The Safe Place

11 Capítulo 11 – Sentimentos. Eu dou um Jeito.


Saí do teste de matemática sabendo que tinha conseguido uma nota razoável. Estava fácil, mas não sei se minha mente me deixou calcular da melhor forma. O convite de Emmett estava martelando em minha cabeça.

Era sério mesmo?

Fui andando tranquilamente par casa, querendo aproveitar um pouquinho do sol que brilhava. Mamãe adorava sair comigo para tomar sol. Ela não gostava e ficar enfurnada dentro de casa como papai preferia. Acho que ele tinha ciúmes dela sair por aí exibindo o quanto é linda com o simples fato do dos raios fracos de sol iluminar sua pele de porcelana.

Sinto tanta falta de passear com ela. Mas tenho certeza que ela está bem, seja lá onde esteja. Curtindo o sol lhe aquecer por completo.

Parei olhando para cima, uma nuvem começa a cobrir o sol. Sorri.

–Nuvem ciumenta. – falei para mim mesma rindo.

–Falando sozinha, Rosalie? – senti uma mão tocar meu braço e me virei sorrindo, reconhecendo aquela voz de veludo que soava melodiosa em meus ouvidos.

–Oi Emmett. Não, estou apenas falando como aquela nuvem é ciumenta. – Respondi e ele me encarou confuso. – Minha mãe e eu gostávamos de sair para tomar sol e sempre que estávamos nos esquentando e falando o quão bom era o calor do sol aparecia uma nuvem para cobrir, mamãe dizia que a nuvem tinha ciúmes do sol. – expliquei e ele sorriu.

–Algumas coisas têm ciúmes do brilho de outras. Até pessoas são assim. Mas o brilho de alguém é algo muito particular, que ninguém consegue apagar, mesmo que esteja escondido. – Ele falou me encarando. Seus olhos verdes grudados nos meus. Aquele brilho hipnotizante que me fazia não querer desviar de seu olhar jamais.

Emmett beijou minha bochecha, passando o braço por meu pescoço e continuamos a andar. Mas pera aí, eu estou indo para casa e de jeito nenhum quero ele lá para dar de cara com meu pai.

–Emmett, espera. Você está a pé por quê? E outra, está indo na direção da minha casa? – Perguntei, parando de andar.

–Mas você gosta de perguntas, hein. – ele riu de leve. – Enfim, eu queria te chamar para almoçar por isso dispensei a carona do meu primo. E não estamos indo para sua casa, vamos virar naquela rua ali. – ele apontou para a direita no cruzamento a nossa frente.

–Eu? Almoçar na sua casa? Acho que não é uma boa ideia. – neguei com a cabeça e o vi revirar os olhos, cansado com minhas indecisões, provavelmente.

–Para com isso Rose. Como não é uma boa ideia? Minha mãe te adora e meu pai também. Não seja chata, vai. Você tem que se acostumar mais a ir lá em casa. – ele falou e o olhei confusa, talvez até espantada. – Eu não estava brincando quando disse aquilo sobre o fato de não estarmos namorando ainda. Eu gosto mesmo de você, é tão difícil de acreditar? – perguntou, elevando um pouco a voz no fim.

–Sim, é difícil! – falei de uma vez, fazendo cara óbvia. Acabei rindo com ele.

–Posso saber por quê? Você é uma garota linda, inteligente, engraçada. Qual o cara não ia querer ficar com você? – Ele perguntou arqueando uma sobrancelha.

–Quer que eu vá buscar a lista de chamada do colégio? – perguntei irônica.

–Aqueles caras são cegos, só pode. E tem razão, eles não podem olhar para você. Não quero um bando de marmanjo olhando para garota que estou a fim. – Ele falou quando voltamos a caminhar. Parei outra vez e ele sorriu. – Não vamos chegar nunca se você para a cada frase que eu disser.

–Desculpe. – ri baixinho.

Meu Deus, ele estava mesmo a fim de mim? Por favor, que não fosse uma brincadeira. Uma vez na vida alguém estaria apaixonado por mim? Seria minha vez, enfim, de ser feliz?

–Eu também gosto muito de você. – comentei baixo, mas o suficiente para ele ouvir.

–Eu sei que sou irresistível. – falou convencido.

–Bobo. – bati em seu peito e ele beijou meus cabelos.

Logo chegamos a sua casa e Carmen me recebeu com um sorriso no rosto.

