The Safe Place

24 Capítulo 24 – Aconteceu Algo com Ela...


Notas iniciais
Não vou nem me desculpar pela demora, acontece que eu fico sempre esperando se mais alguém vai comentar, gente. Mas aí está, vamos lá?!

Dormi feito um bebê aquela noite. A tarde havia sido maravilhosa na inauguração da loja de Irina e, apesar de Bella não estar lá conosco, me diverti muito.

Minha cama estava incrivelmente mais confortável esta manhã, mas infelizmente eu tinha que levantar. Só mais dois dias e fim de semana começa.

Abri as cortinas tendo a visão do sol fraco lá fora e das nuvens cinza que ameaçavam encobri-lo. Isso aqui é Forks, não?! Felizmente eu amava o frio e a chuva.

Tomei um banho rápido afim de não me atrasar, já que havia enrolando para sair da cama. Com o jeans surrado de sempre, tênis e o moletom cinza dos Lakers de Alice, saí do meu quarto, carregando a mochila sobre um ombro só. Ao passar pelo corredor e ver o calendário minha mente deu um estalo. Só mais uma semana e depois férias. Não pude evitar o sorriso que se formou, estava parecendo o gato do filme da Alice.

A porta do quarto de Hector estava entreaberta, mas ele não estava lá. Mas também não me surpreendi ao ver que não havia ninguém na sala ou na cozinha. Desde ontem a noite que não o via. Seja lá o que estivesse fazendo estava bem longe de mim e, por hora, eu poderia respirar tranquila.

Preparei uma xícara de café e me sentei à mesa para beber. Eu não tinha muita fome pela manhã e pela primeira vez em vários dias estava podendo tomar um copo de café em paz na cozinha. Ali, somente com o barulho do relógio e dos carros passando lá fora, me permiti vagar para lembrança da minha família, a família que eu tinha e sentia falta.

A imagem da minha mãe fazendo panquecas no domingo de manhã, meu pai lendo o jornal ou assistindo a corrida de carros na TV e eu apenas observando a mamãe e pensando como queria ser igualzinha a ela quando crescesse. O sorriso, a risada dela. Era o melhor e mais doce som que eu escutava todos os dias. Mas também me lembro de seus choros à noite e dos gritos do papai. Era tudo tão instável, estava tudo bem e, de repente, virava uma tempestade.

E aí ela se foi, me deixando para trás com esse inferno pessoal que é meu pai. Não a culpo só a quero de volta. Só quero ir com ela.

Antes que uma lágrima rolasse por completo por meu rosto, me levantei da mesa, deixei a xícara na pia e tornei a acomodar a mochila num ombro só. Eu não podia perder o ônibus, já estava em cima da hora.

Por sorte lá estava ele quando cheguei ao ponto. E o seguinte também. Nem precisei correr para alcançar o portão da Forks High School, ainda não havia batido o sinal.

A primeira aula era de geografia, com Emmett, Alice e Bella. Entrei na sala e Alice me esperava, admirando Jasper que conversava com seu melhor amigo Liam. Ainda não tinha entendido porque Jasper havia parado de falar com a baixinha, mas notava quando ele a olhava pelos corredores. Ele tinha o que? Medo de se aproximar dela? Acho que o correto seria: medo do que os outros vão pensar dele.

Bells estava na última carteira da fileira do canto, a do lado que Alice está, mas a baixinha estava na segunda carteira, ou seja, longe de Isabella. Olhei para ela assim que entrei, mas desviei o olhar quando ela me viu. Se ela queria nos ignorar ok, iríamos ignorá-la também.

Emmett ainda não tinha chego, mas a mochila e os livros de Alice guardavam duas carteiras, uma a seu lado e a detrás desta.

–Bom dia, baixinha. –beijei a bochecha dela e me sentei ao seu lado, colocando sua mochila no chão, ao lado dos pés dela.

–Oi Rose. – ela sorriu fofa, como sempre. O casaco de moletom azul com zíper que ela vestia tinha as mangas cumpridas puxadas até a metade dos dedos.

–Alie, você... – não terminei a frase, mas ela sabia do que eu estava falando. Toquei seu pulso com cuidado, querendo levantar as mangas, mas ela fez isso antes de mim.

