The Safe Place
22 Capítulo 22 – Era uma vez minha aliança...
Notas iniciais
A segunda-feira chegou voando e mais uma semana no colégio começaria. Nem vi meu fim de semana passar. Mas também, aproveitando as tardes de sábado e domingo com Emmett, Irina, Carmen e Eleazar, era impossível notar o tempo passar.
Assim que saí do meu quarto com a mochila nas costas e o fone de ouvido tocando uma música agita para essa hora da manhã, não notei meu pai no corredor e acabamos esbarrando, o que fez a aliança que Emmett me dera cair do bolso do meu casaco.
Eu ainda não a usava em casa, não queria que meu pai a visse. Do lado de fora era outra história. Amava observá-la brilhando com a incidência dos raios fracos do sol daqui em Forks.
Mas hoje, pelo visto, não tive a sorte de conseguir escondê-la de Hector.
–Olha por onde anda, peste! – resmungou com as mãos nas têmporas. Sua expressão era de dor, consequência de mais uma noite de bebidas.
–Desculpe. – sussurrei, correndo os olhos pelo chão atrás do anel. Notei quando o barulhinho dele caindo cessou e vi o objeto brilhando logo ao lado do pé do meu pai. E, infelizmente, não fora só eu que vira.
–Olha só, o que nós temos aqui. – ele se abaixou e pegou, erguendo-o na luz para ver melhor. Eu enxergava a cobiça passando por seus olhos. – Tá roubando joias agora, garota? – se aproximou de mim e apertei minhas costas contra a parede. – Se eu tiver problemas com a polícia por sua culpa, eu juro que... – nem o deixei terminar.
–Eu não roubei isso. Eu ganhei. – respondi, tentando parecer firme, mas minha voz saiu trêmula e chorosa.
–Ganhou? E posso saber de quem? – perguntou, ainda analisando minha aliança (que não sei se seria mais minha).
Eu deveria contar? Dizer que estava namorando com Emmett? Não, do jeito que meu pai poderia querer ir atrás dele só pra extorquir alguma coisa.
–Não importa, eu só ganhei. Agora me devolve. – tentei pegar de sua mão, mas ele se desvencilhou rapidamente. Subitamente parecia ter se recuperado de sua ressaca matinal.
–Isso aqui é prata verdadeira, pelo jeito. Quanto posso conseguir com isso? – Foi uma pergunta retórica. Ele estava planejando consigo mesmo vender o símbolo do meu amor com Emmett. Isso estava errado.
–Não pai, por favor. Me devolve. –estiquei a mão na direção da aliança em mais uma tentativa fútil de tê-la de volta. Hector segurou meu pulso com força.
–Não me faça perder a paciência com você logo de manhã. Eu sei que deve ter conseguido isto aqui com aquele garoto bombadinho. Acha o que? Que não já o vi aqui na porta outras vezes? Pois está fazendo um ótimo trabalho, garota. Quanto mais puder tirar daquele moleque metido a defensor, melhor será pra mim.
–Eu não estou me aproveitando de ninguém, ao contrário de você. – elevei meu tom de voz e ele apertou mais meu pulso. Senti as lágrimas descerem, mas me recusava emitir qualquer som de choro e deixá-lo orgulhoso por estar me machucando.
–Acho melhor abaixar o tom da voz pra falar comigo, Rosalie. Entendeu? – Hector puxou meu braço pelo pulso e senti meu corpo todo estremecer, mas o pior foi o estalo que senti no local onde ele apertava cada vez mais forte.
Ele finalmente me saltou, fazendo meu corpo bater contra parede.
–E isso aqui fica comigo. – falou guardando o anel no bolso de seu casaco velho.
Foi como naquelas cenas de filme. Minhas costas escorregaram pela parede até me sentar no chão velho de madeira. Com a mão esquerda, esfregava meu pulso a fim de fazer a dor e a vermelhidão passarem, mas pareciam só aumentar.
Há essa altura eu já havia perdido o primeiro ônibus e, consequentemente, não chegaria a tempo para o segundo. Não queria ligar para Emmett e pedir carona. Ele iria com Edward, como sempre, e não estava disposta a chorar nem dar explicações da frente do Masen.
Fiquei de pé, sequei as lágrimas com a mão boa e respirei fundo. Se corresse, chegaria a tempo do próximo ônibus e entraria na segunda aula.
Foi o que aconteceu.
Minha primeira assinatura no caderno de atrasos. Eu não estava nem aí, era o último ano e meu primeiro atraso. Não faria diferença, nem entraria para meu histórico escolar que precisava estar impecável para bolsa de estudos na Universidade de Nova Iorque. Esse era meu sonho e Emmett o compartilhava comigo, tanto é que, se nós dois conseguíssemos a bolsa, nos mudaríamos juntos para lá.
