The Safe Place

27 Capítulo 27 – Afastando meus Temores


Notas iniciais
Hey minhas vidas, não demorei tanto né?! Olha um capítulo novinho cheio de ódio e amor pra vocês. É isso mesmo, já vão entender. Antes, quero dedicar esse capítulo a linda da Dark Vih! Amor, que recomendação incrível, muito obrigada. Esse capítulo é especialmente pra você que me fez muito feliz com suas palavras. Boa leitura a todos!

Era sábado e para alegaria dos alunos da Forks High School as férias tinham começado! Um mês todinho para descansar e se divertir.

As atividades de verão haviam começado para quem quisesse participar. Bella, é claro, não perderia o estágio que conseguiu em uma editora. Ela estava louca para passar hora rodeada de livros que seriam lançados ainda. Fora o fato de que poderia, quem sabe, mostrar seus rascunhos literários para alguém importante.

Alice iria para praia por uma semana, no Arizona, com a tia Marie e a filha dela. Os pais da baixinha iriam sair em outra lua de mel para comemorar mais um aniversário de casamento.

Emmett ainda teria os treinos com o time alguns dias dia semana, mas fora isso seria todo meu. E eu continuaria trabalhando na loja de Irina, mas ela me prometeu que se eu quisesse uma folguinha era só pedir.

[...]

Naquela manhã fui ao supermercado da família do Emm. Havia muita coisa faltando em casa, então juntei uma parte do meu salário e do dinheiro que achei na mesinha da sala e fui às compras domésticas. Eu tinha certeza que aquele dinheiro meu pai tinha conseguido vendendo minha aliança, então se fosse pra gastar que fosse então com algo útil para os dois.

Assim que cheguei, guardei as coisas e fiz o almoço. Meu pai não dava as caras desde que acordei e eu agradeci por isso.

Depois de almoçar sozinha e limpar a pequena bagunça da cozinha, subi para meu quarto e tranquei a porta. Queria deitar e dormir a tarde toda. Aproveitar um pouco da paz sem meu pai em casa.

O moletom cinza e o short curtinho estavam completamente confortáveis. Coloquei o volume do celular no máximo, caso Emm ou as meninas me ligassem. Geralmente quando eu durmo não escuto nada que não esteja berrando.

Joguei-me na cama, agarrei minha coberta lilás, fechei a janela e, aproveitando o quarto a meia luz, me deixei levar pelo cansaço. Devem ser as tantas provas finais do colégio que me deixaram assim, mas graças a Deus haviam acabado.

Eu estava descendo num escorregador. O sol estava brilhando forte, mas havia uma brisa que fazia meus cachos voarem e baterem contra meu rosto. Mamãe estava em baixo, esperando eu tomar coragem e descer de uma vez. Mas eu estava com medo de cair. Eu era uma criança.

“Eu vou te pegar, Rose. Vem pra mamãe, amor.”

Eu fui. Ela ia me segurar. Seu sorriso encantador e iluminado me deu confiança. Mas antes de chegar a seus braços... Ficou tudo branco.

– Que droga! — Resmunguei, abrindo os olhos devagar.

–Abre essa porta, caramba! Eu vou arrombar isso aqui, Rosalie! –Meu pai estava gritando e esmurrando minha porta.

Mas na melhor parte do sonho? Não podia esperar eu abraçar minha mãe? Poxa, vida!

Levantei cambaleante e fui abrir a porta.

–O que você quer? – perguntei ainda sonolenta, mas ainda sim fui seca.

–Cadê a merda do dinheiro que eu deixei na sala? – ele perguntou segurando com força me braço. Fechei os olhos e virei o rosto, tentando me esquivar do odor horrível de cachaça que vinha dele. A barba crescia grisalha por seu rosto. Meu pai parecia muito mais e velho e sujo.

–Eu não sei. – menti. Eu havia visto e gastado o dinheiro.

–Não mente garota. Você acha o que? Que alguém entrou aqui e roubou? – esbravejou nervoso, apertando mais meus braços e me sacudindo com força. Estava ficando tonta.

–Eu não sei. – repeti, perdendo a voz.

–Você nunca sabe de nada, não é? Você se faz de santa igual sua mãe. Fala: aquele moleque que apareceu aqui com você daquela vez? Entrou aqui? Você tá colocando marmanjo dentro da minha casa, Rosalie? – Hector me sacudiu notando que eu não respondia nada, só negava com a cabeça, começando a chorar. –Responde vadia! – Ele me jogou no chão com força.

–Eu não trouxe ninguém pra cá, eu juro. –falei, tentando ficar de pé. Mas estava tudo rodando.

Senti um puxão na raiz dos meus cabelos e fiquei de pé num átimo, tentando aliviar a dor que ele fazia me levantando a força.