–Rosalie, querida! Todo bem? – assenti a abraçando.

–Mãe advinha?! – Emmett falou jogando a mochila no sofá.

– A pilha da minha bola de cristal acabou querido. – ela falou me fazendo rir.

–Engraçadinha. – ele lhe mostrou a língua. – O que eu queria dizer era que a Rose aceitou ir ao baile de calouros comigo. – ele falou orgulhoso e Carmen me encarou surpresa.

–Jura? Que bom, meu amor. – Ela me abraçou sorrindo. Como se eu fosse a nora que ela pediu a Deus.

–Seu filho tem um poder de persuasão incrível, Carmen. – ri, tirando a mochila do ombro e colocando no chão ao lado do sofá.

–Você bem que gostou. –Emm piscou pra mim, convencido.

–Vamos almoçar então? Fiz lasanha. – Carmen chamou e Emmett praticamente pulou do sofá.

–Ele é sempre assim com lasanha? – eu ri, indo para cozinha com o braço entrelaçado ao de Carmen.

–Não. Ele é assim com qualquer comida. – Ela respondeu e nós rimos.

Sentamos-nos à mesa e Carmen me serviu. Meu Deus como aquilo estava delicioso!

–Cadê o papai? – Emmett perguntou.

–Ele foi almoçar com um dono de uma distribuidora de refrigerante. Sabe como é resolvendo as coisas do supermercado.

Continuamos a comer tranquilamente e cada vez e me sentia mais parte daquela família e desejava tanto que a minha fosse assim.

–Sabe mãe, a Rose fala sozinha. – Emmett falou rindo e eu corei.

–Não é nada disso Carmen. Ele me viu comentando comigo mesma sobre o tempo e está fazendo piada.

– Ela chamou uma nuvem de ciumenta. – Ok, ele estava decidido a me fazer passar por louca para mãe dele, não é possível.

–Não é assim a história. É que quando eu saia com minha mãe... – comecei a lhe explicar a história e Carmen parecia bem interessada. Quando terminei ela sorriu compreensiva segurando minha mão e transmitindo aquele carinho materno do qual sentia tanta falta.

–Sua mãe devia ser uma mulher maravilhosa, Rose. – ela falou e eu assenti. –Do que ela trabalhava? – perguntou, de repente.

–Ela era enfermeira, mas parou de trabalhar quando eu nasci. Meu pai também não gostava muito que ela ficasse fora de casa. – respondi.

–Compreendo. Com certeza era uma ótima enfermeira. – Carmen sorriu.

–Sim, ela adorava cuidar das pessoas. – suspirei, sentindo mais do que nunca falta dela.

–Um dia ela vai voltar pra cuidar de você. – Emmett afirmou e quis acreditar em suas palavras mais do que em qualquer coisa. Sorri em resposta e voltamos a comer, ouvindo os comentários engraçados de Emm sobre a briga do primo com a Maggie. Carmen gostou da atitude do sobrinho. Parecia que sabia do quanto Edward aprontava.

Me ofereci para ajudar Carmen a lavar a louça, mas ela recusou. Mesmo assim fiz questão de ajudá-la, pelo menos, a tirar a mesa.

Emmett se jogou no sofá e ligou a televisão num canal onde passava no momento uma série policial. A tevê estava quase explodindo com o barulho dos tiros e Carmen veio reclamar assim que me sentei ao lado dele.

–Primeiro vamos abaixar esse volume porque não tem ninguém surdo nessa casa, certo? – Carmen pegou o controle remoto e abaixou o volume. Ri de leve vendo Emmett revirar os olhos. – Segundo: não tem lição de casa pra fazer não, mocinho? – ela perguntou colocando as mãos na cintura. Ele se ajeitou no sofá, se sentando.

–Mãe, agora? Sério? – ele falou manhoso depois olhou para mim.

–Ah, não se preocupe. Já estou indo embora, não quero incomodar. – Falei já ficando de pé, procurando por minha mochila.

–Não querida, não é isso. Por favor, não entenda o Emmett mal. – Carmen foi tratando de corrigir. Mas eu estava atrapalhando, não estava?

–Eu só quis dizer que preferia ficar aqui com você, Rose. E não estudar. – Emm concertou.

–Mas... –tentei formular o que falar pensando no que dizer para não ser má educada. Era mesmo melhor eu ir e não dar mais trabalho.