–Não Rosie, olha. – Alie me mostrou os dois pulsos que, para meu alívio, estava com as cicatrizes quase que desaparecidas por completo. – É só mania mesmo. – ela deu de ombros.

–Ufa. Me desculpe, baixinha, eu fiquei preocupada. Ainda mais porque sei que está desapontada com a Bella. – a menção do nome fez com Alie olhasse para trás rapidamente e desse de ombros.

–Não se preocupe Rosie, eu não ligo mais. – ela disse com voz triste, o que me fez ter certeza de que era mentira. Era óbvio que ela ligava.

Acariciei o braço dela e vi Emm chegar. A cara de sono dele era mais que notável. Emmett praticamente arrastava o próprio corpo e a mochila na nossa direção.

–Bom dia grandão! –Alice sorriu.

–E aí, anã?! – ele bocejou.

–To vendo que alguém aqui foi dormir bem tarde né. –comentei enquanto ele beijava minha testa e, em seguida, ia se sentar atrás de mim. Tirei os livros de Alice e devolvi para ela.

–Pois é. Minha mãe me fez voltar pra loja e ajudar Irina com a arrumação lá.

–Mas a Irina me disse que só iam arrumar no dia seguinte. Eu poderia ter ficado e ajudado vocês, Emm. – falei, me sentindo culpada.

–Relaxa amor. A dona Carmen pegou a gente de última hora. E depois eu a loira ficamos jogando vídeo game em casa até tarde o que dificultou minha disposição essa manhã. – Emm contou. Sua voz saia arrastada e a cada pausa pra respirar ele bocejava. – Eu só sei que estou morto de sono. – ele deitou a cabeça sobre a mochila, como se fosse um travesseiro.

–Tadinho do meu namorado, Alie. – brinquei, mexendo nos fios curtos da nuca de Emmett.

–Que dó de você grandão, mas o professor acabou de chegar. – a fala de Alice fez Emmett levantar com pressa. Nós duas rimos.

A aula passou tranquila, eu gostava de geografia. Às vezes eu ou Alice tínhamos que cutucar Emmett para que ele acordasse ou até mesmo piscasse, já que estava dormindo de olhos abertos praticamente.

Quando o sinal do primeiro intervalo bateu, Alice arrastou Emmett com ela pra cantina me dizendo que guardaria um lugar para mim. Eu estava guardando meu material e a baixinha reclamando de fome, então deixei os dois irem à frente sem mim. Só me dei conta que estava sozinha com Bella na sala quando deixei uma folha de papel cair e ela foi mais rápida que eu, me entregando de volta.

– Obrigada. – falei guardando o papel na mochila.

Coloquei a mochila nas costas a fim de sair logo dali, deixá-la na próxima sala e ir atrás da baixinha e do meu namorado. Assim que virei as costas senti a mão de Bella segurar meu braço.

–Rose, espera. – ela pediu. Virei-me para ela e fiz minha melhor cara de impaciente. – Me desculpe não ter ido ontem. Eu esqueci completamente, estava com o Edward e ele falou que... – ela começou explicar, mas eu não queria ouvir.

–Para Bella, não precisa explicar. – a cortei.

–Mas Rose, eu juro que...

–Não jure ok? Não acredito em você. Você me prometeu e não foi. Nem se deu ao trabalho de mandar uma mensagem ou ligar. – falei, com raiva. Dizer que o comportamento de Bella não me afetava estava sendo uma mentira das boas.

–Acontece que o Edward... – outra vez a interrompi.

– Edward, Edward, Edward. Tá vendo, Bella? Você só pensa nele, só fala dele. Desde o baile dos calouros você já começou a ficar estranha, nem ficou muito com a gente. Eu não me importo que você me ignore, mas você sabe como a Alie é, ela te ama Bella, você é a melhor amiga dela e está fazendo isso.

–Você também é a melhor amiga dela. – tentou intervir.