–Sua mãe te ensinou a mentir direitinho, né? – Falou cuspindo as palavras. O mesmo tempo que tinha ódio dela, ele só a mencionava. Isso me deixava tão confusa.

–Por que fala da mamãe toda hora? Se não gosta pra que se lembrar dela a todo o momento? – tomei coragem sei lá de onde pra questioná-lo.

–Por que aquela vadia desgraçou minha vida. Foi uma aproveitadora. Foi embora e ainda me deixou você de encosto pra eu cuidar. – Sua voz saindo carregada de ódio e amargura. Ele me odiava. Não conseguia para de chorar. Ele é meu pai, ora essa!

–Se você nunca gostou de mim, me mande embora daqui de uma vez! – tomei coragem pra gritar na cara dele.

–Era isso que eu devia fazer. – Ele apertou meu rosto, se aproximando de mim para falar. Estava me dando nojo agora. – Mas eu não quero ser preso por colar uma menor na rua. Já, já você faz 18 anos e aí é rua. – ele deu tapinhas no meu rosto.

Eu queria gritar que iria agora mesmo, mas não podia. Iria pra onde? Pedir abrigo na casa das meninas? Elas não recusariam, tenho certeza, mas eu não podia morar de favor pra sempre na casa de ninguém. Eu tinha que arrumar uma forma de sair daqui o mais rápido possível. Só tenho que me formar e falta pouco. Pouco pra esse inferno acabar.

–Agora você vai se virar pra arranjar aquele dinheiro de volta, entendeu? E que se dane como vai fazer isso. – meu pai me empurrou.

–Eu comprei comida pra gente. Você queria morrer de fome? – joguei essa pra cima dele. Se ele quisesse problema dele, eu é que não queria.

–Dá próxima vez que você pegar um tostão meu pra comprar comida ou a merda que seja eu vou te dar uma surra que você nunca vai esquecer. Você não trabalha? Gaste a droga do seu dinheiro! Está precisando a aprender a se comportar, mocinha. – Falou apontando o dedo na minha cara.

–Você só tem coragem de bater em mulher, não é? Queria ver enfrentar alguém do seu tamanho. – falei, quase rosnando, pra ele quando ia saindo do quarto. – A mamãe fez muito bem em ter ido embora daqui! – gritei e me arrependi no momento que fiz isso.

Hector parou na porta, se virou e veio pra cima de mim. Eu sou muito burra por enfrentá-lo e acabo pagando por isso.

Levei um tapa ardido no rosto, o barulho ecoou pelo quarto.

–E quem é que vai me bater? Seu amiguinho? – ele riu irônico. Sua gargalhada estrondosa me assustou e meu rosto ardia tanto, tenho certeza que estava marcado. – Você devia sumir igualzinha àquela vadia da Lilian. Na verdade, você nem deveria ter nascido, garota. Você é um erro que só me trouxe prejuízos. – Ele falou com asco na voz, se aproximou de mim e cuspiu quase acertando meu rosto. Meu pai – que nem isso devia ser considerado- tornou a me empurrar e caí de lado no chão.

Ouvi o estrondo da porta da frente alguns segundos depois. Ótimo, ele tinha saído. Eu podia chorar sozinha e em paz.

Paz?! Paz era a última coisa que eu tinha. Nem dignidade eu tinha mais.

Agarrei meus joelhos e chorei feito uma criança desesperada. Eu nem deveria ter nascido, não deveria. Que droga! Mas a mamãe me amava certo? Eu não era um erro pra ela.

Mas ela foi embora.

Fiquei de pé cambaleando. Eu precisava de alguém, não queria ficar sozinha.

Eu precisava dele.

Peguei minha bolsa, joguei o celular e a chave dentro. Desci as escadas, com pressa, desesperadamente ansiosa para respirar ar puro. Sair daquele inferno.

[...]

A caminhada até a casa de Emmett pareceu eterna. Eu queria tanto um abraço protetor dele que parecia que demorava mais para chegar a cada passo de que dava. Mas enfim avistei a casa bonita de Carmen e toquei a capainha.

–Rose? Oi querida, o que faz aqui essa hora? – Carmen perguntou preocupada. Já eram quase 8 horas da noite. Não era tão tarde, mas anda sozinha por aí é perigoso.

Só que eu não ligava pra mais nada. Só queria vê-lo, abraçá-lo, senti-lo pertinho de mim, me protegendo, dizendo que tudo ia ficar bem.

Segurei o choro, ou logo desabaria na frente de Carmen.

–Desculpe incomodar Carmen, mas o Emm está?

–Não é incomodo nenhum, meu bem. Ele está lá em cima. É melhor entrar logo, está frio aqui fora. – ela abriu passagem, disfarçando a expressão confusa com um sorriso.

Parei na base da escada, esperando ela dar permissão pra subir e me jogar nos braços de seu filho.