Assim que entrei para aula de inglês, recebi um enorme sorriso de Alice. Dava pra ver a preocupação estampada em seu rosto, agora sendo substituída por alívio. Bella não estava ali. Hoje, seus dois primeiros períodos eram na classe avançada de redação. Ela precisava disso já queria fazer Letras.
–Rosita, meu amor, que saudades. – a voz de sinos com toque infantil de Alice preencheu meus ouvidos quando me sentei em sua frente e só então percebi o quanto senti falta da baixinha nesse fim de semana.
Não fiquei enfurnada na casa de Emmett só porque ele é meu namorado e eu não precisava mais das minhas amigas. Ao contrário. Depois do que houve entre nós, eu precisava muito delas, precisava contar para alguém o tamanho da minha felicidade. Mas Bella estava ocupada no sábado com Edward. Estudando, foi o que sua mensagem de texto disse. No domingo era dia de pescaria na casa dos Swan e agora a família de 2 (Bella e seu pai Charlie) ganhou um novo membro: Sue, a namorada de Charlie.
Já Alice ganhou um final de semana com direito a compras, manicure, SPA e esse blá blá blá todo de garotas que ela adora. Isso porque sua prima Chloe, filha da tia Marie (a única da família Brandon que se importa com a baixinha) havia vindo passar o fim de semana com a mãe que mora nos fundos da casa da Alie. A garota, pelo que Alice sempre contou, é muito esnobe e não quis ficar em Forks, então arrastou Marie e Alice para Seattle.
Soube de tudo isso quando a baixinha chegou ao domingo, no fim da tarde, e me ligou. Ficamos mais de 1 hora penduradas no celular rindo dos ataques de frescura que a tal Chloe deu e Lice me contava.
–Também estava morrendo se saudades, baixinha. – me virei para apertar suas bochechas rosadas. Ela estava mais linda ainda com os cabelos ondulados castanhos presos em Marias-chiquinhas. Se tivesse uma filha um dia, torceria para que fosse exatamente como Alie. –Sua prima chata já foi embora?
–Sim, foi hoje cedo. Minha nossa senhora do glitter, eu não estava mais aguentando aquela garota, Rose. – ri quando ela falou isso revirando teatralmente os grandes olhos cor de ameixa.
O professor pigarreou e eu me virei para frente. Como se não bastasse chegar atrasada, eu ainda estava tumultuando a aula. Que ótimo Rosalie. –pensei irônica.
No intervalo...
–Então Rose, qual a novidade você tinha pra me contar? – Alie perguntou enquanto procurávamos uma mesa no refeitório.
Eu havia apenas dito que uma coisa incrível havia acontecido, mas não havia dito o que. Esse não é o tipo de coisa que se conta por telefone. E conhecendo a baixinha como conheço, ela provavelmente iria gritar e pegar o carro da tia para vir até minha casa em pleno domingo à noite.
–Bem, agora são duas novidades. Uma boa e uma ruim. Na verdade, incrível e péssima. – respondi quando nos sentamos.
–Ai meu Deus, fala a boa antes. – ela segurou minha mão e por sorte foi a que não estava machucada. Olhei para os lados, certificando-me que Emmett ainda não havia voltado do treino de futebol americano, respirei fundo e comecei.
–Então, eu e o Emm estávamos estudando na casa dele na sexta-feira à tarde e... – engoli o bolo que se formou em minha garganta. – E, bem, rolou entre a gente. – dei de ombros, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Por dentro, meu coração martelava forte. Eu disse em voz alta? A boca aberta de Alice e os olhos brilhando não me deixavam enganar. Sim, eu disse.
–Oh my God! Quer dizer que vocês dois... – Ela arregalou os olhos, em expectativa.
–É, aconteceu.
–Caramba Rose! Eu preciso de detalhes agora! – Ela segurou meus ombros, sorrindo que nem o gato de Alice no País das Maravilhas.
–Não, não precisa não. Não me faça falar, eu não consigo. – sentia minha bochecha esquentar. –Só posso dizer que foi mágico. O Emm é o melhor cara do mundo, Alice! Ele foi tão cuidado, tão perfeito, sempre se preocupando comigo. Eu juro, não queria sair dos braços dele nunca mais. –contei e dessa vez tinha certeza que eram os meus olhos que brilhavam.
–Awn que fofo, ela tá apaixonada. – Alice piscou os olhos, fazendo “carinha de apaixonada”.
–Não é paixão, Alie. É amor. Eu amo o Emmett, de verdade. – falei e nunca estive tão convicta de algo na minha vida.
Aquilo era tão concreto, tão sólido e verdadeiro. Assim como eu me chamava Rosalie Hale, como precisávamos de oxigênio para respirar, como existíamos ali de carne osso. Meu amor por Emmett era a coisa mais real e verdadeira que tinha em mim.
