – pedi, terminando de usar o banheiro.
Abri a porta e lá estava ele com aquela expressão de preocupação.
–Relaxa, você não precisa me vigiar enquanto faço xixi, não é?! – brinquei rindo e ele me acompanhou.
– Deixei a roupa em cima da cama. Espero que sirvam em você. Aqui a toalha. — ele me passou.
–Acho que vão servir sim, eu não estou tão gorda assim. — Emm riu — Obrigada. — sorri pra ele e Emm se inclinou para me beijar. Um beijo calmo, lento e doce. Senti naquele beijo que ele estaria sempre cuidando de mim e me senti a garota mais sortuda do universo.
Não havia mais motivos para eu ter vergonha de Emmett, então ele me ajudou a retirar a blusa que vestia, me deixando apenas de sutiã. Ele aproximou o rosto depositou um beijo na pele exposta, depois em minha bochecha.
– Pediu para me ajudar com o banho só pra se aproveitar de mim, né seu ursinho danado? — brinquei.
– Só um pouquinho. — ele me roubou um selinho. Depois tirei a calça e ele a jogou no cesto de roupas sujas que estava lotado. Como Irina gastava tanta roupa assim?!
Agora eu estava só de calcinha e sutiã, Emmett me ajudou a entrar na banheira repleta de espumas que emanavam um cheiro delicioso. Minha pele arrepiou em contato com a água, mas logo relaxei. Estava quente e deliciosa.
Emm me passou a esponja de banho e o sabonete líquido, em seguida ficou de joelhos atrás de mim e começou a jogar água em meus cabelos. Colocou um pouco de xampu nas mãos e começou a lavar minhas mexas. Seu toque era extremamente relaxante, fechei os olhos para apreciar aquele momento tão gostoso de carinho. Depois ele enxaguou e passou o condicionador. Outra vez massageou meus cabelos castanhos me transmitido uma sensação incrível de amor e cuidado.
Em seguida Emm foi para o outro lado da banheira, pegando meu pé direito e passando a esponja. Eu ri quando ele fez isso, estava me fazendo cócegas. Foi o mesmo com o outro pé.
–Para Emm, está fazendo cócegas. – falei rindo, puxando meu pé que ele segurava.
– Calma, ainda está sujo bem aqui. – ele esfregou a esponja bem no meio do meu pé, onde eu tinha mais cócegas. Não pra segurar e eu caí na gargalhada outro vez, me encolhendo. Acabei batendo o pé na água e espirrando nele.
–Desculpa. – pedi, quando ele também parou de rir.
Emmett fez uma cara séria e achei que ele tivesse mesmo ficado bravo. Mas quando um sorriso travesso, acompanhado por aquelas covinhas fofas, surgiu sabia que estava tudo bem. Ele jogou água em mim, atingindo direto meu rosto.
–Você é muito bobo sabia?! – fingi indignação e ele me jogou mais água.
Acabou que meu banho se tornou uma guerra de água e Emmett saiu com a camisa encharcada. Ele me deixou sozinha para terminar o banho e quando acabei me enrolei na toalha e deixei a lingerie molhada sobre o cesto. Depois avisaria a Carmen que eu mesma lavaria minhas roupas.
Emm não estava na quarto de Irina, então eu pude me trocar tranquila. As roupas da minha cunhada ficaram um tantinho largas, mas nada demais. A blusa de malha rosa com bolinhas brancas e a calça de moletom cinza eram completamente confortáveis.
Enquanto secava meus cabelos com a toalha ouvi batidas na porta e Emmett colocou a cabeça através da fresta.
–Posso entrar? – pediu, com um sorriso no canto dos lábios. Era incrível como eu conseguia ficar perdidamente encantada com aqueles olhos verdes emoldurados por cílios grossos.
Assenti e ele veio ao meu encontro com uma nécessaire num tom de rosa bem claro.
–Minha mãe pediu pra te entregar isso. – ele passou a pequena bolsa e eu me sentei na cama, abrindo. Havia creme de cabelo, corpo, desodorante, perfume... Enfim, tudo que eu precisava pra higiene e não tinha no momento. Na verdade, aqueles produtos de marcas obviamente caras eu não tinha nem mesmo em casa, os meus eram muito mais simples.
–Ah, obrigada. A Car é ótima, nem sei como agradecer. – comentei, revirando as coisas que ela me dera.
Peguei o creme de cabelo e coloquei um pouco nas mãos, passando em seguida nas minhas mechas cacheadas. Havia também uma escova de cabelos e de dente. Penteei meus cabelos e guardei de volta na nécessaire. Emmett me observava a todo instante, sentado na cama. Acho que corei com seu olhar intenso e ele acabou se levantando e beijando minha bochecha.
O beijo que ele me deu, logo após, no pescoço me causou arrepios. E não foi apenas um, foram vários. Emmett estava testando meu autocontrole. Suas mãos segurando fortemente minha cintura e sua respiração contra minha pele. Eu não era forte o suficiente e acho que foi por essa razão que minhas mãos agarraram sua cintura larga e se infiltraram em seguida sob sua camisa, agora seca.
– Você está muito cheirosa, amor. Eu estava com tanta saudade de você, mas se não descermos agora pra você comer provavelmente minha mãe vai subir e te puxar lá pra baixo. – Emm falou, parando de beijar minha pele.
– Tem razão. – eu ri de leve, lhe dando um selinho.
Então descemos de mãos dadas rumo à cozinha. Eu não podia estar mais feliz por ter Emmett de volta e minha vida e por estar morando aqui, cercada de amor e carinho oferecido pelos Cullen. Meu bebê, com certeza, teria a melhor família do mundo.
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