–Sim, nós duas somos, mas eu ainda estou aqui. Estou namorando o Emmett e isso não mudou nem um pouco meu comportamento com a Alice. Se ela precisasse de mim a qualquer momento eu iria até ela e o Emmett que esperasse. Sabe por quê? Porque ela é minha melhor amiga e amizades assim a gente não troca por garoto nenhum. – falei nervosa. Aquela era a verdade, mas Bella parecia não entender.

–Você tá certa, Rose. Ontem o Edward... – ela começou a explicar, mas eu estava farta. Não queria ouvir suas desculpas. Desculpas que eu nem sei se viriam. Eu só estava cansada de ouvir o nome do Masen.

–Não quero saber, Bella. To com fome, tá legal? Vou pra cantina. – disse e dei as costas pra ela, saindo da sala. Escutei apenas o suspiro casado dela antes de passar pela porta.

Não queria ter sido grossa, mas se fosse assim que eu teria que agir para Isabella acordar e ver que está nos perdendo, era isso que eu iria fazer.

Avistei Alice e Emmett na cantina e fui até eles. Me sentei entre os dois e comecei a beber o suco de caixinha que estava em minha frente, em silêncio.

–Aconteceu alguma coisa, Rosie? – Alie perguntou.

Contei a eles o que havia acontecido na sala há poucos minutos. Emmett ficou surpreso comigo, já que não costumava enfrentar ninguém e nem me alterar. Alice gostou de eu ter falado aquilo pra Bella, mas ainda assim estava triste porque nem isso a fez ter a amiga de volta.

Continuamos a comer, logo o sinal bateria. Bella estava sentada numa mesa sozinha na cantina, lendo e comendo batatinhas. Foi Emmett quem a viu e nos cutucou. Seja lá o que tenha acontecido entre ela e o Masen, boa coisa não foi. Edward estava na mesa de sempre e Maggie ao seu lado, cena que não víamos desde o baile. Parece que as coisas estão voltando a ser como antes.

Assim que o sinal bateu, Alice e eu fomos para a turma de física, Emmett para o treino e Bella passou por nós apressadamente. Segurei a vontade que tinha de agarrar seu braço, fazê-la parar e abraçá-la, dizendo que éramos melhores amigas de novo.

No fim da manhã, na saída, lá estava Bella encostada na caminhonete alaranjada. Eu e Emm caminhávamos de mãos dadas e Alice com o braço entrelaçado ao meu, do outro lado.

–Alice, eu posso falar com você, por favor? – Isabella chamou.

Alie olhou para mim como se pedisse permissão e eu apenas sorri e pisquei pra ela. A baixinha foi até Bella, enquanto eu e Emm olhávamos de longe.

–Espero que ela peça desculpas. Não gosto dessa situação. – comentei, abraçando Emm pela cintura, escondendo a cabeça em seu peito, entre a abertura de seu casaco.

–Ela vai sim, você vai ver. Logo vou ser substituído. – ele falou e eu podia sentir o sorriso em seus lábios. Emm colocou as mãos dentro dos bolsos de trás da minha calça.

–Emm! – levantei a cabeça para olhá-lo e lá estava o meu sorriso sapeca preferido. – E que história é essa de ser substituído?

–Ué, vocês são um trio, se voltarem vão me deixar de lado. – ele fez biquinho.

–Para de graça, Emm. Como se fosse possível eu te deixar de lado. – ergui o corpo para poder lhe dar um selinho.

–Então promete que vão me chamar pra fazer compras? – ele brincou.

–Claro, a gente até te compra um vestido lindo. – zoei e nós rimos. Acabamos aquela brincadeira com um beijo delicioso e fomos interrompidos por Alice.

–Oi casal maravilha.

–E aí, Alie? Como foi? – segurei sua mão.

–Ah, ela pediu desculpas por não estar com a gente, me pediu para dizer a você que sente muito não ter ido ontem.

–Okay, eu já a desculpei por isso. Mas e então? As coisas vão continuar assim? – perguntei olhando sobre o ombro de Alie e vendo Bella sair com a caminhonete.

–Não sei Rosie. Ela parecia estar escondendo algo, com medo ou vergonha de contar. Dava pra ver que estava fazendo um esforço enorme pra não chorar e sabemos que a Bells não chora. — a voz de Alice saiu triste.