–Está tudo bem, Rose? – Carmen perguntou, se aproximando.

–Está. Eu só queria ver o Emmett. Desculpa vir sem avisar.

–Não tem problema. Vocês estão namorando, pode aparecer aqui a hora que quiser. – ela sorriu docemente. – O Emm está lá em cima jogando videogame, pode subir.

–Obrigada Carmen. – beijei seu rosto e subi. Sorte ter colocado meu cabelo cobrindo o outro lado do meu rosto, ou ela veria minha bochecha completamente vermelha. Carmen percebia tudo, era incrível.

–Emm? – dei uma batidinha leve na porta de seu quarto e abri uma fresta para espiar.

Ele estava lindo, como sempre, esparramado na cama jogando. Os olhos verdes grudados na tela de TV. Sorri. Ele era meu menino grande, pena que eu não tinha forças nem para cuidar de mim quanto mais dele.

–Mãe, eu já vou parar de jogar, só mais essa. – ele falou, sem nem olhar para porta.

–Não é a Carmen, sou eu. – entrei no quarto e fechei a porta atrás de mim. Vi ele dar pausa no jogo, jogar o controle do videogame na cama e se virar para mim, com um sorriso de covinhas perfeito no rosto de anjo.

–Rose! – Ele ficou de pé e veio me abraçar. Passei os braços em torno de sua cintura, o prendendo o mais perto de mim que podia. Senti seu calor através da blusa de maga cumprida, porém fina, que vestia. Absorvi seu cheiro, querendo me embriagar. Só queria esquecer esse começo de noite horrível. Ele podia me fazer esquecer.

Só quando solucei alto que me dei conta de que estava chorando. Emmett acariciava meus cabelos de forma meiga e cuidadosa. Afundei meu rosto em seu peito, querendo ficar no abrigo de seus braços pra sempre.

–O que foi amor? – Ele perguntou baixo. Apenas neguei com a cabeça. Não queria falar, não agora. – Rose, o que aconteceu? Conta pra mim, amor. – ele me afastou um pouco, para encarar meus olhos.

Emmett analisou meu rosto detalhadamente, seus olhos corriam por minha face. Senti seu polegar acariciar minha bochecha, no local da bofetada. Fechei os olhos quando ele depositou um beijo lento no lugar.

–Odeio quando ele faz isso com você. – falou encostando a testa na minha. – O que aconteceu dessa vez? – pediu, encarando meus olhos.

–Nada. – sussurrei, mentindo. Eu não queria falar disso. Eu queria só ficar com ele.

–Não mente pra mim, Rosalie. Olha essa marca no seu rosto. – ele puxou a gola da minha blusa, expondo meu ombro. – Olha isso, de novo. – ele viu a marca quase roxa ali.

–Emmett, não me faz falar. – agarrei sua cintura outra vez, tornando a chorar. Senti seus lábios beijando o topo de minha cabeça e sua mão acariciando minhas costas. – Eu só quero sumir. – solucei em seus braços.

–Não fala isso, amor. O que eu vou fazer sem você?

–Ninguém precisa de mim. Eu sou um erro, nem deveria ter nascido. – repeti as palavras daquele deveria cuidar de mim, me amar, ser um pai. Mas ele não era e não fazia nada disso.

–Nunca mais repete isso, ouviu? – ele segurou meu rosto entre suas mãos grandes. – Nunca mais. Eu amo você, garota. Eu preciso de você. – Emm falou convicto e beijou minha testa.

Eu não o merecia. Por que ele tinha que ser perfeito demais? De alguma maneira, eu sentia que acabaria estragando a vida dele. Eu sempre estrago tudo. Todos que eu amo vão embora.

Agarrei sua blusa com mais força, entre meus dedos, como se o gesto pudesse impedi-lo de ir embora. Voltei a chorar, soluçando.

–Não chora Rose, eu odeio te ver sofrer. – ele falou com dor na voz e meu coração se quebrou em pedaços menores. Agora eu estava o fazendo sofrer. Meu Deus!

–Não dá Emm, eu não consigo. – falei desesperada. Eu só queria que ele me salvasse desse buraco que estava me engolindo.

– O que eu faço pra você ficar bem? Me fala, amor. – ele levantou meu rosto, me dando um beijo terno nos lábios. Segurei sua nuca e aprofundei o beijo. Aqueles lábios que tinham o poder de me fazer esquecer o mundo ao redor.

–Só fica comigo. Eu preciso de você. – sussurrei a última frase, tomada pelo desejo de tê-lo bem mais perto de mim. Eu queria sair dessa dimensão assustadora e só Emmett conseguia me tirar do chão.

–Eu preciso de você. – repeti, com a voz embargada. – Por favor. – Eu estava quase implorando, minha necessidade de tê-lo era descomunal. Tornei a beijá-lo.