–Mas nada, vamos fazer a lição juntos, pode ser? – Emmett sugeriu. Olhei dele pra Carmen e ela sorriu satisfeita, assentindo, voltando para cozinha.

–Okay. – sorri, pegando minha mochila que estava sobre o braço do sofá e tirando meu caderno e o livro de biologia. – Corpo humano? É tão chatinho. – fiz cara feia quando abri na página que o professor Stefan havia passado. Nos sentamos no chão, apoiando os livros na mesinha de centro da sala.

–Depende do corpo... – ele falou fazendo cara de travesso, me encarando dos pés a cabeça, apesar de eu estar sentada.

– Emmett, não... – comecei, ficando vermelha. Eu não podia me olhar daquele jeito agora, com a mãe dele no cômodo ao lado. Eu tinha que me concentrar! Mas seus olhos verdes e o sorriso presunçoso não deixavam.

–O que foi? – Se fingiu de inocente.

–Vamos estudar vai. – comecei a anotar as respostas no caderno. Foram 10 minutos pra fazê-lo se concertar, mas enfim Emmett parou com as piadinhas sobre ter outros corpos mais interessantes para se analisar, tipo os das modelos de revista. Não vou negar que tive uma pontada de ciúmes. Se eu fosse como uma delas quem sabe ele...

–Pausa para o lanche, crianças! – Carmen entrou na sala com uma bandeja com dois copos de suco de morango e sanduiche. Meu estômago agradeceu ruidosamente, corei, mas acho que eles não escutaram, ou se sim, disfarçaram muito bem.

Acho que já fazia quase 2 horas que estávamos enfurnados naquelas perguntas sobre musculatura, sistema sanguíneo, e outras babaquices que pra mim são relevantes se for ressaltar o fato de que não quero ser médica ou algo do tipo.

Eu e Emmett atacamos o lanche, depois voltamos e terminamos a tarefa de biologia.

–Graças ao Pai! — Emm se jogou no tapete, dramatizando. -Enfim terminamos. Já estava surtando. — falou, tornando a sentar.

–E eu então. –comentei, suspirando enquanto guardava meu lápis e borracha no estojo. Senti o toque quente de sua mão em minha testa. Sorri docemente pra ele, que tirava uma mecha de cabelo do meu rosto.

Ele devolveu o sorriso, se aproximando. Seus olhos verdes me prendendo.

Então eu nem estava mais me lembrando de onde estava. Éramos apenas nós dois. Seu hálito adocicado, mas não enjoativo, batendo contra meus lábios. Senti o roçar da maciez de sua boca contra a minha. Porque me torturar assim, garoto? Me beija de uma vez! Pensei ansiosa pra senti-lo mais perto. Não resisti, minha mão segurou sua nuca e selei nosso beijo finalmente.

Nossos lábios se moviam numa sincronia perfeita e ritmada. Não dava pra explicar, só era natural. Tudo se encaixava, o tempo parava, eu me sentia bem, normal, completa e protegida. Mas qual seria o efeito pra ele? Queria acreditar que era tão bom quanto para mim.

Cedo demais nos afastamos. Dois bobos sorrindo. Encostei minha testa na dele, ofegante. Outra vez ele acariciou meu rosto, fazendo o contorno da bochecha até meu queixo. Tocou com o polegar a parte inferior dos meus lábios e roubou um selinho rápido, me fazendo balançar a cabeça rindo de leve.

Meus sentimentos por ele criando cada vez mais intensidade. Era possível mesmo se sentir flutuando com um simples beijo? Ah, mas de simples aquele ali não tinha nada.

–Crianças, eu... – escutamos a voz de Carmen e me afastei no mesmo momento. – Desculpe interromper. – ela abriu um sorriso travesso. Já sei de onde Emmett herdou essa carinha sapeca.

–Não está interrompendo nada, Carmen. – tratei de falar, jogando meu material na mochila, sem encará-la.

–É mãe, já terminamos a tarefa. – Emm falou, ficando de pé.

–Não era a isso que estava me referindo, mas... – ela piscou para o filho e ele riu. Senhor, eu acho que estou roxa de vergonha! – Só queria avisar que estou saindo para o supermercado, seu pai está precisando de mim por lá.

–Tudo bem. – ele deu de ombros.

–Eu já vou indo também. – falei, ficando de pé, colocando a mochila nas costas.