–Tudo bem, baixinha. Vamos dar um tempo pra ela, né? Estaremos aqui quando ela precisar de nós ou quiser voltar. – abracei Alie e fomos andando em direção ao portão de saída do colégio. Emm vinha ao meu lado.

[...]

Cheguei em casa por volta das 18h. A tarde com Irina, na loja, havia sido incrível. Recebi as clientes, Irina as ajudou escolher o que queriam enquanto eu prestava a atenção para aprender sobre esse lance todo de moda, e embalei as compras, além de organizar o caixa. Segundo a loira eu havia ido muito bem pra quem nunca tinha trabalhado num lugar desses. Na verdade eu só havia trabalhado como babá na minha vida, o que não tinha nada a ver com estar rodeada de roupas e sapatos caros e mulheres chiques. Mas eu estava adorando!

Assim que entrei em casa, lá estava Hector, acomodado no sofá, bebendo uma garrafa de cerveja.

–Onde estava o dia todo? – ele perguntou, sem nem se mexer, enquanto eu trancava a porta.

–Eu disse que arrumei um emprego. Comecei hoje. – respondi, indo em direção à escada.

–Que bom, por que assim pode comprar algo decente pra gente comer. – falou, após outro gole. Os olhos ainda focados na TV, onde a imagem de um jogo de basebol aparecia chuviscada.

Eu não sabia se havia algo naquela cozinha para fazer para o jantar hoje, mas estava cansada demais para sair e comprar qualquer coisa.

–Pai, eu posso pedir uma pizza? – perguntei meio incerta.

Estava esperando que ele fosse dizer não e berrar para que eu fosse cozinhar o que encontrasse, mas ele não fez isso.

–Tanto faz, só arranje o que comer logo.

Subi as escadas rapidamente antes que ele mudasse de ideia. Por algum milagre divino, meu pai não estava com a antipatia de sempre, ao contrário. Pela primeira vez parecia tranquilo. Disquei o número da pizzaria e pedi. Não demorou muito para que chegasse, era perto de casa.

Hector e eu comemos em silêncio na mesa, os dois. Eu e meu pai na mesa juntos era algo incomum desde que mamãe fora embora e seus ataques de fúria começaram. Mas hoje estávamos lá, sem brigas e xingamentos. Pai e filha dividindo uma pizza no fim do dia. Podia ser pouco, mas pra mim era algo de grande importância.

Quando meu pai saiu pra trabalhar, me sentei no chão da sala, liguei a TV, baixinho, em uma série de comédia que costumava assistir e comecei a fazer o dever de casa. Não havia tanta coisa, já que os professores estavam finalizando as notas do semestre. Acho que acabei pegando no sono sobre os cadernos, já que acordei com o barulho da porta batendo.

Ainda com a visão turva do sono, pude ver meu pai passar e subir as escadas. Olhei no visor do celular e era meia noite e meia. Recolhi meus livros e subi, tinha que ir dormir ou amanhã estaria que nem Emmett, dormindo na aula.

Não sei se estava delirando pelo sono ou se minha mente estava imaginando coisas, mas assim que passei em frente ao quarto de Hector o escutei chorar. Mas meu pai não chora, nunca! Ele bebe, grita, me bate, quebra as coisas. Mas chorar? Não, isso nunca.

–Pai, você está bem? – perguntei colocando a cabeça pra dentro do quarto, pela fresta da porta meio aberta.

Assim que me viu, seus olhos vermelhos se encheram de raiva e ele atirou a garrafa que estava em sua mão na minha direção. Fechei a porta com força, antes que me atingisse, escutando o vidro se estilhaçar com o choque.

Corri e me tranquei no quarto. Meu peito arfava a respiração acelerada. Ele estava tentando me matar? Não, ele estava triste, mas pelo visto não queria minha ajuda. Eu só queria saber o que foi capaz de fazer meu pai chorar.

Notas finais
O pai da Rose tem coração, ele chora, gente. O que será que aconteceu com ele? E com a Bells? ai ai ai.. Revelações aos poucos. Então? Mereço comentários? Ninguém mais recomendou a fic, mereço uma? Beijinhos da Joi :3