–E ele ama você, Rose. Dá pra notar no jeito com olha pra você toda vez que chega ao colégio, quando você sai 5 minutos de perto dele é como se um pedacinho dele sumisse. Vocês estão conectados. – Alice falou de uma forma tão adulta que me impressionei. E ela tinha razão. Parecia que Emmett era uma extensão da minha alma, assim como eu da dele. – Okay, agora me conta a notícia triste.
Suspirei desanimada. Ergui minha mão direita, a que estava com o pulso machucado e mostrei a Alie.
–Minha aliança, Alie. Meu pai a pegou. – senti o nó se formando em minha garganta. Eu queria chorar de novo.
–Como assim, como foi isso? – Ela parecia indignada.
–Eu não a uso dentro de casa, você sabe, não queria que meu pai a visse. Hoje de manhã eu estava saindo meio avoada do quarto e acabei esbarrando nele. A aliança estava no meu bolso e caiu perto do pé dele. Ele a viu pegou e o resto você já deve imaginar. – terminei de contar. – Ali, eu preciso dela, Emm a deu pra mim como símbolo do nosso amor, nosso namoro, ele vai ficar magoado comigo se não me vir usando.
–Rosa, calma. – o polegar de Alice secou uma lágrima que se formava no canto e só então percebi que chorava. – O grandão não vai ficar bravo nem triste com você, não foi sua culpa. Por favor, amiga, não chora.
–Ele ainda me acusou de roubá-la. – falei, e minha voz saiu mais rancorosa do que queria. – Ele acha que estou me aproveitando de Emmett. Isso é ridículo!
–Muito ridículo. – ela concordou. – Você vai contar?
–Não sei, não quero, mas tenho né? Se eu esconder e ele descobrir será pior. – falei triste.
–Argh! Isso é tão errado! – Alice grunhiu. –Mas vai ficar tudo bem. – ela puxou minha mão direita e a entrelaçou na dela. O simples gesto me fez gemer de dor. – O que foi Rose?
Levantei a manga da blusa de frio, expondo meu pulso vermelho. Estava latejando.
–Ai Rose, ele te machucou. Está quebrado?
–Não, eu acho que não. Talvez tenha torcido. – passei a mão em volta.
–Olha a Bella ali. – Alie apontou para Bella que passava do outro lado do refeitório com a turma de Edward.
Bella estava diferente. Os cabelos pretos que viviam desorganizados estavam penteados para trás e uma tirara o fazia ficar no lugar. A maquiagem na estava tão pesada como sempre e a camiseta de bandas de rock fora substituída por uma regata branca simples. Somente o jeans justo e rasgado e o par de all star velho estavam ali ainda.
–Desde quando a Bella penteia o cabelo? – Alice riu. Minha expressão era confusa.
–Ei Bells! – a chamei, acenando com a mão boa. Bella olhou para nós, acenou e deu um sorrisinho fraco. Depois se virou para os colegas de Edward e continuou a conversar como se nem tivesse nos vistos. –Nossa! O que foi isso? – perguntei sem entender o comportamento da nossa melhor amiga.
–O que foi o que? – Emmett surgiu do nado ao meu lado, beijando minha bochecha e puxando uma Chiquinha do cabelo de Alice.
–A Bella. Ela tá lá com seu primo e nem nos deu atenção. – Alice reclamou, fazendo bico. Emmett seguiu o olhar da baixinha e eu também, vendo Isabella sorrir naturalmente como se fizesse parte do grupinho há anos. O Masen estava com o braço ao redor dos ombros dela.
–Ela deve estar fazendo novas amizades. Não se preocupem, ela não vai largar vocês. – Emm falou.
–É, eu sei, só que estranho. – dei de ombros. –Vamos comer? — Sugeri e vi Emm sorrir como sempre fazia com a menção da palavra comida.
–Claro, vamos. –Ele ficou de pé e pegou minha mão, a do pulso machucado e a puxou. Senti minhas pernas fraquejarem e tornei a me sentar. A dor foi intensa, cheguei a fechar os olhos.
–Você tá bem, Rose? – a vozinha de preocupação de Alice parecia a de uma criancinha chorosa. Sentia sua mão acariciando meus cabelos.
–O que foi amor? Te machuquei? Me desculpa. – Emm também parecia preocupado e quando levantei a cabeça para encará-lo vi sua expressão de tristeza cortar meu coração.
–Foi o pai dela, olha. –Alice pegou cuidadosamente meu braço e o girou, expondo o lugar que doía.
–O que ele fez Rose? – dava pra notar a raiva encoberta em sua voz. Emm se sentou do meu lado e analisou meu pulso com cuidado. O calor de suas mãos parecia aliviar a dor.
Então agora eu teria que explicar.
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