Emmett abriu os olhos para me encarar e viu meu olhar preso ao dele. Foi o que bastou para seu beijo mudar de calmo para quente, de lento para ardente. Logo sua mão estava voando para o botão do meu jeans, mas eu o parei e olhei para porta. Ele entendeu o recado e foi trancá-la.

Não demorou e já estávamos sem nossas roupas. Emmett trilhava um caminho de beijos molhados por meu pescoço até chegar à alça do meu sutiã branco. Passou o dedo por ela e me encarou, como se pedisse permissão para tirá-lo. Assenti e beijei seu pescoço. Logo a peça estava jogada nos meus pés. Dessa vez não me tive tanta vergonha quanto da primeira, ainda assim fiquei insegura em encará-lo.

Senti suas mãos apertarem minha cintura com firmeza, me puxando para cama. Seu corpo quente sobre o meu me causava arrepios. A prova da minha inquietação era minha perna, que roçava na dele constantemente, desesperada por mais contato. Seus beijos desceram por meu pescoço, seios, barriga, até que senti sua boca parar na barra da minha calcinha e um par de olhos verdes, tomados de desejo, me encarar. Estava parecendo um flashback da primeira vez. Ele me perdia permissão pra tudo e isso me fazia confiar ainda mais nele. Emm era um completo cavalheiro, a todos os momentos.

Agarrei a com força os lençóis de sua cama e ele tornou a me beijar. Não havia mais problemas no momento, nem pai, nem briga. Nada. Éramos só nós dois, apaixonados, e nos amando.

Como Emm conseguia me fazer sentir tão completa tão feliz, tão amada? Há cinco minutos atrás eu estava desabando e agora eu estava me sentindo no paraíso. Só ele tinha esse poder e eu não sabia mais viver sem seu corpo perto de mim.

Nossos corpos cansados e suados estavam agora enroscados entre os lençóis. A mão de Emmett acariciava minhas costas, fazendo movimentos circulares em minha pele machucada. Era relaxante. Me aninhei melhor em seu corpo, absorvendo seu cheiro. O perfume natural de sua pele agora estava misturado com o da minha. Era bom.

–Rose? – ele me chamou baixinho.

–Hum? – murmurei, sem abrir os olhos.

–Eu amo você, ok? Pra sempre, não se esqueça disso nunca. Me perdoa se eu falho em te proteger daquele crápula do seu pai. – ele resmungou bravo, a última frase.

Ergui a cabeça para encará-lo. Falhar? Ah, se ele soubesse o que faz pra mim, como faz me sentir. Como isso é tudo!

–Você é muito bobo, amor. – falei, passando a mão no cabelo que estavam uma desordem com toda certeza. –Você nunca falha comigo, Emm. Você faz minha vida melhor, me salva dos pesadelos. Eu nunca vou saber te agradecer isso. – o beijei. – Eu amo você mais do que qualquer coisa.

Beijei seu peito forte antes de repousar minha cabeça ali. Ele voltou a acariciar meus cabelos e eu bocejei.

–Sua mãe vai me matar se souber o que a gente fez aqui. – comentei rindo de leve.

–Ela não precisa saber. – ele falou.

–E o que ela deve estar pensando que estamos fazendo com porta fechada nesse silêncio? — perguntei, sabendo que não teria como escaparmos da bronca de Carmen mais tarde.

–Eu já estou bem grandinho pra ficar com minha namorada no quarto. – ele falou convencido.

–Você sempre vai ser o filhinho da mamãe, amor. – Ergui o rosto sorrindo e apertei sua bochecha.

–Fica quietinha aí Rose. Eu me resolvo com a dona Carmen mais tarde. – ele falou me dando um selinho e encostando minha cabeça em seu peito outra vez.

Ri baixinho e obedeci.

–Amor? – ele me chamou outra vez.

–Mas não era pra eu ficar quieta? – perguntei rindo.

–Eu amo seu sorriso, sabe disso né? – seus olhos brilharam, me encarando. E eu nem era tudo isso. Mas meu coração se aquecia só de saber que pra ele era eu tudo que poderia imaginar.

–E eu amo tudo em você. Absolutamente tudo, Emm. – O beijei encantada, apaixonada, feliz. Tudo se misturando dentro de mim. Nem lembrava mais porque chorei por alguém que não merece meu sofrimento. Só Emmett valia a pena.

Como disse antes, ele tinha esse poder. De me fazer esquecer, de me levar ao paraíso somente com um toque, um beijo. No momento, eu só queria ficar ali, aconchegada nos braços nos braços do meu amor. Eu estava completamente segura ali.

Notas finais
Comentem tá, pf?! Preciso saber o que estão achando. Já tenho os 2 próximos prontos, então não devo demorar. Beijinhos anjas.