–Pode ficar querida, só juízo. – Carmen riu e eu desviei o olhar para meus pés. Acho que passei de roxa para azul, é possível?!

–Não, eu... – tentei falar, mas meu celular começou a tocar no bolso lateral da mochila. –Me dão licença, por favor? – pedi, era Alice.

–Claro. – Carmen sorriu, pegando um casaco que estava sobre o sofá e vestindo. Emmett me encarou, mas saiu de perto assim que a mãe o censurou.

–Allie, o que foi? – pedi, assim que atendi.

Oi Rosie do meu coração. – sua voz soou meiga, meiga até demais.

–Ok, o que você quer de mim pra estar assim toda meiguinha? – ri baixinho, imaginando a careta que ela estava fazendo do outro lado.

–Nossa, é assim? Não falo mais sua boba. – visualizei seu bico.

–Fala amor, estou brincando. – tratei de me desculpar, a baixinha era sentimental.

–Ok, me deixa falar. Como o baile é neste fim de semana, o que acha de irmos comprar os vestidos amanhã? A Bellinha concordou. Vocês têm que ficarem gatas para seus pares. – ela falou realmente não se importando com o fato de ser a única de nós sem par. Alice queria apenas se divertir.

–Allie, eu não sei. Acho que não vai dar... – falei, imaginando uma possível desculpa para não ir às compras. Eu não queria dizer que o problema era a falta de dinheiro.

Você não está pensando em ir de jeans e regata para o baile, não é Rose? – ela insinuou. Na verdade, eu nem havia pensando no que fazer a respeito do quesito roupa.

–Ia ficar muito ruim? – ri de leve, imaginando a careta dela.

–Eu não vou permitir. É nosso primeiro baile, vamos arrasar. Por favor, vamos. – ela implorou.

Droga, o que faço? Talvez eu possa apenas acompanhá-las e inventar a desculpa que já tinha a roupa em casa e que seria surpresa?

–Rose se for pelo dinheiro, eu a Bella podemos... – ela começou, mas eu logo a interrompi.

–Não Alice. Eu vou com vocês, mas não vou comprar nada. E nem vocês vão gastar dinheiro comigo. Eu me viro ok? – falei nervosa, mas sem gritar.

Ok, ok, você venceu. Mas você vai, né? Amanhã depois do colégio podemos ir direto para Port Angeles, a Bella dá carona. – Allie começou desanimada, mas logo a empolgação para as compras voltou a sua voz.

–Tá bom, eu vou sim. Até amanhã no colégio então. – respondi, querendo encerrar a ligação.

–Tchauzinho baby. – Alice desligou.

Guardei o celular no bolso, me virando e vendo Emmett conversando com Carmen na mesa da cozinha.

–Me desculpem a falta de educação. – Falei me aproximando, envergonhada.

–Tudo bem querida, não foi nada.

–É relaxa, garotas adoram fofocar. – Emmett comentou rindo e Carmen lhe deu um tapa no braço. – Ai! – resmungou ele.

–Então, já estou indo. – Carmen se despediu mais uma vez. Dessa vez não adiantou Emmett ou ela dizerem que não havia problema em eu ficar, preferi mesmo ir embora. Por insistência dela – e cansaço da minha parte, valendo comentar – aceitei a carona de Carmen.

Ela me deixou na esquina de casa e se despediu com um beijo doce em minha bochecha. Entrei em casa e escutei o barulho do chuveiro. O relógio da sala marcava um pouco mais das seis. Ótimo, logo meu pai sairia e eu poderia relaxar por completo.

Subi as escadas, apressada, trancando a porta do me quarto, tirando a roupa e indo direto para o chuveiro. A água morna batendo leve contra meu corpo me relaxava enquanto eu pensava em Emm, em seu beijo, sorriso, nas covinhas fofas.

Nossa aproximação está ficando cada vez maior e se isso for sonho não quero acordar jamais. Ele tem que ser o príncipe que idealizei cada dia da minha vida desde que mamãe foi embora. E a cada gesto dele, por mais simples que seja eu sinto que realmente é ele.

Vesti meu pijama, coloquei os fones de ouvido deixando a voz embargada da Lana Del Rey em West Coast me envolver, enquanto pensava no quanto o dia amanhã seria longo com as meninas escolhendo seus vestidos.

Notas finais
Sei que está um lixinho, sorry, mas comentem, por favor?!